Taxa forward (taxa a termo): o que é, como funciona, como calcular

A taxa forward, ou taxa a termo, é a taxa de juros acordada hoje para uma operação financeira que será realizada em uma data futura. Entenda como funciona e como calcular.

21 de outubro de 2025 - por Sidemar Castro


A taxa forward, também conhecida como “taxa a termo”, é a taxa de juros implícita em um investimento ou transação financeira que ocorrerá em uma data futura predefinida.

Ela é calculada com base na taxa à vista atual e nas condições de mercado futuras, como inflação, política monetária e diferencial de taxas de juros. Isso permite que investidores e empresas se protejam contra riscos futuros através de contratos a termo, que travam a taxa de câmbio ou juros para uma operação futura. Saiba como calcular.

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O que é a taxa forward (taxa forward)?

A taxa forward (ou taxa a termo) é uma taxa idealizada hoje para um contrato cuja vigência começa em uma data futura. Ou seja: você acorda hoje que a taxa aplicável entre o período X e Y vai ser “tal valor”, mesmo que o mercado flutue até lá. Isso difere da taxa spot, ou taxa à vista, que vale já a partir do momento do acordo até o vencimento.

Para que serve isso? Uma empresa que precisa comprar dólares daqui a seis meses, por exemplo, pode garantir a taxa hoje para não sofrer com alta cambial no momento da compra. Esse uso costuma ser chamado de hedge cambial. Também se aplica a operações com juros em que se quer “travar” uma taxa futura entre dois períodos.

A formação da taxa forward incorpora três elementos principais: a taxa spot (ou à vista), as taxas de juros nos dois mercados envolvidos (interno e externo, no caso de câmbio) e o tempo até a execução do contrato. Matemática à parte, o sentido é que essa taxa futura “larga na frente” ajustada oferecimento de capital hoje e expectativas de taxas futuras.

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Para que serve e como funciona a taxa forward?

A taxa forward serve basicamente para você “travar” hoje um valor que só vai valer no futuro: seja uma taxa de câmbio ou uma taxa de juros. Isso é útil para quem quer se proteger de variações imprevisíveis do mercado.

Por exemplo: uma empresa exportadora que vai receber em dólar daqui a alguns meses pode usar um contrato que define hoje quantos reais receberá por cada dólar no momento do recebimento. Assim, mesmo que o câmbio oscile muito até lá, ela já sabe quanto vai efetivamente receber.

O funcionamento é parecido com combinar hoje um acordo que só começa a valer depois. Em vez de usar uma taxa “spot” (à vista), que vigora desde a assinatura, você combina uma taxa que só entra em vigor num momento futuro predeterminado.

Para isso, o cálculo leva em conta a taxa atual, as taxas de juros nos mercados envolvidos e o prazo até o início e o vencimento do contrato. É um instrumento sob medida, usado para reduzir riscos ou para quem quer apostar em como as taxas vão se comportar no futuro.

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Como calcular a taxa forward?

Para calcular a taxa forward, você parte de duas taxas “spot” (ou taxas atuais) para prazos diferentes e ajusta de modo que investir no prazo mais longo direto seja equivalente a investir no prazo mais curto e depois reinvestir no “forward”.

Por exemplo: suponha que você saiba qual é a taxa anual para 1 ano e qual é a taxa para 2 anos. Você quer descobrir qual seria a taxa para investir no “segundo ano” (isto é, entre o ano 1 e o ano 2).

Você monta uma equação onde: aplicar por 2 anos à taxa de 2 anos = aplicar por 1 ano à taxa de 1 ano = aplicar por 1 ano à taxa forward (que é que você quer descobrir). Desse modo, você isola a forward no cálculo.

Em outras palavras: você exige que o retorno de aplicar por todo o período (2 anos) seja o mesmo que aplicar por parte dele mais aplicar à taxa futura. Fazendo isso, você “descobre” qual teria de ser a taxa futura (forward) para que não haja vantagem arbitrária.

Exemplos

Suponha que o dólar esteja em R$ 5,00 hoje e que você precise comprar 100 mil dólares daqui a seis meses. Em vez de correr o risco de pagar mais caro se a moeda subir, é possível firmar um acordo com uma instituição financeira e travar o valor desde já, por meio da taxa forward. Assim, independentemente de o dólar cair para R$ 4,80 ou subir para R$ 5,20, o preço que você pagará não muda.

O mesmo raciocínio vale para uma empresa aérea que precisa quitar a compra de combustível em dólar daqui a três meses. Para não ser prejudicada por uma alta repentina do câmbio, a companhia pode usar a taxa forward e definir o valor da moeda no presente. Com isso, mesmo que o dólar se altere até o dia do pagamento, ela já sabe quanto vai gastar, garantindo previsibilidade e segurança no controle dos custos.

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Quando aplicar a taxa a termo?

Quando você antecipa que vai estar exposto a variações de câmbio ou de taxas de juros mais adiante, aplicar a taxa a termo pode ser uma forma inteligente de proteger seu orçamento ou investimento.

Ela é útil, por exemplo, para empresas que sabem que terão um pagamento em moeda estrangeira ou que vão contratar financiamento daqui a alguns meses: com a taxa a termo, elas podem definir hoje qual será a taxa futura e se blindar contra surpresas.

A taxa também é indicada quando o prazo da operação não começa logo de imediato. Vamos dar um exemplo mais prático: suponha que você assine hoje um contrato cuja validade só vai ter início em 90 dias. Pois bem, a taxa a termo permite fazer um ajuste no intervalo entre o contrato e o início real da operação, o que não seria possível apenas com a taxa à vista (spot).

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Vantagens e desvantagens da taxa a termo

Vantagens

A taxa a termo é basicamente um jeito de “congelar o preço” de algo para uma data futura, seja o valor do dólar, do euro ou de uma taxa de juro. É como ter um escudo protetor contra as maluquices do mercado.

Imagina que sua empresa precisa comprar insumos em dólar daqui a seis meses. Usando essa taxa, você garante o valor exato que vai pagar hoje, e pronto. Se o dólar explodir até lá, o problema é do mercado, não seu. Você já está protegido!

Além disso, ela não é um produto engessado. Os contratos são customizáveis, o que significa que você pode desenhar o acordo para que ele caiba direitinho nas necessidades da sua empresa, o que é ótimo para quem tem muita operação fora do país ou lida com matérias-primas que vivem mudando de preço.

Desvantagens

No entanto, tem uns detalhes chatos. O principal é que, depois de assinar, o contrato é seu até o final. Não tem como passar para frente, ou seja, falta liquidez.

E o segundo ponto de atenção é o risco de a outra pessoa “dar o cano”. Não existe ninguém fiscalizando ou garantindo que ambos vão cumprir o combinado. Se o parceiro do negócio desistir ou falir, o prejuízo pela quebra do contrato é seu.

Qual a diferença entre a taxa forward e taxa spot?

A diferença entre a taxa spot e a taxa forward é simples: ela está no momento em que a taxa de fato entra em vigor e começa a ser aplicada.

A taxa spot é como o preço da gasolina que você vê no posto: ela é a taxa à vista, que vale para já. Quando você faz uma operação financeira usando a taxa spot, o valor negociado passa a vigorar imediatamente, a partir do dia em que você assina o acordo. É a taxa de mercado do presente, o retrato fiel do valor do ativo naquele instante. Ela é a referência para transações que precisam de agilidade e de curto prazo.

Por outro lado, a taxa forward (ou futura) é um acordo feito hoje, mas com uma “data de ativação” lá na frente. Você senta, negocia e trava o valor da taxa hoje, mas ela só será usada para calcular o seu pagamento ou recebimento a partir de uma data futura predeterminada no contrato. É uma ferramenta de planejamento e proteção. É a garantia de que, não importa o que aconteça com o mercado até lá, você já sabe quanto pagará ou receberá, pois o valor está fixado desde o presente, mesmo que sua validade comece só no futuro.

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Qual a diferença entre taxa forward e swap cambial?

Você vai fazer uma operação de câmbio daqui a três meses e quer garantir hoje qual será a taxa de câmbio que vai usar. Entra então em um contrato de taxa a termo: hoje você combina “daqui a três meses troco X por Y a esta taxa”. Esse instrumento é bastante direto e serve para risco o risco de variação cambial em uma data futura.

Por outro lado, o swap cambial é um instrumento mais complexo para quem precisa de uma proteção ou estruturação maior, por exemplo, uma empresa que vai tomar um empréstimo em dólar e quer pagar em reais, ou que vai realizar exportações e importações contínuas.

Nesse tipo de contrato, as partes trocam montantes de moedas ou fluxos de pagamentos (podem ser juros ou principal) em mais de uma data, ou por um período, em vez de apenas uma data futura.

Então, a principal diferença é que a taxa a termo é um acordo único para um ponto no tempo, enquanto o swap cambial é uma série ou conjunto de trocas que envolvem geralmente mais tempo, mais variáveis e mais linhas de fluxo de pagamento.

Leia também: Taxa de câmbio nominal: o que é e como funciona?

Fontes: Mais Retorno, Rankia, Top Invest, Br Investing, Investopedia.

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