Imposto sobre grandes fortunas (IGF): o que é, para que serve?

1 de dezembro de 2025 - por Sidemar Castro


O Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) é um tributo federal previsto na Constituição Federal do Brasil de 1988, de competência exclusiva da União, mas que ainda não foi regulamentado por lei complementar. Isso significa que, na prática, ele ainda não pode ser cobrado no país.

Quer entender a fundo tudo sobre o IGF? Então, leia o artigo.

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O que é o imposto sobre grandes fortunas (IGF)?

No Brasil, o imposto sobre grandes fortunas é um tributo que está previsto na Constituição, mas que ainda não saiu do papel. Em teoria, ele incidiria apenas sobre pessoas com patrimônio considerado muito alto, e não sobre renda ou consumo do dia a dia.

A proposta seria definir um valor mínimo de riqueza a partir do qual o imposto começaria a ser cobrado, algo que dependeria de uma lei complementar que ainda não foi aprovada. O tema costuma dividir opiniões. Para alguns especialistas, o imposto poderia ser uma alternativa para ampliar receitas sem pesar sobre quem ganha menos.

Já críticos afirmam que, além de envolver uma cobrança complexa, países que implantaram esse modelo acabaram revendo ou reduzindo sua aplicação. Por enquanto, ele permanece como uma possibilidade, mas não como uma realidade prática no sistema tributário brasileiro.

Para que serve o imposto sobre grandes fortunas?

Durante crises econômicas, como a pandemia, o debate sobre o imposto sobre grandes fortunas sempre volta à tona. Isso porque ele é visto como uma alternativa para gerar receita sem pesar ainda mais sobre os trabalhadores e consumidores.

A lógica é cobrar de quem está no topo da pirâmide, o 0,1% mais rico, e usar esses recursos para enfrentar problemas coletivos. Países como Noruega e Suíça aplicam esse tipo de tributo, enquanto outros, como França e Alemanha, já desistiram dele por considerarem pouco eficiente.

No Brasil, apesar de estar previsto na Constituição, nunca foi regulamentado. O que permanece é a discussão: seria uma ferramenta de justiça fiscal ou apenas uma ideia difícil de colocar em prática?

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Como funciona o imposto sobre grandes fortunas?

É um tributo de competência da União que visa taxar a riqueza, ou seja, o patrimônio acumulado de pessoas físicas. A ideia central por trás do IGF é tornar o sistema tributário mais justo e menos desigual, fazendo com que quem tem mais contribua de forma mais proporcional para o financiamento das políticas públicas.

Ele funcionaria de maneira anual, incidindo sobre o valor total do patrimônio (bens e direitos, como imóveis, investimentos e participações em empresas), após a dedução de dívidas e outros bens que a lei venha a excluir (como, em alguns projetos, bens de pequeno valor ou obras de arte).

A cobrança só seria aplicada a fortunas que ultrapassem um limite mínimo estipulado em lei complementar, e as alíquotas seriam geralmente progressivas, aumentando conforme o valor do patrimônio cresce.

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Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) no Brasil

1) O que é o IGF

É um imposto federal que incidiria sobre patrimônios muito elevados, atingindo apenas uma pequena parcela da população. Sua função seria redistributiva, ajudando a financiar políticas públicas.

2) Histórico no Brasil

Previsto na Constituição de 1988, nunca foi regulamentado. Desde então, vários projetos de lei foram apresentados, mas nenhum foi aprovado.

3) Argumentos a favor

Defensores afirmam que o IGF poderia corrigir distorções do sistema tributário brasileiro, que hoje pesa mais sobre consumo e renda do trabalho.

4) Argumentos contra

Críticos dizem que o imposto teria baixa arrecadação e poderia estimular a evasão fiscal, além de afastar investimentos.

5) Situação atual

O tema continua em debate, especialmente em momentos de crise econômica. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a omissão do Congresso em regulamentar o imposto, mas ainda não há prazo definido.

Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) no mundo

Existe um grande contraste entre o modelo “tudo ou nada” do IGF e a tendência mundial de focar em tributos mais específicos sobre o patrimônio.

1) Taxação de Ativos Específicos (Holanda e Bélgica)

Alguns países optam por não ter um IGF tradicional sobre o patrimônio líquido total, mas aplicam taxas sobre certos ativos financeiros ou bens. Por exemplo, a Holanda tributa os rendimentos presumidos do capital investido (não o capital em si), enquanto a Bélgica tem um imposto que incide sobre contas de valores mobiliários acima de um certo limite. Isso mostra uma forma de tributar os mais ricos sem adotar o polêmico IGF total.

2) IGF na América do Sul

Além da Argentina e da Colômbia, o Uruguai e a Bolívia também mantêm alguma modalidade do imposto sobre a riqueza. Essa recorrência pode refletir a necessidade desses países de buscar mais justiça fiscal e financiamento social, em regiões marcadas por grandes desigualdades.

3) O Dilema da Arrecadação

Na prática, mesmo nos países que o mantêm (como Suíça e Espanha), o IGF geralmente representa uma fração muito pequena da receita total do governo (muitas vezes menos de 1% do PIB). Isso reforça o argumento de que seu impacto é mais simbólico na busca pela equidade social do que financeiro em termos de arrecadação pública.

Argumentos a favor e contra o imposto sobre grandes fortunas

Quem apoia o imposto sobre grandes fortunas acredita que ele poderia complementar o sistema tributário brasileiro. Como a cobrança se concentraria apenas em patrimônios muito altos, a proposta é vista como uma alternativa para reduzir desigualdades e reforçar políticas públicas sem aumentar impostos para a maioria das pessoas.

Para esses defensores, o tributo funcionaria como uma contribuição extra de quem tem maior capacidade financeira.

Entre os argumentos contrários, o mais comum é o de que a medida pode ter efeitos colaterais. Há quem diga que, se o custo de manter grandes fortunas no país aumentar, parte desse capital pode simplesmente ir embora, diminuindo investimentos e afetando a economia.

Também se comenta que países que adotaram o modelo acabaram revendo suas regras por arrecadarem menos do que esperavam.

Além disso, a própria implementação é complexa, já que exige mecanismos de avaliação e fiscalização precisos para evitar distorções.

Leia também: Paraíso fiscal: o que é, como funciona, é ilegal ter conta lá?

Fontes: Inteligov, Suno, CFC, Sindijus.

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