CAC 40: o que é, como funciona e impactos

Saiba o que é o CAC 40, como funciona o principal índice da bolsa francesa e qual sua importância para o mercado financeiro europeu.

3 de fevereiro de 2026 - por Millena Santos


O CAC 40 é o principal índice da bolsa francesa e, curiosamente, seu nome já diz muito sobre como ele é estruturado.

Ao acompanhar esse índice, é possível ter uma visão direta do desempenho das maiores e mais relevantes empresas da França, além de entender como a economia do país reage a movimentos políticos, decisões econômicas e mudanças no cenário global.

Veja também: Índices mundiais: O que são e os principais índices do mundo

O que é o índice CAC 40?

O CAC 40 é o principal índice do mercado acionário francês e seu próprio nome ajuda a entender como ele funciona.

A sigla Cotation Assistée en Continu, que pode ser traduzida como “negociação assistida de forma contínua”, é uma referência direta à forma como seus valores são calculados e atualizados ao longo do pregão.

Isso significa que o índice varia constantemente durante os dias úteis, entre 9h e 17h30, com atualizações a cada 30 segundos.

o número 40 indica a composição do índice, pois ele reúne as 40 empresas mais relevantes entre as 100 maiores companhias francesas em valor de mercado, funcionando como um retrato da economia do país.

Por esse motivo, o CAC 40 é a principal referência da Euronext Paris, ocupando um papel bem semelhante ao do Ibovespa no Brasil.

Para que serve e como funciona o CAC 40?

O CAC 40 ajuda a indicar a tendência de desempenho das maiores empresas do país nos mercados financeiros.

Ao acompanhar esse índice, investidores conseguem ter uma noção mais clara de como estão se comportando os principais nomes da economia francesa e, por consequência, do clima geral do mercado.

Para que esse retrato continue fiel à realidade, a composição do índice não é estática.

Periodicamente, em geral a cada trimestre, ou de forma extraordinária em situações como fusões entre empresas, ocorre uma análise detalhada conduzida pelos responsáveis pelo CAC 40 em conjunto com o Conselho Científico dos Índices (CSI), formado por especialistas independentes.

Nessas reuniões, entram em pauta critérios como o volume de negociações das ações e o peso que cada setor econômico tem dentro do índice.

A partir dessas avaliações, pode haver a substituição de uma empresa por outra, caso algum papel perca relevância, liquidez ou valor de mercado. A ideia é garantir que o CAC 40 continue representando as empresas mais relevantes da França e os setores que realmente movem sua economia.

O que afeta o preço do CAC-40?

O valor do CAC 40, no fim das contas, é um retrato em movimento do que está acontecendo com as empresas que o compõem.

Como o índice reúne algumas das maiores companhias francesas, basta um movimento mais forte, para cima ou para baixo, em alguns desses papéis para que o número final já sinta o impacto.

Um dos fatores que costuma ajudar são as commodities. Muitas empresas do CAC 40 dependem diretamente de matérias-primas para funcionar, então quando o preço do petróleo dispara, ou quando os metais oscilam demais, o mercado começa a recalcular expectativas.

E esse ajuste, quase sempre, aparece primeiro nas cotações das ações.

Mas não é só isso. O CAC 40 também reage, e às vezes até antecipa, o humor da economia como um todo. Crescimento, inflação, decisões de política monetária… tudo isso pesa. Sem falar no euro, que entra nessa equação de forma silenciosa, porém decisiva.

Afinal, a moeda mexe com custos, receitas e competitividade. Quando ela se valoriza ou se desvaloriza, o índice acaba refletindo essa mudança, quase como um sinal das tensões e apostas do momento.

Como calcular o CAC 40?

O cálculo do CAC 40 é feito diretamente pela Euronext e acontece praticamente em tempo real, acompanhando cada movimento relevante do mercado.

Para que esse acompanhamento faça sentido ao longo dos anos, foi estabelecida uma base inicial de 1.000 pontos em 1987, que funciona como um marco histórico para medir a evolução do índice desde então.

A lógica por trás do cálculo leva em conta o valor de mercado das empresas que compõem o índice, mas de forma ajustada.

Em vez de simplesmente somar todas as capitalizações, é aplicada uma metodologia que pondera esses valores, garantindo que nenhuma empresa distorça excessivamente o resultado final.

Além disso, existe um fator de ajuste técnico, conhecido como divisor, que surge sempre que ocorrem eventos como desdobramentos de ações ou distribuição de dividendos.

Esse mecanismo serve para preservar a continuidade do índice, evitando saltos artificiais e fazendo com que as variações reflitam, de fato, o desempenho real das empresas ao longo do tempo.

Leia mais: Índice de Ações com Tag long Diferenciado(ITAG): o que é?

Quais são os critérios do CAC 40?

Os critérios, aqui, existem para garantir que o índice continue sendo um retrato fiel das empresas mais relevantes da França. Um dos pontos centrais é a liquidez, ou seja, a frequência e o volume com que as ações são negociadas no mercado.

Assim, quanto maior a movimentação, maior a capacidade daquele papel refletir o interesse real dos investidores.

Outro aspecto importante é a representatividade dos setores econômicos. A ideia não é concentrar o índice em um único tipo de empresa, mas sim criar um equilíbrio que reflita os diferentes segmentos que sustentam a economia francesa, como indústria, serviços, consumo e energia.

Por fim, ainda é importante citar a capitalização de mercado ajustada. Esse critério considera o valor das empresas na bolsa, mas com ajustes que evitam distorções e garantem que o peso de cada companhia no índice seja proporcional à sua relevância econômica e ao volume efetivamente disponível para negociação.

Composição do índice CAC 40

Conta com as seguintes empresas:

  • LVMH
  • L’Oréal
  • Hermès
  • TotalEnergies
  • Sanofi
  • EssilorLuxottica (EL)
  • Safran (SAF)
  • Schneider Electric
  • Engie

Como investir no CAC 40?

Quanto a isso, não se preocupe: é mais simples do que parece, mesmo que o índice esteja ligado ao mercado francês.

O caminho mais comum é recorrer a produtos financeiros que reproduzem o desempenho do índice ou de suas empresas, disponíveis tanto em corretoras nacionais quanto em plataformas internacionais.

Entre as alternativas mais usadas estão os ETFs, que acompanham a bolsa francesa como um todo, permitindo uma exposição diversificada de forma prática.

Também existem os CFDs, mais utilizados por quem busca operações de curto prazo, além dos BDRs de empresas que fazem parte do índice, que possibilitam investir em companhias francesas específicas sem sair do mercado brasileiro.

Vale lembrar que cada uma dessas opções tem características, riscos e custos próprios, o que não extingue a necessidade de entender bem o perfil de investimento antes de escolher.

Assim, o investidor consegue acessar o desempenho do CAC 40 de forma alinhada aos seus objetivos e ao seu nível de tolerância ao risco.

Impactos do índice CAC 40

O CAC 40 exerce um papel relevante porque funciona como um espelho das maiores empresas francesas e, por extensão, do ambiente econômico europeu.

Seus movimentos ajudam investidores, analistas e formuladores de política a perceber se o cenário aponta para confiança, cautela ou estresse econômico, já que o índice concentra companhias estratégicas para a região.

Oscilações mais fortes, especialmente quedas prolongadas, costumam levantar sinais de alerta. Elas podem refletir momentos de instabilidade política, dificuldades fiscais ou desaceleração da economia francesa, afetando não apenas empresas individuais, mas também a percepção de risco sobre o país.

Em situações assim, o impacto tende a se espalhar para o sistema financeiro e para outros mercados europeus, ampliando o efeito além das fronteiras nacionais.

Por ser uma referência central dentro da União Europeia, o CAC 40 também influencia o comportamento de índices vizinhos e o direcionamento de capitais internacionais.

Diante disso, investidores costumam observá-lo como um indicador antecipado de ciclos econômicos, usando seus movimentos para ajustar expectativas sobre crescimento, retração ou mudanças mais amplas no ritmo da economia europeia.

História do índice CAC 40

A história da bolsa francesa começa no fim da década de 1980, em um período de grande modernização dos mercados financeiros europeus.

O índice foi criado em 1987, mas passou a funcionar efetivamente no ano seguinte, quando começou a ser utilizado como referência oficial para acompanhar o desempenho das principais empresas francesas negociadas em bolsa.

Nos primeiros anos, o cálculo do CAC 40 levava em conta a capitalização total das companhias, o que fazia com que empresas com grandes participações acionárias concentradas tivessem um peso elevado no índice.

Com o tempo, ficou claro que esse modelo nem sempre refletia com precisão o que estava, de fato, disponível para negociação no mercado.

Essa percepção levou a uma mudança importante em 2003, quando o índice passou a considerar apenas o chamado free float, ou seja, as ações efetivamente disponíveis ao público.

Além disso, foi estabelecido um limite máximo de peso por empresa, evitando concentrações excessivas e tornando o CAC 40 mais equilibrado e representativo da dinâmica real do mercado francês.

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Fonte: Suno, Mais Retorno, Investopedia, Eu Quero Investir, CNN Brasil, Rankia.

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