CBLC: o que é, função e importância

A CBLC atua na custódia, liquidação e garantia operacional de todas as transações da Bolsa brasileira. Entenda sua função e importância.

30 de maio de 2025 - por Sidemar Castro


A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) foi criada para atender a uma necessidade crescente do mercado financeiro brasileiro: ter uma estrutura de compensação e liquidação mais moderna e eficiente.

No começo, a CBLC funcionava como uma empresa com fins lucrativos. Hoje, porém, ela faz parte da B3 e atua como um dos seus departamentos, sendo peça-chave na custódia de ações e outros títulos privados negociados no mercado nacional.

Quer entender melhor o papel da CBLC e por que ela é tão importante? A gente te explica nesta matéria.

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O que é a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC)?

A sigla CBLC pode até soar técnica, mas ela representa algo muito importante para quem investe na Bolsa de Valores do Brasil. Estamos falando da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, hoje conhecida como Câmara de Ações e Renda Fixa Privada.

Na prática, a CBLC é quem cuida da guarda dos ativos negociados na B3. Toda vez que alguém compra ações, debêntures ou outros títulos, é essa entidade que registra e mantém esses papéis seguros, em nome do investidor.

Ela também é chamada de Central Depositária e cumpre uma função essencial nos bastidores do mercado financeiro: atua como câmara de compensação, organizando e garantindo que todas as operações sejam liquidadas corretamente e com segurança.

Em outras palavras: quando você investe na Bolsa, não precisa se preocupar com onde seus ativos vão parar. A CBLC registra e guarda tudo com segurança. E o mais importante: mesmo que a corretora que você usou passe por dificuldades financeiras, suas ações continuam protegidas, armazenadas separadamente, em seu nome.

É esse tipo de estrutura que ajuda a dar tranquilidade e confiança para quem investe.

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Quais são as funções da CBLC?

Desde que nasceu em 1997, fruto da divisão do patrimônio da antiga Bolsa de Valores, a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) tem sido um pilar fundamental para a estrutura e a segurança do mercado financeiro brasileiro. Basicamente, seu trabalho gira em torno de garantir a custódia (a guarda segura) e a liquidação (o acerto final) das operações, dando credibilidade, agilidade e confiança a cada negócio fechado na Bolsa.

Veja só algumas das coisas mais importantes que a CBLC faz:

Compensação e liquidação

É a CBLC quem cuida de acertar as operações da Bolsa, seguindo regras super rígidas e padrões internacionais de ponta. Isso dá flexibilidade e segurança para todo tipo de investidor.

Tudo acontece muito rápido, em tempo real, graças a sistemas de computador supermodernos. Essa agilidade e confiabilidade são vitais para o mercado funcionar bem.

Para isso, usa um sistema chamado STP (Straight Through Processing – ou Processamento Direto), criado nos anos 90 em Londres e sempre aprimorado. Com o STP, quando as operações chegam à CBLC, já estão praticamente prontas para serem liquidadas, já “combinadas” (compared and matched) ou “travadas” (locked-in).

Antes mesmo da liquidação final, a CBLC dá uma mão. Como as corretoras precisam saber exatamente quem é o dono final de cada operação, a CBLC oferece o Serviço de Alocação de Operações, que facilita demais essa identificação.

Ela ainda oferece serviços como a Liquidação Bruta Facilitada e a Liquidação Garantida Líquida. Ambos funcionam no esquema “entrega contra pagamento” (DVP – Delivery versus Payment), que é uma garantia a mais de segurança: você só entrega o ativo se receber o dinheiro, e vice-versa.

Banco de Títulos

Aqui, a CBLC funciona como uma ponte: permite que investidores “emprestem” seus ativos para outros, claro, com garantias adequadas. Isso é essencial para operações como a venda a descoberto (short selling), onde o investidor vende ações que pegou emprestadas, esperando comprá-las de volta mais barato depois.

Nessas transações, a CBLC age como o “fiador” no meio (contraparte central), garantindo que tudo corra conforme o combinado e reduzindo os riscos para quem empresta e para quem toma emprestado.

O empréstimo é feito tudo online, e quem toma emprestado paga uma taxa para quem emprestou e uma comissão para a CBLC. Um ponto importante: mesmo com o ativo emprestado, os dividendos ou juros (rendimentos) continuam sendo do dono original!

Por isso, muita gente, desde investidores como você e eu até grandes bancos, fundos de investimento e fundos de pensão. acaba optando por emprestar seus ativos. É uma maneira prática de ganhar um dinheiro extra com o que já tem.

Claro, existem regras específicas para participar e algumas restrições legais, dependendo do tipo de investidor.

Além de tudo isso, a CBLC desempenha várias outras funções fundamentais para o mercado financeiro brasileiro funcionar bem. O foco dela nunca muda: garantir segurança, transparência e eficiência em tudo o que acontece por aqui.

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Qual a relação entre a CBLC e a cobança de taxas?

Você sabe, quando a gente investe nosso dinheiro, seja em ações, Tesouro Direto ou fundos, a gente pensa no lucro, né? Mas tem uma parte importante que acontece nos bastidores e que muita gente nem sabe: a segurança dos nossos investimentos. É aí que entra a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).

Considere assim: a CBLC é tipo um guardião dos seus papéis. Ela garante que tudo que você compra esteja registrado certinho, bem guardado e que as movimentações aconteçam de forma segura. É um trabalho essencial pra manter o mercado funcionando direitinho.

Pra essa engrenagem toda rodar, existe a taxa de custódia. Ela serve pra cobrir os custos de manter seus investimentos seguros e organizados. No Tesouro Direto, por exemplo, essa taxa é de 0,25% ao ano sobre o valor que você investiu, e ela é cobrada a cada seis meses. Mas ó, tem uma boa notícia pra quem tá começando: se você investe até 10 mil reais no Tesouro Selic, fica isento dessa taxa!

Outros Investimentos

Para outros investimentos, tipo ações e fundos imobiliários, a coisa muda um pouco. A taxa de custódia pode variar bastante, dependendo do tipo de ativo e, principalmente, das regras da sua corretora.

E aqui vai um detalhe importante: geralmente, a CBLC não cobra essa taxa direto de você. Quem arca com ela no começo são as corretoras. Aí, elas decidem se repassam esse custo pra gente ou não. Algumas, inclusive, nem cobram, principalmente de quem negocia bastante, pra atrair e fidelizar os clientes.

Por isso, a dica de ouro é sempre dar uma olhada na política de custódia da sua corretora. Entender como essas taxas funcionam faz toda a diferença pra você investir com mais tranquilidade e sabedoria.

Importância da CBLC nas operações financeiras

A CBLC exerce um papel essencial no mercado financeiro, oferecendo suporte fundamental aos investidores em suas aplicações. Sua atuação garante não apenas segurança nas negociações realizadas na Bolsa de Valores, mas também agilidade no resgate de recursos em momentos de necessidade.

Regulada e fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CBLC passa por constantes análises, o que assegura uma operação confiável e transparente. Desse modo, isso reduz riscos e aumenta a confiança dos participantes no mercado.

É sempre importante verificar as taxas de custódia envolvidas em cada investimento. Nesse sentido, contar com a orientação de um banco de investimentos pode ser uma ótima estratégia para tomar decisões mais acertadas.

A CBLC é importante tanto para quem compra quanto para quem vende ações, pois simplifica e organiza transações que, de outra forma, seriam bastante complexas. Sua estrutura contribui para a eficiência e segurança do sistema, evitando falhas e proporcionando tranquilidade aos investidores, inclusive com mecanismos preventivos para eventuais imprevistos.

Além disso, as operações seguem prazos rigorosos. No mercado à vista, por exemplo, a liquidação ocorre em até três dias úteis após a negociação, o chamado prazo D+3. Portanto, caso a entrega não seja concluída nesse período, o vendedor é penalizado com multa, e o processo de recompra é iniciado.

Outro serviço importante prestado pela CBLC é a gestão do Canal Eletrônico do Investidor. Assim, por meio de login e senha com CPF ou CNPJ, o investidor pode acessar informações detalhadas sobre seus investimentos em ações, derivativos, garantias, Tesouro Direto, proventos, ativos financeiros e empréstimos de ativos. O sistema permite consultas em tempo real, proporcionando transparência e controle total das movimentações.

Saiba mais sobre: Horizonte de investimentos, o que é? Tipos de prazos, riscos e liquidez

Origem e história da CBLC

Calispa (1961–1997) e a evolução para a CBLC

Fundada em 1961 no centro de São Paulo, a Calispa (Caixa de Liquidação de São Paulo) era responsável pela liquidação das operações com ações em papel, conhecidas como cautelas. Funcionava de forma manual: após cada negociação, as corretoras enviavam as ações à Calispa, que registrava os negócios, destacava cupons de dividendos e transferia os papéis.

Com o crescimento acelerado do mercado de ações no início dos anos 1970, a Calispa entrou em colapso operacional devido ao excesso de transações e à limitação dos processos manuais. A modernização veio apenas em 1972, quando a Bolsa se transferiu para a Rua Álvares Penteado e a Calispa recebeu novos investimentos.

Em 1997, a Calispa foi extinta e substituída pela CLC (Câmara de Liquidação e Custódia), criada pela Bolsa do Rio e depois incorporada pela Bovespa. A fusão deu origem à CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia), marcando a transição para um sistema eletrônico. As ações passaram a ser escriturais, e as antigas cautelas tornaram-se peças históricas.

CBLC (1997–2008)

Já modernizada, a CBLC atingiu médias expressivas:

  • R$ 3,59 bilhões liquidados por dia
  • 266 mil operações diárias
  • Mais de 10,9 bilhões de títulos processados diariamente
  • R$ 682 bilhões em volume de custódia
  • Mais de R$ 2,2 trilhões em ativos sob sua guarda

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Fontes: Toro, Modal Mais e Status Invest.

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