29 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
Você já ouviu falar em expurgo inflacionário? Bem, sabe quando a inflação está alta e os números ficam todos distorcidos? É como se tudo parecesse maior do que realmente é. Pois é, o expurgo inflacionário é justamente a técnica que os economistas usam para limpar essa bagunça.
Eles tiram o efeito da inflação dos cálculos, como quem tira uma lente embaçada. Assim, dá pra ver com clareza como a economia realmente está, sem que a inflação disfarce o crescimento verdadeiro ou outras coisas importantes. Entenda como isso se dá.
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O que é expurgo inflacionário?
Quer entender o que é expurgo inflacionário? Imagine isso: você guarda seu dinheiro no banco, confiando que ele vai acompanhar a inflação… mas aí, por algum motivo, isso não acontece.
Esse ‘sumiço’ de correção monetária é o tal do expurgo. Basicamente, é quando o governo ou bancos deixam de repor a inflação nas suas economias, seja por não aplicar o índice do período, seja por usar um percentual menor que o devido.
O resultado é um baque no bolso: seu dinheiro vai perdendo poder de compra sem você perceber, como se fosse corroído silenciosamente. E isso não é teoria, pois rolou de verdade no Brasil em vários momentos. O caso mais famoso?
As contas do FGTS em 1989 e 1990, quando milhões de trabalhadores viram parte de suas economias evaporar sem compensação pela inflação alta da época. Foi um verdadeiro desfalque nas contas da população.
Quando ocorre o expurgo inflacionário?
Tente entender a economia quando a inflação está nas alturas: é como analisar números através de um vidro embaçado. Tudo parece distorcido, e comparar dados de meses ou anos diferentes vira um desafio. É aí que entra o expurgo inflacionário: uma técnica que os economistas usam pra ‘limpar’ esses dados, tirando o efeito da inflação da equação.
Para que ele serve? Para enxergar o que realmente importa:
- Descobrir se o PIB cresceu de fato ou se foi só ilusão dos preços altos;
- Calcular quanto o salário da população realmente rende, descontando a alta do custo de vida;
- Tomar decisões econômicas com base na realidade, não em números inflados artificialmente.
No fim das contas, é um ajuste essencial para não sermos enganados pela inflação. Um jeito de separar o que é crescimento genuíno do que é só fumaça de preços subindo.
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Expurgos inflacionários no Brasil
Plano Verão
Se você acordasse num Brasil onde o dinheiro derretia na carteira antes do fim do mês, o que faria? Era assim no final dos anos 80, com a inflação nas alturas. Na esperança de frear essa loucura, o governo Sarney lançou o Plano Verão (1989).
A receita? Congelar preços, salários… e um golpe duro na poupança do brasileiro: parte do dinheiro guardado nas cadernetas simplesmente evaporou num ‘expurgo’. A ideia era secar o mercado, mas na prática, virou um confisco disfarçado, e o povo sentiu no bolso o baque da perda real. Isso por que determinava que os saldos das cadernetas de poupança fossem atualizados, a partir do mês seguinte, com base no rendimento acumulado das Letras Financeiras do Tesouro (LFT), e não mais pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Plano Collor
Mal se recuperavam do susto, eis que em março de 1990, Collor entra em cena com um plano ainda mais ousado. O Plano Collor não usava meias-palavras: confiscou na cara dura poupanças, contas-correntes e investimentos acima de certo limite.
Quem tinha recursos viu o acesso bloqueado da noite para o dia. O objetivo? Tirar trilhões de circulação para domar a inflação galopante. O resultado? Caos. Filas intermináveis nos bancos, desespero de quem perdeu o acesso a suas economias, e uma revolta que marcou gerações. Foi um terremoto financeiro que deixou cicatrizes profundas na confiança do país.
Efeitos do expurgo inflacionário
O expurgo inflacionário é tipo um ‘filtro da verdade’ para a economia. Quando aplicado, ele tira a maquiagem que a inflação coloca nos números, e isso muda tudo. Governos deixam de voar cegos, empresas enxergam seus lucros reais, e investidores tomam decisões sem ser enganados pela ilusão de preços altos.
Sem expurgo inflacionário, a análise econômica vira um jogo de espelhos: tudo parece maior, mas é ilusão. Quando economistas ‘limpam’ os dados da inflação, a magia acontece:
- Governos descobrem se a economia realmente cresceu ou se foi só o pãozinho que dobrou de preço;
- Empresas veem se seu lucro é mérito ou só refluxo da inflação;
- Cidadãos entendem se seu salário avançou ou só correu atrás do prejuízo.
É assim que se evitam políticas econômicas baseadas em miragens – e se para de punir quem já sofre com o custo de vida alto. Afinal, como dizem: ‘contabilidade honesta é o primeiro passo pra justiça social.
Entenda: Índice de custo de vida: aprenda o que é e como calcular
Expurgo inflacionário na atualidade
Hoje em dia, o expurgo inflacionário segue sendo um desembaçador essencial da economia. Pense nele como um tradutor que converte ‘números inflados’ em realidade nua e crua.
Por exemplo: quando você vê que seu salário subiu 10% no ano, será que isso realmente melhorou sua vida? Só o expurgo responde. Ele tira o efeito da inflação e revela se você ganhou poder de compra ou só correu atrás dos preços no supermercado.
Quem usa isso no dia a dia? Todo mundo que lida com grana séria:
- Governos calculam o PIB real (aquele que mostra se a economia de fato cresceu, não só se tudo ficou mais caro);
- Investidores avaliam se um negócio rendeu lucro verdadeiro ou foi só ilusão monetária;
- Empresas planejam investimentos sem cair em autoengano contábil.
A boa notícia? Em países como o Brasil atual, onde a inflação está mais domada, o expurgo dói menos. Mas onde os preços ainda disparam (como na Argentina ou Turquia), essa correção é sobrevivência: a única forma de evitar que estatísticas virem ficção e políticas públicas errem o alvo. Afinal, enxergar a economia sem lentes distorcidas não é luxo, é transparência básica.
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Fontes: Suno, Jurisway, Oliveira Guimarâes.