Irving Fisher: tudo sobre um dos pioneiros da economia neoclássica

Irving Fisher foi um pioneiro da economia neoclássica e da econometria, da teoria monetária à análise das taxas de juros. Leia sua biografia.

6 de julho de 2025 - por Sidemar Castro


Irving Fisher foi um dos economistas americanos mais geniais e importantes de todos os tempos. Suas ideias não só moldaram o que sabemos sobre economia hoje, especialmente em finanças e teoria monetária, como ele era um pensador que ia além, interessado em tudo e sempre buscando soluções práticas para os problemas do mundo.

Neste artigo, vamos mergulhar na biografia de Fisher e entender suas incríveis contribuições para a teoria neoclássica.

Leia mais: Efeito Fisher: o que é e como funciona?

Biografia de Irving Fisher

Nascimento e educação Irving Fisher

Irving Fisher chegou ao mundo em 27 de fevereiro de 1867, lá em Saugerties, Nova York. Desde novinho, já dava pra ver que ele tinha uma cabeça brilhante e uma curiosidade que não acabava mais. Sua jornada nos estudos começou na Universidade de Yale, e ele mandou super bem não só em matemática, mas também em economia.

Em 1888, Fisher se formou em Yale com uma das melhores notas da turma. E não parou por aí: em 1891, ele fez história ao conquistar o primeiro doutorado em Economia Matemática que Yale já tinha concedido. Isso mostra o quanto ele estava à frente do seu tempo, unindo o rigor da matemática com os desafios complexos da economia.

A tese dele, “Investigações Matemáticas na Teoria do Valor e dos Preços”, já era um presságio do impacto gigantesco que ele teria na área.

Vida pessoal de Irving Fisher

A vida de Fisher foi uma mistura de dedicação total ao trabalho e um interesse genuíno por causas sociais. Ele se casou com Margaret Hazard Fisher em 1893, e eles tiveram três filhos. Fisher era famoso por levar uma vida disciplinada, sendo um defensor apaixonado da saúde e do bem-estar. Ele foi atleta na faculdade e, depois, se tornou um entusiasta de exercícios físicos e alimentação saudável.

Além de toda a sua vida acadêmica, Fisher se meteu de cabeça em movimentos de reforma social. Ele foi um defensor ferrenho da proibição do álcool nos Estados Unidos, a chamada “Lei Seca”, e também um grande promotor da melhoria da saúde pública, especialmente na luta contra a tuberculose.

Essa paixão por causas sociais mostrava que ele não era só um acadêmico trancado em sua torre de marfim, mas alguém que se importava de verdade com o bem-estar da sociedade. Apesar de todo o otimismo e confiança nas suas teorias, a Grande Depressão foi um baita desafio pra ele, já que suas previsões iniciais de que a recuperação seria rápida acabaram se mostrando erradas, dando uma arranhada na sua reputação por um tempo. Fisher nos deixou em 29 de abril de 1947, em Nova York, mas deixou um legado imenso para a economia.

Trajetória de Irving Fisher

1) Professor e Pesquisador em Yale

Sua jornada na academia decolou bem rápido em Yale, onde ele virou professor em 1895. Fisher foi um verdadeiro pioneiro ao aplicar métodos matemáticos à economia, algo que era revolucionário para a época. Ele ajudou a fazer da economia uma disciplina mais rigorosa e científica, influenciando muitas gerações de economistas.

2) Teoria Quantitativa da Moeda

Uma das contribuições mais famosas dele é a equação de troca, que você vai ver por aí como MV=PT. Essa fórmula sugere que a quantidade de moeda em circulação (M) multiplicada pela velocidade com que o dinheiro troca de mãos (V) é igual ao nível geral de preços (P) multiplicado pelo volume de transações (T).

Fisher usou isso para defender que a inflação é, em grande parte, um problema causado pelo excesso de dinheiro, uma ideia que segue sendo fundamental na macroeconomia.

Leia sobre: Teoria quantitativa da moeda: o que é e para que serve o conceito

3) Teoria do Juro

Fisher também deu uma contribuição gigante para a teoria do juro. Ele explicou que a taxa de juros nominal (aquela que a gente vê no banco) é na verdade a taxa de juros real (o ganho de verdade que você tem no seu investimento) mais a inflação esperada. Essa diferença entre juros nominais e reais, que ficou conhecida como Efeito Fisher, é um pilar da economia financeira e ajuda a gente a sacar como a inflação mexe com os investimentos.

4) Economia do Bem-Estar e Indexação

Ele era um defensor da estabilização de preços e da indexação de contratos (ajustar os valores pela inflação) pra diminuir a incerteza e promover uma economia mais justa. Fisher acreditava que manter os preços estáveis era essencial para o bem-estar da sociedade, e as ideias dele foram precursoras de muitas das políticas que os países usam hoje para controlar a inflação.

5) Empreendedorismo e Invenções

Além de ser um gênio da academia, Fisher era um inventor nato. Ele criou um sistema de fichário indexado visível, que ele vendeu depois para uma empresa (a Rand Kardex Company, hoje parte da Remington Rand), e isso o deixou bem rico. Essa veia empreendedora mostra que ele sabia aplicar seu pensamento inovador não só na teoria, mas também na prática.

6) Ativismo Social e Saúde Pública

Fisher não se contentou só com a economia. Ele foi um ativista social super engajado. Foi um defensor fervoroso da proibição do álcool e da saúde pública, especialmente na batalha contra a tuberculose. A atuação dele nessas áreas mostrava seu compromisso em melhorar a vida das pessoas de forma geral.

7) Análise da Grande Depressão

Mesmo sendo um dos maiores economistas da história, Fisher cometeu um erro famoso ao dizer, um pouco antes da Grande Depressão de 1929, que o mercado de ações tinha chegado a um “platô permanentemente alto”. Essa previsão foi um baita tiro n’água e afetou a reputação dele na época.

No entanto, ele foi um dos primeiros a analisar a fundo a teoria da deflação da dívida como causa da Depressão. Ele argumentou que, com a queda nos preços e nas rendas, as dívidas ficavam muito mais pesadas, levando a falências e a um ciclo vicioso. Essa análise dele é super respeitada hoje em dia.

Teorias de Irving Fisher

1) Teoria Quantitativa da Moeda

Sabe quando a gente fala que “tem muito dinheiro no mercado”? Fisher foi um dos caras que popularizou essa ideia. Ele defendia que a quantidade de dinheiro que circula na economia tem uma relação direta com os preços que a gente paga pelas coisas. Ele até criou uma equação famosa pra explicar isso:

MV = PT

Onde:

  • M é o total de dinheiro que está na mão das pessoas e empresas.
  • V é a velocidade com que esse dinheiro “troca de mãos” (ou seja, quantas vezes a mesma nota é usada para comprar coisas).
  • P é o nível geral de preços, ou seja, o custo médio de tudo.
  • T é o volume de transações, a quantidade de coisas sendo compradas e vendidas.

O que Fisher dizia é que, se a velocidade do dinheiro e a quantidade de coisas vendidas não mudarem muito, um aumento na quantidade de dinheiro (M) vai fazer os preços subirem (P), gerando inflação. Essa ideia foi super importante e deu origem ao monetarismo, que é uma linha de pensamento que defende que controlar o dinheiro em circulação é essencial para controlar a inflação.

2) Efeito Fisher

Essa é uma das “sacadas” mais conhecidas de Fisher. Ele percebeu que a taxa de juros que a gente vê (a nominal) não é o mesmo que o ganho real do dinheiro, principalmente por causa da inflação. Ele colocou isso numa fórmula:

i = r + E_p

  • i é a taxa de juros que a gente vê no mercado (a nominal).
  • r é a taxa de juros “de verdade”, o ganho real que seu dinheiro tem depois de descontar a inflação.
  • E_p é a expectativa de inflação, ou seja, o quanto a gente espera que os preços subam no futuro.

O que ele mostra com isso é que, se todo mundo começa a esperar mais inflação, a taxa de juros nominal (aquela que aparece nos empréstimos e investimentos) também precisa subir pra compensar, mantendo o seu ganho real intacto. Essa relação é crucial para os bancos centrais decidirem qual a melhor taxa de juros para tentar controlar a inflação.

3) Distinção entre Taxas Reais e Nominais de Juros

Fisher foi um pioneiro ao mostrar que a gente não pode confundir a taxa de juros nominal (a que está ali, “na cara”) com a taxa de juros real (o quanto seu dinheiro realmente rendeu ou custou, depois que a inflação entra na conta).

Ele explicou que, mesmo que você veja uma taxa de juros nominal alta, se a inflação estiver lá em cima, seu dinheiro pode estar rendendo pouco “de verdade”, ou até perdendo valor! Essa distinção é vital pra gente entender o impacto da inflação nas nossas decisões de investimento e até no nosso dia a dia.

4) Teoria da Dívida-Deflação

Depois daquela crise gigantesca de 1929, Fisher começou a pensar sobre o que fazia as coisas piorarem tanto. Ele criou a Teoria da Dívida-Deflação, que diz o seguinte: quando uma bolha econômica estoura (tipo uma bolha imobiliária ou de ações), os preços caem (isso é deflação). Com a deflação, o peso das dívidas aumenta na prática.

Imagina: você deve R$100,00.Se tudo ao seu redor começa a valer menos, esses R$100,00 ficam muito mais pesados de pagar, porque sua renda também pode estar caindo. Isso leva empresas e pessoas a não conseguirem pagar suas dívidas, o que aprofunda a crise e cria um ciclo vicioso de preços caindo e muita gente endividada. Essa ideia dele foi muito à frente do tempo e é usada até hoje pra entender crises financeiras.

5) Ilusão Monetária

Fisher notou que, muitas vezes, a gente cai na ilusão monetária. O que é isso? É quando a gente pensa só nos valores nominais do dinheiro, sem considerar o quanto a inflação (ou deflação) está “comendo” ou “inflando” nosso poder de compra.

Por exemplo, você pode achar que seu salário aumentou, mas se a inflação subiu mais ainda, na verdade você está perdendo poder de compra. Essa ilusão pode levar pessoas e empresas a tomarem decisões ruins, porque elas superestimam ou subestimam seus ganhos e perdas reais. É um conceito muito relevante pra entender o nosso comportamento econômico.

6) Valor do Tempo e Taxa de Juros

Outra ideia importante de Fisher foi sobre o valor do tempo no dinheiro. Ele disse que um bem ou dinheiro que você tem hoje vale mais do que o mesmo bem ou dinheiro no futuro. Por quê? Porque você pode usar ou investir esse dinheiro hoje. A taxa de juros é exatamente a medida desse “custo” de adiar o consumo ou o investimento.

Essa visão é fundamental pra entender por que a gente poupa, investe ou pega empréstimos. Ela ajuda a explicar como nossas decisões de consumo ao longo do tempo são influenciadas pelo valor que damos ao dinheiro presente versus o dinheiro futuro.

7) Efeito Fisher Internacional

Fisher levou suas ideias sobre juros para o cenário global com o Efeito Fisher Internacional. Ele propôs que as diferenças nas taxas de juros nominais entre países refletem as expectativas de inflação em cada um. Consequentemente, essas diferenças de inflação esperada tendem a ser refletidas nas taxas de câmbio.

A teoria sugere que, num mundo onde o dinheiro pode se mover livremente entre países, as taxas de juros reais (depois de descontar a inflação) tenderiam a se equilibrar globalmente. Assim, se a taxa de juros nominal de um país está mais alta, é porque se espera mais inflação lá, e isso acabaria sendo compensado por uma desvalorização da moeda desse país. É uma forma de entender como as taxas de juros e o câmbio estão conectados no mercado global.

Ideias pessoais de Irving Fisher

A experiência pessoal de Irving Fisher com tuberculose levou-o a uma profunda convicção de que a saúde física era a base da produtividade e prosperidade nacional. Defendia vigorosamente dieta rigorosa (vegetarianismo, abstinência de álcool/cafeína), exercício e higiene, vendo o “capital humano saudável” como riqueza essencial.

Fisher também foi pioneiro na aplicação de modelos matemáticos e estatísticos à economia. Sua famosa Equação de Troca (MV = PT) exemplifica sua crença de que a economia poderia ser medida e controlada cientificamente, especialmente a oferta monetária para garantir estabilidade de preços.

Ele era um entusiasta do progresso tecnológico, acreditando que levaria a uma prosperidade permanente. Esse otimismo contribuiu para sua infame declaração, dias antes do crash da bolsa em 1929, de que os preços das ações haviam atingido um “platô permanentemente alto”, erro que custou sua fortuna e manchou sua reputação.

Entretanto, sua defesa da Eugenia era controversa. Como muitos intelectuais de sua época, Fisher apoiava a eugenia. Presidente da Sociedade Americana de Eugenia, via o controle da reprodução (“melhoramento racial”) como uma extensão necessária de suas ideias sobre saúde e eficiência social, um aspecto sombrio e criticável de seu legado à luz dos valores atuais.

Após a Grande Depressão, tornou-se um crítico ferrenho da deflação. Desenvolveu a teoria de que a queda dos preços aumenta o fardo real das dívidas, desencadeando falências, desemprego e uma espiral econômica destrutiva. Defendia ações agressivas dos bancos centrais para expandir o crédito e combater a deflação, influenciando políticas futuras.

Sendo assim, Irving Fisher foi um economista brilhante e inovador, cujo rigor matemático revolucionou a disciplina e cujos conhecimentos sobre juros, moeda e deflação permanecem relevantes. Contudo, sua visão foi profundamente moldada por suas obsessões pessoais com a saúde e por ideias de seu tempo, como a eugenia. Sua história é marcada tanto por contribuições fundamentais quanto por erros de julgamento significativos e posições hoje condenáveis, retratando uma figura complexa e contraditória.

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Obras de Irving Fisher

Irving Fisher foi um autor prolífico, e suas obras não eram apenas densos tratados acadêmicos, mas também livros que buscavam educar o público e influenciar políticas. Ele tinha um talento especial para pegar ideias complexas e explicá-las de um jeito que a gente conseguia entender, aplicando a matemática à economia de um jeito inovador.

  • Mathematical Investigations in the Theory of Value and Prices (1892)

Originada de sua tese de doutorado, esta obra demonstrou a genialidade precoce de Fisher. Foi pioneira no uso rigoroso da matemática para analisar a determinação do valor e dos preços.

Solidificou sua reputação como economista matemático, transformando discussões antes mais filosóficas em modelos baseados em equações e gráficos, conferindo maior precisão científica à disciplina. É um marco fundamental na história do pensamento econômico.

  • The Nature of Capital and Income (1906)

Neste livro, Fisher explorou profundamente conceitos fundamentais como capital e renda. Estabeleceu uma clara distinção: o capital representa um estoque de riqueza em um dado momento, enquanto a renda é o fluxo de serviços ou benefícios gerados por esse capital ao longo do tempo. Esta sistematização tornou-se crucial para a teoria econômica do investimento e da acumulação de riqueza.

  • The Purchasing Power of Money (1911)

Provavelmente sua obra mais conhecida, desenvolve detalhadamente a Teoria Quantitativa da Moeda, expressa na famosa equação MV = PT (Oferta de Moeda * Velocidade de Circulação = Nível Geral de Preços * Volume de Transações). Fisher argumentou que a inflação é essencialmente um fenômeno monetário, causado principalmente pela expansão da oferta de dinheiro. Tornou-se um clássico da teoria monetária, influenciando profundamente o pensamento sobre inflação e políticas de bancos centrais.

  • The Rate of Interest (1907) e The Theory of Interest (1930)

Estes trabalhos formam a base da análise de Fisher sobre juros. Ele investiga as causas e a determinação das taxas de juros, introduzindo o conceito fundamental conhecido como Efeito Fisher: a taxa de juros nominal é igual à taxa de juros real mais a inflação esperada.

São obras essenciais para compreender a relação entre tempo, preferência temporal, expectativas de inflação e o custo do dinheiro, pilares da economia financeira.

  • How to Live: Rules for Healthful Living Based on Modern Science (1915) – Coautoria com Eugene Lyman Fisk

Diferente de suas obras econômicas, este livro aborda saúde e bem-estar. Motivado por sua experiência pessoal com tuberculose, Fisher tornou-se um defensor fervoroso da vida saudável, enfatizando dieta adequada, exercícios físicos e higiene. Reflete sua visão pragmática e multidisciplinar, onde a saúde individual era vista como base para a produtividade e o bem-estar social.

  • Boom and Depressions (1932) e The Debt-Deflation Theory of Great Depressions (1933)

Escritas após a Grande Depressão, estas obras representam o esforço de Fisher para entender a crise. Apesar de ter subestimado seu impacto inicialmente, ele desenvolveu a influente Teoria da Deflação da Dívida.

Argumentou que a queda dos preços (deflação) aumenta drasticamente o fardo real das dívidas, levando a falências em cadeia, redução da oferta monetária e aprofundamento da recessão. Sua análise, inicialmente criticada, é hoje reconhecida como perspicaz para entender crises financeiras profundas.

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Fontes: Suno, Rankia e Corecon-RJ.

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