2 de junho de 2025 - por Sidemar Castro
Os países emergentes são aqueles que estão em um ritmo acelerado de crescimento econômico e social. Eles ainda não chegaram ao status de nações desenvolvidas, mas já superaram o estágio de países de baixa renda. Em outras palavras, estão no meio do caminho, e avançando rápido.
Essas nações costumam apresentar economias em expansão, com aumento nos investimentos estrangeiros, industrialização crescente e uma população cada vez mais ativa e exigente, em busca de melhores oportunidades e qualidade de vida.
Quer entender melhor como esses países funcionam, seus desafios e oportunidades? Siga a leitura e mergulhe no universo das economias emergentes.
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O que são países emergentes?
No tabuleiro global, um grupo de nações desafia categorias simplistas. São as economias emergentes, países que, embora ainda não integrem o seleto grupo das nações desenvolvidas, já deixaram para trás a condição de subdesenvolvimento. Como adolescentes em crescimento acelerado, eles ocupam um espaço único: a fronteira móvel entre potencial e concretização.
O que define esses países é seu ritmo transformador. Suas economias expandem-se a taxas que geralmente superam as de potências consolidadas, impulsionadas por três forças interligadas: investimentos estrangeiros em fluxo contínuo, processos de industrialização ganhando escala e uma população jovem e urbanizada que exige mobilidade social. São sociedades onde o acesso à tecnologia e a aspiração por melhores condições de vida criam um caldo de inovação e consumo sem precedentes.
Por trás desse dinamismo, no entanto, escondem-se desafios estruturais profundos. A corrida pelo desenvolvimento esbarra em infraestruturas insuficientes, desigualdades sociais que resistem a declinar e instituições por vezes frágeis. A corrupção, como um dreno silencioso, ainda mina recursos que poderiam acelerar mudanças. Essas contradições tornam a trajetória emergente tão fascinante quanto imprevisível.
O que torna essas economias tão decisivas para o século XXI? Elas são laboratórios vivos de novas formas de crescimento, desafiando modelos tradicionais enquanto reconfiguram cadeias produtivas globais. Suas cidades verticais, parques tecnológicos e mercados de consumo massivo redesenham o mapa econômico mundial.
Peso global
Seu peso global, contudo, é inquestionável. China, Índia, Rússia, Brasil e Indonésia figuram não apenas entre as economias de crescimento mais vigoroso, por vezes rivalizando com nações desenvolvidas em expansão do PIB. Mas, também, como gigantes demográficos. Dos dez países mais populosos do planeta, apenas os EUA são plenamente desenvolvidos. Essa massa crítica transforma emergentes em polos de consumo capazes de alterar fluxos comerciais globais e redefinir cadeias de valor.
Aqui reside uma contradição essencial: são economias que combinam vulnerabilidade e influência. Enquanto lutam contra assimetrias internas, seu dinamismo redefine o equilíbrio de poder econômico mundial. Com 85% da população do globo, representam o principal laboratório do futuro, onde desafios sociais e oportunidades de crescimento coexistem em escala continental.
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Quais são as características dos países emergentes?
Classificar uma nação como “emergente” é menos uma ciência exata e mais um exercício de perspectiva. Organismos como ONU, Banco Mundial e OMC (Organização Mundial do Comércio) utilizam métricas distintas, mas convergem em um ponto: esses países ocupam o espaço intermediário do desenvolvimento, onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) oscila entre 0,5 e 0,79. Essa faixa, nem baixa, nem alta, reflete sociedades em transição: acesso à saúde e educação expande-se, mas sem atingir a plenitude das economias maduras.
O fenômeno está intrinsecamente ligado a processos históricos de transformação estrutural. Na América Latina, por exemplo, a urbanização acelerada do século XX, impulsionada pela industrialização, criou cidades pulsantes mas também desigualdades persistentes. Esse padrão repete-se em diversas geografias: migrações maciças do campo para centros urbanos geram força de trabalho, mas pressionam infraestruturas e serviços.
No campo produtivo, prevalece uma industrialização em estágio intermediário. É uma economia que já fabrica smartphones, mas cuja coluna vertebral ainda depende de aço, soja ou minério.
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Quais são os países emergentes?
Definir quais países integram o seleto grupo das economias emergentes é um exercício de nuances. A ausência de consenso reflete a diversidade de critérios adotados por instituições e analistas, do crescimento do PIB ao potencial geopolítico. Contudo, alguns nomes surgem com insistência no radar global, seja pelo peso demográfico, pela influência regional ou pelo dinamismo econômico.
O Brasil destaca-se como locomotiva sul-americana, enquanto a China consolida décadas de expansão vertiginosa que a transformaram em potência manufatureira. A Índia, com seu oceano populacional e setor tecnológico em ebulição, projeta-se como mercado consumidor do futuro. Já a Rússia exerce influência incontornável, lastreada em recursos naturais e relevância estratégica.
No tabuleiro continental, a África do Sul emerge como polo de desenvolvimento africano, assim como o México se afirma pela integração produtiva com os EUA e parques industriais robustos. O Sudeste Asiático tem na Indonésia um ator central, população maciça e economia em ascensão, e a Turquia fervilha em sua ponte euro-asiática, pulsando em setores como tecnologia e infraestrutura.
Esta constelação ainda inclui economias de perfil limítrofe: a Coreia do Sul, frequentemente em transição para o status de desenvolvida; Argentina e Chile, com seus ciclos de inovação e instabilidade; e a Colômbia, impulsionada por reformas estruturais.
São nações que, mesmo com trajetórias distintas, compartilham um DNA de transformação acelerada: laboratórios vivos onde o crescimento econômico convive com desafios sociais complexos.
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BRICS e os países emergentes
Mais que um acrônimo, os BRICS emergiram como uma força tectônica no cenário internacional. Esta aliança entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul representa um fenômeno singular: países com trajetórias distintas convergindo para redesenhar as regras do poder global. Juntos, respondem por 27% do PIB mundial em paridade de poder de compra e abrigam 41% da população do planeta, números que traduzem sua influência incontornável.
O que distingue este grupo é sua capacidade dual: são potências emergentes que combinam desenvolvimento acelerado com projeção estratégica. Enquanto dinamizam cadeias produtivas globais (da soja brasileira aos semicondutores chineses), assumem papéis protagonistas em fóruns decisórios como a OMC e o G20. Sua voz coletiva desafia o unilateralismo, defendendo reformas em instituições financeiras internacionais e promovendo modelos alternativos de desenvolvimento sustentável.
Três pilares sustentam sua relevância:
- Mercado de escala continental: Com 3,2 bilhões de consumidores, atraem fluxos recordes de investimento direto, transformando demandas domésticas em oportunidades globais;
- Soberania tecnológica crescente; Da Índia como hub de inovação digital à Rússia em energia nuclear, desenvolvem capacidades estratégicas que reduzem dependências externas;
- Cooperação estruturante: Bancos como o NDB (Novo Banco de Desenvolvimento) financiam infraestruturas transcontinentais, enquanto acordos comerciais em moedas locais desafiam a hegemonia do dólar.
Novos membros
A histórica ampliação de 2024 marcou a transição dos BRICS de clube fechado a aliança inclusiva. A incorporação da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e Etiópia não é mero acréscimo numérico, mas uma jogada geoeconômica calculada. Juntos, os novos membros aportam:
- 40% das reservas mundiais de petróleo (via Arábia Saudita e EAU);
- Controle estratégico do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez (Irã e Egito);
- Acesso ao Nilo Azul e portas de entrada para o Chifre da África (Etiópia).
MIST e os países emergentes
Conhece o MIST? É esse grupo de quatro países disparando na economia mundial: México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia. O nome surgiu em 2011 pela cabeça do mesmo economista que criou o termo BRIC, Jim O’Neill. A ideia dele era simples, mas genial: destacar essas nações que estão crescendo num ritmo acelerado e ganhando peso na geopolítica global.
O que une esses países? Eles têm uma combinação poderosa: economias que não param de crescer, populações gigantes e mercados internos em expansão. É essa receita que atrai investidores de olho no futuro.
Olha só como cada um brilha à sua maneira: A Coreia do Sul virou uma referência em tecnologia de ponta e carros que rodam o mundo inteiro. Enquanto isso, México, Indonésia e Turquia impressionam pela maneira como equilibram suas contas, abrem as portas pro comércio exterior e investem pesado em estradas, portos e infraestrutura.
Juntos, eles formam uma nova fornada de potências, assim como os BRICS na época, só que com outra cara. Não são mais apenas “emergentes”: são países que tão moldando o tabuleiro econômico com suas regras. E pelo jeito, vão ditar parte do rumo da economia global nos próximos anos.
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Qual a relação entre os países emergentes e a globalização?
A globalização e os países emergentes? É tipo uma parceria que mudou o jogo. Sabe como? Esse processo de integrar economias, culturas e sociedades abriu as portas para que esses países bombassem no cenário mundial.
Graças a navios mais eficientes, internet e tecnologia, eles puderam comerciar mais, atrair investimentos gordos e acelerar sua industrialização, muitas vezes virando a “fábrica do mundo”.
E tem mais um pulo do gato: as multinacionais enxergaram neles uma mina de ouro. Mão de obra qualificada e mercados consumidores gigantescos fizeram empresas desembarcarem com tudo por lá. O resultado? Gerou emprego, aumentou a renda da população e diversificou essas economias, que hoje competem de igual pra igual com os grandes.
No fim das contas, a globalização deu um megafone para esses países. Antigos coadjuvantes, hoje são protagonistas que criam grupos como BRICS e MIST para cravar sua influência. Viraram peças-chave numa economia que, cada vez mais, não roda só no eixo Europa-EUA.]
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Qual a importância dos países emergentes?
Os países emergentes, hoje, são os astros do baile da economia global. Pensa só: juntos, eles reúnem a maior parte da população do planeta, mercados consumidores gigantes e um crescimento que deixa muitos países ricos no chinelo.
Por que eles tão virando o jogo? Bem, primeiro, eles são os motores do comércio mundial. Com indústrias que não param de crescer, puxam exportações, importações e atraem investidores como ímãs. É tanta movimentação que reanimou a economia internacional nas últimas décadas.
Ah, e tem mais! Muitos sentam em cima de riquezas naturais que o mundo inteiro cobiça: petróleo, minérios raros, água doce… Isso os torna peças-chave no xadrez global: quem controla recursos, dita regras.
Na política, também estão dando as cartas. Grupos como o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) viraram um cartel geopolítico. Eles se unem pra falar grosso na ONU, no FMI e onde mais precisar, exigindo um lugar à mesa das decisões.
Claro, nem tudo são flores: desigualdade, cidades inchadas e serviços públicos capengas ainda são desafios sérios. Mas até isso virou oportunidade: esses países estão virando laboratórios de soluções inovadoras, de energia limpa a inclusão digital.
No fim do dia, uma coisa é certa: o futuro econômico do planeta cada vez mais se decide nas capitais dos emergentes, de Brasília a Xangai, de Mumbai a Joanesburgo. E o mundo tá de olho.
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Fontes: Suno, Brasil Escola, Toda Matéria, Mundo Educação e Empiricus.