Payback: o que é, quais são os tipos e como calcular?

4 de março de 2021 - por Nathalia Lourenço


O payback é um indicador financeiro usado para determinar em quanto tempo o gestor ou investidor irá recuperar o investimento realizado em determinado projeto, negócio ou aplicação financeira

Ao determinar o tempo de retorno, o payback serve como base para analisar se um investimento vale a pena. Logo, ele é um indicador útil nas tomadas de decisão da empresa.

O resultado do cálculo do payback é expresso em dias, meses ou anos. Dessa maneira, com base nos resultados, é possível determinar se aquele é o melhor investimento, se é o melhor momento, ou se é melhor esperar mais um pouco.

O que é payback?

O payback, ou retorno, é um indicador que mede o tempo necessário para que determinado investimento traga rendimentos acumulados o suficiente para se igualar ao investimento inicial. Em poucas palavras, o payback é um indicador financeiro, que mede o tempo de retorno de um investimento. 

O payback é usado sobretudo por empreendedores e investidores. Desse modo, o empreendedor pode usar esse indicador para analisar se vale a pena investir em um projeto, uma nova tecnologia ou a abertura de uma filial.

Caso o investimento tenha um payback muito demorado, ele pode comprometer o caixa da empresa e, nesse caso, talvez seja melhor esperar mais um pouco.

Em contrapartida, o investidor pode usar o payback para analisar em quanto tempo ele poderá recuperar o dinheiro aplicado em determinada empresa. Caso o prazo seja muito longo, e comprometa seus planos, o investidor pode optar por uma empresa com payback mais rápido.

Para que serve o payback?

O payback serve para medir o tempo necessário para recuperar o investimento inicial de um projeto ou negócio por meio dos fluxos de caixa gerados por ele. Ele ajuda a avaliar a viabilidade financeira de uma iniciativa, indicando o prazo em que o valor investido será devolvido. Quanto menor o tempo de payback, menor é o risco do projeto, pois o investidor consegue recuperar o capital investido mais rapidamente.

Como analisar o payback?

Para analisar o payback, é importante observar o tempo necessário para recuperar o investimento inicial. Em termos gerais, quanto mais curto for o período de payback, mais rápido o investimento será recuperado, o que indica menor risco financeiro. Um payback rápido significa que o projeto gera retornos rápidos, enquanto um payback longo pode indicar maior risco, pois o capital investido fica exposto por mais tempo.

Além disso, ao analisar o payback, deve-se considerar o contexto do projeto, como o setor de atuação e a estabilidade do mercado. Também é importante observar que o payback não leva em conta o valor do dinheiro no tempo, nem os fluxos de caixa após o período de recuperação, o que pode ser uma limitação para decisões mais detalhadas.

Qual é a relação entre o payback e o fluxo de caixa?

O payback está diretamente relacionado ao fluxo de caixa de uma empresa. Isso porque, para saber em quanto tempo você terá o retorno do investimento, é preciso considerar o quanto ele vai gerar mensalmente de receita, seja através da geração de caixa ou por meio da redução de custos.

Para que o cálculo do payback funcione, é importante fazer uma correta projeção de caixa, em que se considera as receitas e despesas que se relacionam com o investimento nos próximos meses.

Vale lembrar que o cálculo do payback pode mudar ao longo do tempo, se as previsões de economia e faturamento não se realizarem. Por isso, é necessário estar com a gestão financeira sempre atualizada. 

Cálculos

Existem dois tipos de payback, o simples e o descontado. A diferença entre eles é que o simples leva em consideração o valor do dinheiro no tempo. Em contrapartida, o descontado inclui os valores descontados para o presente através de uma taxa de juros. Dessa forma, o cálculo do simples é feito com a fórmula:

Payback simples = Investimento inicial / Saldo médio do fluxo de caixa no período.

Suponhamos que uma padaria deseja adquirir um equipamento que custa R$ 150 mil. De acordo com os cálculos do gestor da padaria, o equipamento vai gerar cerca de R$ 5 mil mensais em receita devido aos novos serviços oferecidos, já descontando os valores de depreciação e manutenção.

Se aplicarmos esses dados na fórmula, temos que: Payback simples = R$ 150.000,00 / R$ 5.000,00. Logo, o resultado é Payback simples = 30 meses. Portanto, em 2 anos e meio a padaria poderá recuperar o valor investido no equipamento.

Já no cálculo do payback descontado, ele leva em consideração que a moeda se desvaloriza com o tempo. Por isso, ele considera os conceitos de Taxa Mínima de Atratividade (TMA) e o Valor Presente Líquido (VPL).

Em síntese, a TMA é um parâmetro para estabelecer o retorno mínimo esperado com o investimento, já o VPL é um indicador que usa uma taxa de desconto e traz os valores investidos para o presente.

O cálculo do payback descontado é bem mais complexo, já que exige a aplicação da fórmula do VPL. A versão simplificada é a seguinte:

Valor descontado = FC / (1 + TMA)1.

Depois, é preciso aplicar o resultado à fórmula:

Payback descontado = Investimento inicial / Fluxo de caixa descontado.

Quais são as vantagens em usar o payback?

A principal vantagem de usar o payback é analisar se um investimento vale a pena ou não, de acordo com o tempo necessário para recuperar a aplicação inicial.

Um gestor pode basear suas decisões nesse indicador financeiro, e em alguns outros, para não correr o risco de comprometer o caixa da empresa com um investimento que tem um payback muito demorado.

A fórmula simples é de fácil aplicação, o que facilita bastante para os gestores e investidores. Por fim, ele é vantajoso para analisar o grau de risco de um investimento, tendo como base o tempo de retorno e o comportamento do fluxo de caixa.

E quais são a desvantagens em usar o payback?

Por outro lado, temos como desvantagem o fato de que o payback deve ser usado em investimentos com prazos curtos, já que desconsidera as entradas depois do período de recuperação. Sendo assim, ele não serve para mensurar os lucros depois que o investimento inicial já foi recuperado.

Temos ainda a desvantagem de que ele é incompatível com empresas de grande porte e com projetos muito complexos. Além disso, o payback pode fornecer uma ideia muito superficial em relação ao tempo de retorno, já que não considera índices de referência.

Outros indicadores

Geralmente, ao aplicar em um novo projeto, vemos alguns meses de déficit. Porém, com o tempo esse investimento tende a se converter em lucros. Quando os lucros acumulados forem iguais ao valor investido, então temos o payback.

No entanto, é importante não usar o payback de forma isolada. É importante combiná-lo com outros indicadores para então decidir se vale a pena investir ou não. Alguns outros indicadores que podem ajudar são:

  • ROI: O Return On Investment (retorno sobre investimento) tem como função determinar qual será o retorno financeiro proporcionado por um investimento.

Ou seja, enquanto o payback determina o tempo de retorno, o ROI determina qual será o valor do retorno. O seu cálculo é feito por meio da fórmula:

ROI (%) = (ganho obtido – valor do investimento) / valor do investimento x 100.

  • TIR: A Taxa Interna de Retorno é um indicador que serve para mostrar o percentual de rentabilidade de uma aplicação, considerado um Valor Presente Líquido (VPL) igual a zero.
  • Rentabilidade: Para finalizar, a rentabilidade visa medir o retorno como um todo, a partir do valor total investido. A fórmula é:

Rentabilidade = Lucro líquido / investimento x 100.

Enfim, agora que você sabe como funciona o payback, aproveite para descobrir quais são os Maiores investidores do mundo – Quem são e filosofias de investimentos

Fontes: Flua, Conta azul, Contábeis e Suno

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