28 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro
Você já ouviu falar em oligopsônio? É um tipo de mercado bem específico, onde existem poucos compradores para muitos vendedores.
Essa concentração de compradores dá a eles um poder significativo, permitindo que influenciem os preços e as condições dos produtos que adquirem. Diferente do oligopólio, onde poucas empresas dominam a oferta, no oligopsônio quem manda são os compradores.
Essa dinâmica gera uma competição imperfeita, que geralmente resulta em preços mais baixos para esses grandes compradores. Um exemplo clássico é o mercado de cacau, dominado por algumas grandes indústrias de chocolate, ou o de tabaco, controlado pelas principais fabricantes de cigarros.
Que tal saber mais sobre o oligopsônio? A matéria a seguir explica direitinho como isso funciona. Boa leitura!
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O que é oligopsônio?
Oligopsônio pode parecer um termo complexo, mas ele descreve uma situação comum: quando muito poucos compradores dominam um mercado cheio de vendedores.
Esses compradores, sejam grandes indústrias, redes de varejo ou corporações, exercem tanta influência que conseguem controlar preços e condições, deixando os produtores com pouca margem de negociação.
O resultado? Preços mais baixos para quem compra, mas dificuldades para quem vende. É o que acontece, por exemplo, no setor de tabaco, onde algumas empresas adquirem a produção de muitos agricultores, ou no mercado de software, onde poucas gigantes adquirem startups menores.
Características do oligopsônio
O oligopsônio é como um jogo em que poucos compradores têm a vantagem. Nesse tipo de mercado, um número reduzido de empresas ou grupos detém grande poder de compra: o suficiente para influenciar preços, condições de pagamento e até mesmo a qualidade dos produtos que adquirem.
Quem vende, muitas vezes produtores ou fornecedores menores, acaba dependendo desses compradores e tem dificuldade para negociar termos mais justos. Com isso, os preços tendem a ser mais baixos para os compradores, mas em prejuízo da margem de lucro de quem produz.
Esse tipo de dinâmica é comum em setores como o agrícola, onde grandes indústrias compram de muitos agricultores, ou mesmo no mercado de tecnologia, onde gigantes adquirem startups e matérias-primas de forma concentrada.
Exemplos de oligopsônio
Você já parou para pensar quem compra a produção dos pequenos agricultores de leite? Em muitos países, incluindo o Brasil, esse mercado é um exemplo claro de oligopsônio.
Algumas grandes empresas de laticínios e cooperativas concentram a aquisição de leite de milhares de produtores rurais. Com isso, conseguem ditar o preço e as condições de pagamento, deixando os produtores em situação vulnerável.
Outro setor que ilustra bem o oligopsônio é o de tecnologia. Grandes empresas como Google, Apple e Microsoft normalmente adquirem startups ou componentes tecnológicos de numerosos fornecedores especializados.
Do lado de quem vende, há poucas opções de compradores com poder financeiro para grandes aquisições, o que concede às gigantes de tech significativa vantagem negocial. Esse cenário se repete em indústrias como a farmacêutica e a de defensivos agrícolas, onde poucas companhias globais dominam as compras de princípios ativos e matérias-primas.
Como funciona o oligopsônio?
O funcionamento do oligopsônio se baseia em uma dinâmica de concentração de poder na ponta dos compradores. Quando poucas empresas controlam a demanda por um produto ou matéria-prima, elas ganham capacidade para impor condições que lhes sejam favoráveis.
Os vendedores, por sua vez, ficam em desvantagem: como não existem muitos compradores no mercado, a competição entre eles é baixa, e a saída frequentemente é aceitar valores e termos menos vantajosos.
O resultado é um mercado que, embora possa ter muitos ofertantes, é dominado pela influência de poucos demandantes.
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Quais são as consequências de um oligopsônio?
As consequências do oligopsônio vão muito além dos preços baixos para os compradores. Para os vendedores, a realidade pode ser dura: dependência econômica, diminuição da rentabilidade e incerteza constante.
Imagine um agricultor que precisa vender sua produção para uma única grande indústria: se ela resolver baixar o preço ou reduzir as compras, ele pode ter prejuízos significativos. Social e regionalmente, esse modelo pode intensificar desigualdades, especialmente em cidades ou regiões que dependem de um único comprador para escoar sua produção.
Em alguns casos, o poder excessivo de poucos compradores também desencoraja a entrada de novos concorrentes no mercado, perpetuando um ciclo de concentração e reduzindo a liberdade de escolha para produtores e consumidores.
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Diferença entre oligopsônio e monopsônio
Embora oligopsônio e monopsônio sejam ambos mercados de compradores, a diferença central está no número de quem compra.
No monopsônio, existe apenas um grande comprador para muitos vendedores, pense em uma cidade pequena onde a única fábrica local é a que adquire toda a produção de leite dos agricultores da região.
Já no oligopsônio, há um pequeno grupo de compradores, ainda que poucos, mas mais de um. Um exemplo são as grandes redes de supermercados que, juntas, dominam a aquisição de produtos hortifrutogranjeiros.
Em ambos os casos, os vendedores perdem poder de barganha, mas no monopsônio a dependência é ainda mais crítica, já que a ruptura com o único comprador significaria ficar totalmente sem opções.
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Diferença entre oligopsônio e oligopólio
Pense num palco onde o poder está distribuído de formas diferentes. No caso do oligopólio, esse palco pertence a poucas empresas que vendem produtos ou serviços, controlando boa parte do mercado. Elas influenciam preços, moldam estratégias e vigiam de perto o que as concorrentes fazem, dificultando a vida de quem chega por fora.
Já no oligopsônio, o rei do palco é o comprador. São poucos compradores que ditam as regras do jogo: falam quanto compram, a que preço compram e em que formato. Enquanto isso, existe uma legião de vendedores, e eles têm pouca voz nessa negociação
Um exemplo claro vem de mercados como o do cacau, onde poucas indústrias compram quase toda a produção de muitos pequenos agricultores.
O ponto essencial é quem está no comando: no oligopólio, quem manda são os vendedores; no oligopsônio, quem manda são os compradores.
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Fontes: Mais Retorno, Suno, Trilhante, Onze, Andre Bona.