18 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro
Sabe a diferença entre risco sacado e risco cedente? Ela reside em quem assume o risco de não pagamento na operação de antecipação de recebíveis. No risco sacado, o risco de inadimplência é da empresa compradora (o sacado), beneficiando o cedente que recebe o valor antecipadamente sem ter de se preocupar com o crédito do cliente. Já no risco cedente, a empresa fornecedora (o cedente) é que assume a responsabilidade caso o sacado não pague a dívida, sendo avaliada a sua solidez financeira, e não a do sacado.
No artigo a seguir, explicamos tudo detalhadamente. Prossiga na leitura!
Leia mais: Risco financeiro: o que é, como calcular, evitar e analisar
O que é risco sacado?
Quando falamos de antecipação de recebíveis, há diferentes formas de lidar com quem vai pagar no futuro.
No modelo de risco sacado, quem “carrega” o risco de inadimplência é quem antecipa o recebível: a instituição financeira. O vendedor (o cedente), ao negociar com prazos, pode transferir o que vai receber para esse parceiro financeiro e ficar livre da preocupação de não receber.
O comprador (o sacado) continua devendo, mas a obrigação de fiscalizar se ele vai pagar é da instituição que assumiu esse papel.
Esse modelo costuma custar mais caro, porque quem assume risco quer compensação, mas oferece mais segurança para o vendedor.
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Vantagens e desvantagens do risco sacado
Vantagens
O risco sacado é uma solução financeira que tem ganhado espaço entre empresas que precisam manter o fluxo de caixa saudável sem abrir mão de prazos mais longos para seus clientes.
A grande sacada aqui é que o fornecedor consegue antecipar o valor das vendas feitas a prazo, sem assumir o risco de inadimplência. Quem assume esse risco é a instituição financeira, que analisa o perfil do cliente (o sacado) e decide se vale a pena entrar na jogada.
Assim, isso traz uma vantagem enorme para o fornecedor: ele recebe o dinheiro à vista e não precisa se preocupar se o cliente vai pagar ou não. É como vender com segurança, sem ficar refém do prazo. Além disso, essa previsibilidade no caixa permite que a empresa invista, pague contas e cresça com mais tranquilidade.
Desvantagens
Por outro lado, como o risco fica com a instituição financeira, ela cobra por isso. As taxas costumam ser mais altas, e nem todo cliente é aprovado.
A análise de crédito é rigorosa, e se o sacado não tiver um bom histórico, a operação pode nem sair. Ou seja, é uma solução segura, mas que exige bons parceiros comerciais e pode custar mais caro.
Exemplos de risco sacado
Uma empresa chamada TecnoParts fornece peças industriais para uma grande montadora. A TecnoParts vende R$ 500 mil em componentes com prazo de pagamento de 90 dias.
Como não pode esperar esse tempo para receber, ela antecipa esse valor com uma instituição financeira. A montadora, que é o sacado, assume o compromisso de pagar diretamente à instituição no vencimento. A TecnoParts recebe o dinheiro à vista e não precisa se preocupar com o pagamento futuro.
Nesse caso, o risco de inadimplência está com a montadora, e não com a TecnoParts. Isso é risco sacado: o fornecedor recebe antes, e o cliente é quem responde pelo pagamento final.
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O que é risco cedente?
Quando falamos de risco cedente, estamos falando de uma operação em que uma empresa vende produtos ou presta serviços a prazo (para um cliente), e em vez de esperar esse pagamento, antecipa esse valor com uma instituição financeira.
No risco cedente, mesmo antecipando, essa empresa, que chamamos de cedente, continua sendo responsável se o cliente (o sacado) não pagar. Ou seja, se houver inadimplência, o ônus volta para ela.
Essa modalidade costuma envolver uma análise cuidadosa da empresa cedente, porque é ela quem assume o risco de não pagamento do cliente.
Os títulos que serão adiantados (como notas fiscais ou duplicatas) nem sempre precisam estar “performados” (ou seja, completos ou com todos os serviços/produtos entregues), porque o foco está na capacidade do cedente de arcar com possíveis problemas de pagamento.
Vantagens e desvantagens do risco cedente
Vantagens
Quando uma empresa opta por operar com risco cedente, ela está escolhendo antecipar recebíveis, mas mantendo consigo a responsabilidade pelo caso de inadimplência dos sacados. Isso tem implicações importantes tanto do ponto de vista financeiro quanto do de gestão de risco.
Do ponto positivo, risco cedente pode resultar em condições mais vantajosas do que outras formas de crédito ou financiamento. As taxas cobradas tendem a ser mais baixas porque se avalia a capacidade de recompra do cedente, ou seja, da própria empresa que antecipa, e não apenas o histórico de pagamento dos clientes.
Para empresas que já possuem boa saúde financeira, esse modelo permite acessar capital de giro de modo mais previsível e com menores custos. Além disso, ao antecipar seus recebíveis, a empresa melhora seu fluxo de caixa imediato, o que ajuda não só a pagar compromissos urgentes, mas a planejar investimentos, novas compras, ou negociar melhor com fornecedores.
Também há um ganho estratégico: quem trabalha bem o risco cedente pode montar uma estrutura financeira mais robusta, menos dependente de empréstimos bancários, mais resiliente a choques de mercado.
Desvantagens
Por outro lado, assumir esse risco traz desvantagens que precisam ser bem ponderadas.
A principal delas é a exposição à inadimplência: se os clientes deixarem de pagar, a empresa cedente terá de arcar com esses valores, impactando negativamente seu resultado financeiro. Esse risco aumenta se os sacados forem diversos ou instáveis do ponto de vista de pagamento.
Também existe um custo “oculto” de oportunidade: o valor antecipado nunca será igual ao valor nominal da fatura, pois há descontos, taxas, juros embutidos, e esse custo precisa estar bem calculado para que o ganho de liquidez não seja consumido pelas perdas e pelos encargos.
Além disso, pode haver impacto sobre o balanço patrimonial ou indicadores financeiros; se a empresa usar muito risco cedente, credores, investidores ou parceiros podem exigir transparência maior, reservas ou garantias, ou até cobrar juros mais altos em outras operações.
Finalmente, se mal administrado, o risco cedente pode virar dependência: a empresa pode passar a “viver” antecipando e a não gerar caixa suficiente de operações normais para cobrir os compromissos, o que reduz sua margem de manobra.
Exemplos de risco cedente
Considere um fabricante de peças que entrega seus produtos para uma montadora, com prazo de faturamento de 90 dias. O fabricante decide antecipar esse valor para manter seu fluxo de caixa. Ele negocia com uma instituição financeira que compra essa duplicata, mas com cláusula de “recurso”, se a montadora não pagar, o fabricante terá de compensar o adiantamento. É um exemplo de risco cedente na prática.
Outro caso: uma startup de serviços de software presta serviço para empresas, emitindo contratos mensais com pagamentos futuros. Para investir em crescimento, ela cede seus recebíveis mensais a um banco, antecipando esses valores.
Mas se alguns clientes atrasarem ou falharem no pagamento, o banco poderá cobrar da startup (o cedente) a parte que não foi quitada. Esse é outro cenário em que o risco cedente se aplica.
Entenda: Gerenciamento de risco: o que é e como fazer em seus investimentos?
Quais as diferenças entre risco sacado e risco cedente?
Quando uma empresa vende a prazo e precisa antecipar o valor das vendas, ela pode recorrer a uma instituição financeira. Nesse momento, ela precisa escolher entre duas modalidades: risco sacado ou risco cedente.
No risco sacado, quem assume o compromisso de pagamento é o cliente final. A empresa recebe o dinheiro à vista, e o banco cobra diretamente do cliente no vencimento. Se o cliente não pagar, o prejuízo é do banco.
Já no risco cedente, a empresa recebe antecipadamente, mas continua responsável pelo pagamento. Se o cliente não honrar a dívida, o banco cobra da própria empresa. Ou seja, no risco sacado, o fornecedor transfere o risco; no risco cedente, ele continua com a responsabilidade.
Essa escolha depende muito do perfil dos clientes e da confiança que a instituição financeira tem neles.
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Importância de entender esses dois conceitos
Entender a diferença entre risco sacado e risco cedente não é só uma questão técnica, é uma decisão estratégica que pode definir a saúde financeira de uma empresa.
Quando uma empresa opta por antecipar seus recebíveis, ela precisa saber exatamente quem vai assumir o risco de inadimplência: o cliente ou ela mesma. Essa escolha impacta diretamente o fluxo de caixa, o custo da operação e até a relação com instituições financeiras.
Se a empresa não entende bem esses conceitos, pode acabar assumindo riscos desnecessários ou pagando mais caro por uma operação que poderia ser mais vantajosa.
Saber quando usar cada modelo é como escolher a ferramenta certa para cada tipo de obra: não dá pra usar martelo onde precisa de chave de fenda. E no mundo dos negócios, essa precisão faz toda a diferença.
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Fontes: Bankme, Grupo Skill, Saxxes, Monkey, j17 Bank.