Comprei TODAS as ações da moda desde 2016 e nunca vendi. Olha no que deu

8 de outubro de 2026 - por Raul sena


Existem muitos investimentos, muita ações que caem na “moda” e muitas pessoas investem simplesmente porque todo mundo está falando sobre. Já teve gente investindo em figurinha de macaco, em criptomoeda duvidosa e nas queridinhas da bolsa de cada ano. Mas será que seguir a manada é tão ruim assim?

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Como foi feito o teste?

O critério foi simples. Para cada ano desde 2016, pegamos a ação que mais entrou na carteira das pessoas físicas. No Brasil, usamos a base de acionistas da B3, nos EUA, os rankings da Robinhood, uma das maiores corretoras de varejo por lá.

Depois, imaginamos R$ 1.000 (ou US$ 1.000) investidos naquele ano e segurados até 21 de setembro de 2026. É o oposto do que a maioria faz, porque quem segue modinha costuma vender rápido. A ideia aqui é ver o que aconteceria se a pessoa comprasse a moda e não fizesse nada.

Uma observação: nas ações brasileiras, os dividendos foram reinvestidos. Nas americanas, só o preço, por limitação técnica. Cada resultado foi comparado com o Ibovespa ou com o S&P 500.

2016: Petrobras e Apple

Brasil: era o ano do impeachment e da chegada de Pedro Parente à Petrobras. Os R$ 1.000 viraram R$ 12.886, alta de 1.189%, contra 210% do Ibovespa. Mesmo com greve dos caminhoneiros e pandemia, quem comprou e esqueceu multiplicou o dinheiro por 12.

EUA: a Apple lançou o iPhone 7 e fez o maior programa de recompra do mundo. Os US$ 1.000 viraram US$ 11.707, muito acima do S&P 500 que teve uma alta de 247% enquanto a Apple cresceu 1.071%.

2017: Magazine Luiza e AMD

Brasil: a Magalu subiu 504% no ano, fez desdobramento e entrou no Ibovespa. Só que os R$ 1.000 viraram R$ 282, uma queda de 72%, enquanto o índice subiu 144%.

EUA: a AMD foi embalada pelo lançamento da Ryzen e pela febre das placas de vídeo para minerar cripto. Fechou 2017 com queda de 9%, mas quem segurou, viu os US$ 1.000 virarem US$ 59.875. Ela comprou a Xilinx em 2022 e fechou contrato com a OpenAI em 2026.

2018: Magazine Luiza e Tilray

Brasil: quem entrou na Magalu em 2018 viu os R$ 1.000 virarem R$ 125, queda de 87%, contra 112% do Ibovespa.

EUA: o Canadá legalizou a maconha e a Tilray foi de US$20 para US$300 dólares em dois meses, chegando a passar o Bitcoin nas buscas do Google. Hoje, US$ 1.000 viraram cerca de US$ 6, queda de 99%.

2019: IRB Brasil e Aurora Cannabis

Brasil: com o selo de Warren Buffett na carteira, o IRB era a resseguradora perfeita, com dividendo regular. No entanto, os R$ 1.000 viraram R$ 73, uma queda de 93%, contra 61% do Ibovespa. Vieram questionamentos sobre os balanços, ação abaixo de R$ 1 e um grupamento de 30 para 1.

EUA: a Aurora Cannabis desbancou a Apple como a mais mantida na Robinhood. Os US$ 1.000 viraram US$ 16, queda de 98%, enquanto o S&P 500 subiu 140%.

2020: Magazine Luiza (mais uma vez) e Tesla

Brasil: a base de acionistas da Magalu foi de 31 mil para 580 mil pessoas físicas em dois anos. Só que os R$ 1.000 viraram R$ 28, uma queda de 97%, contra crescimento de 56% do Ibovespa. Os juros subiram, o e-commerce encolheu e vieram novos grupamentos.

EUA: a Tesla subiu 700% no ano e entrou no S&P 500. Hoje, o ganho é de cerca de 60%, abaixo dos 107% do índice, embora já tenha ficado acima dele em vários momentos.

2021: Oi e GameStop

Brasil: a OIBR3 era ação de R$ 2, lote de R$200 e chegou a 1,6 milhão de acionistas pessoa física. Muita gente defendeu a empresa na internet, e o eu mesmo tentei alertar sobre ela INÚMERAS vezes. A empresa entrou em recuperação judicial em 2023 e a falência decretada em novembro de 2025: perda de 100%, contra o Ibovespa subindo 78%.

EUA: o caso da GameStop virou documentário. Investidores do fórum WallStreetBets compraram a ação para atacar quem apostava na queda, e ela foi de US$ 17 para US$ 483 dólares em janeiro. Os US$ 1.000 viraram US$ 614 com uma queda de 39%, contra o crescimento de 63% do S&P 500. E chegou a ser mais buscada no Google naquele ano.

2022: Petrobras e Tesla

Brasil: dividendos de dois dígitos e R$ 87 bilhões pagos em um único trimestre. Os R$ 1.000 viraram R$ 3.682, alta de 268%, contra 70% do Ibovespa.

EUA: a da Tesla ação caiu 65%, a pessoa física comprou mesmo na queda e a Tesla chegou a 10% da carteira média do varejo americano. Os US$ 1.000 viraram US$ 3.047, alta de 205%, contra 102% do S&P 500.

2023: Banco do Brasil e Nvidia

Brasil: o Banco do Brasil atingiu seu lucro recorde e dividendo alto levaram o BBAS3 ao topo. Com dividendos reinvestidos, os R$ 1.000 viraram R$ 965, uma queda de 4%. Isso não quer dizer que quem investiu perdeu dinheiro: quem comprou mês a mês pode ter ganhado bastante. Nesse mesmo período o Ibovespa subiu 39%.

EUA: A Nvidia subiu 239% no ano e virou a primeira fabricante de chips a valer US$ 1 trilhão. Os US$ 1.000 viraram US$ 4.591, uma alta de 359%, contra 63% do índice.

2024: Petrobras e Nvidia

Brasil: a Petrobras bateu 1 milhão de acionistas pessoa física, e um em cada quatro investidores da bolsa tinha uma ação dela. A empresa teve uma alta de 57%, contra 55% do Ibovespa.

EUA: a Nvidia repetiu o posto e subiu 69%, contra 32% do S&P 500.

2025: Banco do Brasil e Palantir

Brasil: o lucro do banco caiu 53% no primeiro trimestre e a ação ficou andando de lado. No fim do período registrou uma alta de 7%, contra 16% do Ibovespa.

EUA: Wall Street achava a Palantir cara demais, mas o varejo comprou mesmo assim. Com isso, a empresa teve uma alta de 3%, contra 13% do S&P 500.

2026: Vale e SpaceX

Brasil: a favorita do Brasil esse ano está sendo a Vale que subiu 4%, contra 16% do Ibovespa.

EUA: os US$ 1.000 investidos na Space X viraram US$ 943, registrando uma queda de 6%, enquanto o S&P 500 subiu cerca de 4%. No entanto, como 2026 ainda não acabou, esses dois resultados são parciais.

O placar final

No Brasil, só três das queridinhas bateram o Ibovespa: Petrobras em 2016, 2022 e 2024. Isso dá cerca de 30% dos casos. Nos outros 70%, quem seguiu a moda ficou atrás do índice.

Nos Estados Unidos, cerca de metade bateu o S&P 500: Apple, AMD, Tesla em 2022 e Nvidia duas vezes. Um único caso, o da AMD, rendeu ganhos absurdos. Somando os dois países, cerca de 12 em 20 renderam menos que o índice, e 7 em 20 perderam mais de 70% do dinheiro.

O que separa Petrobras e AMD de Oi e Tilray

Repare que as empresas que entraram na moda e deram certo já eram boas antes da moda. A AMD teve prejuízo só em 2016 e, no resto do período, lucro. A Petrobras também só fechou no vermelho em 2016, apesar de exigir atenção por ser estatal, e tem bom custo de extração. Empresas com endividamento controlado e lucros consistentes não foram atrapalhadas pela moda.

Já Oi, Tilray e Aurora seguiam narrativas sem números que as sustentasse. E mesmo as boas empresas só rendem para quem segura por muito tempo, o que a maioria dos seguidores de moda não faz.

Resumo da história: se você tivesse filtrado apenas empresas sem prejuízo, nos Estados Unidos ou aqui, teria ganhado dinheiro em todos os casos. Umas subiram pouco, outras muito, mas nenhuma deu prejuízo.

Por isso, é sempre bom reforçar: a estratégia que mais vale a pena não é correr atrás do que todo mundo está comprando. É analisar empresas lucrativas, com bons números e ter paciência.

E lembre-se: este é um estudo com aporte único e sem recomendação de compra. Investir mês a mês muda bastante o resultado. Quer conferir mais detalhadamente todos os números e aprendizados que você pode tirar disso? Então, assista ao vídeo em que explico mais sobre!

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