Imobilização dos recursos não correntes: o que é e como calcular?

Imobilização dos recursos não correntes é o percentual do capital de longo prazo investido em ativos fixos, como imóveis e máquinas. Leia.

1 de abril de 2025 - por Sidemar Castro


A imobilização dos recursos não correntes acontece quando uma empresa utiliza a maior parte de seus bens e investimentos de longo prazo em ativos fixos, como imóveis, máquinas e equipamentos. Sendo assim, isso significa que esses recursos ficam menos disponíveis para outras necessidades, como capital de giro ou investimentos de curto prazo.

Quando uma empresa tem um alto nível de imobilização, pode enfrentar dificuldades para obter dinheiro rapidamente. Isso acontece por que esses ativos não podem ser vendidos com facilidade sem impactar as operações. Por isso, é importante equilibrar os investimentos em ativos fixos e manter liquidez suficiente para garantir a saúde financeira do negócio.

Entenda como calcular a imobilização dos recursos não correntes nessa matéria.

O que é imobilização dos recursos não correntes?

Basicamente, a imobilização dos recursos não correntes é um conceito financeiro e contábil. Assim, ele descreve como uma empresa financia seus ativos de longo prazo utilizando suas fontes de capital também de longo prazo.

Para entender melhor, primeiro precisamos saber o que são os recursos não correntes. Desse modo, eles representam as fontes de dinheiro que a empresa tem disponíveis e que não precisam ser pagas ou devolvidas no curto prazo (geralmente, em menos de um ano). Esses recursos incluem principalmente:

Por outro lado, temos o ativo não circulante. Ele é composto pelos bens e direitos que a empresa utiliza por um período mais longo para gerar receita e manter suas operações. Os principais componentes são:

  • Ativo Imobilizado: Bens físicos como máquinas, equipamentos, edifícios, terrenos.- Investimentos: Participações em outras empresas, imóveis não usados na operação.
  • Intangível: Bens não físicos como marcas, patentes, softwares.

Portanto, a imobilização dos recursos não correntes refere-se à prática ou à medida de utilizar essas fontes de capital de longo prazo (Patrimônio Líquido + Passivo Não Circulante) para financiar esses ativos de longo prazo (Ativo Não Circulante).

Análise do IRC

Analisar a imobilização dos recursos não correntes ajuda a entender a estrutura de capital da empresa e sua saúde financeira. Idealmente, uma empresa deve financiar seus investimentos de longo prazo (como comprar uma máquina que durará 10 anos) com fontes de dinheiro também de longo prazo (como capital próprio ou um financiamento de 10 anos).

Se uma empresa financia muitos ativos de longo prazo com dívidas de curto prazo, ela pode enfrentar problemas de liquidez (dificuldade para pagar as contas em dia).

Uma adequada imobilização dos recursos não correntes sugere maior estabilidade financeira. Sendo assim, isso porque há um equilíbrio entre os prazos dos investimentos (ativos) e suas fontes de financiamento (passivos e patrimônio líquido).

Como calcular a imobilização dos recursos não correntes?

Para calcular a imobilização dos recursos não correntes, você deve seguir alguns passos simples que ajudam a entender o grau em que os ativos permanentes consomem os recursos de longo prazo da empresa. Veja como funciona:

1) Identifique os ativos não correntes imobilizados: Inclua itens como imóveis, máquinas, equipamentos e outros bens tangíveis destinados ao uso prolongado.

2) Determine os recursos não correntes disponíveis: Some todos os recursos de longo prazo da empresa, como patrimônio líquido e passivos não circulantes.

3) Aplique a fórmula: Divida o valor total dos ativos imobilizados pelo total dos recursos não correntes e multiplique por 100 para obter o resultado em porcentagem.

A fórmula é a seguinte:

Imobilização (%) = (Ativos Imobilizados ÷ Recursos Não Correntes) × 100

Por exemplo, se a empresa tem R$ 500.000 em ativos imobilizados e R$ 1.000.000 em recursos não correntes, a imobilização será:

(500.000 ÷ 1.000.000) × 100 = 50%

Esse cálculo ajuda a avaliar se a empresa está utilizando os recursos de longo prazo de maneira equilibrada ou se está excessivamente comprometida com bens que não são facilmente liquidados. É uma métrica valiosa para garantir a saúde financeira e a eficiência do negócio.

Leia também: Ativos e passivos financeiros: o que são e quais as diferenças?

Como a IRC é usada?

A imobilização dos recursos não correntes é usada para avaliar o quanto uma empresa compromete seus recursos de longo prazo em ativos fixos, como imóveis, máquinas e equipamentos. Assim, esse indicador ajuda gestores e investidores a entenderem a capacidade financeira da empresa e sua flexibilidade para lidar com desafios e oportunidades.

Se a imobilização for muito alta, a empresa pode ter dificuldades para obter dinheiro rapidamente, tornando-se mais vulnerável a crises ou imprevistos. Já uma imobilização equilibrada indica que a empresa consegue investir em seus ativos sem comprometer sua liquidez.

Os gestores utilizam esse índice para tomar decisões estratégicas, como definir a melhor forma de financiar novos investimentos, equilibrar o uso de capital próprio e dívidas ou ajustar a estrutura patrimonial da empresa. Dessa forma, a análise da imobilização dos recursos não correntes contribui para um planejamento financeiro mais eficiente e sustentável.

Leia mais: Classes de ativos: o que são, quais são as principais e como escolher?

Qual é a importância da IRC?

A imobilização dos recursos não correntes é muito importante para avaliar a saúde financeira de uma empresa. Assim ela mostra como utiliza seu capital de longo prazo para financiar ativos permanentes, como investimentos, imobilizados e intangíveis. Portanto, esse indicador revela se a empresa está equilibrando adequadamente seus recursos. Ou se está dependendo excessivamente de financiamentos de curto prazo para cobrir despesas de longo prazo.

Quando o índice de imobilização é menor que 1, indica que os recursos não correntes são suficientes para financiar os ativos permanentes. Isso é um sinal positivo de sustentabilidade financeira. Por outro lado, um índice maior que 1 sugere que a empresa está usando recursos de curto prazo para financiar ativos de longo prazo. O que pode gerar desequilíbrios e aumentar o risco financeiro.

Além disso, esse indicador ajuda a identificar a dependência da empresa em relação ao capital de terceiros. Assim, uma imobilização elevada pode significar que a empresa está alocando grande parte de seu patrimônio líquido e passivo não circulante em ativos permanentes, deixando menos recursos disponíveis para o capital de giro. Desse modo, isso pode comprometer a capacidade da empresa de honrar suas obrigações de curto prazo.

Leia também: Uma vez já entendido o que é o IRC,

Fontes: Suno, Mais Retorno, VG Research.

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