17 de abril de 2025 - por Nathalia Lourenço
O passivo não circulante é uma parte do balanço patrimonial. Ele reúne as dívidas e obrigações que uma empresa deve pagar em mais de 12 meses. Isso inclui empréstimos, financiamentos e outras dívidas de longo prazo.
Diferente do passivo circulante, que são as dívidas de curto prazo, o passivo não circulante exige mais planejamento para o pagamento. Saber calcular e entender esse valor é importante para quem acompanha a saúde financeira de uma empresa.
Quer saber mais sobre como calcular o passivo não circulante e o que ele envolve? Continue lendo para entender melhor o assunto!
O que é passivo não circulante?
O passivo não circulante é a parte do balanço patrimonial de uma empresa que reúne as obrigações e dívidas que precisam ser pagas em um prazo superior a 12 meses. Ele inclui, por exemplo, empréstimos de longo prazo, financiamentos, debêntures e outras dívidas que a empresa só vai liquidar em um período mais distante.
Leia mais: Balanço patrimonial: o que é, como funciona e para que serve?
Como calcular o passivo não circulante?
1. Identifique as obrigações de longo prazo:
No balanço patrimonial, procure pelos itens que indicam dívidas ou responsabilidades a serem pagas após 12 meses. Alguns exemplos incluem:
- Empréstimos e financiamentos de longo prazo
- Dívidas com fornecedores a longo prazo
- Provisões de longo prazo (como garantias, litígios, etc.)
- Debêntures e outras emissões de dívida
2. Some os valores
Após identificar todas as obrigações de longo prazo, some os valores para obter o total do passivo não circulante.
Por exemplo, se uma empresa tem:
- Empréstimo de longo prazo de R$ 500.000
- Financiamento de R$ 200.000
- Provisões de longo prazo de R$ 100.000
O cálculo seria: Passivo não circulante = 500.000 + 200.000 + 100.000 = R$ 800.000
Esse valor representa o total do passivo não circulante da empresa.
Leia também: Passivos financeiros: o que são, tipos e exemplos
Como analisar o passivo não circulante?
Analisar o passivo não circulante é essencial para entender a saúde financeira de uma empresa no longo prazo. A seguir, destacam-se alguns pontos importantes a considerar ao analisar esse passivo:
1. Estrutura do Passivo Não Circulante
Primeiramente, é importante identificar os tipos de dívidas presentes. Verifique se são relacionadas a empréstimos, financiamentos, debêntures ou outras obrigações. Isso ajudará a entender os compromissos da empresa e o risco associado a esses passivos.
Além disso, observe os prazos de pagamento. Em geral, quanto mais longo for o prazo, menos pressão a empresa terá para pagar imediatamente, mas isso significa também que a dívida vai consumir recursos por mais tempo.
Leia também: Encargos de financiamento: o que são e quando são cobrados?
2. Custo da Dívida
Outro aspecto relevante é avaliar as taxas de juros e as condições de cada empréstimo ou financiamento. Dívidas com juros altos podem ser um sinal de que a empresa está pagando mais do que o necessário, o que, consequentemente, pode afetar sua rentabilidade.
3. Relação com o Passivo Circulante
Além disso, é importante comparar o passivo não circulante com o passivo circulante (dívidas de curto prazo). Se a empresa tiver um passivo não circulante muito grande em relação ao passivo circulante, isso pode indicar que ela tem mais dívidas de longo prazo para lidar, o que pode afetar sua liquidez.
Leia também: Passivo circulante: o que é e como calcular?
4. Capacidade de Pagamento
Em seguida, verifique se a empresa possui capacidade de gerar fluxo de caixa suficiente para cumprir suas obrigações de longo prazo. Uma análise detalhada do fluxo de caixa pode ajudar a entender se a empresa terá dinheiro suficiente no futuro para pagar essas dívidas.
5. Projeções e Solvência
Além disso, o passivo não circulante deve ser analisado em conjunto com as projeções financeiras da empresa. Caso as previsões de crescimento da receita e lucro sejam positivas, a empresa terá mais chances de honrar suas dívidas de longo prazo.
6. Índices Financeiros
Por fim, utilize índices como o Índice de Endividamento e o Índice de Solvência para avaliar a proporção de dívidas no total da empresa. Vale ressaltar que índices muito altos podem indicar um risco elevado de insolvência.
Exemplo de passivo não circulante
Um exemplo de passivo não circulante seria o seguinte:
Exemplo:
Uma empresa possui as seguintes obrigações de longo prazo:
- Empréstimo bancário de longo prazo: R$ 500.000, com vencimento em 5 anos.
- Financiamento de veículos: R$ 150.000, com vencimento em 3 anos.
- Provisões para contingências jurídicas: R$ 100.000, referente a processos judiciais que podem levar até 10 anos para serem resolvidos.
Nesse caso, o passivo não circulante da empresa seria a soma dessas obrigações:
- Empréstimo bancário: R$ 500.000
- Financiamento de veículos: R$ 150.000
- Provisões para contingências: R$ 100.000
Passivo não circulante total: R$ 750.000
Essas dívidas precisam ser pagas ao longo do tempo, ou seja, após o período de 12 meses, e são registradas como passivo não circulante no balanço patrimonial da empresa.4o mini
Qual a importância do passivo não circulante?
1. Planejamento Financeiro de Longo Prazo
O passivo não circulante é crucial para o planejamento financeiro da empresa, pois engloba dívidas e obrigações a serem pagas após 12 meses. Isso ajuda a empresa a se planejar para o futuro e a garantir que terá recursos suficientes para honrar seus compromissos financeiros a longo prazo.
2. Análise de Solvência
Além disso, o passivo não circulante é um indicador importante da solvência da empresa. Ele permite avaliar se a empresa tem condições de pagar suas dívidas no futuro. Uma empresa com um passivo não circulante bem administrado demonstra capacidade de honrar seus compromissos financeiros sem comprometer suas operações.
3. Risco Financeiro
Por outro lado, é fundamental entender o risco financeiro associado ao passivo não circulante. Se as dívidas de longo prazo forem muito altas em relação aos ativos da empresa, isso pode indicar um risco maior de inadimplência. Dessa forma, é importante monitorar o tamanho do passivo não circulante para evitar comprometer a estabilidade financeira da empresa.
4. Capacidade de Financiamento
Outro ponto a ser considerado é a capacidade de financiamento da empresa. Ao analisar o passivo não circulante, os investidores e credores podem avaliar o nível de endividamento e a capacidade da empresa de obter novos financiamentos. Uma estrutura de passivo bem equilibrada demonstra que a empresa tem condições de obter novos empréstimos ou investimentos, sem correr riscos excessivos.
5. Custo do Capital
Ademais, o passivo não circulante tem um impacto direto no custo do capital da empresa. Dívidas de longo prazo com juros elevados podem aumentar o custo do capital, o que pode reduzir a rentabilidade da empresa. Portanto, uma boa gestão do passivo não circulante é essencial para garantir que o custo do capital não se torne um problema financeiro.
6. Impacto na Lucratividade
Finalmente, o passivo não circulante também pode afetar a lucratividade da empresa. O pagamento de juros sobre as dívidas de longo prazo reduz os lucros líquidos da empresa. Assim, gerenciar corretamente o passivo não circulante é fundamental para manter a rentabilidade e o desempenho financeiro da organização.
Qual a diferença entre passivo não circulante e passivo circulante?
Agora que explicamos o que cada um significa, podemos resumir as principais diferenças:
- Prazo de pagamento: O passivo circulante envolve dívidas a serem pagas em até 12 meses, enquanto o passivo não circulante se refere a dívidas a serem pagas após esse período.
- Impacto no fluxo de caixa: O passivo circulante tem impacto direto no fluxo de caixa imediato da empresa, exigindo que ela tenha recursos disponíveis rapidamente. Já o passivo não circulante afeta o fluxo de caixa a longo prazo, exigindo planejamento futuro.
- Análise de liquidez e solvência: O passivo circulante está relacionado à liquidez, ou seja, à capacidade de pagar dívidas no curto prazo, enquanto o passivo não circulante está relacionado à solvência, que é a capacidade de pagar dívidas no longo prazo.
Quais são os outros tipos de passivos?
Além do passivo circulante e não circulante, existem outros tipos de passivos que as empresas podem ter, cada um com características e impactos financeiros específicos. Abaixo estão os principais tipos:
Passivo Exigível
Refere-se a todas as obrigações da empresa que têm um prazo determinado para pagamento. Essas dívidas precisam ser liquidadas de acordo com as condições acordadas com credores.
- Exemplo: Empréstimos bancários, contas a pagar e debêntures.
Leia mais sobre: Passivo exigível: o que é, tipos, como funciona e exemplos
Passivo Não Exigível
Este tipo de passivo não exige um pagamento imediato ou específico. Ele geralmente se refere a obrigações que dependem de uma condição futura para se tornarem exigíveis.
- Exemplo: Provisões para contingências, como ações judiciais em andamento.
Leia mais: Passivo não exigível: o que é e quais as diferenças entre o exigível
Passivo Contingente
São passivos cuja existência ou valor depende de um evento futuro e incerto. Eles não têm certeza quanto à sua ocorrência ou valor, mas são possíveis de acontecer.
- Exemplo: Processos judiciais ou multas pendentes, onde a empresa ainda não sabe se terá que pagar.
Leia também: Passivo contingente: o que é e como funciona?
Passivo Diferido
Refere-se aos valores que a empresa já reconheceu como passivo, mas que ainda não foram realizados. Normalmente, está relacionado ao adiamento do pagamento de tributos ou outras obrigações.
- Exemplo: Impostos a pagar que foram adiados por decisões fiscais ou condições especiais de pagamento.
Passivo de Longo Prazo (ou Passivo Não Circulante)
Embora já tenha sido mencionado anteriormente, é importante lembrar que ele se refere às dívidas que possuem vencimento superior a 12 meses. São obrigações que a empresa tem para com seus credores, mas que só precisarão ser pagas a longo prazo.
- Exemplo: Empréstimos bancários de longo prazo ou financiamentos de grandes projetos.
Passivo de Curto Prazo (ou Passivo Circulante)
Como já discutido, esse tipo de passivo inclui todas as obrigações que a empresa precisa pagar dentro de 12 meses. São compromissos que afetam diretamente o fluxo de caixa imediato e a liquidez da empresa.
- Exemplo: Contas a pagar, salários, impostos de curto prazo.
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Fontes: avantiopenbanking, topinvest, suno, avantiopenbanking e omie