Ações Preferenciais (PN): o que são, como investir, com funcionam

Ações preferenciais: entenda o que são, como funcionam, vantagens, riscos e diferenças em relação às ações ordinárias e títulos de dívida antes de investir.

11 de setembro de 2020 - por Jaíne Jehniffer


Ao abrir o home broker, muita gente percebe que o ticker de uma mesma empresa pode terminar em números diferentes, e essa variação não é aleatória. Ela indica o tipo de ação negociada, e representa justamente as ações preferenciais, um papel que abre mão do voto nas assembleias em troca de prioridade no recebimento de dividendos e maior segurança em caso de liquidação da empresa.

Neste texto, você vai entender como esse tipo de ação funciona, quais são suas principais vantagens e riscos, em que ela se diferencia das ações ordinárias e dos títulos de dívida, e se esse investimento faz sentido para o seu perfil.

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia.

O que são ações preferenciais?

As ações preferenciais funcionam como um acordo simples: você abre mão do voto nas assembleias e, em troca, garante prioridade no recebimento de dividendos e no reembolso de capital caso a empresa quebre.

Na bolsa brasileira, identificar uma ação preferencial é rápido: basta olhar o final do código de negociação, que termina em 4, diferente do 3 usado nas ações ordinárias.

O que sustenta essa preferência é o interesse mútuo entre empresa e investidor. Quem compra esse ativo costuma priorizar renda mais estável, e muitas companhias respondem a isso pagando dividendos maiores para esse grupo, como uma forma de compensar a ausência de voz nas decisões.

Já para a empresa, emitir ações preferenciais é uma maneira de captar recursos sem aumentar dívidas e sem mexer no controle acionário exercido por quem tem direito a voto.

Como funcionam as ações preferenciais?

Esse arranjo entre ceder o voto e ganhar prioridade nos pagamentos se desdobra em regras dentro do estatuto de cada companhia.

Normalmente, os proventos distribuídos a esse grupo precisam ser pelo menos 10% superiores aos pagos aos acionistas comuns, o que explica o apelo entre quem busca uma fonte de renda mais previsível na bolsa.

O código de negociação também reflete essa lógica: além do tradicional final 4, é possível encontrar tickers terminados em 5 ou 6, dependendo da classe definida pela empresa, sendo que cada uma pode trazer condições próprias, como remuneração fixa ou cumulativa ao longo dos anos.

Essa vantagem não se limita à distribuição anual de lucros. Em um cenário de encerramento das atividades, quem detém esse tipo de papel recebe o valor investido de volta antes dos sócios comuns, ficando atrás apenas dos credores na ordem de pagamento.

Benefício das ações preferenciais

O ganho mais imediato aparece na frequência com que esses valores mobiliários trocam de mãos na Bolsa, o que facilita a entrada e saída de posições e favorece justamente quem monta uma estratégia voltada a renda passiva.

Adicione a isso a proteção em cenários de falência ou liquidação da companhia, quando o acionista desse grupo tem prioridade no reembolso do capital, ficando à frente dos sócios comuns na fila de recebimento.

Existem ainda ganhos menos óbvios, mas igualmente relevantes, ligados ao aspecto regulatório. Em processos de Oferta Pública de Aquisição, esse investidor costuma ser contemplado, e dependendo das regras definidas pela empresa, também pode contar com o direito de tag along, mecanismo que resguarda os minoritários diante de mudanças no controle societário.

Vale destacar também que, por dependerem mais da geração de renda do que da valorização especulativa, esses papéis tendem a oscilar menos que os de voto pleno, o que os torna uma escolha equilibrada para quem busca estabilidade sem abrir mão de retorno.

Desvantagens e riscos das ações preferenciais

O lado mais sensível está justamente na renúncia ao voto, que tira do investidor qualquer influência sobre decisões, trocas na diretoria ou rumos futuros do negócio.

Essa ausência de participação política vem acompanhada de outro ponto que pesa no bolso a longo prazo: como o preço desses papéis costuma refletir mais a distribuição constante de proventos do que uma perspectiva de crescimento acelerado, o potencial de valorização acaba sendo mais modesto se comparado ao das ações com voto pleno.

Na hierarquia de recebimentos em caso de falência, esse investidor também fica numa posição menos confortável do que parece à primeira vista, já que só recebe depois que os credores e detentores de dívida da empresa são pagos integralmente.

Para encerrar, há ainda um detalhe que costuma passar despercebido: sem previsão expressa no estatuto, esse acionista pode ficar de fora da proteção de tag along em uma eventual mudança de controle societário, ficando mais vulnerável justamente no momento em que mais precisaria de garantias.

Diferença entre ações preferenciais e ações ordinárias

A diferença central entre os dois tipos de ação está no que cada investidor está disposto a trocar: poder de decisão ou previsibilidade de retorno.

Quem opta por ações ordinárias mantém o direito de voto nas assembleias e participa ativamente dos rumos da empresa, algo que o acionista preferencial normalmente abre mão em favor de receber dividendos com prioridade, muitas vezes 10% acima do valor pago às ordinárias, além de sair na frente na devolução de capital caso a companhia encerre as atividades.

Essa distinção também aparece no próprio código de negociação, já que as ordinárias terminam em 3, enquanto as preferenciais usam 4, 5 ou 6, dependendo da classe.

Já quem busca liquidez e uma fonte de renda mais estável tende a preferir as ações preferenciais, tornando essa escolha menos uma questão de qual papel é melhor e mais sobre qual perfil de investidor combina com cada um.

Diferença entre ações preferenciais e títulos

Comparar ação preferencial com título de dívida é comparar sociedade com empréstimo. Quem compra um título está emprestando dinheiro à empresa e tem direito a juros obrigatórios, cujo calote pode levar a companhia à falência, enquanto quem compra ação preferencial se torna sócio do negócio e recebe dividendos que dependem de decisão da diretoria.

Essa diferença de natureza jurídica também aparece na hora de reaver o dinheiro investido: em uma falência, os credores donos de títulos são quitados por completo antes que sobre qualquer centavo para o acionista preferencial.

O prazo também ajuda a distinguir, já que os títulos de dívida costumam ter data de vencimento definida para o pagamento do valor principal, enquanto a ação preferencial pode permanecer circulando na bolsa por tempo indeterminado.

Justamente por misturar a previsibilidade de renda característica dos títulos com a oscilação de preço típica das ações comuns, esse papel tende a pagar um retorno mais generoso do que uma dívida da mesma empresa, compensando o investidor pela posição menos protegida em caso de problemas financeiros.

Até na declaração de Imposto de Renda a diferença se repete, uma vez que os proventos distribuídos por esse tipo de ação costumam contar com tributação mais favorável do que os juros recebidos por quem investe em títulos.

Ações preferenciais valem a pena?

A resposta muda conforme o que se espera da carteira. Para quem quer construir uma renda passiva com previsibilidade, esse papel costuma valer o investimento, já que combina prioridade nos dividendos, muitas vezes 10% acima do pago às ordinárias, com preferência no reembolso de capital em caso de liquidação da empresa.

A liquidez mais alta na negociação também pesa a favor de quem prefere entrar e sair de posições sem dificuldade, o que faz desse ativo híbrido uma escolha natural para quem valoriza estabilidade acima de crescimento acelerado.

Já para quem pretende participar ativamente das decisões da empresa, esse tipo de ação tende a decepcionar, uma vez que a ausência de voto é justamente o preço pago pelas vantagens financeiras. O potencial de valorização também fica mais limitado em comparação às ações ordinárias, o que reduz o apelo para quem busca ganhos expressivos em ciclos de alta.

Para encerrar, existem alguns riscos que merecem atenção antes da decisão, como a sensibilidade do preço às oscilações nas taxas de juros, a posição subordinada aos credores numa eventual falência e a possibilidade de resgate antecipado pela companhia, situação que pode interromper o fluxo de proventos justamente quando o investidor menos espera.

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