IPOs vs. listagem direta: quais as diferenças e qual escolher?

Descubra as diferenças entre IPO e listagem direta, entenda como cada processo funciona e saiba qual é a melhor opção para empresas que desejam abrir capital na bolsa de valores!

12 de novembro de 2025 - por Millena Santos


Abrir o capital na bolsa é um passo importante na trajetória de qualquer empresa, e isso pode ser feito por meio de um IPO ou de uma listagem direta.

Enquanto o IPO (Oferta Pública Inicial) segue o caminho tradicional, em que novas ações são emitidas para captar recursos, a listagem direta surge como uma alternativa mais moderna e simplificada, permitindo que as ações já existentes comecem a ser negociadas sem intermediações complexas.

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia. 

Veja também: Capital inicial: o que é, quais são os tipos e como calcular?

O que é Oferta Pública Inicial(IPO)?

IPO trata-se do momento em que uma empresa decide abrir seu capital na bolsa de valores e permitir que investidores comprem suas ações pela primeira vez.

É como se a companhia estivesse convidando o público a se tornar sócio do seu negócio e, claro, captar recursos para crescer. Mas como isso acontece na prática?

Durante o processo de IPO, novas ações são criadas e oferecidas ao mercado com o apoio de instituições intermediárias, como bancos de investimento, corretoras, fundos de investimento e seguradoras.

Esses participantes são responsáveis por estruturar a operação, precificar as ações e garantir que tudo aconteça dentro das normas do mercado financeiro.

Antes da estreia oficial na bolsa, há uma etapa importante chamada roadshow. Nela, os executivos da empresa e os bancos envolvidos apresentam o negócio a potenciais investidores, explicando sua estratégia, resultados e planos de expansão.

Essa fase, inclusive, é muito importante para medir o interesse do mercado e definir um preço justo para as ações.

Como funciona a IPO?

Tudo começa com o planejamento. Nessa fase, a companhia avalia se realmente está preparada para se tornar uma empresa de capital aberto, analisando sua estrutura financeira, governança corporativa e perspectivas de crescimento.

É o momento de organizar as contas, ajustar processos internos e escolher os parceiros que vão conduzir a operação, como bancos de investimento e assessores jurídicos.

Em seguida, vem o registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão responsável por fiscalizar e autorizar as ofertas públicas no Brasil. Essa etapa garante que todas as informações sobre a empresa sejam apresentadas de forma clara e dentro das regras do mercado.

Depois disso, é elaborado o prospecto, um documento essencial que reúne todos os detalhes sobre o negócio, seus riscos, resultados, estratégias e uso dos recursos captados. Ele serve como um guia para que os investidores tomem decisões conscientes antes de comprar as ações.

Com o prospecto em mãos, começa o período de reserva, em que os interessados podem manifestar a intenção de participar da oferta, informando quantas ações desejam adquirir e quanto pretendem pagar por elas.

Logo após, ocorre o bookbuilding, um processo que ajuda a definir o preço final das ações com base na demanda dos investidores. Essa é uma etapa crucial, pois busca equilibrar as expectativas da empresa e o apetite do mercado.

Por fim, chega o grande momento: a estreia na bolsa. Nesse dia, as ações começam a ser negociadas publicamente, marcando a entrada oficial da empresa no mercado de capitais, um passo importante rumo à expansão e à consolidação da sua imagem perante o público investidor.

Vantagens e desvantagens da IPO

Vantagens

  • Captação de capital ampliada: possibilita financiar novos projetos, expandir operações ou reduzir dívidas.
  • Valorização da marca e aumento da visibilidade: o nome da empresa ganha destaque no mercado e na mídia.
  • Liquidez para sócios e investidores iniciais: facilita a venda de participações e o acesso a recursos.
  • Melhoria na transparência e governança corporativa: reforça a credibilidade da empresa e atrai novos investidores.

Desvantagens

  • Alto custo do processo: envolve despesas com bancos, auditorias, consultorias e exigências regulatórias.
  • Maior exposição pública: obriga a divulgação constante de informações financeiras e estratégicas.
  • Riscos operacionais e jurídicos: falhas de gestão ou comunicação podem gerar sanções e afetar a reputação da empresa.
  • Volatilidade das ações: os papéis passam a oscilar de acordo com o mercado e o comportamento dos investidores.

Exemplos de IPO

Rede D’Or São Luiz

A maior rede de hospitais privados do Brasil realizou seu IPO em 2020, levantando bilhões de reais. O objetivo foi financiar a expansão de unidades e fortalecer sua presença em diferentes regiões do país.

O sucesso da oferta fez da Rede D’Or um dos maiores IPOs da década no Brasil.

C&A

A tradicional varejista de moda abriu seu capital em 2019, buscando recursos para modernizar suas lojas, investir em tecnologia e expandir o e-commerce.

Com isso, a empresa passou a se posicionar de forma mais competitiva frente a outros grandes nomes do setor.

Assaí Atacadista

O Assaí, rede de atacarejo do Grupo Casino, estreou na B3 em 2021, após se separar do Grupo Pão de Açúcar.

O IPO permitiu à companhia acelerar seu crescimento e ampliar sua presença em diferentes estados brasileiros, consolidando-se como uma das principais marcas do varejo alimentar.

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O que é listagem direta?

A listagem direta, também chamada de cotação direta, é uma forma alternativa de uma empresa abrir seu capital na bolsa de valores sem realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) tradicional.

Em vez de emitir novas ações e contar com o apoio de bancos de investimento para conduzir o processo, a companhia permite que os acionistas atuais vendam suas ações diretamente ao público, de maneira mais simples e transparente.

Nesse modelo, não há captação de novos recursos, já que a empresa não está criando ações adicionais. Ainda assim, ela conquista benefícios importantes, como maior visibilidade no mercado, valorização da marca e liquidez para seus acionistas, que agora podem negociar seus papéis livremente no mercado secundário.

A listagem direta costuma ser escolhida por empresas com boa reputação, estrutura financeira sólida e ampla base de investidores, que desejam ingressar na bolsa de forma mais ágil e com custos menores, mantendo o controle sobre o processo e evitando a diluição de participação societária.

Como funciona a listagem direta?

A Listagem Direta segue alguns passos:

1- Preparação da empresa

Antes de dar qualquer passo no mercado, a empresa precisa estar bem estruturada internamente. Isso envolve organizar as demonstrações financeiras, adequar-se às normas de governança corporativa e garantir a divulgação completa de informações relevantes aos investidores.

2- Registro na CVM

O próximo passo é solicitar o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais no Brasil. Nessa etapa, a empresa apresenta documentos detalhando sua situação financeira, estrutura societária, políticas de transparência e histórico de governança.

3- Aprovação na B3

Com a validação da CVM, a empresa precisa obter a aprovação da B3, a bolsa de valores brasileira. Esse aval depende do cumprimento de critérios específicos, incluindo regras de governança, padrões contábeis e divulgação regular de resultados.

4- Início das negociações

Finalmente, com todas as aprovações concluídas, chega o momento mais esperado: as ações começam a ser negociadas publicamente. Na listagem direta, por exemplo, os papéis existentes dos acionistas passam a ser oferecidos ao público no mercado secundário, sem emissão de novas ações.

Vantagens e desvantagens da listagem direta

Principais vantagens da listagem direta:

  • Redução de custos: sem a necessidade de contratar bancos de investimento para coordenar a operação, a empresa economiza em taxas, comissões e outras despesas típicas de um IPO tradicional. Esse modelo torna a abertura de capital mais enxuta e eficiente.
  • Maior controle acionário: como não há emissão de novas ações, os fundadores e investidores iniciais mantêm uma participação mais significativa na empresa, evitando a diluição de seus papéis e preservando o poder de decisão sobre os rumos do negócio.
  • Transparência e simplicidade: a ausência de intermediários torna o processo mais direto e acessível, o que pode fortalecer a confiança dos investidores e melhorar a imagem da empresa.

Principais desvantagens da listagem direta:

  • Sem captação de novos recursos: como não há emissão de ações adicionais, a empresa não levanta capital extra para financiar crescimento, novos projetos ou expansão de operações.
  • Maior volatilidade inicial: sem o suporte dos bancos para estabilizar o preço das ações nos primeiros dias de negociação, os papéis podem apresentar flutuações maiores, refletindo rapidamente a oferta e demanda do mercado.
  • Menor apoio estratégico: ao contrário de um IPO tradicional, a listagem direta não oferece o suporte de consultoria financeira e de comunicação dos bancos coordenadores, o que pode exigir maior preparo interno da empresa para lidar com o mercado.

Exemplo de Listagem Direta

Alguns exemplos são:

  • XP Inc.
  • Stone
  • Nubank

IPOs vs listagem direta: quais são as diferenças?

Quando uma empresa decide abrir seu capital na bolsa, ela pode seguir dois caminhos: realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) ou optar por uma Listagem Direta.

Num primeiro momento, ambos parecem levar ao mesmo destino, que é o de permitir que as ações da empresa sejam negociadas publicamente, mas a forma como cada processo acontece é bem diferente.

No caso do IPO, a empresa emite novas ações e as vende ao público, com o objetivo principal de levantar recursos financeiros. Esses recursos costumam ser usados para expandir operações, investir em inovação ou reduzir dívidas.

Para isso, a companhia conta com o apoio de bancos de investimento e corretoras, que ajudam na precificação e na distribuição das ações entre os investidores.

na Listagem Direta, o cenário muda. Nenhuma nova ação é criada, o que ocorre é a disponibilização das ações já existentes, pertencentes a sócios e investidores antigos. Nesse formato, a empresa não busca captar dinheiro novo, apenas passa a ter suas ações negociadas livremente no mercado.

Por esse motivo, a Listagem Direta tende a ser mais comum entre empresas que já têm caixa sólido e visibilidade no mercado, mas desejam dar liquidez aos seus acionistas ou aumentar sua transparência ao se tornarem públicas.

Outro ponto importante é a precificação. No IPO tradicional, o valor das ações é definido antes da estreia, com base em análises e negociações conduzidas pelos bancos coordenadores.

na Listagem Direta, o preço é determinado pelo próprio mercado desde o primeiro dia de negociação, ou seja, é o equilíbrio entre oferta e demanda que define quanto as ações realmente valem.

IPOs ou listagem direta: qual escolher?

A decisão entre realizar um IPO ou optar por uma Listagem Direta depende essencialmente dos objetivos e da maturidade financeira da empresa. Cada formato oferece vantagens específicas e atende a necessidades diferentes dentro da estratégia de crescimento e exposição ao mercado.

O IPO costuma ser a escolha ideal quando a empresa precisa captar novos recursos, seja para financiar projetos de expansão, investir em tecnologia, reduzir dívidas ou fortalecer o caixa.

Além disso, esse processo é mais estruturado e acompanhado por bancos de investimento, que auxiliam na divulgação da marca, na definição do preço inicial das ações e em toda a preparação para a estreia na bolsa.

Outro ponto positivo é a possibilidade de estabelecer um período de “lock-up”, no qual os acionistas originais se comprometem a não vender suas ações por um tempo determinado, o que ajuda a manter a estabilidade nos preços logo após a abertura do capital.

a Listagem Direta é uma alternativa mais simples e econômica, indicada para empresas que já possuem recursos suficientes e não precisam levantar dinheiro com a emissão de novas ações.

Nesse formato, o foco está em dar liquidez aos acionistas existentes, como investidores iniciais e colaboradores, sem diluir a participação societária. Além disso, o processo tende a ser mais rápido e menos custoso, já que dispensa intermediários financeiros e etapas de subscrição.

Nesse caso, o preço das ações é definido pelo próprio mercado, de acordo com a oferta e a demanda desde o primeiro dia de negociação.

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