29 de dezembro de 2025 - por Sidemar Castro
O Novo Mercado é um segmento especial da B3 voltado para empresas que decidem, por conta própria, seguir práticas de governança corporativa mais rigorosas do que as exigidas pela legislação. Essa iniciativa nasceu com a proposta de trazer mais transparência e confiança ao mercado, garantindo maior segurança aos investidores.
Neste artigo, você vai entender o que é o Novo Mercado, como ele funciona e conhecer algumas das empresas que escolheram fazer parte desse grupo.
Leia mais: B3: qual é a história e como funciona a bolsa de valores do Brasil?
O que é Novo Mercado?
O Novo Mercado é um segmento especial da bolsa brasileira onde se reúnem empresas que querem adotar padrões de governança corporativa mais elevados do que os mínimos exigidos pela lei.
Criado em 2000, esse segmento tem como objetivo tornar o mercado de capitais mais transparente, justo e confiável para todos os acionistas, especialmente os minoritários.
Por exemplo: empresas do Novo Mercado em geral emitem apenas ações ordinárias (com direito a voto), oferecem “tag along” para que acionistas minoritários recebam o mesmo preço do controlador em caso de venda da empresa, e se comprometem a divulgar informações em português e inglês, entre outras práticas.
Estar no Novo Mercado é um sinal de que a empresa está “jogando limpo” no mercado, buscando maior transparência, mais responsabilidade com os acionistas e potencialmente atraindo mais investimento.
O que é e para que serve a governança corporativa?
A governança corporativa é, em termos básicos, o “jeito” como uma empresa é administrada, dirigida e monitorada. Pense nela como um sistema que estabelece as regras do jogo, as estruturas de poder e os processos para a tomada de decisão dentro de uma organização.
Para que ela serve? O principal objetivo é garantir que a empresa gere valor de maneira sustentável, equilibrando os interesses de todas as partes envolvidas, desde os donos (acionistas) e a administração, até os colaboradores, fornecedores, clientes e a sociedade em geral.
É um conjunto de boas práticas que promove:
- Transparência: na forma como a empresa se comunica e divulga suas informações.
- Equidade: tratando todos os sócios e partes interessadas de forma justa e igualitária.
- Prestação de contas: o famoso accountability, onde os responsáveis pela gestão reportam com clareza seus atos e resultados.
- Responsabilidade corporativa: que é o zelo pela longevidade da empresa e por seu impacto econômico, social e ambiental.
No fim das contas, uma boa governança serve para construir confiança no mercado, atrair mais investimentos, evitar conflitos, fraudes e, consequentemente, fazer com que a empresa seja mais sólida e dure por muito mais tempo.
Como funciona o Novo Mercado?
O Novo Mercado funciona assim:
Primeiro, uma empresa decide ir além do que é exigido por lei e aceita adotar práticas de governança corporativa mais elevadas. Isso significa que ela se compromete a medidas como emitir somente ações com direito a voto, divulgar de forma simultânea os resultados em português e inglês, ter parte do conselho de administração composto por conselheiros independentes, e garantir um nível de “free float”: ou seja, uma parcela mínima de ações em circulação no mercado, para dar liquidez aos papéis.
Essa empresa passa a ter uma espécie de “selo” de que está comprometida com mais transparência e governança, tornando-se mais atraente para quem investe. O controle de mercado e dos direitos dos acionistas fica mais forte e claro.
É importante lembrar que nada disso elimina riscos: estar no Novo Mercado não é garantia de retorno, mas faz com que, em teoria, as regras de jogo sejam mais bem definidas e visíveis.
Quais as regras e características para participar do Novo Mercado?
Para entrar no Novo Mercado, uma empresa precisa cumprir uma série de exigências que vão além do básico da lei. Por exemplo, ela deve emitir apenas ações ordinárias, o que ajuda a equilibrar o poder entre acionistas controladores e minoritários.
Também é obrigatório que um percentual mínimo do capital da empresa fique em circulação no mercado (o chamado “free float”), para garantir liquidez e dar aos investidores a chance de negociar as ações com mais facilidade.
Outra peça importante é a proteção dos acionistas minoritários: quando há venda do controle da empresa, os acionistas devem ter direito de vender suas ações pelo mesmo preço pago ao controlador (o “tag along” de 100 %).
Além disso, há compromissos de transparência, divulgação simultânea de informações em português e inglês, adoção de auditoria interna ou comitês de auditoria, conselhos com membros independentes, políticas formais de remuneração e partes relacionadas.
Essas regras tornam o segmento uma espécie de “nível premium” de governança corporativa e ajudam a dar mais segurança para quem investe.
Confira: Disclosure: o que é, como funciona e qual é a importância?
Quais são as empresas do Novo Mercado?
É importante ressaltar que a lista completa está sempre em mudança, com novas empresas entrando e outras saindo, mas alguns nomes são historicamente conhecidos por fazerem parte deste grupo seleto. Você encontra nomes muito conhecidos do público, como:
- Magazine Luiza
- Lojas Renner
- Weg
- Engie
- Porto (antiga Porto Seguro)
- Raia Drogasil
- Localiza
- A própria B3 (a Bolsa) também faz parte.
- Vale (que migrou para o Novo Mercado, reforçando seu compromisso)
- Banco do Brasil
- Cosan
- Multiplan
- EZTec
O que todas elas têm em comum é o compromisso de ter apenas ações ordinárias e de garantir uma estrutura societária mais justa para todos os acionistas. Se você quiser a lista mais atualizada, o lugar ideal para conferir é o site oficial da B3, na seção de empresas listadas, onde é possível filtrar exatamente por este segmento.
Vantagens e desvantagens do Novo Mercado
Vantagens:
1) Acesso facilitado a capital
Empresas listadas no Novo Mercado costumam atrair mais investidores, o que pode facilitar captações via mercado de ações. Isso é especialmente útil para financiar expansão ou novos projetos.
2) Alinhamento com práticas ESG
O Novo Mercado está fortemente associado a boas práticas ambientais, sociais e de governança. Isso ajuda a empresa a se posicionar melhor frente a investidores que priorizam sustentabilidade e responsabilidade corporativa.
3) Redução de conflitos entre sócios
Como todas as ações são ordinárias, todos os acionistas têm direito a voto. Isso evita disputas entre sócios majoritários e minoritários, promovendo uma gestão mais equilibrada.
Desvantagens:
1) Processo de adesão complexo
Entrar no Novo Mercado exige uma série de ajustes internos, como reformulação do estatuto social e criação de comitês de auditoria. Para algumas empresas, isso pode ser um processo longo e caro.
2) Pressão por resultados e conformidade
A exposição pública e o nível de exigência regulatória podem gerar pressão constante sobre a diretoria e os conselhos. Isso pode ser positivo para a governança, mas também desgastante para a operação.
3) Risco de perda de competitividade
Em mercados muito dinâmicos, seguir regras rígidas pode limitar a capacidade de resposta da empresa frente à concorrência. A burocracia pode se tornar um obstáculo à inovação e à velocidade de execução.
Acesse: Empresas listadas na Bolsa – Como funciona a abertura e lista completa
Como investir em empresas do Novo Mercado?
Passo a passo direto para quem quer começar agora:
- Abra uma conta em uma corretora de valores: O primeiro passo é escolher uma corretora confiável. Hoje, o processo é todo online e gratuito. Basta preencher seus dados, enviar documentos e aguardar a aprovação.
- Transfira dinheiro para sua conta na corretora: Com a conta ativa, você precisa transferir recursos via TED ou Pix a partir do seu banco. Esse valor ficará disponível para investir.
- Pesquise empresas listadas no Novo Mercado: A B3 disponibiliza uma lista com todas as companhias que fazem parte do Novo Mercado.
- Analise os fundamentos das empresas: Antes de comprar ações, vale estudar o histórico da empresa, seus resultados financeiros, setor de atuação e perspectivas futuras. Diversas plataformas oferecem análises que ajudam bastante nesse processo.
- Compre ações pelo home broker ou app da corretora: Com tudo pronto, é só acessar o sistema da corretora, buscar o ticker da empresa (como PETR3 ou WEGE3, por exemplo) e definir quanto deseja investir.
- Acompanhe seus investimentos com regularidade: Investir não é só comprar e esquecer. É importante acompanhar os balanços, notícias e mudanças no mercado para tomar decisões mais conscientes ao longo do tempo.
Os outros segmentos de listagem B3
Além do segmento mais exigente, o Novo Mercado, a B3 tem vários outros níveis onde as empresas podem se listar de acordo com seu porte e os padrões de governança que pretendem adotar. São eles: o Nível 1, o Nível 2, o Bovespa Mais e o Bovespa Mais Nível 2.
O Nível 1 exige práticas de governança maiores que o segmento básico, como maior transparência nas informações e parte mínima de ações em circulação.
O Nível 2 exige ainda mais: por exemplo, melhores direitos para acionistas minoritários e estruturas de governança mais consistentes.
Já o Bovespa Mais e o Bovespa Mais Nível 2 são pensados para empresas que querem entrar no mercado com padrões de governança mais elevados que o básico, mas talvez ainda não alcancem os requisitos dos níveis mais “top”.
E claro: para empresas que simplesmente se listam no segmento mais básico, chamado “Básico” ou “Tradicional”, ficam sujeitas às regras mínimas exigidas por lei, sem as camadas extras de governança que os níveis especiais trazem.
Leia também: Investimentos responsáveis: o que é são e quais são os seus princípios?
Fontes: Atlasgov, Bora Investir B5, Empiricus, C6 Bank, Suno, Toro.