16 de junho de 2025 - por Sidemar Castro
Uma holding mista é uma empresa que tem duas funções principais: além de possuir e administrar participação em outras empresas (como qualquer holding), ela também exerce atividades operacionais próprias, como produção ou prestação de serviços. Ou seja, não se limita apenas a gerir ativos e investimentos, mas participa ativamente do mercado.
Esse modelo pode ser útil para empresas que querem estruturar melhor seus negócios, separar áreas estratégicas ou até otimizar questões tributárias. Por exemplo, uma holding mista pode controlar diversas subsidiárias e, ao mesmo tempo, operar diretamente em um setor específico.
Quer saber mais sobre como isso funciona na prática?
Leia mais: Holding: o que é, tipos, vantagens e desvantagens
O que é uma holding mista?
Uma holding mista é uma empresa que, além de controlar outras empresas por meio da posse de ações, que é o papel típico de uma holding, também exerce alguma atividade operacional própria.
Ou seja, ela não fica apenas “nos bastidores”, cuidando da administração e participação em outras empresas; ela também bota a mão na massa e atua diretamente em algum setor, como comércio, indústria ou serviços.
É diferente da holding pura, que existe exclusivamente para controlar outras empresas e não desenvolve nenhuma atividade operacional. A holding mista, portanto, combina os dois papéis: o de gestora de participações e o de empresa atuante no mercado.
Leia também: Tipos de empresa – As 7 modalidades existentes, características e portes
Como funciona uma holding mista?
Uma holding mista funciona como uma espécie de central de comando que, ao mesmo tempo que administra outras empresas, também atua diretamente em alguma atividade do mercado. Na prática, ela tem dois papéis: o de sócia controladora e o de empresa operadora.
Por exemplo, imagine uma holding que é dona de várias empresas no setor alimentício. Ela pode controlar uma rede de supermercados, uma fábrica de alimentos e uma distribuidora. Ao mesmo tempo, essa holding também pode ter uma marca própria de produtos que ela mesma fabrica e vende. Ou seja, ela também está operando no mercado.
Essa estrutura permite uma gestão mais estratégica e integrada dos negócios, facilita o planejamento tributário e pode até ajudar na proteção patrimonial. Mas, claro, exige uma boa organização para separar bem as funções de controladora e operadora, evitando conflitos ou confusão na gestão.
Entenda: O que é um acionista controlador?
Exemplo de holding mista
Um exemplo bem comum e fácil de visualizar de uma holding mista seria uma holding familiar que tem imóveis próprios para aluguel e, ao mesmo tempo, participa do controle de uma ou mais empresas da família.
Imagine a “Família Silva Participações S.A.” (nome fictício).
- Lado da holding: Essa empresa da Família Silva é dona de parte (ou da totalidade) das ações de outras empresas do grupo, tipo a “Padaria Silva Ltda.” e a “Construtora Silva S.A.”. Ela dita as regras, define as estratégias e consolida os resultados dessas empresas.
- Lado da operação própria: Além de controlar as empresas dos filhos e netos, a própria “Família Silva Participações S.A.” é dona de vários imóveis comerciais e residenciais. Ela aluga esses imóveis para terceiros, gerando uma receita de aluguel diretamente em seu CNPJ. Essa é a parte operacional dela.
Então, ela não é só uma “controladora de empresas”, mas também uma “locadora de imóveis”. É essa mistura que a torna uma holding mista. E esta é uma estratégia bem interessante para otimizar impostos, proteger o patrimônio e centralizar a gestão de diferentes negócios de uma família ou grupo empresarial.
Vantagens e desvantagens da holding mista
Vantagens
- Diversificação de receita: Como a empresa atua tanto na gestão de participações quanto na operação direta de negócios, há mais fontes de lucro.
- Otimização tributária: A estrutura pode ajudar na redução de impostos ao consolidar operações e buscar benefícios fiscais.
- Maior controle estratégico: Com a administração de subsidiárias e uma atuação própria no mercado, a empresa tem mais autonomia para decisões.
- Flexibilidade no crescimento: Pode expandir investimentos em diferentes setores sem perder controle sobre suas operações principais.
Desvantagens
- Maior complexidade administrativa: Gerir tanto as participações quanto a operação direta exige mais planejamento e estrutura.
- Exposição a riscos comerciais: Como opera ativamente no mercado, a holding mista está sujeita a riscos operacionais, concorrência e volatilidade do setor.
- Regulação mais rigorosa: Dependendo do setor, pode haver exigências legais específicas que aumentam a burocracia.
- Dificuldade na separação patrimonial: Pode ser mais difícil delimitar os ativos da holding e das empresas controladas, o que impacta aspectos financeiros e jurídicos.
Qual a diferença entre uma holding mista e uma holding pura?
A principal diferença entre uma holding mista e uma holding pura está na forma como elas atuam.
A holding pura existe tão somente para controlar outras empresas. Ela não vende produtos, não presta serviços e não tem atividade operacional própria. Sua função é administrar participações, tomar decisões estratégicas e cuidar da organização do grupo empresarial.
Já a holding mista, além de controlar outras empresas, também atua diretamente no mercado. Ou seja, ela tem uma operação própria: pode fabricar produtos, prestar serviços ou manter atividades comerciais, por exemplo.
Leia também: Balanço patrimonial: o que é, como funciona e para que serve?
Outros tipos de holding
1) Holding Pura (ou Patrimonial Pura)
A holding pura é uma empresa que é, basicamente, uma “dona de outras empresas”. A função principal dela é participar do capital social de outras companhias, ou seja, ter ações ou cotas de outras empresas.
Ela não tem atividade operacional própria, não vende produtos, não presta serviços diretamente. O objetivo principal aqui é a gestão de investimentos e participações societárias, e muitas vezes a otimização tributária e a facilitação da sucessão familiar. Ela vive dos lucros e dividendos que recebe das empresas controladas.
Exemplo para visualizar: pense numa holding que é dona de uma rede de supermercados, de uma empresa de tecnologia e de uma construtora. Ela não opera nenhum desses negócios diretamente, apenas detém a propriedade e a gestão estratégica dessas participações.
2) Holding Familiar
Como o nome já diz, essa holding é criada por uma família para centralizar a gestão dos seus bens e participações societárias. O grande lance aqui é a organização do patrimônio familiar, a blindagem de bens contra riscos empresariais (em alguns casos, com as devidas ressalvas legais, claro!) e, principalmente, o planejamento sucessório.
Ela pode ser pura ou mista, dependendo se ela terá atividade operacional ou não, mas o foco principal é gerenciar os ativos da família para as futuras gerações.
Podemos dar como exemplo uma família com vários imóveis, investimentos e participações em diferentes empresas pode criar uma holding familiar para colocar tudo “dentro” dela. Assim, em vez de os herdeiros receberem partes de vários bens individualmente, eles se tornam sócios da holding, o que simplifica e agiliza a partilha da herança.
Veja: Sucessão patrimonial: o que é, importância e como fazer
3) Holding de Participação
Essa é bem parecida com a holding pura em sua essência, mas o foco pode ser um pouco mais específico. A principal característica é a aquisição e manutenção de participações em outras empresas com o objetivo de obter controle ou influência significativa.
Geralmente, o objetivo é mais estratégico do que meramente patrimonial. Uma holding de participação pode, por exemplo, ser criada para adquirir fatias de empresas de um determinado setor para formar um grupo econômico mais forte.
Exemplo: Um fundo de investimento que cria uma holding para comprar participações majoritárias em diversas startups de um nicho específico, visando consolidar o mercado ou preparar essas empresas para uma venda futura.
4) Holding Administrativa (ou de Serviços)
Esse tipo de holding, além de controlar outras empresas, também presta serviços administrativos, financeiros, contábeis, jurídicos ou de marketing para suas controladas. A ideia é centralizar essas funções para otimizar custos e padronizar processos dentro do grupo. É uma forma de “compartilhar” expertise e estrutura.
Para exemplificar, podemos citar uma holding que, além de ser dona de uma rede de lojas, tem um departamento de RH, um jurídico e um marketing que atendem a todas as lojas do grupo, cobrando por esses serviços das próprias controladas.
Leia também: Nicho de mercado: o que é e passo a passo de como definir
Fontes: Omie, Negrão e Fares, My Hold e OHM Adv.