Títulos híbridos: o que são, como funcionam, exemplos

Títulos públicos são empréstimos que o cidadão faz ao governo em troca de remuneração futura. Entenda como funcionam e exemplos.

16 de julho de 2025 - por Sidemar Castro


Títulos híbridos são investimentos que combinam características de dois ou mais instrumentos financeiros, como dívida e ações, ou rentabilidade prefixada e pós-fixada.

Exemplos incluem o Tesouro IPCA+ e Fundos Imobiliários híbridos, que buscam equilibrar segurança e potencial de retorno, oferecendo diversificação e proteção contra a inflação ou variações de mercado.

Continue a ler e entenda como funcionam e exemplos.

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O que são títulos híbridos?

No mundo dos investimentos, os títulos híbridos são um jeito bem interessante de juntar o melhor de dois mundos em um só lugar. É como um investimento que tem características de dois tipos diferentes ao mesmo tempo.

Por exemplo, um dos mais conhecidos é o Tesouro IPCA+. Ele é híbrido porque garante uma taxa de juros fixa, que você já sabe na hora de investir, e ainda te protege da inflação, já que ele rende a variação do IPCA. Assim, seu dinheiro não perde valor com o tempo e você ainda tem um ganho real.

Outro caso são os Fundos Imobiliários (FIIs) híbridos. Enquanto alguns FIIs investem só em imóveis físicos (os de “tijolo”) ou só em títulos ligados ao mercado imobiliário (os de “papel”), os híbridos podem ter um pouco dos dois na carteira. Assim, isso dá mais liberdade para o gestor do fundo, que pode diversificar e procurar pelas melhores oportunidades em diferentes áreas, tudo para tentar um retorno com menos riscos.

Entenda: IPCA: o que é e como funciona esse índice?

Como funcionam os títulos híbridos?

Os títulos híbridos funcionam assim: você, como investidor, empresta dinheiro ao emitente comprando o título. Em troca, espera receber pagamentos periódicos de juros (chamados de cupons), semelhante a uma obrigação tradicional.

Porém, aqui está a primeira grande diferença: esse pagamento de juros não é garantido. A empresa pode decidir, em certas circunstâncias (como falta de lucros ou por critérios definidos no contrato), simplesmente não pagar o cupom num determinado período. E essa suspensão não é considerada um calote, como seria numa obrigação normal, faz parte das regras do jogo.

Outra característica marcante é o prazo. Muitos títulos híbridos são “perpétuos” ou têm vencimentos muito longínquos (tipo 60 ou 100 anos). Na prática, o emitente costuma ter a opção de recomprar o título de você numa data específica mais próxima, digamos 5 ou 10 anos após a emissão. Mas ele não é obrigado a fazer isso. Se decidir não recomprar na primeira oportunidade, o título continua “vivo”, você continua recebendo os cupons (se a empresa os pagar) e espera pela próxima data de possível recompra.

O risco também é maior do que numa obrigação comum. Por exemplo: se a empresa que emitiu os titulos ficar na pior ou até mesmo falir, seus detentores ficam numa posição complicada: são pagos depois dos credores tradicionais, embora antes dos acionistas.

Em situações extremas, o contrato pode permitir que seu título seja convertido em ações da empresa (que podem valer muito pouco naquele momento) ou até mesmo ser totalmente anulado (“write-down”), significando a perda total do seu investimento inicial.

Leia também: Tipos de Tesouro Direto: entenda as diferenças e saiba como escolher

Quais são os principais títulos híbridos?

Existem alguns títulos que são bem conhecidos por combinarem características de diferentes tipos de investimento. Eles são interessantes porque oferecem um meio-termo entre segurança e potencial de ganho.

1) Tesouro IPCA+

Esse é talvez o mais famoso dos títulos híbridos. Ele tem uma parte da rentabilidade que acompanha a inflação, medida pelo IPCA, e uma parte prefixada, ou seja, uma taxa de juros real que você já sabe no momento da compra. É ótimo para quem pensa no longo prazo, pois seu dinheiro cresce acima da inflação, protegendo seu poder de compra. Existe também o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que paga a rentabilidade a cada seis meses, sendo uma opção para quem busca um fluxo de renda.

2) Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) Híbridos

Embora sejam mais comuns nas versões prefixada ou pós-fixada (que seguem o CDI, por exemplo), alguns bancos podem emitir CDBs, LCIs e LCAs com rentabilidade híbrida. Isso significa que eles podem pagar uma taxa fixa mais um indicador, como o IPCA, funcionando de forma similar ao Tesouro IPCA+, mas emitidos por instituições financeiras privadas. LCIs e LCAs têm o benefício adicional de serem isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Saiba mais: CDB: o que é, como funciona, como investir e quanto rende?

3) Debêntures Híbridas

Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas, não por bancos ou pelo governo. Uma debênture híbrida pode ter sua rentabilidade atrelada a uma taxa fixa somada a um índice de inflação, como o IPCA, ou até mesmo combinar características de dívida e participação nos lucros da empresa. As debêntures incentivadas, por exemplo, que financiam projetos de infraestrutura, podem ser isentas de Imposto de Renda, o que as torna bem atrativas.

Leia mais: Como investir em Debêntures? Como funcionam, tipos, custos e riscos

4) Fundos Imobiliários (FIIs) Híbridos

Esses fundos são super flexíveis. Enquanto um FII de “tijolo” investe em imóveis físicos (como shoppings, escritórios ou galpões) e um FII de “papel” investe em títulos ligados ao setor imobiliário (como CRIs e LCIs), os FIIs híbridos podem investir em ambos. Isso permite que o gestor do fundo diversifique mais, ajustando a carteira conforme as oportunidades do mercado, buscando renda de aluguéis e também ganhos com juros de títulos.

Esses títulos oferecem uma forma de diversificar seus investimentos, combinando diferentes estratégias de rentabilidade para se adequar a variados perfis e objetivos.

Entenda: IPCA: o que é e como funciona esse índice?

Exemplos de títulos híbridos

Um bom exemplo é o Tesouro IPCA+, que combina uma taxa de juros fixa com a variação da inflação (IPCA), protegendo seu poder de compra e garantindo um ganho real.

Da mesma forma, alguns CDBs, LCIs e LCAs podem oferecer uma rentabilidade híbrida, atrelando-se a uma taxa fixa mais um índice inflacionário, com o benefício da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas em LCIs e LCAs.

As debêntures híbridas, que são títulos de dívida de empresas, também podem ter sua rentabilidade ligada a uma parte fixa e outra indexada à inflação; as incentivadas ainda podem ser isentas de IR.

Por fim, os Fundos Imobiliários (FIIs) híbridos investem tanto em imóveis físicos quanto em títulos do setor imobiliário, dando ao gestor flexibilidade para buscar as melhores oportunidades e diversificar o portfólio. Eles são uma maneira inteligente de combinar fontes de rentabilidade em um único investimento.

Leia também: IPCA-15: o que é, para o que serve e como calcular?

Vantagens dos títulos híbridos

Os títulos híbridos apresentam alguns pontos fortes que os tornam atrativos para certos investidores. A principal vantagem é o potencial de rendimento mais elevado em comparação com obrigações tradicionais.

Esse retorno extra serve como uma compensação pelos riscos adicionais que o investidor assume, como a possibilidade de suspensão dos juros ou o prazo longo (ou até perpétuo) para recuperar o capital investido. Essa renda potencialmente maior pode ser um chamariz interessante, especialmente em ambientes de juros baixos.

Outro benefício é o papel na diversificação da carteira. Misturando dívida e capital próprio, podem não seguir exatamente o mesmo ritmo de outros ativos mais convencionais, como ações ou obrigações simples. Isso pode ajudar a reduzir a volatilidade geral dos investimentos.

Embora os pagamentos periódicos (cupons) não sejam garantidos, empresas financeiramente saudáveis têm um forte incentivo para mantê-los, pois cortá-los pode ser visto como um sinal de fraqueza pelo mercado. Isso oferece um certo grau de resiliência para quem busca renda regular.

Além disso, do lado do emissor (como bancos), esses títulos ajudam a reforçar seu capital regulatório, o que indiretamente pode contribuir para uma maior solidez da instituição, algo que também beneficia o investidor no longo prazo.

Saiba mais: Investimento a longo prazo – Opções de aplicações e como investir

Desvantagens e desafios dos títulos híbridos

Os títulos híbridos têm um lado mais sombrio que você precisa enxergar antes de investir. O primeiro grande baque é o risco de perder dinheiro. Se a empresa que emitiu o título entrar em crise grave, você fica numa fila desfavorável: recebe só depois dos credores comuns, e se sobrar algo. Pior ainda: em casos extremos, seu investimento pode virar pó (write-down) ou ser convertido em ações quase sem valor. É raro, mas possível.

Outra frustração comum é o prazo ilusório. Muita gente compra pensando: “Ah, em 5 anos eles me pagam de volta”. Só que a empresa pode simplesmente não recomprar o título nessa data prometida, e você fica preso nele. Pode ser por décadas ou… para sempre (sim, perpétuos existem!). Se precisar vender antes, corre o risco de tomar um deságio feio no preço, porque o mercado sabe que você está apertado.

E não se engane com os rendimentos bonitos no papel: aquele juro atrativo não é garantido. A empresa pode cortar os pagamentos quando quiser, se estiver com dificuldades ou por estratégia, e isso não é considerado calote. Do dia para a noite, sua fonte de renda pode secar.

Por fim, a complexidade é um inimigo silencioso. Os contratos são cheios de cláusulas, condições e jargões que até investidores experientes podem achar confusos. Entender quando a empresa pode suspender juros, como funciona a subordinação ou o que dispara um write-down exige paciência de monge e, muitas vezes, ajuda profissional.

Informe-se: Ativo livre de risco: o que é, como funciona e quais são?

Quais são as diferenças entre títulos híbridos, títulos prefixados e pós-fixados?

Esses três tipos de título são como primos distantes – têm algum parentesco, mas vivem em universos diferentes:

  • Híbrido: Risco alto. Juro pode sumir. Prazo pode ser eterno. Retorno potencialmente maior. Complexo.
  • Prefixado: Segurança sobre o retorno final conhecido HOJE. Ignora inflação e mudanças nas taxas (o que pode ser bom ou ruim). Simples.
  • Pós-Fixado: Retorno atrelado a um indicador (CDI ou IPCA). Busca proteger do efeito da inflação ou acompanhar o mercado. Previsível na fórmula, mas não no valor absoluto final.

Escolher entre eles depende do que você quer: previsibilidade total (prefixado), proteção contra inflação/market (pós-fixado), ou busca por retorno maior aceitando riscos complexos (híbrido). Cada um serve a um propósito bem diferente na carteira.

Entenda mais: Qual a diferença entre prefixado e pós-fixado?

Como investir em títulos híbridos?

Antes, saiba que isso não é como comprar um CDB na conta do banco. Títulos híbridos são negociados na Bolsa de Valores (B3). Você vai precisar de uma conta em corretora para acessá-los, e geralmente são emitidos por grandes bancos ou seguradoras.

Antes de qualquer coisa, leia o prospecto. Sério, não pule essa parte. É nesse documento complexo que estão as regras do jogo: quando a empresa pode parar de pagar juros sem ser considerado calote, se existe data de resgate real (ou se pode ser adiado pra sempre), o que acontece se a empresa entrar em colapso (pode perder tudo!) e como os rendimentos são calculados. Se achar difícil, peça ajuda a um assessor. Ignorar o prospecto é furada.

Você pode comprar de dois jeitos:

  • Na emissão (mercado primário): Quando o título é lançado, direto da empresa. Tem prazos e lotes mínimos (ex: R$ 10 mil).
  • No mercado secundário: Comprando de outro investidor pela Bolsa. Pode achar preços melhores (ou piores), mas a liquidez é baixa, pode ser difícil vender rápido se precisar.

Prepare-se para custos: taxa de corretagem, custódia da B3 (uns R$ 5/mês) e IR de 15% sobre os juros (retido na fonte). Agora, a regra mais importante: gerencie o risco.

  • Só use dinheiro que não vai precisar no curto/médio prazo (o resgate pode levar décadas!).
  • Não coloque tudo nisso, aloque no máximo uma pequena parte da sua carteira (tipo 5%).
  • Diversifique entre emissores sólidos (bancos grandes, por exemplo).
  • Monitore: o preço do título varia com juros, saúde da empresa e expectativas de resgate.

Leia mais: Fundos de papel: o que são, como funcionam e quais são eles?

Fontes: Wealth Management, Mais Retorno, Como Investir, Smart Asset, Exame, Finnancas, Corporate Finance Institute e Study.

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