Bovespa Mais Nível 2: o que é, objetivos, empresas listadas

Você sabe o que é Bovespa Mais Nível 2? Veja como funciona esse modelo que combina mais governança com flexibilidade para empresas que querem chegar à bolsa de forma gradual.

28 de novembro de 2025 - por Millena Santos


O Bovespa Mais Nível 2 funciona como uma extensão do próprio Bovespa Mais, pensado para empresas que querem dar um passo a mais em governança, mas sem perder certas flexibilidades no processo.

Neste texto, a gente te conta mais sobre isso. Vamos lá?

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia. 

Veja também: Ações ordinárias e preferenciais: quais são as diferenças entre elas

O que é o Bovespa Mais Nível 2?

O Bovespa Mais Nível 2 é uma variação do próprio Bovespa Mais, pensada para empresas que querem acessar o mercado acionário dando um passo extra em termos de governança, mas sem abrir mão de algumas flexibilidades.

A grande diferença aqui é que, nesse segmento, as companhias podem manter ações preferenciais (PN) em circulação, algo que nem sempre é permitido em outros níveis de governança mais rígidos.

E tem um ponto que chama bastante atenção: em situações de venda de controle, quem possui ações ordinárias e quem tem ações preferenciais recebe o mesmo tratamento que o acionista que está vendendo o comando da empresa.

Na prática, isso significa tag along de 100%, ou seja, quem acompanha o negócio tem o direito de receber o mesmo valor pago por ação ao controlador. Esse detalhe acaba trazendo mais proteção e previsibilidade para quem já está dentro da base acionária e quer saber até onde vai sua segurança numa eventual mudança de comando.

Além disso, vale lembrar que o Nível 2 faz parte de um esforço da B3 para aproximar pequenas e médias empresas do mercado de capitais, criando um caminho mais gradual para quem deseja abrir capital.

Quais são os objetivos da Bovespa Mais Nível 2?

Os objetivos do Bovespa Mais Nível 2 giram em torno de abrir caminho para que empresas com boa perspectiva de expansão entrem no mercado de capitais sem precisar dar um salto brusco.

A proposta é oferecer uma porta de entrada mais tranquila, mas ainda assim baseada em padrões elevados de governança e transparência. Isso ajuda a criar um ambiente mais confiável, algo que naturalmente atrai quem pensa em investir com uma visão de médio e longo prazos.

A lógica é que, ao aderir ao segmento, a empresa passa a construir um histórico público, aumenta a visibilidade e começa a formar uma base acionária mais ampla.

Isso é essencial, pois favorece a liquidez das ações e facilita futuras captações de recursos.

Outro ponto importante é o acesso ao capital. O Nível 2 foi desenhado justamente para apoiar empresas que precisam financiar projetos, expandir operações ou profissionalizar ainda mais sua estrutura.

Características das empresas da Bovespa Mais Nível 2

As empresas que entram no Bovespa Mais Nível 2 precisam seguir um conjunto de regras que ajuda a garantir transparência, segurança e uma relação mais madura com o mercado. São elas:

  • Registro atualizado na CVM: companhia precisa estar registrada como empresa de capital aberto e manter tudo em ordem com a CVM antes de pedir a listagem na B3.
  • Mais poder para ações preferenciais: as ações preferenciais ganham direito de voto em assuntos considerados estratégicos.
  • Compromisso formal com o segmento: o acionista controlador assina o Contrato de Participação do Bovespa Mais Nível 2, e os administradores confirmam que estão de acordo com as regras. É uma forma de selar o compromisso com padrões mais altos de governança.
  • Estrutura de governança reforçada: o conselho de administração deve ter pelo menos três membros, sendo 20% independentes. Além disso, a empresa precisa aderir à Câmara de Arbitragem do Mercado, que resolve conflitos de forma mais rápida e técnica.
  • Regras mínimas de saúde financeira: a empresa precisa atender a critérios de estabilidade econômica, o que inclui não apresentar prejuízos consecutivos ou patrimônio líquido negativo, conforme as exigências definidas pelo segmento.
  • Transparência redobrada nas informações: a divulgação de resultados e documentos financeiros precisa ser periódica e feita tanto em português quanto em inglês, o que aumenta a visibilidade e amplia o alcance para investidores de fora.

Como funciona a Bovespa Mais Nível 2?

O Bovespa Mais Nível 2 funciona como uma espécie de porta de entrada planejada para empresas que querem chegar ao mercado de capitais sem precisar fazer tudo de uma vez.

Dentro desse segmento, a companhia pode ter ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN) negociadas no PUMA Trading System, que é a plataforma eletrônica onde acontecem as negociações da B3.

Um detalhe que chama atenção é que a empresa não precisa abrir capital logo no início. A listagem pode acontecer antes do IPO, permitindo que a companhia vá ganhando visibilidade, ajustando a governança e se familiarizando com o ambiente do mercado.

Esse período funciona quase como um estágio preparatório.

Depois que entra no segmento, a empresa tem um prazo de até 7 anos para realizar sua oferta pública de ações.

Quando esse IPO acontecer, será necessário cumprir o free float mínimo de 25%, ou seja, uma parcela das ações deve estar em circulação no mercado para garantir liquidez e permitir que investidores negociem com mais facilidade.

Quais empresas fazem parte da Bovespa Mais Nível 2?

São elas:

  • SmartFit (SMFT3)
  • Prática Klimaquip (PTCA11)

Como investir em empresas do Bovespa Mais Nível 2?

Para investir em empresas listadas no Bovespa Mais Nível 2, o primeiro passo é ter conta em uma corretora autorizada pela B3. Depois disso, basta transferir os recursos e usar a plataforma da própria corretora para buscar os tickers das companhias que fazem parte desse segmento.

A negociação acontece no mesmo ambiente eletrônico da Bolsa, o PUMA Trading System, exatamente como ocorre com as ações mais conhecidas do mercado.

As ações desse segmento seguem as regras tradicionais de negociação, mas contam com tag along de 100% tanto para ações ordinárias quanto para preferenciais, o que traz uma proteção extra em caso de venda de controle da empresa.

Por outro lado, como muitas dessas companhias ainda estão em fase de crescimento e construindo seu espaço no mercado, a liquidez tende a ser menor.

Isso significa que a dinâmica é mais alinhada a quem pensa em horizontes de médio e longo prazos, com foco em acompanhar a evolução da empresa ao longo do tempo.

Diferenças entre Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2?

Apesar de o Bovespa Mais e o Bovespa Mais Nível 2 terem propostas muito parecidas, existe um ponto de partida que já os coloca em caminhos um pouco diferentes: no Nível 2, a empresa pode ter ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN).

Já no Bovespa Mais tradicional, a emissão fica limitada apenas às ON. Essa diferença inicial já mostra o quanto o Nível 2 oferece um grau maior de flexibilidade.

Daí em diante, os dois segmentos acabam convergindo em várias regras pensadas para garantir um patamar sólido de governança e transparência. Entre os principais pilares, vale destacar:

  • Conselho de Administração com, no mínimo, três integrantes, mandato de até dois anos e pelo menos 20% de membros independentes, trazendo olhares externos e reduzindo conflitos de interesse.
  • Tag along garantido
  • Free float mínimo, uma vez que a companhia precisa alcançar 25% das ações em circulação até o sétimo ano após a listagem, permitindo mais liquidez e participação do mercado.
  • Ferramentas de controle e fiscalização: estruturas como comitê de auditoria, auditoria interna e práticas formais de compliance podem ser adotadas, mas não são obrigatórias. Funcionam como reforços adicionais para quem quer elevar ainda mais o padrão de governança.
  • Regras para OPA (Oferta Pública de Aquisição): em processos de OPA, o valor pago deve considerar ao menos o valor econômico da ação, exceto nos casos em que a companhia estiver migrando para o Novo Mercado.
  • Câmara de Arbitragem do Mercado: empresas dos dois segmentos devem seguir esse mecanismo para resolver conflitos societários de maneira mais ágil e especializada.

Quando tudo isso é colocado lado a lado, o que realmente distingue os dois modelos é a liberdade maior para trabalhar com tipos diferentes de ações no Nível 2.

No restante, a lógica é muito parecida, sempre voltada a criar um ambiente mais estável, transparente e previsível para quem acompanha o mercado.

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