16 de maio de 2023 - por Sidemar Castro
O Tether (USDT) é a maior stablecoin do mundo, uma criptomoeda projetada para manter a paridade com o dólar americano (USDT) na proporção de 1 para 1. Emitido pela empresa Tether Limited, ele funciona como um “dólar digital” que facilita negociações, protege contra a volatilidade do mercado cripto e permite dolarizar investimentos de forma rápida e barata.
Neste artigo, você estará por dentro do que é o Tether (USDT), como funciona e como comprar. Leia com atenção.
Veja também: Stablecoins: o que são, para que servem e popularidade
O que é Tether (USDT)?
USDT é a sigla para a Tether, uma criptomoeda estável (stablecoin) atrelada ao dólar americano na proporção de 1 para 1. Isso significa que, teoricamente, cada unidade de USDT vale exatamente 1 dólar.
Ela foi lançada em 2014 e hoje é a maior stablecoin do mundo, com um valor de mercado superior a 160 bilhões de dólares. A empresa Tether, que fica em El Salvador, é a responsável por emitir e gerenciar essa moeda digital.
Para que serve a Tether USD (USDT)?
A USDT serve para muita coisa no dia a dia do investidor cripto. Quem negocia Bitcoin ou outras moedas voláteis usa o USDT para “estacionar” o dinheiro depois de vender, sem precisar sacar para reais ou dólares de verdade.
Também é útil para quem quer enviar dinheiro para o exterior: uma transferência de USDT custa poucos centavos e chega em minutos, enquanto um TED internacional leva dias e custa caro. Muitos brasileiros compram USDT como uma forma indireta de ter dólar, pois é mais fácil do que abrir conta em banco americano.
Como funciona a Tether (USDT)?
A Tether funciona como um certificado digital de depósito. Quando um cliente grande deposita 1 milhão de dólares na empresa Tether, ela emite 1 milhão de USDT e os coloca em circulação.
Quando esse cliente quer o dinheiro de volta, devolve os USDT e a empresa os “queima” (destroi) e devolve os dólares. A cotação do USDT nas corretoras é livre, mas fica perto de 1 dólar porque sempre existe a possibilidade de arbitragem: se o preço cair para 0,98, alguém compra barato e resgata na Tether pelo valor cheio. A USDT opera em várias redes de blockchain, sendo Tron e Ethereum as mais usadas.
Vantagens, desvantagens e riscos da Tether (USDT)
Entre as vantagens estão a estabilidade, a liquidez altíssima (você compra e vende em qualquer corretora grande) e a velocidade de transação.
A desvantagem mais clara é que o USDT não valoriza, então não gera lucro por si mesmo. Os riscos giram em torno da confiança na empresa Tether. Ela já foi multada em 41 milhões de dólares nos Estados Unidos por mentir sobre suas reservas.
Há um risco real de que, se as pessoas perderem a confiança de uma vez e correrem para resgatar, a Tether não tenha dólares suficientes para pagar todo mundo.
Outro risco é o “depeg”, que é quando o preço se descola de 1 dólar, como aconteceu em 2017.
Como comprar Tether (USDT)?
A forma mais prática para brasileiros é comprar USDT em corretoras nacionais como Mercado Bitcoin ou Foxbit. Você faz seu cadastro, envia Pix para a conta da corretora, e na plataforma busca por USDT. O sistema mostra quantos reais custa cada USDT – normalmente a cotação do dólar mais uma pequena taxa. Depois de comprar, o USDT aparece na sua carteira dentro da própria corretora. Você também pode comprar em corretoras internacionais usando Bitcoin ou Ethereum, mas para iniciantes a opção local é mais simples e segura.
Como armazenar Tether (USDT)?
Para guardar USDT, você tem duas opções principais.
A primeira é deixar na própria corretora: é cômodo para quem negocia muito, mas você depende da segurança da corretora. A segunda é transferir para uma carteira privada, onde só você tem a chave de acesso. Para USDT na rede Ethereum, use a MetaMask; na rede Tron, use a TronLink.
Existem também carteiras físicas como Ledger e Trezor, que são consideradas as mais seguras, pois guardam as chaves offline. Muito cuidado ao enviar: se você transferir USDT da rede Ethereum para um endereço da rede Tron, o dinheiro será perdido para sempre.
Saiba mais: Carteira de criptomoedas: o que é e como funciona?
Vale a pena investir em Tether (USDT)?
Não é que você “investe” em USDT esperando valorização, porque o preço não sobe. Mas vale a pena ter USDT como ferramenta.
Se você opera criptomoedas regularmente, o USDT é essencial para fazer trades sem sair do ecossistema.
Se você tem dinheiro parado na conta da corretora e quer deixá-lo rendendo, muitas plataformas pagam juros anuais de 5% a 15% sobre USDT emprestado. Nesse caso, pode valer a pena como uma forma de renda passiva, mas com o risco da própria stablecoin.
Para quem só quer guardar dinheiro no longo prazo, o dólar em uma conta bancária segura continua sendo mais confiável.
Diferença da Tether (USDT) para outras stablecoins
A principal diferença entre o USDT e outras stablecoins como USDC, DAI e BUSD está em quem está por trás de cada uma.
O USDT é emitido pela Tether, uma empresa que já foi multada por mentir sobre suas reservas. O USDC é emitido pela Circle, uma empresa americana mais regulamentada e considerada mais transparente.
A DAI é descentralizada: não tem empresa por trás, é gerida por um software e lastreada em outras criptomoedas. O USDT ainda é a maior em volume, mas o USDC vem ganhando espaço especialmente nos Estados Unidos.
No Brasil, o USDT ainda domina, sendo aceito em praticamente todas as corretoras.
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Importância da Tether (USDT)
A Tether é tão importante que muitas vezes se fala do mercado cripto como dividido entre “antes e depois do USDT”. Ela representa a maior parte do volume de negociações do Bitcoin, pois a maioria dos traders usa o par BTC/USDT.
Quando o mercado cai forte, as pessoas correm para comprar USDT para preservar valor. Sem a Tether, seria muito mais difícil operar criptomoedas sem ter uma conta bancária internacional.
Em países com inflação alta ou restrições cambiais, o USDT virou alternativa popular para proteger poupança. No Brasil, dados mostram que o USDT é a criptomoeda mais usada, até à frente do Bitcoin.
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História da Tether (USDT)
A história da Tether é cheia de polêmicas desde o início. Ela foi fundada em 2014 com o nome RealCoin, depois renomeada para Tether.
Em 2015, começou a operar na rede Omni do Bitcoin. Em 2017, no auge da alta do Bitcoin, a Tether sofreu um “depeg” e caiu para 0,92 dólar.
Em 2019, a procuradoria de Nova York acusou a Tether de usar 850 milhões de dólares das reservas para cobrir perdas da exchange Bitfinex, que compartilha os mesmos donos. A Tether pagou uma multa de 18,5 milhões de dólares em 2021 para encerrar o caso, sem admitir culpa.
Em 2022, a empresa começou a divulgar relatórios trimestrais sobre suas reservas, que hoje incluem títulos do tesouro americano, bitcoin e ouro.
Em 2025, a Tether está negociando com uma das quatro maiores auditorias do mundo (Deloitte, PwC, EY ou KPMG) para finalmente fazer uma auditoria independente completa.
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