15 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro
O objetivo primário de uma Bitcoin Treasury Company é maximizar a quantidade de bitcoin mantida em caixa. Para isso, elas utilizam sua geração de caixa operacional, emissão de ações ou instrumentos de dívida, empréstimos e títulos, para levantar capital e, em seguida, usá-lo para comprar mais BTC.
Neste artigo, leia mais sobre as BTC, como elas funcionam e quais são as maiores.
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O que são as bitcoin treasury companies?
As chamadas bitcoin treasury companies são empresas, públicas ou privadas, que decidem transformar o seu tesouro corporativo em algo bem diferente do usual: ao invés de manterem apenas caixa ou títulos de baixo risco, alocam uma parte significativa, ou até a totalidade, dessas reservas em Bitcoin.
A ideia central é usar o Bitcoin como ativo-reserva, buscando não só proteção contra a inflação ou desvalorização da moeda, mas também uma oportunidade de valorização no longo prazo. Esse movimento ganhou força depois que empresas como MicroStrategy adotaram o Bitcoin como principal ativo de tesouraria em 2020.
Na prática, essas organizações levantam capital ,via emissão de ações, dívidas conversíveis, entre outros instrumentos, para comprar Bitcoin de forma contínua, de modo a aumentar o número de bitcoins que possuem por ação da empresa.
Assim, o valor da empresa passa a depender muito da cotação do Bitcoin, e isso traz uma dinâmica bastante distinta da de empresas tradicionais, que focam em fluxo de caixa ou lucro operacional.
É importante também considerar os riscos: dado que o Bitcoin tem forte volatilidade, quando os mercados recuam ou o Bitcoin perde força, essas companhias podem sofrer de forma mais aguda, o efeito multiplicador pode jogar a favor ou contra.
Qual o obejtivo das bitcoin treasury companies?
A principal objetivo é utilizar o Bitcoin como uma reserva de valor moderna e, principalmente, uma defesa robusta contra a desvalorização do dinheiro fiduciário, como o dólar ou o real, e a inflação.
Ao converter parte de seu caixa tradicional em Bitcoin, essas empresas buscam proteger o poder de compra de seu capital ao longo do tempo.
Elas veem o Bitcoin como um ativo de “tesouraria” superior ao dinheiro em espécie ou a títulos de baixo rendimento, que tendem a perder valor em um cenário de expansão monetária global.
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Como as bitcoin treasury companies funcionam?
Do ponto de vista de quem investe, uma bitcoin treasury company é uma porta de entrada diferente para o mundo cripto. Em vez de comprar Bitcoin diretamente, o investidor compra ações de uma empresa que mantém grandes reservas da moeda digital. Isso dá exposição ao ativo sem precisar lidar com carteiras digitais ou corretoras de criptomoedas.
Empresas como a MicroStrategy nos EUA e, mais recentemente, a Méliuz no Brasil, adotaram esse modelo. Elas acreditam que o Bitcoin pode ser um hedge contra a desvalorização das moedas tradicionais e uma forma de se posicionar como inovadoras.
Mas há riscos: a volatilidade pode gerar ganhos enormes ou perdas expressivas, e o valor das ações dessas empresas muitas vezes passa a depender mais da cotação do Bitcoin do que do negócio principal.
Por que as empresas estão colocando o Bitcoin nas tesourarias?
As empresas que decidiram incluir Bitcoin em suas tesourarias estão fazendo isso porque enxergam uma nova “regra do jogo” para o dinheiro que fica guardado. Em vez de tratar o caixa como algo estático, muitas passaram a pensar: “O que esse dinheiro vai me dar daqui a 5-10 anos?” Se a resposta for “quase nada”, então faz sentido repensar onde ele se encontra. O Bitcoin aparece como uma opção.
Um dos argumentos é que o Bitcoin tem “escassez programada”, há um limite de emissão, e isso contrasta com a diluição potencial das moedas tradicionais. Assim, a empresa considera que manter tanto dinheiro “embaixo do colchão” pode ser arriscado em ambientes de inflação ou políticas monetárias agressivas.
Essa movimentação pode diferenciar a empresa no mercado de capitais: investidores que acreditam no mundo cripto ou em ativos alternativos podem ver essa empresa com outros olhos. Ou seja, parte da motivação é financeira (preservação + valorização) e parte é “visão de futuro”. Mas, repetindo, não é uma estratégia para todos, exige que a empresa aceite volatilidade e tenha clareza de que está fazendo uma escolha diferente.
Desafios e riscos das bitcoin treasury companies
Muitas dessas companhias não se limitam a apenas deter Bitcoin, mas buscam alavancar a posição. Elas usam suas ações ou o Bitcoin em seu balanço como garantia para levantar dívidas baratas (como títulos conversíveis) e usar esse dinheiro para comprar ainda mais Bitcoin.
Essa é a parte mais arriscada, pois transforma o investimento em uma operação de alto risco. Se o preço do Bitcoin cair abaixo de um determinado ponto, a empresa pode ser obrigada a liquidar suas reservas para pagar a dívida, ou seja, vender o ativo em um momento de baixa, numa chamada de margem. Se a alavancagem for muito alta, um ciclo de baixa pode, teoricamente, comprometer a solvência da companhia.
Além disso, a falta de uma regulamentação clara em muitos países adiciona uma camada de incerteza legal e contábil, dificultando a gestão dos impostos e o compliance em diferentes jurisdições.
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Maiores bitcoin treasury companies do mundo
Uma das empresas mais conhecidas é a Strategy Inc. (antiga MicroStrategy Incorporated), que lidera com folga o ranking de companhias públicas que mais acumularam bitcoins em sua tesouraria.
Em seguida aparece a MARA Holdings, Inc. (também conhecida como Marathon Digital), com dezenas de milhares de bitcoins acumulados.
Outra empresa que figura entre os principais nomes é a Riot Platforms, Inc., que opera sobretudo no setor de mineração de Bitcoin, mas também mantém quantidades significativas da criptomoeda como reserva.
Essas companhias destacam-se porque não estão apenas investindo em Bitcoin de forma pontual, elas fazem disso uma parte central de sua estratégia financeira.
Bitcoin treasury companies no Brasil
Uma bitcoin treasury company é uma empresa que decide manter parte relevante de seus recursos em bitcoin, seja para diversificar reservas, para se posicionar estrategicamente diante da escassez digital do ativo, ou mesmo para transformar a própria proposta de negócio ao redor do BTC.
Diferente de um fundo ou ETF, que compra bitcoin em nome de investidores, a treasury company compra BTC para o seu próprio balanço, então quem expõe capital ao ativo acaba sendo a própria empresa e, indiretamente, seus acionistas.
No Brasil, matérias recentes indicam que a Méliuz se posicionou como a primeira grande empresa brasileira a anunciar esse tipo de estratégia, aproximando-se do modelo que empresas como MicroStrategy popularizaram internacionalmente. Isso costuma gerar atenção do mercado porque o preço do bitcoin passa a afetar diretamente o valor patrimonial da empresa.
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Qual a diferença entre investir direto em bitcoin e investir nas bitcoin treasury companies?
Para o investidor, a diferença está na forma de exposição ao risco. Comprar bitcoin direto é mergulhar no mercado cripto sem intermediários, com toda a volatilidade e a necessidade de cuidar da custódia.
Já investir em uma bitcoin treasury company é como terceirizar essa aposta: a empresa compra e guarda os bitcoins, e você acessa isso comprando suas ações na bolsa. O atrativo é que não precisa lidar com carteiras digitais, mas o risco é duplo: além da oscilação do bitcoin, o valor das ações pode ser afetado por decisões de gestão, dívidas ou até pelo setor em que a empresa atua.
No Brasil, exemplos são Méliuz e OranjeBTC, que se tornaram pioneiras nesse modelo.
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Fontes: Economia UOL, Schwab, Investalk BB, BR Investing, Eu Quero Investir, Invest News.