16 de março de 2026 - por Sidemar Castro
A principal diferença é que o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é o título de empréstimo entre bancos, enquanto a Taxa DI (ou taxa CDI) é a média de juros dessas operações diárias. Na prática, investidores usam o CDI como indexador de rendimento (100% do CDI), que acompanha de perto a Selic. Entenda aqui a diferença entre os dois!
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O que é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário)?
O Certificado de Depósito Interbancário é um título de curtíssimo prazo emitido exclusivamente por instituições financeiras. Diferente do que muita gente pensa, ele não está disponível para investidores comuns: é um produto do mercado institucional, criado para circular apenas entre bancos.
A lógica por trás dele é puramente regulatória: as instituições precisam manter liquidez ao final de cada dia útil. Quando um banco termina o dia com mais saques do que depósitos, ele emite CDIs para captar recursos de outros bancos que estejam com caixa folgado.
Na prática, é o mecanismo que mantém o sistema financeiro funcionando de forma equilibrada e segura.
Para que serve e como funciona o CDI?
A função primordial do CDI é viabilizar as operações de redesconto de liquidez entre instituições financeiras. Ele permite que o sistema bancário se autorregule diariamente, transferindo recursos onde são mais necessários sem depender do Banco Central para isso.
O fluxo funciona assim: ao longo do dia, a B3 registra todas as operações de depósitos interbancários. Quando um banco precisa de recursos, ele emite um CDI que é adquirido por outro banco com liquidez sobrando.
A taxa de juros dessa operação é livremente negociada, mas sempre tendo como referência a Selic. No dia seguinte, o banco tomador devolve o valor acrescido dos juros combinados.
O que é a taxa DI?
A taxa DI é o indicador que mede o rendimento médio das operações com Certificados de Depósito Interbancário. Apurada diariamente pela B3, ela representa a média ponderada das taxas praticadas em todas as transações interbancárias com prazo de um dia útil.
O cálculo considera apenas operações com CDI prefixados de um dia, e o resultado é expresso em percentual ao ano, considerando 252 dias úteis. Caso não haja volume suficiente de negócios para uma apuração consistente, a taxa DI é igualada à taxa Selic Over do mesmo dia, garantindo que sempre haja uma referência válida para o mercado.
Para que serve e como funciona a taxa DI?
A taxa DI desempenha o papel de benchmark fundamental para o mercado de renda fixa privada no Brasil. Ela serve tanto como referência para precificação de novos ativos quanto como parâmetro de comparação de desempenho para fundos de investimento.
Na prática, seu funcionamento está ancorado na coleta e processamento de dados feitos pela B3. A bolsa registra todas as operações interbancárias do dia, aplica uma metodologia de cálculo que pondera os volumes negociados e divulga a taxa resultante.
Essa taxa, por sua vez, é utilizada como indexador em contratos, prospectos de fundos e ofertas de títulos. Investidores e gestores acompanham diariamente sua variação para tomar decisões sobre alocação de recursos.
Qual a diferença entre taxa DI e CDI?
A distinção técnica é clara: o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é o ativo financeiro, o instrumento utilizado nas operações de empréstimo entre instituições. Já a taxa DI é a métrica, o indicador que resulta da média dessas operações.
Embora o mercado use as expressões de forma intercambiável – é comum ouvir “rendeu 100% do CDI” quando o correto seria “rendeu 100% da taxa DI” – a diferença conceitual é importante. O CDI existe como título, com lastro na instituição emissora. A taxa DI existe como índice, calculado e divulgado pela B3. Quando um investimento é oferecido como “percentual do CDI”, na verdade ele está referenciado na taxa DI, que é o rendimento médio apurado.
Qual é a relação entre CDI, Selic e taxa DI?
A relação entre esses três indicadores é de forte correlação, mas com papéis distintos na estrutura financeira. A taxa Selic, definida pelo Copom, é a âncora da política monetária e a referência básica para todas as taxas de juros do país. Ela representa o custo do dinheiro em operações com títulos públicos federais.
O CDI é o veículo das operações privadas, e a taxa DI é o resultado dessas operações. Os bancos, ao negociarem CDIs entre si, utilizam a Selic como baliza, mas podem praticar taxas ligeiramente diferentes dependendo das condições de liquidez do momento.
Por isso, a taxa DI normalmente acompanha a Selic com pequenas variações, refletindo o spread entre o mercado público e o privado. Em condições normais, a DI fica muito próxima da Selic Over, que é a taxa efetiva das operações compromissadas de um dia.
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