Bolsa de valores durante as eleições: o que fazer com os investimentos?

20 de setembro de 2021 - por Jaíne Jehniffer


Muitos investidores começaram a investir a pouco tempo e ainda não passaram por um período eleitoral com suas aplicações na bolsa. Nesse sentido, muitos estão com dúvidas sobre como funciona a bolsa de valores durante as eleições e o que fazer com os investimentos.

Se levarmos em consideração as eleições passadas, vamos perceber que a bolsa sempre passa por oscilações, geralmente negativas, durante o período eleitoral. Contudo, a tendência histórica é que o mercado se recupere depois das eleições.

Lembrando que apesar de falarmos sobre como a bolsa se comporta durante as eleições e o que você pode fazer com as suas aplicações, este texto não deve ser considerado como uma recomendação do que você deve fazer com seus investimentos.

Bolsa de valores durante as eleições

Estamos às vésperas de mais uma eleição no Brasil. Nós temos as eleições municipais a cada quatro anos e as eleições federais a cada quatro anos. No entanto, essas eleições não são casadas, o que significa que no Brasil nós temos eleições a cada dois anos.

Bolsa de valores durante as eleições: o que fazer com os investimentos?

The cap

Se essas eleições fossem todas juntas, o impacto seria menor. Isso porque, os políticos transformam o país em um grande palanque eleitoral. Os candidatos começam a fazer campanhas muito antes da eleição de fato. Desse modo, uma campanha eleitoral dura quase um ano, depois vem um ano livre disso e no outro ano começa tudo de novo.

Por causa dessa antecipação das campanhas, muitas pessoas que começaram a investir por agora estão bem preocupadas com as suas aplicações. Algumas dúvidas são: O que o investidor deve fazer com a sua carteira durante esse período? É melhor parar de investir? É preferível parar de investir por um tempo e depois voltar? É melhor vender tudo?

Como as ações são precificadas?

A bolsa de valores é um mercado onde são negociadas participações em empresas. Sendo que a venda das ações funciona por meio da precificação do futuro. Nesse sentido, você investe em uma empresa baseada nos projetos que ela possui para o futuro e não necessariamente no que ela está fazendo hoje.

Por exemplo, o Preço sobre Lucro (P/L) da Magazine Luiza hoje está em 197,10. Em síntese, o P/L indica quantas vezes o investidor está disposto a pagar pelo lucro anual de uma empresa. Sendo assim, as pessoas estão pagando 197 anos de lucros da Magazine Luiza em valor presente. Esses investidores acreditam realmente no crescimento da empresa.

Afinal de contas, se fosse considerar somente o lucro de hoje, o investidor levaria 197 anos para recuperar o valor investido. Ou seja, quem investe em Magazine Luiza está considerando que ela vai crescer e que não vai demorar tanto para o investimento se pagar. Na prática, esses investidores estão precificando o futuro.

Space money

A bolsa de valores faz essa precificação do futuro o tempo todo e é por isso que é possível observar tantas oscilações no curto prazo. Como a precificação se baseia nas perspectivas futuras, ela muda constantemente no curto prazo, já que as notícias impactam a visão que os investidores possuem do futuro da empresa.

Na época eleitoral essas variações são bem perceptíveis, já que as notícias envolvendo os candidatos impactam a precificação dos ativos. Por exemplo, se sai a notícia de que determinado candidato subiu 2% nas pesquisas e que ele pode ganhar, as pessoas começam a agir de acordo com essa notícia.

Tendo como base a notícia as pessoas começam a questionar como ficam as empresas se esse candidato ganhar. Logo, elas passam a vender ou comprar ativos baseados na hipótese de que determinado candidato pode ganhar ou perder. É por isso que a B3 sempre oscila o tempo todo, pois os especuladores são guiados por achismos.

Como a bolsa se comporta nas eleições historicamente?

Na época das eleições o mercado sempre passa por oscilações. Isso porque as pessoas precificam os ativos de acordo com as notícias que vão surgindo sobre os candidatos e as perspectivas para o futuro do país.

A primeira eleição do Brasil depois da ditadura militar elegeu o presidente Tancredo Neves. Porém, ele morreu e quem assumiu a presidência foi José Sarney. Durante o ano eleitoral do Sarney houve uma grande oscilação no mercado.

Entretanto, se considerarmos no longo prazo, depois da vitória do Sarney houve uma alta. Posteriormente, houve mais uma baixa no mercado, já que nessa época a inflação estava descontrolada. Confira as constantes oscilações no gráfico abaixo:

Bolsa de valores durante as eleições: o que fazer com os investimentos?

Esse cenário de oscilação do mercado se repete nas eleições de Fernando Collor de Melo. Quando o Collor sofre um impeachment, ocorre uma transição de poder que resulta em uma oscilação de mercado menor do que a que havia sido observada na eleição do Collor.

Com a saída do Collor, temos o governo do Itamar Franco onde foi criado o Plano Real. Depois nós temos a eleição do FHC e novamente é possível notar uma oscilação no período eleitoral. Geralmente durante o período eleitoral o mercado passa por uma oscilação negativa, já que ninguém sabe quem vai ganhar as eleições e como será o futuro.

Essa oscilação para baixo pode ser notada também na eleição do Lula e na reeleição do Lula. Já na transição do Lula para a Dilma, foi a primeira vez que o mercado permaneceu relativamente estável, com uma leve tendência de alta. Na reeleição da Dilma, houve novamente um período relativamente estável no mercado.

Enfim, analisando historicamente é possível perceber que os períodos eleitorais no Brasil sempre são acompanhados de oscilações no mercado. Contudo, depois que passa o período eleitoral o mercado geralmente se normaliza e a tendência é o Ibovespa subir.

Ibovespa em cada eleição

Para que você possa entender como o Ibovespa variou de acordo com as eleições, confira a linha do tempo:

1994 – De Abril de 1994 a Outubro de 1994, o Ibovespa saiu de 4.562,20 pontos para 4.797,90 pontos. Isso representa uma alta de 5,17%.

Após FHC assumir o governo, em seu primeiro ano de mandato o IBOV saiu de 4.353,90 para 4.299 pontos, uma queda de 1,26%. Já durante o período de seu primeiro mandato, o IBOV saiu de 4.353,90 para 6.784 pontos, uma alta de 55,81% durante 1995 a 1998.

1998 – De Abril a Outubro de 1998, o IBOV teve uma queda de 39,65%. Quando o FHC assumiu o segundo mandato, o Ibovespa subiu 66,10% entre dezembro de 1998 a dezembro de 2002.

2002 – De Abril a Outubro de 2002, o IBOV teve uma queda de 22,30%. Após Lula assumir o mandato em 2003, o Ibovespa teve uma alta acumulada de 294,69% entre janeiro de 2003 e dezembro de 2006.

Suno

2006 – De Abril a Outubro de 2006, o IBOV teve uma queda de 2,73%. Após Lula assumir o segundo mandato em 2007, o Ibovespa teve uma alta acumulada de 55,83% entre janeiro de 2007 e dezembro de 2010.

2010 – De Abril a Outubro de 2010, o IBOV teve uma alta de 4,66%. Após Dilma assumir seu primeiro mandato em 2011, o Ibovespa teve uma queda de 27,84% entre janeiro de 2010 e dezembro de 2014.

2014 – De Abril a Outubro de 2014, o IBOV teve uma alta de 5,81%. Após Dilma assumir seu segundo mandato em janeiro de 2015, até o início do processo de impeachment, em dezembro de 2015, o Ibovespa teve uma queda de 13,31%.

2015 – De dezembro de 2015, até Michel Temer assumir a presidência, em 12 de maio de 2016, o Ibovespa subiu 19,50%. Desde o início do Governo Temer, o Ibovespa subiu 47,48%.

O que fazer com os investimentos?

Mesmo que a bolsa de valores passe por fortes oscilações durante as eleições, a tendência é que esse cenário se normalize depois. Além disso, historicamente a tendência sempre foi de alta depois das fortes oscilações no período das eleições.

Nesse sentido, não faz sentido mudar a sua estratégia de investimentos somente por causa das oscilações de curto prazo. Ao invés disso, este pode ser um bom momento para comprar ações baratas de boas empresas.

Se o presidente eleito não corresponder às expectativas do mercado, podemos perceber uma desvalorização da bolsa durante seus anos de mandato e depois é provável que o mercado volte a subir. Ou seja, mesmo uma desvalorização com duração de alguns anos ainda pode representar uma oportunidade para comprar ações baratas.

Isso ocorre, pois o mais interessante ao investir na bolsa de valores é ter foco no longo prazo. Sendo assim, as oscilações de curto prazo durante as eleições ou durante alguns anos de mandato de um presidente desaprovado pelo mercado, não são tão importantes para o longo prazo.

Para entender mais sobre essa estratégia de longo prazo e como aproveitar para comprar com o mercado em baixa nas eleições, assista ao vídeo de Raul Sena, o Investidor Sardinha:

E aí, gostou de entender sobre o comportamento da bolsa de valores durante as eleições? Então aproveite para aprender sobre Gestão de investimentos: o que é e como funciona

Fonte: Roteiro de Raul Sena

Imagens: The cap, Veja, Space money e Suno

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