O que acontece com o seu dinheiro se o seu banco falir?

O que acontece com o seu dinheiro se o seu banco falir? Se o seu banco falir, o Fundo Garantidor de Créditos devolve integral ou parcialmente o valor em conta. Aprenda o que fazer nesta matéria.

28 de agosto de 2020 - por Jaíne Jehniffer


Se o seu banco falir, o seu dinheiro está protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Você recebe de volta os valores em conta e investimentos cobertos até R$ 250.000 por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira. Ele devolve integral ou parcialmente o valor em conta.

Neste artigo, aprenda o que fazer.

Veja também: FGC, o que é? Como funciona, riscos e investimentos protegidos

Afinal, o que realmente acontece com o seu dinheiro se o seu banco falir e qual a relação com o FGC?

Se o seu banco falir, o dinheiro aplicado em produtos como CDB, poupança ou conta corrente não estará perdido, desde que o banco seja associado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que funciona como um mecanismo de proteção para devolver aos correntistas e investidores os valores que estavam no banco falido, respeitando um limite de até 250 mil reais por CPF e por instituição financeira.

Em vez de você ter que processar o banco falido, o próprio FGC identifica os credores e inicia o processo de pagamento, agindo como uma rede de segurança que mantém a confiança no sistema financeiro como um todo.

Leia também: Sistema Financeiro Nacional (SFN) – O que é e relação com os investimentos

Como funciona e como solicitar o FGC?

O processo é majoritariamente automático e começa quando o Banco Central decreta a liquidação ou falência de uma instituição financeira associada ao FGC. A partir desse momento, o FGC é notificado e faz um levantamento de todos os clientes com direito à garantia.

Para solicitar o seu dinheiro, o caminho principal hoje é digital: você deve baixar o aplicativo oficial do FGC em seu celular, fazer um cadastro completo com seus dados pessoais e realizar uma validação biométrica para confirmar sua identidade.

Após esses passos, o próprio aplicativo mostrará o valor a que você tem direito, e você precisará assinar digitalmente um termo de solicitação. Concluído isso, o dinheiro é depositado em até dois dias úteis em uma conta de sua titularidade que você indicou no cadastro.

Para empresas (CNPJ), a solicitação é feita pelo portal online do FGC no site oficial. É fundamental ter paciência, pois o processo pode levar algumas semanas, mas o prazo para início dos pagamentos é de até 60 dias úteis. Não é preciso contratar advogados ou pagar nenhuma taxa para receber o valor.

Limitação do FGC para se o banco falir

A proteção do FGC tem limites claros para que o fundo não quebre junto com os bancos. O limite máximo de cobertura é de 250 mil reais por CPF ou CNPJ, considerando a soma de todos os produtos garantidos em cada instituição financeira ou conglomerado.

Se você tiver 300 mil reais em CDBs de um único banco, o FGC só devolve 250 mil reais; os outros 50 mil viram créditos a serem recuperados na falência, sem garantia de retorno.

Além disso, existe um limite global de 1 milhão de reais a cada período de 4 anos para cada CPF ou CNPJ, somando-se as garantias pagas por diferentes bancos. Por exemplo, se você recebeu 250 mil reais do FGC pela quebra de um banco hoje, esse valor conta para o seu limite de 1 milhão nos próximos quatro anos.

Para contas conjuntas, o valor de 250 mil reais é dividido igualmente entre os titulares. Esses limites existem para proteger o pequeno investidor e evitar a concentração de risco.

Não assegurados pelo FGC

Nem todo produto financeiro conta com essa proteção, e é essencial saber o que fica de fora para não ser pego de surpresa. O Tesouro Direto, por exemplo, não é coberto pelo FGC porque já tem a garantia do próprio governo federal.

Qualquer tipo de fundo de investimento, sejam eles de renda fixa, ações, multimercado ou cambial, também não têm a proteção do FGC. As ações de empresas, debêntures, ETFs (fundos de índice), BDRs (recibos de ações internacionais) e COEs (certificados de operações estruturadas) estão completamente fora da garantia.

Produtos de previdência privada, como os planos PGBL e VGBL, e as criptomoedas também não são assegurados pelo FGC.

Por fim, contas em instituições de pagamento (como algumas fintechs que não são bancos) podem não ter a mesma proteção para o saldo em conta, sendo necessário verificar se a empresa é, de fato, um banco associado ao FGC .

Investimentos protegidos pelo FGC

1) Conta corrente e conta salário

O saldo que você mantém disponível para gastar do dia a dia na sua conta bancária é totalmente coberto, até o limite de 250 mil reais. É a proteção mais básica e importante para as pessoas físicas.

Leia mais: Diferença entre conta corrente e conta de pagamento

2) Caderneta de poupança

O valor que você depositou na caderneta de poupança também está protegido. Se o banco quebrar, o FGC devolve o saldo que estava guardado nela.

3) Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Este é um dos títulos mais comuns de renda fixa. Ao investir em um CDB, você empresta dinheiro para o banco, e o FGC garante que você receberá de volta até o limite de 250 mil reais se o banco não puder te pagar.

4) Recibo de Depósito Bancário (RDB)

Funciona de maneira muito parecida com o CDB, sendo também um título de captação de recursos do banco. A diferença é que o RDB geralmente não pode ser negociado ou transferido para outra pessoa, mas tem a mesma proteção do FGC.

5) Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA)

Esses investimentos são usados para financiar os setores imobiliário e do agronegócio. Além de serem isentos de Imposto de Renda para pessoa física, contam com a cobertura do FGC, o que os torna muito seguros.

6) Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD)

É um título mais recente, criado para financiar pequenas e médias empresas. Assim como a LCI e a LCA, a LCD é isenta de IR e também é garantida pelo FGC.

7) Letra de Câmbio (LC)

Este título é emitido não por bancos, mas por financeiras (sociedades de crédito). Por ter um risco um pouco maior, costuma pagar taxas mais altas, mas ainda assim o investidor conta com a garantia do FGC até o limite de 250 mil reais.

8) Letra Hipotecária (LH)

Letra Hipotecária um título de renda fixa lastreado em créditos imobiliários com garantia de hipoteca. Ele também é protegido pelo FGC e, geralmente, oferece isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Como saber se um banco é seguro?

Nenhum banco é 100% imune a crises, mas você pode verificar alguns pontos para avaliar a segurança de uma instituição.

O primeiro passo é consultar se o banco é associado ao FGC, o que você pode fazer diretamente no site oficial do Fundo Garantidor de Créditos. Bancos grandes e tradicionais costumam ser mais seguros por terem maior diversificação e capital, mas instituições menores e bancos digitais também podem ser sólidas.

Fique de olho em notícias sobre problemas de liquidez, intervenções do Banco Central ou indicadores de saúde financeira da instituição.

Outro ponto é desconfiar de taxas de juros muito acima da média para CDBs e outros produtos, pois isso geralmente indica que o banco está disposto a pagar mais caro para captar dinheiro, um possível sinal de que o mercado o considera mais arriscado.

No final das contas, a estratégia mais segura para o seu bolso é não colocar mais de 250 mil reais em um único banco, distribuindo seu dinheiro entre diferentes instituições.

Dúvidas comuns

1) É perigoso guardar dinheiro no banco?

Guardar dinheiro em um banco associado ao FGC é muito mais seguro do que guardar dinheiro em casa, seja em espécie ou em outros ativos físicos. Além do risco físico de perder o dinheiro para um assalto ou incêndio, o dinheiro parado em casa não rende juros e perde valor para a inflação.

No banco, seu dinheiro está em um ambiente regulado, monitorado pelo Banco Central e, principalmente, protegido pelo FGC para valores de até 250 mil reais. O maior perigo real é ultrapassar esse limite em uma única instituição, o que pode gerar risco em caso de falência do banco.

2) Qual banco pode falir?

Teoricamente, qualquer banco pode falir, independentemente do seu porte ou reputação, pois são empresas privadas sujeitas a riscos de gestão e econômicos. A história mostra que desde pequenas financeiras e bancos regionais até instituições de médio porte, como o Banco Cruzeiro do Sul e o Banco Master, já passaram por processos de liquidação.

No entanto, bancos muito grandes e sistêmicos são mais monitorados pelo Banco Central e têm regras de capital mais rigorosas, o que reduz a probabilidade de uma quebra repentina. A falência de um banco não é um evento comum, mas pode acontecer com qualquer um, por isso a diversificação e o respeito ao limite do FGC são as melhores práticas de segurança.

3) O que acontece com um fundo quando o banco quebra?

Se um banco quebrar, os fundos de investimento administrados por ele, como fundos de ações, multimercado ou até mesmo alguns fundos de renda fixa, não são protegidos pelo FGC. Isso acontece porque o dinheiro de um fundo não fica simplesmente “no banco”.

Ele é aplicado em uma carteira de ativos (títulos públicos, ações, debêntures) que pertence aos cotistas do fundo, não ao banco. Este dinheiro fica guardado em uma entidade separada, chamada custodiante. Portanto, mesmo que o banco administrador vá à falência, os ativos do fundo não se confundem com o patrimônio do banco e, em teoria, podem ser transferidos para outra administradora, garantindo a segurança do patrimônio dos cotistas. O grande prejuízo seria se os ativos do fundo perdessem valor de mercado.

4) Quais os riscos de um banco digital?

Os riscos de um banco digital são, em sua essência, os mesmos de um banco tradicional, pois eles precisam seguir as mesmas regulações do Banco Central.

A grande diferença é que muitos bancos digitais são mais novos, menores e podem ter um modelo de negócios focado em crescimento rápido, o que às vezes esconde uma gestão de risco mais frágil.

O risco principal não é o fato de ser digital, mas sim a saúde financeira da instituição. No entanto, a vantagem é que, se o banco digital for, de fato, um banco (e não uma instituição de pagamento) e for associado ao FGC, seu dinheiro estará tão protegido quanto em um bancão, respeitando-se o limite de 250 mil reais.

Contas em instituições de pagamento que não são bancos podem não ter a mesma proteção do FGC para o saldo disponível .

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