Prejuízo: o que é, tipos, exemplos

Prejuízo é quando os gastos superam os ganhos, resultando em uma perda financeira. Veja o que é, tipos, exemplos.

4 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro


O prejuízo, no contexto empresarial, vai muito além de um simples sinal vermelho nos números. Ele representa a redução do patrimônio de uma empresa ou até de uma pessoa física, causada por decisões comerciais, investimentos malsucedidos ou acontecimentos inesperados.

Esse impacto pode aparecer de formas diferentes: o prejuízo contábil, que se revela nos demonstrativos financeiros, e o prejuízo fiscal, que interfere no cálculo dos tributos devidos.

Entender esses conceitos é mais do que uma exigência técnica. É uma ferramenta essencial para quem busca administrar bem um negócio e fazer escolhas estratégicas mais seguras. Vamos ver os tipos e exemplos de prejuízo.

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O que é prejuízo?

Prejuízo é a dor de cabeça de qualquer investidor ou empreendedor. Em termos simples, é quando você perde dinheiro em um negócio ou aplicação.

Vamos imaginar que você investe R$ 100 e, no fim, só recupera R$ 80. Esses R$ 20 que faltaram são o prejuízo.

Podemos ver isso em situações do dia a dia, como quando uma casa que foi comprada para valorizar só dá despesas, ou em casos mais drásticos, como uma empresa que fecha as portas depois de um tempo, gerando prejuízo para os donos.

A matemática é clara: se o que você ganhou não paga o que você gastou, você está no vermelho. Mas vale a pena reforçar: o prejuízo não precisa ser o fim da linha. Com um bom plano, é possível se reerguer.

Leia também: 11 dicas valiosas para sair do vermelho e quitar suas dívidas

Principais causas do prejuízo

Todo mundo que tem um negócio ou investe em algo pode passar por um período de prejuízo, e a melhor forma de se recuperar é descobrir por que ele aconteceu.

As razões costumam ser parecidas: ou os gastos estão maiores que o que você ganha, ou as vendas caíram, ou o dinheiro não está sendo bem controlado.

Outros motivos podem ser o desperdício dentro da empresa, um mercado que mudou rápido demais ou um investimento que se mostrou arriscado demais.

Por fim, imprevistos como fraudes ou problemas com fornecedores também podem ser a causa. Entender a origem do problema é o primeiro passo para encontrar a solução.

Entenda: Passivo a descoberto: o que é, quando ocorre, exemplo

Quais são os tipos de prejuízo?

1) Prejuízo contábil

É o “rombo” que aparece no balanço da empresa quando, em um determinado período, todos os gastos superam o faturamento. Esse resultado negativo vai para uma conta específica no patrimônio (“Prejuízos Acumulados”) e pode ser compensado com lucros futuros ou reservas, conforme as regras contábeis.

2) Prejuízo fiscal

É o prejuízo que realmente importa para o Fisco. Surge depois de ajustar o resultado contábil conforme as exigências da Receita Federal (adições/exclusões no LALUR). Se mesmo após esses ajustes o saldo for negativo, a empresa pode usá-lo para reduzir impostos sobre lucros futuros, limitado a 30% do lucro de cada ano.

3) Prejuízo fiscal operacional

Representa as perdas da atividade principal do negócio (vendas, produção, serviços). Esse prejuízo “puro” da operação pode ser totalmente compensado com lucros futuros gerados pela mesma atividade

4) Prejuízo fiscal não operacional

Vem de eventos fora do dia a dia do negócio: venda de imóveis abaixo do valor contábil, indenizações pagas, baixa de bens, etc. A legislação trata essas perdas separadamente, mesmo dentro do cálculo do imposto.

Exemplos de prejuízo

Prejuízo, na prática, é quando o saldo fica no vermelho. É aquela enxaqueca financeira que acontece quando você gasta mais do que ganha, seja num investimento, negócio ou situação cotidiana. O resultado? Saldo negativo que dói no bolso e, às vezes, na alma.

Veja como isso aparece na vida real:

  • Exemplo 1: Revenda que não deu certo

Comprar um carro por R$ 20 mil + R$ 3 mil de reparos, mas vendê-lo por apenas R$ 22 mil? Prejuízo de R$ 1.000 na conta.

  • Exemplo 2: Empresa no vermelho

Quando o dinheiro das vendas não cobre custos de produção, salários e marketing, surge o prejuízo operacional, um sinal de que o negócio está perdendo dinheiro.

  • Exemplo 3: Danos e indenizações

Ao consertar seu carro batido (gasto inesperado), você tem o lado moral da situação, que é receber indenização por difamação (reparação por danos emocionais).

  • Exemplo 4: Investimento desvalorizado

Comprar um imóvel por R$ 500 mil e vê-lo valer R$ 450 mil depois: R$ 50 mil de prejuízo no papel.

  • Exemplo 5: Pequeno negócio fracassado

Fechar uma padaria que consumiu todo o capital dos donos sem retorno: prejuízo total (e tristeza na certa).

Entenda: Gastos, custos, despesas e investimento – Quais as diferenças entre eles?

Como identificar se esta havendo prejuízo?

Quando uma empresa fecha suas contas no final do ano e descobre que gastou mais do que ganhou, isso é o que chamamos de prejuízo contábil. Esse rombo vai direto para uma conta especial no balanço patrimonial chamada “Prejuízos Acumulados”.

A boa notícia? Esse valor negativo pode ser compensado nos anos seguintes com futuros lucros ou reservas, seguindo as regras da legislação societária.

Já o prejuízo fiscal é outra história. Ele só aparece depois que a empresa ajusta seus números conforme as exigências do Fisco, naquele livro complexo chamado LALUR. Se mesmo após somar e subtrair tudo que a Receita manda, o resultado ainda ficar negativo, surge esse tipo de prejuízo. Ele também pode ser usado para reduzir impostos sobre lucros futuros, mas com um limite: só até 30% do lucro de cada ano.

Dentro do prejuízo fiscal, ainda temos dois “irmãos” diferentes:

  • O operacional vem das atividades principais do negócio (vender produtos, oferecer serviços). Se a empresa perder dinheiro aqui, poderá compensar integralmente com lucros futuros dessas mesmas operações.
  • Já o não operacional nasce de eventos fora do dia a dia, como vender uma máquina por menos do que vale no livro, pagar indenizações ou ter que dar baixa em ativos. Mesmo sendo calculado no mesmo livro fiscal, esse tipo fica separado do operacional na hora de fazer compensações tributárias.

Saiba mais: Balanço financeiro: o que é, quais os tipos e como fazer?

Prejuízos são irreversíveis?

Prejuízo, no fundo, é aquela conta que não fecha, quando você coloca mais dinheiro num negócio do que tira de volta, ou quando uma aposta financeira simplesmente não dá certo. Pode aparecer de mil jeitos, mas o gosto amargo é sempre o mesmo: o saldo ficou no vermelho.

No caso de uma pessoa física, imagine você comprando um carro por R$ 20 mil, gastando mais R$ 3 mil pra deixar ele zero, e na hora de vender… só consegue R$ 22 mil? Mil reais voaram. Simples assim: o que entrou no bolso foi menos do que saiu.

Agora pense numa empresa: se o dinheiro das vendas não cobre nem o custo da matéria-prima, dos funcionários e da propaganda, temos aí o famoso “prejuízo operacional”: o coração do negócio está perdendo sangue financeiro.

E quando o assunto vai parar na Justiça? A coisa se divide: tem o prejuízo material (aquele dano físico que esvazia seu bolso, como o conserto do carro batido) e o moral (que machuca sua imagem ou sua paz, como uma difamação que termina em indenização).

Nos investimentos, o prejuízo surge quando aquela ação ou imóvel que você comprou desvaloriza. Tipo um apartamento comprado por R$ 500 mil que, dois anos depois, só vale R$ 450 mil: são R$ 50 mil que evaporaram no papel.

Pra fechar, olhe a padaria da esquina: se os donos botam toda a economia nela, o negócio não vinga e eles fecham as portas sem recuperar um centavo, isso é o prejuízo total, o sonho que virou dívida.

Conhecimento: As dívidas mais comuns entre os brasileiros e como evitá-las

Quais são as consequências do prejuízo?

Quando o prejuízo vira uma bola de neve: prejuízo nunca é só um número negativo, é um efeito dominó que derruba muito mais que finanças. Pode começar no bolso e atingir saúde, relacionamentos e até o futuro de um negócio.

Para pessoas, ele vira uma fonte de estresse que adoece (ansiedade, noites sem dormir). O prejuízo empurra para o ciclo perigoso de dívidas com juros altos e mina a energia e o desempenho no trabalho.

Já para as empresas, o prejuízo estrangula o caixa, e cria dificuldades para pagar salários e fornecedores. Ele também destrói a confiança de bancos, investidores e clientes

Finalmente, trava crescimento e investimentos, pode levar a demissões ou até ao fim do negócio e mancha a reputação por anos

O pior? Muitas vezes é fruto de descontrole ou planejamento falho, e pode arrastar até processos e multas.

Leia também: Planejamento financeiro, o que é? Pra que serve e como fazer

Como evitar prejuízo?

1) Planeje e analise os custos

Antes de dar o primeiro passo, coloque no papel até o cafézinho! Liste tudo: aluguel, salários, matérias-primas e outros gastos fixos ou variáveis. Isso revela onde o dinheiro vaza e onde você pode apertar o cinto sem sufocar o negócio.

2) Faça um controle financeiro rigoroso

Anote cada centavo que entra e sai, seja no aplicativo, na planilha ou no caderninho. Esse ritual diário evita sustos no fim do mês e te avisa cedo se as contas estão virando contra você.

3) Crie uma reserva de emergência

Guarde uma “gordura” para dias magros: 3 a 6 meses de gastos pessoais ou uma reserva empresarial de emergência para crises. É seu colete salva-vidas quando surgirem imprevistos como clientes que somem ou máquinas quebradas.

4) Invista em conhecimento

Entenda de dinheiro como entende do seu ofício. Decisões erradas (como apostar em modinhas ou ignorar alertas) muitas vezes vêm da falta de informação de uma educação financeira. Cursos, livros e mentorias são escudos contra prejuízos.

5) Diversifique os investimentos

Nunca aposte tudo numa carta só. Espalhe seu dinheiro em diferentes aplicações (ações, imóveis, títulos…) ou, se for empresa, crie várias fontes de renda. Se uma perna quebrar, as outras seguram o tranco.

6) Gerencie os riscos

Enxergue os buracos antes de cair neles. Contrate seguros, estude o mercado e tenha planos B para ameaças como concorrência agressiva ou crises. Preparação é o melhor remédio contra surpresas caras.

Relação entre o prejuízo e a tolerância aos riscos

A conexão entre prejuízo e tolerância a riscos é como um jogo de equilíbrio: quanto mais você topa arriscar, mais precisa estar preparado para perder. Pense nisso como seu “apetite” para encarar incertezas, seja investindo em ações ou abrindo um negócio.

Quem tem baixa tolerância prefere jogar no seguro: aceita ganhos menores em troca de dormir tranquilo. São pessoas que fogem de montanhas-russas financeiras e valorizam a estabilidade.

Já os de alta tolerância entram na arena sabendo que grandes ganhos exigem estômago para oscilações bruscas. Eles não se assustam com quedas temporárias porque miram recompensas maiores lá na frente.

Mas atenção: não basta ter coragem. Se seu bolso não aguenta o baque de uma perda, toda sua ousadia vira um tiro no pé. O segredo é casar sua vontade de arriscar com sua real capacidade de absorver prejuízos, porque no fim das contas, risco sem colchão financeiro é apenas imprudência.

Leia mais: MRP: o que é e quais são seus benefícios para o investidor?

Fontes: Mais Retorno, Fundacion Mapfre, Professor José Humberto, Daniele Dopazo, Mobills e Grupo Advance.

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