CAPM: como funciona o modelo de precificação de ativos?

O CAPM analisa a relação entre o risco e o rendimento de certo investimento em uma carteira diversificada. Saiba como calcular.

21 de maio de 2021 - por Jaíne Jehniffer


A sigla CAPM vem de Capital Asset Pricing Model, ou em português: Precificação de Ativos Financeiros. 

Sendo assim, o CAPM é um método que analisa a relação entre risco e retorno de um investimento, sendo útil para calcular o equilíbrio entre o risco e o retorno de um investimento e para atribuir uma precificação dos ativos com risco.

Portanto, saber como usar o CAPM é essencial para quem deseja verificar se um investimento vale ou não a pena. No entanto, como ele tem limitações, o ideal é usá-lo juntamente com outros indicadores.

O que é o CAPM?

CAPM é a sigla para Capital Asset Pricing Model, ou seja, Precificação de Ativos Financeiros. Em resumo, este é um método que analisa a relação entre o risco e o rendimento de certo investimento em uma carteira diversificada, determinando uma taxa de retorno teórica.

Ou seja, esse método é útil para calcular o equilíbrio entre o risco e o retorno de um investimento, para atribuir uma precificação dos ativos com risco. Para isso, ele leva em conta as projeções de distribuição de risco, o comportamento dos investidores, os fundamentos do mercado e a distribuição de risco e retorno.

Dessa forma, este modelo de precificação, tem algumas premissas como pressuposto, as quatro principais são:

  • A tendência é que ocorra a eliminação do risco com a diversificação dos investimentos;
  • Inexistência do custo de transação;
  • Informações sobre o ativo são espalhadas de forma igualitária entre os agentes de mercado;
  • Existência de liquidez para compra e venda de ativos.

Um detalhe importante é que esses pressupostos muitas vezes não se encaixam na realidade do mercado financeiro, com isso, o resultado dos cálculos pode não corresponder à realidade. Por isso, o ideal é usar o CAPM junto com outros indicadores.

Como ele funciona?

O CAPM funciona por meio de suposições do comportamento dos investidores, fundamentos do mercado e distribuições de risco. Logo, esse método de precificação de ativos funciona a partir do risco do investimento e do custo de capital.

O seu cálculo é feito a partir de uma fórmula que tem como intuito avaliar se uma ação se valoriza quando o seu risco e o valor do dinheiro no tempo são comparados ao rendimento esperado.

O método CAPM foi desenvolvido por William Forsyth Sharpe, Jack Treynor, John Lintner e Jan Mossin tendo como base o trabalho de Harry Markowitz sobre a Teoria do Portfólio ou Teoria Markowitz, que  trata da forma com que os investidores usam a diversificação para potencializar o retorno das suas carteiras.

Teoria do portfólio

De acordo com a Teoria do Portfólio, as decisões de investimento devem ser determinadas pela relação entre risco e retorno.

Além disso, ela fala sobre como os investidores usam o princípio da diversificação de investimento para otimizar suas carteiras, sendo assim, de acordo com essa teoria:

  • As decisões de investimento devem ter como base a relação risco-retorno.

  • Os modelos de otimização de portfólio são auxiliares nesse processo.

  • Por fim, os modelos devem mensurar os níveis de risco e retorno dos investimentos.

Como se calcula o CAPM?

O cálculo do CAPM é feito com a seguinte fórmula:

  • ERi = Rf + βi (ERm – Rf)

Desse modo, temos:

  • ERi = Retorno Esperado do Investimento (Expected Return of Investiment);

  • Rf = Taxa Livre de Risco (Risk-free rate);

  • βi = Beta do investimento (Beta of the investment);

  • ERm = Retorno Esperado do Mercado (Expected Return of market);

  • (ERm – Rf) = Prêmio de Risco de Mercado (Market risk premium).

Na fórmula, o Rf é o número que representa o valor que o dinheiro tem ao longo do tempo sem riscos, sendo que este valor costuma estar atrelado à Selic, pois é o retorno mínimo esperado em um investimento.

O βi representa o risco que não é diversificável, logo, ele está relacionado com vários fatores econômicos e é essencial para analisar se um investimento vale a pena. Por fim, os outros componentes da fórmula indicam os riscos adicionais assumidos pelo investidor.

Exemplo de cálculo

Vamos supor que a taxa Selic está em 3,5%, enquanto a taxa de remuneração do mercado está em 15% e o beta está em 1,5. Neste caso, o cálculo é:

ERi = 0,035 + 1,5 x (0,15 – 0,035) = 0,207

Portanto, o resultado é que o retorno a ser esperado pelo investidor é de 20,7%, dentro das condições propostas.

Qual é a relação entre o CAPM e o índice Beta?

Considerando um mercado competitivo, o prêmio de risco varia de acordo com o risco não diversificável, que é o beta. Nesse sentido, o beta é o investimento potencial e uma medida de risco que a aplicação injetará em um portfólio no mercado.

Logo, segundo o CAPM o custo de capital equivale à taxa de rentabilidade que os investidores esperam como compensação pelo risco assumido com a aplicação, o resultado disso é que o investidor tem uma taxa de retorno ou desconto exigida para poder usar com o intuito de encontrar o valor de um ativo.

Por fim, os conceitos de CAPM, tendo como base a Teoria do Portfólio, podem auxiliar os investidores a entenderem a relação entre risco esperado e recompensa. Desse modo, é possível tomar melhores decisões de investimento.

Riscos

Existem basicamente dois tipos de riscos envolvidos na utilização do método CAPM na precificação de ativos: o risco diversificável e o não diversificável.

1- Risco diversificável

Como o próprio nome sugere, esse tipo de risco pode ser diluído por meio da diversificação da carteira de investimentos.

2- Risco não diversificável

Esse é o risco que não pode ser diluído apenas por meio da diversificação de ativos, isso porque, os riscos estão relacionados a eventos que fogem do controle do gestor, por exemplo: aspectos climáticos, mudanças na taxa básica de juros, alterações no cenário político e oscilações da inflação.

O CAPM possibilita a identificação da possível rentabilidade de um ativo levando em consideração o risco diversificável. Sendo assim, de acordo com este método, sempre existe uma maneira de mensurar o risco que pode ser diluído através das estratégias de diversificação da carteira.

Limitações do CAPM

Assim como vários outros indicadores do mercado, o CAPM tem algumas limitações, é por isso que ele não deve ser usado sozinho ao tomar uma decisão de investimento, mas sim em conjunto com outros indicadores. Enfim, algumas das suas limitações são:

  • Este indicador considera que a taxa livre de risco irá permanecer constante, mas na prática, essa taxa tende a variar no longo prazo.

  • O cálculo costuma trabalhar com eventos passados, mas rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, logo, o resultado do cálculo pode não corresponder ao retorno que você realmente terá.

  • Por fim, na fórmula, o risco é medido apenas pela volatilidade do ativo, contudo, no mercado existem outros riscos que não estão relacionados com as oscilações de preço e que também podem afetar a rentabilidade de uma aplicação.

Diferenças entre CAPM e WACC

O CAPM é muito usado ao calcular o custo de capital próprio, que é a taxa de retorno exigida pelo investidor ao aplicar em uma empresa.

Por outro lado, a taxa de desconto para calcular o preço justo de uma empresa é o custo médio ponderado de capital (WACC). Portanto, calcula-se o valor presente líquido dos fluxos de caixa para a empresa ao usar o WACC.

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Fontes: Dicionário financeiro, Yubb, Certifiquei, Levante ideias, Capital research, Suno e, por fim, Nova futura.

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