17 de junho de 2021 - por Sidemar Castro
Quais os riscos dos investimentos? Quando pensamos em investir, o risco nada mais é do que aquela dúvida no ar: a chance de o retorno do seu dinheiro ser diferente do que você planejou: o que, às vezes, pode significar perder uma parte dele. No mercado, os percalços mais comuns atendem por nomes como risco de mercado, de crédito, de liquidez e operacional, entre outros.
Vamos ver na prática como esses riscos funcionam? Continue a leitura e entenda tudo.
Leia também: Perfil de investidor: o que é, quais são os tipos e como descobrir?
O que são riscos de investimentos?
No fundo, o risco de um investimento é a possibilidade de o resultado final não ser bem aquele que você imaginava. Pode ser uma rentabilidade um pouco menor do que o esperado ou, em cenários mais delicados, a perda de parte do valor aplicado. Como ninguém tem bola de cristal para prever o futuro da economia, todo investimento carrega algum nível de incerteza.
Mas calma: isso não quer dizer que investir seja um bicho de sete cabeças ou algo perigoso por natureza. O grande segredo está em entender onde você está pisando, avaliar o tamanho do impacto de cada risco e ver se a escolha realmente combina com seus objetivos e com o seu momento de vida.
Veja também: CAPM: como funciona este modelo de precificação de ativos
Quais são os tipos de riscos dos investimentos?
Os tipos mais famosos de risco são os de mercado, crédito, liquidez, operacional e sistêmico. Além deles, dependendo de onde você coloca seu dinheiro, podem surgir fatores específicos ligados à empresa que emitiu o título, ao setor de atuação, às regras do próprio produto ou a mudanças na legislação.:
1) Risco de Mercado
O risco de mercadofala das montanhas-russas de preços e taxas. Mudanças nos juros, na inflação, no dólar, no cenário político ou no ritmo da economia fazem o valor dos seus ativos subir ou descer.
É um risco que afeta boa parte dos investimentos ao mesmo tempo, independentemente de serem bons ou ruins.
2) Risco de Crédito (ou Inadimplência)
Já o risco de crédito é o famoso “calote”. Acontece quando a instituição ou empresa que pegou seu dinheiro não consegue pagar o combinado.
Dar uma olhada na saúde financeira de quem está emitindo o título é fundamental para não ter surpresas.
3) Risco de Liquidez
Quanto ao risco de liquidez , ele surge quando você precisa do dinheiro com urgência, mas não consegue vender o investimento rapidamente sem ter que dar um “desconto” no preço.
4) Risco Operacional
O risco operacionaltem a ver com falhas em sistemas, processos, sistemas de segurança ou erros humanos. Uma falha de execução pode gerar prejuízo mesmo que o investimento em si seja excelente.
5) Risco sistêmico
Por sua vez, o risco sistêmico, é aquele evento cascata que afeta o mercado inteiro de uma vez só (pense em uma grande crise global). Nesses casos, diversificar a carteira ajuda bastante, mas não elimina a tempestade por completo.
Entender essas gavetas ajuda muito na hora de analisar a sua carteira, pois fica mais fácil identificar de onde pode vir uma turbulência e o que você pode fazer para se proteger.
Impactos dos riscos dos investimentos
Na prática, esses riscos mexem diretamente com o seu bolso, com o rendimento da sua aplicação e até com o tempo que você vai levar para realizar um sonho. O impacto pode ser apenas uma oscilação passageira, uma queda nos lucros ou uma perda real de patrimônio.
O risco de mercado, por exemplo, faz o valor do seu ativo oscilar no dia a dia. O risco de crédito pode travar o pagamento do seu rendimento. Já o risco de liquidez pode te obrigar a aceitar menos dinheiro para conseguir resgatar o valor no momento exato em que precisa.
Outro ponto de atenção é colocar “todos os ovos na mesma cesta”. Quando todo o seu dinheiro está em um único produto, empresa ou setor, qualquer problema específico ali pode afetar uma fatia gigante da sua vida financeira. É por isso que espalhar seus recursos, a famosa diversificação, é a melhor defesa.
Informe-se melhor: Diversificação de investimentos – Quantas ações ter em carteira?
Como calcular os riscos dos investimentos?
A matemática nos ajuda a medir o tamanho desse risco de várias formas. No dia a dia do mercado, indicadores como volatilidade, desvio padrão e beta são os mais usados. Quando a análise precisa ser mais refinada, entram em cena modelos como o Value at Risk (VaR).
O desvio padrão é o queridinho dos analistas porque mostra o quanto os retornos de um investimento costumam fugir da média. Quanto mais o rendimento “sombra e água fresca” oscila, maior é o desvio padrão e a volatilidade do produto.
A fórmula simplificada é:
Desvio padrão = √[Σ (Ri − Rm)² / n]
Em que R_i representa os retornos observados na prática, R_m é a média desses retornos e n é o total de períodos analisados.
Já o beta mede o quanto o seu ativo chacoalha em comparação com um índice de referência (como o Ibovespa). O VaR, por sua vez, tenta calcular qual seria a sua perda máxima provável dentro de um prazo e com uma margem de confiança estabelecida.
Vale lembrar: esses números olham para o passado ou trabalham com estimativas. Eles são ótimas bússolas para dimensionar o risco, mas não garantem o que vai acontecer amanhã.
Relação entre riscos dos investimentos e o perfil do investidor
O seu perfil de investidor diz muito sobre quanta emoção você topa aguentar na sua jornada financeira. Por isso, ao escolher onde aplicar, não olhe só para a promessa de ganho; considere o seu estômago e a sua situação financeira real.
- Conservador: prefere dormir tranquilo. Foca em proteger o patrimônio e aceita ganhar um pouco menos para não ver o saldo oscilando.
- Moderado: busca o meio-termo, equilibrando um tiquinho de pimenta com uma boa dose de segurança.
- Arrojado (ou Experiente): lida bem com as idas e vindas do mercado e aceita correr mais riscos para buscar lucros maiores no longo prazo.
Mas atenção: além da vontade de arriscar, existe a capacidade de suportar o risco. Você pode até ser uma pessoa corajosa, mas se vai precisar do dinheiro daqui a seis meses, não pode se dar ao luxo de ver o valor cair pela metade agora. Por isso, prazos, objetivos de vida e patrimônio acumulado entram forte nessa conta.
Entenda: Gerenciamento de risco: o que é e como fazer em seus investimentos?
Importância de entender os riscos dos investimentos
Dominar o tema dos riscos é a chave para fazer escolhas conscientes, evitar falsas expectativas e cuidar do seu dinheiro com maturidade. Analisar o risco permite ver não só a foto do cenário bonito (o ganho potencial), mas também o filme de como sua aplicação reagiria se o tempo fechar no mercado.
Esse conhecimento é a base para construir uma carteira diversificada e inteligente. A própria CVM lembra constantemente que o risco deve ser analisado no conjunto da sua carteira, e não olhando cada investimento isoladamente.
No fim das contas, saber onde o bicho pega ajuda a evitar decisões no impulso. Em vez de ir cego atrás do “rendimento mais alto da vitrine”, você passa a ponderar segurança, facilidade de resgate, volatilidade e possíveis perdas.
Aprender sobre riscos não serve para fazer você ter medo de investir, mas sim para que você saiba exatamente onde está colocando seu dinheiro e o que esperar do caminho. Afinal, conhecimento é a ferramenta número um de qualquer estratégia bem-sucedida.
Viu como esses riscos saem dos livros e aparecem no dia a dia? O importante é ter em mente que eles sempre vão existir, em maior ou menor grau. O segredo é entender quais riscos você está disposto a correr e escolher investimentos que se encaixem no seu perfil e objetivos. Assim, você navega pelo mundo dos investimentos com muito mais segurança e confiança!
Leia também: Índice de Sharpe: o que é, como funciona e como analisá-lo?