10 de fevereiro de 2025 - por Sidemar Castro

O efeito Wobegon é um viés cognitivo, um fenômeno psicológico em que as pessoas tendem a acreditar que são melhores que a média em certas áreas. Em resumo, é a tendência de nos avaliarmos de forma mais positiva do que realmente somos. Sendo assim, isso pode ocorrer em várias situações, como no trabalho, nos estudos ou até mesmo em habilidades pessoais.
O efeito Wobegon pode levar a consequências tanto positivas quanto negativas. Por um lado, ele pode aumentar nossa autoconfiança e motivação. Por outro lado, pode nos tornar menos propensos a reconhecer e melhorar nossas fraquezas.
Entenda melhor o que é o efeito Wobegon na matéria a seguir. Leia!
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O que é o efeito Wobegon?
O efeito Wobegon descreve a tendência das pessoas de superestimarem suas próprias habilidades e conquistas em relação aos outros. Em outras palavras, é a crença de que somos “acima da média”, mesmo quando não há evidências que sustentem essa afirmação.
Como se pode imaginar, essa tendência pode ter muitas consequências na economia e nos investimentos.
O termo “efeito Wobegon” tem origem em um programa de rádio americano chamado “A Prairie Home Companion”, criado e apresentado por Garrison Keillor. Em seu programa, Keillor descrevia a cidade fictícia de Lake Wobegon como um lugar onde “todas as mulheres são fortes, todos os homens são bonitos e todas as crianças estão acima da média”. Essa frase se tornou tão popular que deu origem ao termo “efeito Wobegon” na psicologia.
O efeito Wobegon pode se manifestar de diversas formas, como ao superestimar nossas habilidades em áreas como inteligência, capacidade de liderança, desempenho no trabalho, etc.
Outra, é acreditar que somos menos propensos a erros e vieses cognitivos do que as demais pessoas. E, também, ao avaliar nossas contribuições em projetos e trabalhos em equipe como sendo maiores do que realmente são.
Causas e consequências do efeito Wobegon
Algumas das causas do efeito Wobegon incluem:
- Necessidade de manter uma autoestima elevada.
- Dificuldade em avaliar nossas próprias habilidades de forma objetiva.
- Comparação social enviesada, na qual nos comparamos com pessoas que consideramos inferiores.
O efeito Wobegon pode ter diversas consequências negativas, como dificuldade em reconhecer nossas próprias falhas e limitações, o que pode nos impedir de crescer e aprender.
Também pode levar a uma superconfiança, que pode nos levar a tomar decisões erradas e arriscadas. Assim como apresentar dificuldade em lidar com críticas negativas.
Para lidar com o efeito Wobegon, é importante buscar feedbacks de outras pessoas sobre nossas habilidades e desempenho. Outro dado importante é comparar nossas habilidades com critérios objetivos, em vez de apenas com outras pessoas. Finalmente, é preciso reconhecer que todos têm pontos fortes e fracos e que ninguém é perfeito.
Portanto, o efeito Wobegon é um viés cognitivo comum que nos leva a superestimar nossas próprias habilidades e conquistas. Embora possa ser tentador acreditar que somos “acima da média”, é importante reconhecer que todos têm áreas em que podem melhorar. Ao lidar com o efeito Wobegon, podemos nos tornar mais conscientes de nossas próprias limitações e trabalhar para nos desenvolver de forma mais eficaz.
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Como funciona o efeito Wobegon?
O efeito Wobegon funciona assim: as pessoas tendem a se avaliar de maneira mais positiva do que a realidade. Sendo assim, isso acontece porque, de forma natural, queremos nos sentir bem com nós mesmos. Como resultado, muitas vezes acreditamos ser mais habilidosos ou competentes que a média.
Primeiro, esse fenômeno ocorre em várias áreas da vida, como no trabalho, nos estudos ou até mesmo em habilidades pessoais. Em seguida, ao nos compararmos com os outros, tendemos a focar nas nossas qualidades e minimizar nossas fraquezas. Desse modo, isso faz com que nossa autopercepção seja distorcida.
Além disso, o efeito Wobegon também pode ser influenciado pelo ambiente. Se estamos cercados por pessoas que reforçam nossa autoestima, é mais provável que tenhamos essa visão inflada de nós mesmos. Porém, é importante lembrar que, apesar de aumentar nossa confiança, isso pode nos impedir de reconhecer e melhorar nossas falhas.
Em resumo, o efeito Wobegon é um fenômeno em que acreditamos ser melhores que a média, o que pode influenciar nossa autoconfiança e percepção de habilidades.
Como o efeito Wobegon afeta as finanças?
O efeito Wobegon afeta diretamente as finanças ao criar uma distorção de autoimagem que leva a decisões financeiras arriscadas e pouco realistas. Desse modo, esse viés faz com que as pessoas superestimem suas habilidades de gestão, investimento e controle de gastos, gerando consequências práticas.
Primeiramente, quem sofre desse viés tende a acreditar que possui conhecimento ou intuição superior para prever o mercado. Isso leva a comportamentos como:
- Realizar negociações excessivas na bolsa de valores, aumentando custos e reduzindo retornos;
- Ignorar análises técnicas e fundamentais, confiando apenas em “instinto” ou experiências passadas;
- Concentrar recursos em um único ativo, subestimando riscos.
Por exemplo, um investidor pode comprar ações no pico de valorização movido pela crença de que “sabe mais que os outros”, apenas para ver o preço despencar depois.
Além disso, o efeito Wobegon faz com que as pessoas mintam para si mesmas sobre sua realidade financeira. Isso se manifesta em:
- Atrasar o pagamento de dívidas por acreditar que “dará conta” de resolver tudo depois;
- Manter gastos supérfluos (como TV por assinatura pouco usada) por superestimar a capacidade de equilibrar o orçamento;
- Ignorar a necessidade de reserva de emergência, julgando-se imune a imprevistos.
Por outro lado, esse viés também prejudica a capacidade de aprender com falhas. Quem está sob sua influência:
- Culpa fatores externos (como o mercado ou a economia) por prejuízos, em vez de revisar estratégias;
- Rejeita feedbacks ou orientações de especialistas, por acreditar que “já sabe o suficiente”;
- Mantém hábitos financeiros ruins, como uso excessivo do cartão de crédito, subestimando o impacto real no orçamento.
Diminuir efeitos
Felizmente, é possível adotar estratégias para contornar esse viés:
- Use regras objetivas: Aplicar a regra 50-15-35 (50% para necessidades, 15% para prioridades financeiras, 35% para estilo de vida) ajuda a evitar decisões baseadas em autoengano;
- Diversifique investimentos: Distribuir recursos em diferentes ativos reduz a ilusão de “escolha certeira”;
- Monitore gastos: Planilhas financeiras expõem discrepâncias entre a percepção e a realidade dos gastos;
- Busque perspectivas externas: Consultar profissionais ou ferramentas de análise neutraliza a tendência de supervalorizar opiniões próprias.
Portanto, em resumo, o efeito Wobegon atua como um inimigo invisível das finanças, mascarando riscos e inflando capacidades. Assim, reconhecer essa tendência é o primeiro passo para substituir a autoconfiança exagerada por estratégias baseadas em dados e planejamento.
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Fontes: Mais Retorno, A Mente é Maravilhosa, El País