Diferença entre dividend yield e earnings yield

O dividend yield mostra o retorno em dividendos sobre o preço da ação, enquanto o earnings yield mostra o retorno dos lucros sobre esse mesmo preço. Entenda melhor as diferenças!

13 de março de 2026 - por Sidemar Castro


A principal diferença é que o Dividend Yield (DY) mede a porcentagem do lucro distribuída em dinheiro ao acionista, enquanto o Earnings Yield (EY) mede o lucro total gerado pela empresa em relação ao seu preço de mercado.

O DY foca na renda imediata, enquanto o EY foca na rentabilidade geral. Quer se aprofundar mais nessas diferenças? Leia este artigo!

Leia mais: Yield: o que é, para que serve e como funciona

O que é dividend yield (DY)?

O dividend yield (do inglês para “rendimento de dividendos”) ou simplesmente DY, é um indicador que muita gente acompanha de perto na hora de escolher ações.

Ele mostra qual é a taxa de retorno que você, investidor, recebe em forma de dividendos em comparação com o preço pago pela ação. Em outras palavras, é uma forma de medir o quanto aquela ação está “pingando” de dinheiro na sua conta ao longo de um ano.

Para que serve e como funciona o dividend yield (DY)?

O DY serve como um guia para quem busca construir uma fonte de renda passiva com a bolsa de valores. Ele funciona como um termômetro da política de distribuição de lucros de uma empresa. Quando uma companhia tem um histórico de lucros consistentes e opta por distribuir uma parte deles aos acionistas, isso se reflete no seu DY.

É importante entender que empresas mais maduras, que já não precisam reinvestir tanto dinheiro para crescer, costumam ter um DY mais alto e previsível. Já empresas em fase de expansão geralmente preferem reter os lucros para financiar seu crescimento, o que pode resultar em um DY baixo ou até inexistente.

Por isso, o DY é tão valorizado por quem já está numa fase de vida em que prefere receber rendimentos regulares, como aposentados ou investidores que buscam complementar a renda mensal.

Como calcular o dividend yield (DY)?

O cálculo é bem direto e qualquer pessoa pode fazer.

Você pega o total de dividendos pagos por ação nos últimos 12 meses e divide pelo preço atual da ação. Depois, multiplica esse resultado por 100 para encontrar a porcentagem.

Vamos dar um exemplo: suponha que uma ação pagou R$ 2,50 por papel ao longo do último ano e hoje está cotada a R$ 50,00. O DY será de 5%.

Isso significa que, ao comprar essa ação por R$ 50,00, você está adquirindo um direito a um fluxo de dividendos que representa 5% do seu investimento inicial.

Leia mais: Yield on cost: o que é, como funciona e diferenças entre DY

O que é earnings yield?

O earnings yield (do inglês para “recebimento dos lucros”), também chamado de EY, é um indicador que muitos investidores experientes usam para enxergar além dos dividendos.

Ele mostra qual é o retorno que uma empresa gera a partir dos seus lucros em relação ao preço da sua ação. Enquanto o DY foca no que é distribuído, o EY foca no lucro total que a empresa é capaz de produzir.

Para que serve e como funciona o earnings yield?

O earnings yield serve como uma ferramenta de comparação poderosa. Ele permite que você compare o retorno de diferentes ações entre si, e também compare ações com outras classes de ativos, como a renda fixa.

Por exemplo, se o earnings yield de uma ação é de 8% e o título do governo está pagando 6% ao ano, aquela ação pode representar uma oportunidade mais atraente do ponto de vista do retorno gerado pelo negócio.

O EY ganhou popularidade com o professor Joel Greenblatt, que o utiliza em sua “fórmula mágica” para identificar ações com bom desempenho e preços atraentes.

A ideia central é que empresas com EY elevado estão gerando um bom retorno sobre o capital que você precisaria desembolsar para comprar suas ações. Isso pode ser um forte indício de que o papel está sendo negociado por um preço abaixo do seu valor intrínseco, ou seja, pode estar subvalorizado.

Como calcular o earnings yield?

O cálculo do earnings yield é o inverso do famoso índice Preço sobre Lucro (P/L).

A fórmula é simples: divida o lucro por ação dos últimos 12 meses pelo preço atual da ação e multiplique por 100 para obter a porcentagem.

Pegue um exemplo prático: uma empresa que tenha um lucro por ação de R$ 6,00 e cuja ação esteja cotada a R$ 75,00 terá um EY de 8%.

Esse percentual representa a taxa de retorno que o lucro da empresa proporciona sobre o investimento necessário para comprar uma ação.

Entenda: Ganho real: como se calcular a rentabilidade real dos investimentos?

Qual a diferença entre dividend yield e earnings yield?

A diferença fundamental entre os dois está no que cada um considera.

O dividend yield abrange apenas a parcela do lucro que a empresa decide distribuir aos acionistas. É o dinheiro que efetivamente sai do caixa da companhia e vai para a sua conta.

Já o earnings yield considera a totalidade do lucro gerado, independentemente de ele ser pago como dividendo ou reinvestido no negócio.

Uma empresa pode ter um EY alto porque é muito lucrativa, mas ao mesmo tempo ter um DY baixo se sua política for reinvestir a maior parte desses lucros para crescer ainda mais.

Em suma: o DY mostra o que você recebe de volta em dinheiro; o EY mostra a capacidade da empresa de gerar riqueza com o seu negócio.

Importância do dividend yield e earnings yield para os investidores

Para montar uma estratégia consistente na bolsa, tanto o DY quanto o EY têm seu valor.

O dividend yield é indispensável para quem precisa de previsibilidade e renda recorrente. Ele ajuda a construir uma carteira que entrega resultados em dia de pagamento de proventos.

Já o earnings yield é essencial para quem busca crescimento e quer comprar ações com desconto. Ele funciona como um filtro para encontrar empresas lucrativas que o mercado pode estar precificando abaixo do seu real potencial. Além disso, como o EY é o inverso do P/L, ele oferece uma perspectiva diferente sobre a relação entre preço e lucro.

O mais interessante, porém, é usar os dois em conjunto.

Uma empresa com um bom EY mostra que é lucrativa e gera valor. Um bom DY, por sua vez, indica que ela também está disposta a compartilhar essa lucratividade com seus acionistas através de dividendos.

Claro, nenhum indicador deve ser analisado isoladamente. É fundamental considerar o contexto do setor em que a empresa atua, seu nível de endividamento, suas perspectivas de crescimento e a consistência dos seus resultados ao longo do tempo. Mas, com certeza, ter esses dois indicadores no seu radar já é um ótimo começo para fazer análises mais fundamentadas e escolher investimentos que realmente façam sentido para os seus objetivos.

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