22 de dezembro de 2025 - por Sidemar Castro
A principal diferença é que o planejador financeiro tem uma abordagem holística, criando um plano financeiro completo para atingir objetivos de longo prazo, enquanto o consultor financeiro foca em um aspecto específico, como investimentos ou um produto financeiro, sem a visão abrangente do todo.
O planejador considera todos os aspectos da sua vida financeira, enquanto o consultor pode se especializar em uma única área. Neste artigo, você entenderá melhor estas diferenças.
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O que é consultor financeiro?
Um consultor financeiro é aquele profissional que se aproxima da sua situação financeira com atenção e cuidado. Ele começa conhecendo sua realidade: de onde vem seu dinheiro, para onde vai, quais são suas metas (como comprar uma casa, fazer um curso, se aposentar com tranquilidade).
A partir daí, ele ajuda você a desenhar estratégias para usar melhor seus recursos, gastar menos com o que não importa, investir com propósito e evitar ciladas que podem comprometer seu patrimônio.
No Brasil, esse profissional tem liberdade maior do que um simples assessor vinculado a um produto financeiro, porque ele pode buscar no mercado soluções mais alinhadas ao seu perfil.
Ou seja: o consultor financeiro está mais ao seu lado, não apenas vendendo um produto, mas olhando seu conjunto, propondo caminhos, identificando riscos e oportunidades.
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Qual a função do consultor financeiro?
O consultor financeiro é aquele especialista que vai sugerir onde você deve alocar recursos, como ajustar gastos, que tipo de reserva fazer, e vai revisitar periodicamente o seu perfil para ver se algo precisa mudar.
Sendo assim, no dia a dia, ele ajuda a:
- definir metas claras e realistas,
- mapear seu “cenário financeiro” (receitas, despesas, patrimônio),
- sugerir alternativas que façam sentido para você,
- acompanhar e adaptar conforme sua vida muda.
Esse papel mais, digamos, “holístico”, para usar uma palavra da moda, significa que ele olha a situação toda e não apenas recomendará “um produto de investimento”. Assim, mais do que simplesmente “mostrar fundos ou ações”, o consultor financeiro ajuda você a pensar no “todo” da sua vida financeira.
Qualificações, credenciais, regulamentações e normas do consultor financeiro
Para que o profissional que você contrata para cuidar ou aconselhar suas finanças esteja bem preparado, ele normalmente reúne alguns pilares: formação, certificações, regulamentação e compromisso ético.
Em termos de formação, costuma ter diploma em áreas ligadas a finanças, administração, economia ou negócios: isso dá a base para entender investimentos, impostos e despesas. Por exemplo, nos Estados Unidos, muitos assessores financeiros têm pelo menos um bacharelado em finanças ou área afim.
Depois, há certificações reconhecidas: nos EUA, a designação CFP (Certified Financial Planner) é tida como um padrão “premium” porque exige educação especial, exame, experiência prática e aderência a normas de ética. No Brasil, também aparecem certificações como CNPI ou aquelas da ANBIMA que demonstram preparo para atuar com investimentos.
Tipos de consultor financeiro
Quando lidamos com consultoria financeira, vale entender que nem todos os profissionais atuam da mesma forma: há diferentes tipos conforme o foco, o público e o modelo de serviço.
Um tipo comum é o consultor de investimentos: ele concentra-se em ajudar você a alocar recursos, escolher fundos, ações ou produtos financeiros, com foco principal em rentabilizar o patrimônio no presente.
Outra categoria é o planejador financeiro, que tem uma abordagem mais ampla, olhando não só para os investimentos, mas também para orçamento, dívidas, aposentadoria, seguros e sucessão. Ou seja, traçando um plano para sua vida financeira como um todo.
Um terceiro tipo relevante é o gestor de patrimônio (wealth manager): esse atua especialmente para pessoas com valores maiores a administrar, oferecendo serviços mais sofisticados, como planejamento tributário, estruturação de herança ou filantropia.
Entenda: Wealth management: o que é e como funciona a gestão de riquezas?
O que é planejador financeiro?
Um planejador financeiro é o profissional que chega ao seu lado para entender a sua vida (renda, gastos, sonhos, dívidas) e ajuda a montar um “mapa” de onde você quer chegar financeiramente. Por exemplo, aposentadoria tranquila, casa própria, educação dos filhos.
Esse mapa inclui estratégias de como organizar seus recursos agora, o que priorizar e como investir com coerência. No Brasil, vale destacar que o título “planejador financeiro” não é rigidamente regulado, então, mais importante do que o nome é ver como o profissional trabalha, suas credenciais e se o foco é realmente você.
Ele não está focado apenas em recomendar um produto de investimento ou seguro, mas sim em olhar todo o contexto: orçamento, seguro, impostos, patrimônio. Por exemplo, segundo a B3, o planejador financeiro entende sua vida financeira de forma ampla e ajuda a traçar metas.
Quanto à regulamentação, no Brasil para atuar como “consultor de valores mobiliários”, que é diferente de quem apenas vende produtos financeiros, há supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e ele não pode estar vinculado de forma que comprometa sua independência de recomendação.
E, finalmente, há a norma ética: ele deve agir com transparência, no melhor interesse do cliente, declarar possíveis conflitos de interesse e manter-se atualizado via educação continuada, algo que certificações reconhecidas exigem.
Qual a função do planejador financeiro?
A principal função do planejador financeiro é ser um estrategista que trabalha focado no seu horizonte de longo prazo. Em vez de se concentrar apenas no melhor investimento do momento, ele se dedica a construir um caminho financeiro robusto que garanta a sua segurança e a realização dos seus sonhos mais importantes.
Este profissional estabelece um relacionamento contínuo, ajudando você a entender o impacto de cada decisão financeira, desde grandes compras até a estrutura de herança.
Sendo assim, o planejador financeiro é responsável por recomendar e auxiliar, de modo prático, a seu cliente comece a poupar para a aposentadoria ou como renegociar uma dívida, por exemplo. E, desse modo, ao manter uma conduta rotineira, avaliando de forma periódica, sua evolução.
Qualificações, credenciais, regulamentações e normas do planejador financeiro
O planejador financeiro atua como um guia em sua jornada, ajudando você a definir o caminho para atingir metas que vão desde projetos imediatos até conquistas de uma vida inteira, como se aposentar com segurança, comprar a casa dos sonhos ou garantir a melhor formação para os filhos.
Para ser esse parceiro qualificado, ele normalmente possui uma base educacional em finanças, economia ou administração, e busca constantemente especializações que validem seu conhecimento.
Existem certificações globais que são verdadeiros selos de qualidade, como o CFP, tido como o padrão-ouro da carreira, o CFA, com forte ênfase no mercado de investimentos, e o ChFC, mais direcionado para consultoria em seguros e patrimônio. No Brasil, destaca-se a família de certificações da Anbima, incluindo CPA-10, CPA-20 e CEA.
Para que você possa confiar plenamente, a profissão é exercida dentro de um rigoroso contexto regulatório. Dependendo dos serviços prestados, o planejador precisa de um registro formal em órgãos como a CVM, no Brasil, ou a SEC, nos EUA.
Além disso, é cada vez mais comum que esses profissionais atuem sob um princípio fiduciário, o que significa que eles têm uma obrigação legal e ética de agir sempre com lealdade, colocando o seu bem-estar financeiro acima de qualquer benefício próprio.
Quais são as diferenças entre consultor financeiro e planejador financeiro?
1) O que cada um entrega
O consultor é como alguém que te mostra boas oportunidades de investimento. O planejador é quem senta com você para desenhar um mapa completo da sua vida financeira.
2) Horizonte de tempo
Consultores ajudam a decidir onde colocar o dinheiro agora. Planejadores ajudam a pensar em como esse dinheiro vai sustentar seus sonhos daqui a 10, 20 ou 30 anos.
3) Regras e credenciais
Consultores precisam estar alinhados às normas do mercado financeiro. Planejadores, além disso, buscam certificações que comprovam sua capacidade de olhar para o todo, como o CFP.
4) Tipo de relação
Com o consultor, você pode ter encontros pontuais. Com o planejador, a relação é de longo prazo, quase como um parceiro que acompanha sua jornada financeira.
Os planejadores financeiros também são consultores financeiros?
Todo planejador financeiro é considerado um tipo de consultor financeiro, mas nem todo consultor financeiro é um planejador.
A diferença está no foco: o planejador cria estratégias completas e de longo prazo, enquanto o consultor pode atuar em áreas mais específicas, como investimentos ou seguros.
Veja também: Estratégia de investimentos – Tipos, como escolher e lista das 10 principais
Consultor financeiro ou planejador financeiro: qual escolher?
Preciso de consultor ou planejador? Pergunte-se: “Quero resolver um problema específico de investimento ou quero organizar minha vida financeira como um todo?”
Se for a primeira opção, o consultor pode dar conta: ajuda a escolher investimentos, melhora a carteira. Se for a segunda: “quero clareza sobre minhas finanças, dívidas, objetivos, aposentadoria, como tudo se encaixa”; então; o planejador pode ser o ideal.
Algumas dicas finais: verifique como o profissional cobra, se trabalha com comissão ou só com honorário, qual a certificação dele. Isso importa porque pode gerar conflito de interesses.
Leia também: Investidor qualificado: o que é, como se tornar um e quais as vantagens?
Fontes: Kaplan Financial, Investopedia, Accounttech, Frazerjames, Indeed, Bora Investir B3.