Custo histórico: o que é, exemplos, vantagens e desvantagens

Custo histórico é o valor original pago por um bem ou ativo no momento da sua aquisição. Veja o que é, exemplos, vantagens e desvantagens.

31 de julho de 2025 - por Sidemar Castro


Sabe quando a gente fala do preço original de algo? Em economia e contabilidade, isso tem um nome chique: custo histórico. É simplesmente o valor que você pagou ou recebeu por algo no momento em que a transação aconteceu, sem se preocupar com a inflação ou se o mercado mudou depois.

É um conceito muito importante porque nos ajuda a comparar as contas de uma empresa de forma justa e clara ao longo do tempo. Assim, tudo fica mais objetivo e fácil de entender, sem a confusão das variações de preço. Quer saber mais? Continue lendo!

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O que é custo histórico?

Tenha em mente o custo histórico como aquele álbum de fotos antigo da empresa. Ele registra o valor exato pago (ou recebido!) no momento em que um bem foi comprado ou uma dívida surgiu. É como uma “foto financeira” tirada na hora da transação.

Esse método busca ser super claro e fácil de checar, afinal, o valor é aquele que está registrado nos papéis originais da compra ou venda, sem suposições!

Exemplos de custo histórico

Vamos a alguns exemplos para entender melhor:

  • Imóvel: Sabe aquele prédio que sua empresa comprou há 15 anos por R$ 1 milhão? Pois é, esse valor de um milhão é o custo histórico dele. Fica registrado assim, firme e forte, mesmo que hoje o prédio valha muito mais no mercado. Para a contabilidade, o que importa é aquele preço pago lá atrás.
  • Matéria-prima: Lembra quando comprou 500 quilos de farinha por R$ 5 o quilo? Então, o custo histórico desse estoque de farinha é R$ 2.500. Simples assim. Se amanhã o preço da farinha disparar ou cair, o registro contábil não muda, fica o valor que saiu do caixa naquela compra inicial.
  • Máquinas e equipamentos: Aquela máquina nova que chegou na fábrica por R$ 200 mil? Esse é o custo histórico dela. Com o tempo, claro, ela vai se desgastar (a gente chama isso de depreciação), mas o ponto de partida para todos os cálculos futuros sempre será o valor original, aquele R$ 200 mil do dia da compra.

É importante saber: Como o custo histórico fica “preso” ao valor original, ele não reflete as mudanças de preço que acontecem no mercado ao longo do tempo. É como olhar só aquela foto antiga sem saber como as coisas estão hoje. Por isso, as empresas são espertas: elas usam o custo histórico junto com outros métodos de avaliação. Assim, conseguem ter uma visão mais completa e atualizada de como realmente estão as suas finanças. É um time trabalhando junto!

Qual é o princípio do custo histórico?

“Anote exatamente o que você pagou na hora que comprou ou construiu.” O princípio do custo histórico é exatamente isso, o primeiro registro de um bem na contabilidade.

É o valor original, aquele que saiu do caixa ou virou dívida no momento exato da transação. Simples e direto, como marcar o preço da etiqueta na sua compra do mês.

E os estoques? A mesma lógica vale! As mercadorias ou matérias-primas que a empresa tem guardadas são registradas pelo preço que custaram quando foram compradas ou produzidas. Não entra na conta a inflação acumulada depois nem quanto custaria repor aquilo hoje. Fica o valor histórico, o da nota fiscal original.

Em outras palavras, o princípio do custo histórico é a base, o ponto de partida confiável: Registre o valor original pago. Os outros métodos (como o custo histórico corrigido, que já teve seu auge, e o custo corrente) surgem para tentar trazer informações mais atuais quando o valor das coisas muda muito com o tempo. A contabilidade moderna costuma usar uma combinação dessas visões para dar uma fotografia mais completa da saúde financeira da empresa.

Vantagens e desvantagens do custo histórico

Olhar o custo histórico é como ver a contabilidade através de uma lente específica: ela registra o valor exato pago no momento em que um ativo entrou na empresa ou uma obrigação foi assumida. Essa abordagem tem seu charme pela simplicidade e confiabilidade.

Como o valor vem direto da nota fiscal ou do contrato original, não há espaço para interpretações subjetivas ou achismos, é um número concreto, fácil de verificar e difícil de contestar. Isso cria uma base sólida e objetiva para os registros, dando transparência e consistência ao histórico financeiro. É prático também: evita cálculos complexos ou estimativas voláteis no dia a dia.

Porém, essa mesma objetividade tem um outro lado. O custo histórico é como uma foto antiga: captura um momento preciso do passado, mas não se atualiza. Ele não reflete as mudanças que acontecem no mundo real ao longo do tempo. Imagine um terreno comprado décadas atrás por um valor baixo, mas que hoje vale uma fortuna.

Nos registros contábeis, ele ainda aparece pelo preço original, subestimando drasticamente o patrimônio real da empresa. O mesmo vale para períodos de inflação alta: o valor histórico registrado perde sua força de compra, distorcendo a análise financeira.

Outro ponto é que ele não considera o valor atual de mercado ou o custo para repor um ativo, o que pode levar a decisões pouco informadas, como vender um bem por muito menos do que ele realmente vale hoje ou não provisionar adequadamente para sua substituição.

Por isso, embora o custo histórico ofereça uma âncora confiável e objetiva para o registro inicial, ele sozinho não basta para dar uma visão realista e atual da saúde financeira de uma empresa. É uma ferramenta valiosa no passado, mas entender o presente exige olhar além dessa foto antiga e considerar outras formas de avaliação que capturam a dinâmica do mercado e o valor atual dos recursos.

Importância do custo histórico

O custo histórico é importante porque serve como base confiável para registrar e acompanhar o valor dos bens e direitos de uma empresa.

Ele garante que os dados contábeis reflitam valores reais pagos no momento da aquisição, o que ajuda a manter a consistência das informações ao longo do tempo.

Essa abordagem traz mais segurança para análises financeiras e tomadas de decisão, já que não depende de estimativas ou variações de mercado.

Além disso, facilita auditorias e comparações entre períodos, contribuindo para a transparência e credibilidade das demonstrações contábeis.

Veja também: Contas patrimoniais: o que são e qual é a importância?

Qual a diferença entre custo histórico e valor justo?

A principal diferença entre custo histórico e valor justo está na forma como cada um representa o valor de um ativo.

O custo histórico registra o valor pago na aquisição, sendo mais objetivo e estável, usado com base em normas como a IAS 16. Já o valor justo busca refletir o preço atual de mercado do ativo, conforme orientações da IFRS 13, considerando condições e negociações reais.

Ademais, o custo histórico é muito utilizado na contabilidade tradicional por sua simplicidade e por seguir princípios como os da GAAP, registrando o ativo pelo valor de compra ajustado pela depreciação ao longo do tempo. Já o valor justo tende a ser mais dinâmico, atualizado conforme o mercado, e é comum em ativos financeiros e situações em que se deseja entender a real capacidade da empresa de gerar caixa a partir da venda de seus bens.

Assim, embora o valor justo forneça uma visão mais atual e útil para decisões estratégicas, ele pode ser mais difícil de aplicar em ativos sem mercado ativo e envolver custos maiores de avaliação. O custo histórico, por outro lado, é mais prático e conservador, mas pode não refletir o valor real dos ativos com o passar do tempo.

Qual a diferença entre custo histórico, custo histórico corrigido e custo de reposição?

Custo Histórico

O custo histórico é o valor original pago na aquisição do ativo, sem ajustes. Ele é objetivo e simples: o ativo entra no balanço pelo que custou na data da compra, e vai sendo reduzido por depreciação conforme seu uso.

Custo Histórico Corrigido

O custo histórico corrigido era uma forma de ajustar esse valor original para compensar a perda de poder de compra da moeda, ou seja, corrigia monetariamente o custo inicial para torná-lo comparável em diferentes momentos (especialmente em contextos inflacionários elevados, como ocorria no Brasil antes do Plano Real).

Essa correção buscava dar mais “neutralidade temporal” aos valores, mas hoje, sob normas internacionais (como o IFRS), ajustes gerais por inflação não são usados exceto em situações muito específicas de hiperinflação.

Assim, o custo histórico corrigido tornou-se algo mais histórico e raramente aplicado em práticas contábeis correntes fora de contextos legais antigos ou fiscais.

Custo de Reposição

Já o custo de reposição não olha para o passado, nem para simples correções inflacionárias, mas para quanto custaria, hoje, repor o mesmo ativo, seja substituindo por outro igual ou equivalente, levando em conta mudanças tecnológicas, preços correntes de mercado e custos de aquisição no momento da reposição.

É muito usado em seguros, avaliação de ativos para gerenciamento de risco ou em algumas decisões de substituição. Por exemplo, se uma máquina comprada há dez anos custou 100 mil, seu custo histórico é esse.

Se a inflação acumulada na época fosse de 50%, o custo histórico corrigido seria o equivalente a 150 mil em poder de compra “atualizado” daquele período inflacionário.

Já o custo de reposição pode ser 80 mil se a tecnologia evoluiu e hoje se consegue uma máquina igual por menos, ou 120 mil se os preços subiram ou se busca uma versão mais robusta.

Leia mais: Os maiores erros do seu controle financeiro: custos fixos

Fontes: Grupo Investor, Corporate Finance Institute, Wafeq, Study e Viindoo.

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