4 de novembro de 2026 - por Sidemar Castro
Ações em circulação, em inglês, outstanding shares, representam o número total de ações de uma empresa que foram vendidas e que atualmente são detidas pelos acionistas no mercado. Elas incluem ações detidas por investidores institucionais, investidores individuais e ações restritas de executivos/insiders.
Não estão incluídas nas ações em circulação as ações de tesouraria, que são ações que a própria empresa recomprou e mantém em reserva. Entenda sua importância e como calcular na matéria seguinte. Boa leitura!
Veja mais: O que são ações, quais os tipos e como funcionam?
O que são ações em circulação?
Para começar a investir, imagine que você está pensando em comprar um pedacinho de uma empresa. Esse pedacinho é uma ação.
Ações em circulação são, simplesmente, o total desses pedacinhos que existem e estão nas mãos de investidores como você, além de fundos, bancos e os próprios donos da empresa.
É a quantidade de ações que realmente importa, porque representa a fatia da empresa que está nas mãos do público. Ficam de fora dessa conta apenas as ações que a própria empresa comprou de volta e guardou, as chamadas ações em tesouraria, que ficam “fora de circulação”.
Saiba mais: Ações em tesouraria: o que são e como funcionam?
Como funcionam as ações em circulação?
Elas funcionam como o principal instrumento de medida do mercado. Com elas, calculamos o valor total de uma empresa (a capitalização de mercado, que é o preço da ação multiplicado por esse número). Elas também são essenciais para saber quanto do lucro da empresa cabe a cada ação, o famoso lucro por ação. Se a empresa lucrou R$ 1 milhão e tem 1 milhão de ações em circulação, cada ação tem direito a R$ 1 de lucro. É um número dinâmico: ele muda quando a empresa decide vender mais ações para levantar fundos ou quando decide comprar suas próprias ações no mercado.
Onde encontras as ações em circulação?
A transparência é uma das bases do mercado de ações, e encontrar esse dado é bem simples. Basta acessar os relatórios oficiais que as empresas de capital aberto publicam.
Nos Estados Unidos, o relatório anual (10-K) e os trimestrais (10-Q) estão no site da SEC. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários mantém um sistema (o Empresas.NET) onde você encontra todos os documentos das companhias listadas na B3.
Dentro do balanço patrimonial, na parte do patrimônio líquido, você vai encontrar a quantidade de ações emitidas e, a partir daí, pode chegar às ações em circulação.
Tipos de ações em circulação
Para um investidor, é importante entender que existem duas maneiras de olhar para as ações em circulação:
1) Ações básicas em circulação: É o retrato atual e real da empresa. É o número de ações que existe hoje, usado para calcular os indicadores mais imediatos, como o lucro por ação básico. Se você é acionista hoje, é com base nesse número que sua participação na empresa é calculada.
2) Ações totalmente diluídas: Esta é uma visão mais conservadora e prospectiva. Ela inclui todas as ações básicas mais aquelas que podem vir a ser criadas se opções de ações dos funcionários, bônus ou outros títulos conversíveis forem exercidos.
Esse número responde à pergunta: “qual seria o total de ações em circulação se todos que têm o direito de se tornar acionistas o fizessem hoje?”. É um alerta sobre o potencial de diluição futura da sua participação.
Leia também: Análise de ações: o que é, quais são os tipos e como fazer?
Como calcular as ações em circulação?
A conta é bastante simples. Você precisa de duas informações:
Ações em Circulação = Total de Ações Emitidas – Ações em Tesouraria
As ações emitidas são todas as ações que a empresa já vendeu para investidores desde a sua fundação. As ações em tesouraria são aquelas que a empresa recomprou e guardou no seu caixa. Ao fazer essa subtração, temos o número exato de ações em poder do público.
Média ponderada de ações em circulação
Como o número de ações em circulação pode variar durante o ano, as empresas usam um cálculo de média ponderada para relatar seus resultados, principalmente o lucro por ação. Isso evita distorções.
Imagine que uma empresa teve 100 ações na maior parte do ano e só emitiu mais 20 ações no último mês. Se ela usasse o número final (120) para calcular o lucro por ação do ano todo, o resultado seria menor e injusto.
A média ponderada considera o tempo que cada quantidade de ações esteve ativa, dando um resultado muito mais preciso.
Impacto da recompra e da emissão de ações nas ações em circulação
São dois movimentos opostos que afetam diretamente o valor da sua parte na empresa.
- Recompra de ações: Quando uma empresa recompra ações, ela está reduzindo o número total de ações em circulação. Com menos ações disponíveis, se o lucro total da empresa permanecer o mesmo, o lucro por ação (e, teoricamente, o valor de cada ação) aumenta. É uma forma de a empresa distribuir valor aos acionistas que ficam. Pense nisso como um bolo que será dividido em menos pedaços, então cada pedaço fica maior.
- Emissão de ações: É o processo inverso. A empresa cria e vende novas ações, aumentando o total em circulação. O bolo agora será dividido em mais pedaços. Se o dinheiro arrecadado com a venda dessas novas ações não for usado para aumentar o bolo (os lucros da empresa) na mesma proporção, cada pedaço pode ficar menor. Esse risco é chamado de diluição.
Impacto do desdobramento de ações nas ações em circulação
O desdobramento (split) é um evento puramente cosmético, mas que pode ter efeitos práticos. A empresa simplesmente multiplica o número de ações que cada acionista possui. Num split de 2 por 1, você ganha uma ação extra para cada ação que tinha, e o preço da ação cai pela metade. O número de ações em circulação dobra, mas o valor total do seu investimento e o valor da empresa permanecem exatamente iguais. O objetivo é geralmente tornar o preço da ação mais atraente para pequenos investidores. No agrupamento (inplit), ocorre o contrário: as ações são combinadas, o número total cai e o preço sobe.
Vantagens e riscos das ações em circulação
Vantagens
Para o investidor, a principal vantagem é a liquidez. Um número grande de ações em circulação geralmente significa mais negócios sendo feitos diariamente, facilitando comprar e vender sem grandes sustos no preço. Acompanhar a evolução desse número ajuda a entender se a administração está amiga do acionista (recomprando ações) ou não (emitindo excessivamente).
Riscos
O risco número um é a diluição. Uma empresa que constantemente emite novas ações pode estar destruindo o valor para os acionistas existentes.
Outro risco é a volatilidade em empresas com poucas ações em circulação disponíveis para negociação (o chamado free float baixo), onde poucas negociações já podem causar grandes oscilações no preço.
Diferença entre ações em circulação e ações emitidas
É uma diferença sutil, mas importante. Ações emitidas são um número histórico: é a quantidade total de ações que a empresa já emitiu e vendeu desde sua fundação. Ações em circulação são um número atual: é a quantidade dessas ações emitidas que ainda está nas mãos dos investidores.
A diferença entre eles são as ações que a empresa recomprou (tesouraria). Portanto, “emitidas” olha para o passado; “em circulação” olha para o presente.
Diferença entre ações em circulação e ações autorizadas
Ações autorizadas são o limite máximo de ações que a empresa pode emitir, como definido no seu contrato social. É um limite legal.
Pense como o número de convidados que a empresa pode chamar para a festa. As ações em circulação são os convidados que realmente estão na festa.
A empresa pode nunca usar todo o seu limite de ações autorizadas. Se precisar de mais espaço, precisa pedir autorização aos acionistas para aumentar o número de ações autorizadas.
Influência das ações em circulação para os investidores
Para o investidor, saber o número de ações em circulação é essencial para calcular o preço que está pagando. É o denominador de praticamente todos os múltiplos de avaliação, como o preço sobre lucro (P/L) ou o valor patrimonial por ação.
Além disso, a tendência desse número ao longo dos anos revela muito sobre a estratégia da empresa: empresas que recorrem a emissões frequentes podem estar com dificuldades de gerar caixa, enquanto empresas que recompram ações consistentemente sinalizam confiança e foco no acionista.
Entenda: Controle acionário: o que é, tipos e importância
Importância das ações em circulação
Em essência, as ações em circulação são o “denominador comum” da análise de investimentos em ações. Ignorar esse número é como tentar avaliar o tamanho de uma pizza sem saber em quantas fatias ela foi cortada.
Ele é a base para saber se uma ação está cara ou barata, para medir a rentabilidade da empresa por ação e para entender como as decisões da diretoria impactam diretamente o bolso de quem é, de fato, o dono do negócio: você, acionista.
Veja mais: Como analisar ações de maneira simples e rápida?
Perguntas frequentes:
O que são ações em circulação?
São todas as ações de uma empresa que estão em poder dos acionistas no momento. Isso inclui as ações com você, com os fundos de investimento e com os fundadores, mas exclui as ações que a própria empresa já recomprou.
Como os desdobramentos de ações afetam o número de ações em circulação?
Eles aumentam (no caso do split) ou diminuem (no caso do inplit) o número de ações em circulação de forma proporcional, sem alterar o valor total do investimento de cada acionista. É como trocar uma nota de R$ 100 por duas de R$ 50: você continua com os mesmos R$ 100.
Diferença entre ações em circulação e ações emitidas?
As ações emitidas são o total de ações que a empresa já vendeu em toda a sua história. As ações em circulação são o total de ações emitidas que ainda estão nas mãos dos investidores, ou seja, que não foram recompradas e mantidas pela empresa.
Leia também: Controle acionário: o que é, tipos e importância
Fontes: Eqvista, Navi, Corporate Finance Institute, Investopedia, Itse, Bank Rate, Career Principles, Rankia, Finance Yahoo.