11 de setembro de 2026 - por Sidemar Castro
O Nível 1 da B3 é um segmento especial de listagem que exige que as empresas adotem práticas de governança corporativa mais transparentes, indo além do que é exigido por lei.
As companhias neste nível devem manter um free float de pelo menos 25% do capital e se comprometem com melhorias na divulgação de informações ao mercado, como a publicação de um calendário anual de eventos corporativos e demonstrações financeiras trimestrais mais detalhadas.
Quer entender melhor? Continue a ler e se informe no artigo a seguir.
Veja também B3: qual é a história e como funciona a bolsa de valores do Brasil?
O que é o Nível 1 da B3?
O Nível 1 da B3 é uma categoria voluntária de governança corporativa para empresas listadas na Bolsa.
Ao aderir a esse segmento, a companhia assume compromissos de transparência e de tornar mais acessíveis aos investidores informações importantes sobre sua gestão e controle. Isso inclui manter um certo nível de liquidez no mercado, com ações disponíveis para negociação, divulgar eventos corporativos, e prestar contas com mais rigor.
Para muitos investidores, isso traz um sinal de credibilidade, a empresa demonstra que está disposta a caminhar dentro de padrões de responsabilidade e clareza.
Quais são os objetivos do Nível 1?
Quando uma empresa decide se listar no Nível 1, ela está dizendo ao mercado que valoriza a confiança dos investidores.
Esse segmento busca equilibrar transparência e flexibilidade, exigindo práticas adicionais de governança, como a presença de conselheiros independentes e regras de proteção aos acionistas minoritários.
O objetivo é dar mais segurança a quem investe e, ao mesmo tempo, abrir espaço para que a companhia cresça com credibilidade. É como um primeiro passo rumo a padrões mais elevados de governança, sem a rigidez do Novo Mercado.
Características das empresas do Nível 1?
1) Transparência reforçada
As companhias do Nível 1 se comprometem a divulgar mais informações do que o mínimo legal, o que ajuda investidores a tomar decisões mais seguras.
2) Ações em circulação
É necessário manter uma fatia das ações negociadas no mercado, evitando concentração excessiva e estimulando a liquidez.
3) Estrutura de governança
O conselho de administração deve ter membros independentes, garantindo que nem todas as decisões fiquem nas mãos dos controladores.
4) Proteção aos minoritários
O direito de Tag Along assegura que os pequenos investidores não fiquem desprotegidos em caso de mudança de controle.
5) Flexibilidade operacional
Diferente do Novo Mercado, o Nível 1 não exige regras tão rígidas, permitindo que empresas em diferentes estágios de maturidade participem.
Leia mais: Bolsa de valores para iniciantes – Termos básicos e dicas para investir
Como funciona o Nível 1?
Para uma empresa entrar no Nível 1, ela se compromete a seguir um regulamento específico que vai além da legislação padrão.
As regras não são as mais rígidas da bolsa, mas são um salto em relação ao segmento tradicional. Basicamente, a empresa assume o compromisso de ter uma maior transparência na divulgação de informações e uma preocupação em proteger os direitos dos acionistas minoritários, como garantir aquele tag along de 80% para as ações ON que mencionamos.
Além disso, a empresa tem de manter um número mínimo de ações circulando, o chamado “free float”, com 20% do capital social. Assim, a vantagem para ela é que isso sinalize com “boa governança”, o que atrai ainda mais investidores.
Portanto, isso pode aumentar a liquidez e valorização das ações da empresa no mercado. Os investidores costumam confiar mais nas empresas administradas com transparência e ética.
Quais empresas fazem parte da Nível 1 do segmento de listagem da B3?
A composição do Nível 1 pode sofrer alterações com o tempo, conforme novas empresas se qualificam ou outras migram para segmentos diferentes, como o Novo Mercado. Atualmente, as empresas que fazem parte deste segmento são:
- Aeris
- Aliansce Sonae
- Alliar
- Arezzo
- CVC Brasil
- Dimed
- Eztec
- Fleury
- Hapvida
- Helbor
- Iochpe-Maxion
- JHSF
- Linx
- Log-in
- Lopes
- M. Dias Branco
- Marcopolo
- Multiplan
- Odontoprev
- Omega Geração
- PetroRio
- Qualicorp
- RaiaDrogasil
- Rumo
- São Martinho
- Simpar
- Trisul
- Vibra
Nota: É sempre recomendável consultar o site oficial da B3 para confirmar a lista mais atual, pois ela está sujeita a mudanças.
Saiba mais: Ações de primeira linha: o que são e como funcionam
Como investir em empresas do Nível 1?
Suponha que você queira entrar no mercado de ações sem assumir altos riscos de desinformação. Nesse caso, empresas listadas no Nível 1 da B3 aparecem como candidatas interessantes: elas se comprometem a publicar informações além do mínimo exigido, como calendário de eventos corporativos, transparência nas negociações e dados regulares sobre finanças.
Para investir nelas, basta abrir conta em uma corretora, buscar ações de empresas Nível 1, e avaliar se elas têm bom free-float, ou seja, se uma parcela considerável das ações está em circulação e não concentrada nas mãos de poucos. Essa liquidez ajuda na negociação e dá certa confiança.
Depois de selecionar as ações, acompanhe os resultados da empresa, sua governança, divulgações periódicas, porque, estar no Nível 1 não elimina todos os riscos. Mas é um bom filtro de seleção: empresas com esse perfil tendem a ser mais comprometidas com transparência, o que pode fazer diferença no longo prazo.
Outros segmentos de listagem da B3
1) Novo Mercado
O Novo Mercado é visto como o ápice da governança corporativa. Empresas que entram nele mostram ao mercado que estão comprometidas com práticas sólidas e transparentes. É onde os investidores encontram maior segurança e igualdade de direitos.
2) Nível 2
Esse segmento é como uma ponte entre a flexibilidade e a proteção. Ele permite ações preferenciais, mas garante que elas tenham voz em momentos decisivos. Para quem investe, é uma camada extra de confiança.
3) Bovespa Mais
Criado para empresas em crescimento, o Bovespa Mais oferece tempo e espaço para amadurecer antes de encarar o mercado de forma plena. É uma vitrine que ajuda negócios menores a ganhar visibilidade e credibilidade.
4) Bovespa Mais Nível 2
Aqui, a proposta é semelhante ao Bovespa Mais, mas com um diferencial: maior proteção aos acionistas por meio do direito de voto em situações críticas. É como dar mais poder de decisão a quem aposta na empresa desde cedo.
Leia também: Mercado de ações: o que é, como funciona e como investir?