Ações de primeira linha: o que são, características, exemplos

Ações de primeira linha são papéis de empresas grandes, sólidas e líderes em seus setores. Entenda o que são, características e exemplos.

27 de julho de 2021 - por Sidemar Castro


Ações de primeira linha, também conhecidas como blue chips, são os papéis de empresas gigantes, sólidas e líderes em seus mercados. Elas têm altíssimo volume de negociação na bolsa, o que significa que é muito fácil comprar ou vender esses ativos a qualquer momento, sem alterar radicalmente o preço do papel, algo fundamental para quem busca agilidade e previsibilidade na hora de gerir seu patrimônio.

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia. Conheça suas características e exemplos.

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O que são ações de primeira linha?

Em poucas palavras, são ações de empresas de grande porte, super conhecidas e muito bem estabelecidas no mercado. Elas se destacam pela facilidade de negociação (alta liquidez) e por dominarem boa parte dos seus setores. O termo blue chip, aliás, veio direto das mesas de poker, onde as fichas azuis são as mais valiosas do jogo.

Essas companhias não estão no topo por acaso: elas têm um histórico de resultados consistentes, marcas fortes e uma capacidade incrível de atravessar crises econômicas sem perder o rumo. Não é exagero dizer que elas formam a verdadeira espinha dorsal da nossa economia e da bolsa de valores.

Como funcionam e quais são as características das ações de primeira linha?

Na prática, não tem mistério: você negocia uma ação de primeira linha no pregão da bolsa exatamente da mesma forma que qualquer outro papel, seja pelo aplicativo da sua corretora ou pelo home broker.

Ao comprar a ação, você se torna sócio daquela empresa e pode lucrar de duas formas: com a valorização do preço do papel ao longo do tempo ou recebendo uma fatia dos lucros da companhia (os famosos dividendos e juros sobre capital próprio, o JCP). O que realmente coloca essas ações em uma categoria à parte são as características das empresas por trás delas.

De modo geral, são gigantes do mercado que movimentam cifras bilionárias diariamente. Elas contam com uma posição competitiva invejável, com marcas consolidadas e barreiras que dificultam a vida dos concorrentes, além de uma geração de caixa invejável e constante.

Para completar a lista, costumam ter uma gestão transparente e bem estruturada (governança corporativa), peso de sobra em índices importantes (como o Ibovespa no Brasil ou o S&P 500 nos EUA) e balançam bem menos com as oscilações do mercado do que as empresas menores (small caps).

Exemplos de ações de primeira linha

Se olharmos para a B3, a bolsa brasileira, os exemplos mais clássicos são nomes que você provavelmente ouve todos os dias: Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Ambev (ABEV3).

Elas ganharam esse status pelo tamanho astronômico, pelo impacto direto que têm no nosso PIB, pela facilidade de negociar suas ações a qualquer momento e pelo forte interesse de investidores do mundo inteiro.

Já no cenário internacional, especialmente nos Estados Unidos, temos multinacionais que fazem parte do nosso dia a dia, como Apple (AAPL), Coca-Cola (KO), Microsoft (MSFT) e JPMorgan Chase (JPM). São as clássicas blue chips globais, presentes na rotina de bilhões de pessoas pelo planeta.

Vantagens e desvantagens das ações de primeira linha

Colocar ações de primeira linha na carteira traz vantagens bem claras. A principal delas é a combinação de altíssima liquidez com uma estabilidade maior em relação ao resto do mercado.

Como são papéis muito procurados, você entra e sai de uma posição com extrema facilidade, o que garante que seu dinheiro não vai ficar “encalhado”.

Além disso, por serem negócios maduros e que geram lucros previsíveis, muitas dessas companhias são excelentes pagadoras de dividendos, repassando proventos com bastante regularidade aos seus acionistas.

Mas nem tudo são flores, e é preciso ter atenção. Maior estabilidade não significa risco zero, e tampouco promessa de lucros multiplicados da noite para o dia. Como essas empresas já são gigantescas, elas simplesmente não têm tanto espaço para crescer em ritmo acelerado como uma startup ou uma empresa novata.

Outro ponto é que, mesmo sendo gigantes, elas continuam expostas aos solavancos da economia global, concorrência acirrada, eventuais erros de gestão e, no caso das estatais, a reviravoltas políticas e regulatórias.

Como investir em ações de primeira linha?

O processo para começar é bem simples. Você só precisa ter conta em uma instituição financeira credenciada na B3, como uma corretora de valores ou um banco de investimentos.

Com a conta aberta e o saldo transferido (via PIX ou TED), basta buscar pelo código da empresa (o ticker) no aplicativo ou home broker e emitir sua ordem de compra. Se você não quiser ou não puder comprar o lote padrão (que costuma vir com 100 ações), dá para recorrer ao mercado fracionário sem problemas. É só adicionar a letra “F” ao final do código (por exemplo, ITUB4F) para comprar unidades avulsas.

Mas atenção: não escolha uma ação só porque a empresa é famosa ou gigante. Vale a pena dar uma olhada nos fundamentos do negócio, analisando pontos como:

  • Histórico de lucros e resultados passados.
  • Nível de endividamento (olhando a relação Dívida Líquida/EBITDA).
  • Capacidade de geração de caixa livre.
  • Tendências e perspectivas do setor onde ela atua.
  • Política de dividendos e o indicador de Dividend Yield.
  • Preço do ativo (Valuation), observando múltiplos conhecidos como P/L e P/VP para ver se a ação não está cara demais.

E claro: não coloque todos os ovos na mesma cesta. Diversificar entre diferentes setores (bancos, mineração, consumo, energia) é a melhor forma de proteger seu patrimônio contra surpresas em uma única empresa.

Diferenças entre ações de primeira linha e ações de segunda linha

Enquanto as ações de primeira linha (blue chips) vêm de gigantes consolidadas, com gestão impecável, lucros previsíveis e volume monstruoso de negócios, as ações de segunda linha (mid caps ou small caps) são emitidas por empresas de médio e pequeno porte.

Por movimentarem volumes menores de dinheiro, as ações de segunda linha costumam oscilar muito mais. A grande vantagem é que elas têm um potencial de crescimento muito maior, afinal, é bem mais fácil para uma empresa média dobrar de tamanho do que para um gigante consolidado.

Em contrapartida, o risco operacional é maior e pode ser mais difícil vender seus papéis rapidamente se você precisar do dinheiro. No fim das contas, a diferença se resume ao porte da empresa, à liquidez, à consistência dos resultados e ao balanço entre o risco que você aceita correr e o retorno que busca.

É seguro investir em ações de primeira linha?

Sendo direto: é relativamente mais seguro do que investir em empresas pequenas ou em crise financeira, mas não existe risco zero na bolsa de valores. Por mais gigante que seja a empresa, toda ação é um ativo de renda variável e seu preço vai oscilar diariamente.

Mesmo negócios centenários podem sofrer com decisões ruins da diretoria, mudanças drásticas nas leis, crises globais, quedas no preço das commodities ou simplesmente verem seus modelos de negócios superados por novas tecnologias. Por isso, por mais “inquebrável” que uma empresa pareça, avalie os riscos criticamente e nunca concentre todo o seu patrimônio em poucas companhias.

Importância das ações de primeira linha

As blue chips são verdadeiros pilares do mercado financeiro. Por movimentarem rios de dinheiro e representarem a maior fatia de índices como o Ibovespa e o S&P 500, o desempenho dessas ações tem força suficiente para ditar o rumo de todo o mercado, puxando a bolsa para cima ou para baixo.

Para quem investe focado no longo prazo, ter essas ações é uma das formas mais inteligentes de construir uma carteira sólida, diversificada e geradora de renda. Elas costumam ser o ponto de partida ideal para quem busca o melhor dos dois mundos: a segurança de empresas gigantes, a facilidade de resgatar o dinheiro rapidamente e a entrada constante de dividendos.

Só não se esqueça: antes de apertar o botão de compra, avalie se o preço atual está justo, se os fundamentos da empresa continuam bons e se o investimento realmente combina com o seu perfil de risco.

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