20 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
O Constant Proportion Portfolio Insurance (CPPI) é uma estratégia de gestão de investimentos que combina ativos de risco com ativos mais seguros para equilibrar rentabilidade e proteção. O investidor define um piso para o valor mínimo do portfólio e ajusta a alocação dos ativos com base nesse limite.
A proporção de cada depende do colchão financeiro (diferença entre o valor atual e o mínimo definido) e de um multiplicador, que indica o nível de ousadia da estratégia: ou seja, quanto maior, mais risco assumido.
O objetivo? Aproveitar oportunidades de lucro sem abrir mão da proteção. Quer explorar como aplicar isso nos seus investimentos? Continue a leitura e saberá.
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O que é Constant Proportion Portfolio Insurance-CPPI?
A Constant Proportion Portfolio Insurance, ou CPPI, é uma estratégia de investimento que busca o melhor dos dois mundos: participar dos ganhos do mercado de ações, que pode ser bastante volátil, ao mesmo tempo em que protege o capital de grandes perdas. Basicamente, ela funciona como um “seguro” para o seu portfólio.
Como ela faz isso? A ideia central é manter um equilíbrio dinâmico entre dois tipos de ativos: um ativo de risco (como ações, que têm potencial de alta, mas também de queda) e um ativo livre de risco (como títulos do Tesouro, que oferecem mais segurança).
Primeiramente, o investidor define um “piso” para o seu capital, ou seja, um valor mínimo abaixo do qual ele não quer que o portfólio caia. A partir daí, a estratégia calcula a quantia que pode ser investida no ativo de risco. Essa quantia é determinada por um “colchão” (a diferença entre o valor atual do portfólio e o piso) multiplicado por um “multiplicador”.
Assim, se o mercado estiver em alta e o valor do portfólio subir, o colchão aumenta. Consequentemente, uma parte maior do capital é realocada para o ativo de risco, aproveitando os ganhos.
Por outro lado, se o mercado começar a cair e o valor do portfólio se aproximar do piso, a estratégia automaticamente diminui a exposição ao risco, realocando o dinheiro para o ativo mais seguro. No limite, se o portfólio atingir o piso, todo o capital é transferido para o ativo livre de risco, garantindo a proteção.
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Para que serve o CPPI?
O CPPI serve para equilibrar segurança e crescimento nos investimentos. Ele ajusta automaticamente a alocação entre ativos de risco e seguros, garantindo que o investidor aproveite oportunidades sem comprometer um valor mínimo definido.
Assim, mesmo em momentos de queda no mercado, há uma proteção contra perdas significativas, enquanto ainda há espaço para ganhos quando as condições melhoram. Em outras palavras, é uma estratégia que busca rentabilidade sem abrir mão da segurança.
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Como o CPPI funciona?
O CPPI funciona a partir de duas decisões fundamentais que o investidor precisa tomar
Para começar, temos o piso, também chamado de “colchão de segurança”. Ele é o valor mínimo que o investidor quer manter protegido, independentemente do que aconteça no mercado. Sendo assim, essa parte do capital é alocada em investimentos mais conservadores, como forma de garantir uma base segura.
Vamos para a outra decisão, que é o multiplicador, depois de definido o piso. Nesse caso, o restante do capital disponível pode ser direcionado a investimentos com maior potencial de retorno. Assim, consequentemente, mais risco!
Afinal, o multiplicador é justamente o número que determina o quanto esse valor pode ser alavancado. Quanto maior ele for, mais agressiva será a estratégia de alocação nos ativos de risco.
Com essas duas definições em mãos, o investidor distribui os recursos entre duas principais classes de ativos: a parte segura geralmente vai para títulos do Tesouro, que oferecem previsibilidade e baixo risco. Já o montante voltado ao crescimento é, em sua maior parte, aplicado em renda variável, especialmente em ações.
Exemplo de CPPI
Imagine que um investidor tenha R$ 100 mil e quer aplicar esse valor usando a estratégia CPPI. Ele decide que não quer, de jeito nenhum, terminar com menos de R$ 80 mil. Esse valor será o piso ou seja, o montante que ele quer proteger.
Com isso, ele tem R$ 20 mil de “colchão” (R$ 100 mil – R$ 80 mil). Agora, ele escolhe um multiplicador de 3. Isso quer dizer que ele pode investir 3 vezes o valor do colchão em ativos de risco.
Viu como é fácil? Vamos ver como isso funciona na prática, de maneira ainda mais detalhada:
- Piso: R$ 80 mil (investido em um ativo seguro, como um título do Tesouro).
- Colchão: R$ 20 mil.
- Multiplicador: 3.
- Alocação em risco: R$ 20 mil × 3 = R$ 60 mil.
Então, dos R$ 100 mil:
- R$ 60 mil vão para ativos mais arriscados, como ações.
- R$ 40 mil ficam em ativos conservadores (para manter o piso de segurança).
Tudo claro até aqui? Eu disse que era fácil. Mas, continuemos:
À medida que o valor total da carteira muda (para cima ou para baixo), essa proporção é recalculada. Se o mercado subir, o colchão cresce e, com ele, a parcela que pode ser colocada em risco aumenta. Se o mercado cair, a exposição ao risco diminui automaticamente para preservar o piso.
Então, percebeu como esse tipo de estratégia é dinâmico e pode ajustar a alocação de acordo com o desempenho da carteira? Assim, protegendo o investidor de perdas excessivas, mas ainda permitindo aproveitar boas oportunidades de retorno!
Efeitos do CPPI
A estratégia CPPI apresenta efeitos que merecem atenção, principalmente quando se observa o lado dos riscos e limitações.
Você pode perguntar: existe risco de não garantir o piso de rentabilidade?
E a resposta é: sim, existe. Apesar de sua proposta de proteger o capital até um determinado piso, o CPPI não assegura de fato esse limite em situações extremas. Quando ocorrem movimentos bruscos nos preços dos ativos de risco, o valor da carteira pode cair abaixo do piso estabelecido, resultando em perdas maiores do que o esperado.
Esse fenômeno, conhecido como “gap risk”, é especialmente relevante em períodos de alta volatilidade, quando o portfólio não consegue ser rebalanceado a tempo para evitar a quebra do limite mínimo.
Você também pode perguntar: isso significa um aumento dos custos de transação?
E a resposta é, novamente, positiva. O método exige rebalanceamentos frequentes do portfólio para manter a proporção entre ativos de risco e conservadores. Essa necessidade constante de ajustes gera custos de transação elevados, que podem corroer parte relevante dos retornos do investimento ao longo do tempo. Quanto maior a frequência de rebalanceamento, maior o impacto desses custos.
O CPPI tende a reduzir a exposição aos ativos de risco justamente quando seus preços caem, aumentando a pressão vendedora no mercado. Em cenários de adoção massiva dessa estratégia, esse efeito pode retroalimentar as quedas, agravando movimentos de baixa e provocando perdas expressivas que não necessariamente refletem os fundamentos dos ativos.
Limitações de ganhos e complexidade operacional
Ao proteger o portfólio contra perdas, o CPPI também impõe um teto ao potencial de valorização em mercados em alta. A estratégia exige que o investidor aumente a exposição apenas quando os preços já subiram, o que pode limitar os ganhos em relação a uma abordagem mais passiva, como o “buy and hold”.
Por trás do CPPI existe uma lógica matemática sofisticada, que pode dificultar sua implementação para investidores menos experientes. O entendimento dos parâmetros e dos riscos envolvidos é fundamental, e qualquer erro de modelagem pode resultar em perdas inesperadas, especialmente diante de eventos de mercado imprevisíveis.
O que ocorre com o prejuízo do CPPI?
Vamos fazer um exercício de imaginação, mas analisando de modo prático. Suponha que o mercado entre em um período de maior instabilidade e o valor da carteira, que era de R$ 1.000, caia para R$ 900. Assim, isso significa que a margem entre o valor atual e o piso (vamos considerar R$ 700 como piso) ficou mais apertada: agora o colchão é de apenas R$ 200.
Com um multiplicador de 2, o investidor poderia alocar até R$ 400 (R$ 200 × 2) em ativos de risco. O restante, R$ 500, ficaria em aplicações conservadoras, justamente para proteger o piso.
Agora, imagine que o cenário piore ainda mais e o valor total do portfólio chegue aos R$ 700. Ou seja, exatamente o limite que o investidor definiu como o valor mínimo que quer preservar. Nesse caso, o CPPI automaticamente zera a exposição à renda variável. Todo o dinheiro é movido para ativos seguros, como títulos públicos, com o objetivo de impedir perdas adicionais.
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Fontes: Mais Retorno, Investopedia, Smart Asset e Proeducacional.