Fundos de inflação: o que são, como funcionam e valem a pena?

Os fundos de inflação servem como uma forma de se proteger quando a Selic está baixa e a inflação afeta o poder de compra. Saiba mais.

14 de dezembro de 2020 - por Sidemar Castro


Os fundos de inflação são um tipo de fundo de investimento, cujo objetivo é investir nos mesmos ativos que compõem a carteira do índice inflacionário, o IMA-B.

Saiba mais sobre os fundos de inflação, o que são, como funcionam e se valem a pena na matéria a seguir.

O que são fundos de inflação?

Os fundos de inflação são conhecidos como Fundos IMA-B ou Fundos de Renda Fixa de Índice. Isso porque, o intuito desse tipo de fundo é aplicar nos títulos que compõem a carteira do índice inflacionário, IMA-B.

Esses fundos podem ainda buscar superar o IMA-B 5 ou o IMA-B 5+. Com isso, ele pode ter características de prazo mais curto ou mais longo para a carteira.

Vale destacar que, apesar de ser caracterizado como um fundo de renda fixa, ele pode passar por oscilações.

Quando investir em fundos de inflação?

A melhor hora para investir em fundos de inflação, é quando a taxa de juros está alta. Isso porque, quando a taxa baixar, você pode aproveitar toda a valorização da inflação e lucrar.

Contudo, enxergar o melhor momento para fazer a aplicação é bem difícil. Por isso, o ideal é montar uma carteira bem diversificada de acordo com o seu perfil de investidor.

Porém, se você quer arriscar acertar o timming perfeito para investir, a regra geral você já conhece:

  • Compensa aplicar em fundos de inflação e lucrar com a queda na taxa de juros e alta da inflação.
  • Se você esperar uma alta da taxa Selic, não conte com o dinheiro no curto prazo se optar por aplicar nesses fundos.

Lembrando que a taxa Selic é usada pelo governo como uma ferramenta de controle da inflação. Sendo assim, se você for esperar uma alta na inflação, lembre-se que depois virá uma alta na taxa de juros.

Como a inflação afeta os fundos de investimentos?

A inflação afeta os fundos de investimentos de várias maneiras. Primeiramente, ela reduz o poder de compra, o que significa que o retorno real dos investimentos pode ser menor do que o retorno nominal. Por exemplo, se um fundo de investimento rendeu 7% ao ano, mas a inflação foi de 5%, o ganho real é apenas de 2%.

Além disso, a inflação pode aumentar os custos de produção para as empresas, o que pode afetar negativamente os preços das ações e, consequentemente, a rentabilidade dos fundos de investimento que possuem ações. No entanto, alguns fundos de investimento são projetados para proteger contra a inflação, investindo em ativos como títulos públicos indexados à inflação e imóveis.

Portanto, entender como a inflação impacta os investimentos é crucial para ajustar estratégias e proteger o portfólio contra perdas potenciais.

Como funcionam os fundos de inflação?

Rentabilidade

Os fundos de inflação têm como objetivo principal preservar o poder de compra do investidor, atrelando seus rendimentos a índices de inflação, como o IPCA. Assim, isso significa que, ao investir nesses fundos, você pode esperar uma rentabilidade que busca superar a inflação.

A rentabilidade desses fundos é geralmente comparável à de títulos híbridos, como o Tesouro IPCA+, e pode oferecer ganhos reais positivos.

Além disso, a rentabilidade dos fundos de inflação pode oscilar com base nas expectativas de mercado e nas taxas de juros. Quando as taxas de juros caem, os preços dos títulos tendem a subir, o que pode beneficiar os investidores.

Taxas e impostos

Os fundos de inflação normalmente cobram uma taxa de administração, que varia entre 0,5% e 2% do valor investido. Essa taxa é destinada a cobrir os custos operacionais do fundo e a remuneração do gestor.

Além disso, alguns fundos podem cobrar taxa de performance se superarem um determinado benchmark.

Quanto aos impostos, os lucros obtidos nos fundos de inflação estão sujeitos ao Imposto de Renda (IR), que segue uma tabela regressiva. As alíquotas são as seguintes:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%.

É importante notar que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode ser aplicado se o resgate ocorrer em menos de 30 dias após o investimento. Portanto, ao escolher um fundo de inflação, considere tanto as taxas quanto a carga tributária para avaliar sua viabilidade como investimento.

Quais são as vantagens dos fundos de inflação?

Os fundos de inflação têm várias vantagens que podem ser interessantes para quem deseja proteger o poder de compra do dinheiro. Aqui estão os principais benefícios, explicados de forma simples:

1) Proteção contra a inflação

Esses fundos acompanham índices de preços, como o IPCA ou o IGP-M. Ou seja, isso significa que eles ajudam seu dinheiro a não perder valor ao longo do tempo, já que os rendimentos geralmente acompanham a alta dos preços.

2) Rendimentos consistentes

Fundos de inflação combinam uma taxa fixa de juros com a variação da inflação. Assim, mesmo em períodos de alta ou baixa inflação, você tem uma previsibilidade maior sobre seus ganhos.

3) Diversificação da carteira

Investir em fundos de inflação é uma ótima maneira de diversificar. Eles funcionam bem em momentos de alta inflação ou incerteza econômica, equilibrando os riscos de outros investimentos.

4) Indicado para o longo prazo

Com o tempo, os efeitos da inflação são mais perceptíveis. Por isso, esses fundos são ideais para quem tem objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou compra de um imóvel.

5) Gestão profissional

Os fundos de inflação são geridos por profissionais experientes. Sendo assim, isso é uma vantagem para quem não tem tempo ou conhecimento para acompanhar o mercado de perto.

Em resumo, esses fundos oferecem proteção, estabilidade e uma boa alternativa para quem busca segurança no longo prazo. Se você quer proteger seu dinheiro contra a inflação e ainda obter rendimentos atrativos, pode valer a pena considerar essa opção.

E quais são as desvantagens dos fundos de inflação?

Embora os fundos de inflação tenham vantagens, eles também apresentam algumas desvantagens que você deve considerar antes de investir. Aqui estão os principais pontos:

1) Riscos de mercado

Esses fundos investem, em grande parte, em títulos públicos ou privados atrelados à inflação. Se a taxa de juros do mercado sobe, o preço desses títulos pode cair, o que pode gerar perdas no curto prazo.

2) Volatilidade

Apesar de serem mais estáveis no longo prazo, os fundos de inflação podem sofrer oscilações no valor das cotas no curto prazo. Isso ocorre devido às mudanças nas expectativas do mercado sobre a inflação e os juros.

3) Taxas de administração e performance

Alguns fundos cobram taxas altas para gerir o investimento. Assim, isso pode reduzir sua rentabilidade, principalmente em períodos de baixa inflação ou quando os juros estão estáveis.

4) Imposto de Renda

Os rendimentos desses fundos estão sujeitos à cobrança de Imposto de Renda, de acordo com a tabela regressiva. Portanto, isso significa que, quanto menos tempo você deixar o dinheiro investido, maior será o imposto pago.

5) Liquidez limitada

Em alguns casos, o resgate do dinheiro pode não ser imediato. Em outras palavras, a liquidez é limitada, e isso pode dificultar o acesso aos recursos em momentos de necessidade financeira urgente.

6) Sensibilidade ao cenário econômico

Se a inflação cair ou os juros se mantiverem baixos por muito tempo, o retorno desses fundos pode ser menos atrativo em comparação a outras opções de investimento.

Portanto, os fundos de inflação podem ser uma boa escolha para proteger seu patrimônio no longo prazo, mas é importante avaliar os custos, os riscos e o cenário econômico antes de investir. Assim, você evita surpresas desagradáveis e toma decisões mais conscientes.

Fundos de inflação valem a pena?

Fundos de inflação podem valer a pena, dependendo do seu perfil de investidor e dos seus objetivos financeiros. Esses fundos são projetados para proteger o seu dinheiro contra a perda de poder de compra causada pela inflação. Eles investem em ativos que tendem a subir de valor quando a inflação aumenta, como títulos públicos indexados à inflação e imóveis.

Por exemplo, se a inflação subir, os rendimentos desses fundos também tendem a aumentar, ajudando a manter o valor real do seu investimento. No entanto, é importante considerar que esses fundos podem ter taxas de administração mais altas e podem não oferecer retornos tão altos quanto outros tipos de investimentos em períodos de baixa inflação.

Portanto, se você está preocupado com a inflação e quer proteger o seu poder de compra, os fundos de inflação podem ser uma boa opção. Mas, como sempre, é essencial avaliar os custos e comparar com outras alternativas de investimento.

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