19 de janeiro de 2021 - por Sidemar Castro

A estratégia de investimento long e short consiste na compra e venda de ativos de maneira simultânea. A intenção é apostar na alta de um ativo e na baixa de outro.
Geralmente, os ativos escolhidos derivam do mesmo setor de atuação, o que faz com que eles possuam uma performance parecida. Desse modo, a diferença entre o desempenho dos dois ativos são os lucros do investidor.
Apesar de ser uma estratégia que visa altos ganhos, é preciso ter muito cuidado, pois se trata de uma operação de risco. Sendo assim, para pessoas que desejam construir um patrimônio, investir a longo prazo é o mais recomendado. Saiba quais são os riscos.
O que é long & short?
Long & Short (traduzindo do inglês, “longo e curto”) são termos usados no mercado financeiro para descrever duas estratégias de investimento opostas.
Primeiramente, long é uma estratégia onde você compra um ativo com a expectativa de que seu preço irá aumentar. Em outras palavras, você “vai long” quando acredita que a ação ou outro ativo crescerá em valor. Por exemplo, se você comprar ações de uma empresa esperando que elas valorizem, você está em uma posição longa.
Por outro lado, short, em contraste, é uma estratégia que envolve a venda de um ativo que você não possui, com a expectativa de que seu preço cairá. Isso é possível através de um processo chamado venda a descoberto, onde você pega emprestado o ativo e o vende, esperando comprá-lo de volta a um preço mais baixo.
Quando o preço cai, você recompra o ativo, devolve-o ao credor e lucra com a diferença de preço. Portanto, você “vai short” quando acredita que o valor do ativo vai diminuir.
Essas estratégias são geralmente usadas em conjunto em fundos de hedge para equilibrar riscos e oportunidades de lucro. Lembre-se de que ambas as estratégias envolvem riscos e devem ser executadas com cautela.
Como funciona a estratégia long & short?
Como dito anteriormente, o long e short funciona por meio da compra e venda de um ativo ao mesmo tempo.
Porém, não pode ser qualquer ativo, o correto é usar ativos que sejam do mesmo setor e que possuam alguma ligação entre si. Essa medida é necessária pois, em teoria, ativos similares funcionam de maneiras parecidas, como por exemplo, dois bancos ou duas redes de varejo.
Basicamente, o ganho do investidor deriva da diferença de comportamento entre os dois ativos, chamado de spread. Dessa forma, o objetivo é que a ponta comprada tenha um aumento superior à ponta vendida ou vice-versa.
Em relação aos impostos, as operações de long e short são tributadas da mesma maneira que as operações com ações, isto é: nas posições comprada e vendida, o IR é de 15% nas operações de swing trade e em Day Trade é de 20%.
Quais são os tipos de operações long & short?
A estratégia de long e short pode ser realizada em qualquer tipo de ativo na bolsa de valores. Porém, o modelo das operações mais realizadas é:
1) Long short intra-setorial
São usadas ações de duas empresas do mesmo setor. Geralmente, as empresas escolhidas são aquelas que variam de maneira similar. Um exemplo disso seria usar dois bancos, como o Itaú e o Bradesco.
2) Ações ON e PN
Neste segundo tipo de long e short, são usadas ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da mesma empresa. Como o comportamento dos dois tipos de ação é basicamente o mesmo, o risco da operação é diminuído. Entretanto, quanto menor o risco, menor o retorno.
3) Controlada versus controladora
Para finalizar, temos ainda as operações com ações de empresas de capital aberto que controlam outras empresas de capital aberto. Essa proximidade entre empresa controlada e controladora faz com que os ativos tenham uma forte correlação. Isso significa que os riscos são diluídos, contudo, os lucros também são menores.
Quais são as principais estratégias de long & short?
A estratégia de long & short é uma abordagem sofisticada que permite aos investidores lucrar tanto com a valorização quanto com a desvalorização de ativos. Aqui estão algumas das principais estratégias utilizadas:
1) Cointegração
Esta estratégia envolve a análise da relação entre dois ativos para capturar movimentos relativos entre eles. A ideia é identificar pares de ativos que tendem a se mover juntos no longo prazo, mas que estão temporariamente desalinhados.
Ao comprar o ativo subvalorizado e vender o supervalorizado, o investidor pode lucrar quando a relação entre os preços se normaliza.
2) Correlação
A análise de correlação é usada para entender como os ativos se movem em relação uns aos outros.
Investidores buscam pares de ativos com alta correlação, mas que estão em diferentes estágios de valorização ou desvalorização. Assim, isso permite que eles comprem ativos que estão subvalorizados e vendam aqueles que estão supervalorizados, aproveitando as diferenças nos preços.
3) Gráfico Indexado
Nesta abordagem, o preço de um ativo é dividido pelo preço de outro ativo ou índice para criar um gráfico que mostra a relação entre eles. Assim, isso ajuda a identificar divergências ou padrões que podem indicar oportunidades de compra ou venda.
Ao aplicar princípios de análise técnica, os investidores podem decidir quando entrar ou sair de uma posição.
4) Ativo x Índice
Esta estratégia envolve comparar o desempenho de um ativo específico com um índice de mercado.
O objetivo é lucrar com a diferença de desempenho entre o ativo e o índice. Por exemplo, se um ativo está subperformando em relação ao índice, pode ser uma boa oportunidade para comprar, enquanto o índice pode ser usado como referência para vender.
5) Controlada x Controladora
Nesta estratégia, os investidores aproveitam a relação entre empresas controladoras e controladas. Eles compram ações da empresa controlada e vendem ações da controladora, explorando as diferenças nos preços causadas pelas relações entre as empresas.
Essas estratégias permitem que os investidores sejam mais flexíveis e eficazes no mercado, mas exigem uma análise cuidadosa e experiência para serem bem-sucedidas.
Quais são os riscos da estratégia long & short?
A estratégia Long & Short, embora ofereça a possibilidade de lucrar em diferentes condições de mercado, também apresenta vários riscos que os investidores devem considerar. Aqui estão alguns dos principais riscos associados a essa estratégia:
1) Risco de Avaliação Incorreta
O maior risco é a possibilidade de que as previsões sobre a valorização ou desvalorização dos ativos estejam incorretas. Desse modo, se a posição comprada cair e a posição vendida subir, o investidor enfrentará perdas significativas.
2) Risco de Liquidez
Em mercados com baixa liquidez, pode ser difícil comprar ou vender os ativos ao preço desejado, o que pode afetar negativamente a execução da estratégia e resultar em perdas.
3) Risco de Mercado
Embora a estratégia long & short permita lucrar independentemente da direção do mercado, eventos imprevistos podem impactar negativamente os ativos escolhidos, levando a perdas inesperadas.
4) Custos Operacionais
A estratégia envolve o pagamento de taxas de corretagem e impostos, o que pode reduzir os lucros obtidos. É essencial calcular os custos operacionais para evitar que eles comprometam a rentabilidade da operação.
5) Risco de Margem
Em operações com alavancagem, o risco de margem pode ser significativo. Se a posição vendida subir e a comprada cair, a margem pode se tornar maior que a garantia disponível, exigindo mais capital para cobrir as perdas.
6) Risco Específico dos Ativos
A estratégia long & short reduz o risco sistêmico, mas aumenta o risco específico dos ativos envolvidos. Sendo assim, isso significa que os investidores estão mais expostos a eventos específicos que afetem os ativos escolhidos.
Portanto, para construir um patrimônio sólido, o ideal é analisar detidamente os ativos e comprar visando o longo prazo.
- Leia mais: Entendeu o que é long & short? Então, para escolher as melhores ações e permanecer com elas durante muitos anos, use a Análise Fundamentalista, o que é? Conceitos, cálculos e como aplicar.
Fontes: Capital research, Clear e Suno