24 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro
Os limites de oscilação são um mecanismo de controle de risco que define um valor máximo e mínimo para a cotação de um contrato futuro, impedindo que variações de preço mais severas ocorram sem intervenção.
No mercado de derivativos, quando o preço de um contrato atinge esses limites, não há uma parada na negociação, mas sim uma restrição para que a cotação não ultrapasse esses valores. Quer entender mais? Leia neste artigo!
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O que são os limites de oscilação?
Sabe quando um ativo na bolsa de valores começa a subir ou a cair muito rápido? Para evitar que essa euforia ou pânico causem um estrago maior, a B3, nossa bolsa, usa algo chamado limites de oscilação.
Eles são como “túneis de negociação” que definem a variação máxima permitida para o preço de um ativo num único dia. Se o preço chega perto do teto ou do piso desse túnel, as negociações são suspensas por um tempo.
Essa pausa dá um fôlego para que as pessoas possam reavaliar a situação e evita que decisões impulsionadas pelo calor do momento causem um colapso no mercado. É uma medida de cautela para proteger tanto o investidor quanto a integridade do sistema.
Objetivo dos limites de oscilação da B3
O objetivo principal dos limites de oscilação na B3 é proteger o investidor e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade do mercado.
Suponha que, em um dia de muita tensão, o preço de um ativo começa a despencar sem parar. Essa ferramenta funciona como uma espécie de “alerta” que interrompe as negociações por um tempo, impedindo que o pânico generalizado leve a perdas ainda maiores.
A pausa dá um respiro para que todos possam reavaliar a situação com mais calma, evitando decisões impulsivas e garantindo que o mercado funcione de forma ordenada. É uma medida de segurança pensada para acalmar os ânimos e preservar a integridade das operações.
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Como funcionam os limites de oscilação?
1) Os limites são como uma cerca de proteção
Na prática, ele impede que ordens de compra ou venda sejam registradas fora de uma faixa pré-estabelecida, calculada com base no preço de ajuste do dia anterior. Isso evita que o mercado entre em colapso por conta de movimentos abruptos e descontrolados.
2) Cada contrato tem seu próprio limite
Não existe um valor padrão para todos os ativos. A B3 define limites específicos para cada tipo de contrato, com base no histórico de volatilidade e na margem de garantia exigida. Isso significa que o limite de oscilação do dólar pode ser diferente do limite do milho ou do café.
3) O cálculo parte do preço de ajuste do dia anterior
A referência usada para definir os limites é o preço de ajuste do pregão anterior. A partir dele, a B3 determina até onde o preço pode ir para cima ou para baixo. Se o contrato ultrapassar essa faixa, ele entra em pausa ou vai para leilão.
4) O objetivo é proteger o investidor
Esses limites existem para evitar que decisões impulsivas ou movimentos extremos prejudiquem quem está negociando. Eles ajudam a manter o mercado mais estável, dando tempo para que os participantes analisem melhor as informações antes de continuar operando.
5) Em momentos críticos, os limites podem mudar
Se o mercado estiver muito volátil, a B3 pode ajustar os limites de oscilação. Isso é feito com aviso prévio e tem como objetivo manter a integridade das negociações. Afinal, em tempos de crise, é preciso mais cuidado para evitar prejuízos em cadeia.
Exemplos de limites de oscilação
Os limites de oscilação na B3 são calibrados conforme a volatilidade e a alavancagem de cada contrato.
No caso do boi gordo (BGI), por exemplo, o limite é de 5,75% para cima ou para baixo, o que significa que se o preço de ajuste for R$ 100 por arroba, o intervalo permitido será entre R$ 94,25 e R$ 105,75. Já o milho (CCM) tem uma faixa de 5%, enquanto a soja (SFI) pode variar até 5,5%.
O café arábica (ICF), por ser mais suscetível a variações climáticas e de oferta, tem um limite mais amplo: 9%. Os contratos de dólar (DOL e WDO) operam com 6% de oscilação permitida, e os de índice futuro (IND e WIN) chegam a 10%, refletindo a maior amplitude de movimentos do mercado acionário.
Esses limites não interrompem a negociação, mas impedem que ordens fora da faixa sejam registradas. É um sistema que garante fluidez sem abrir mão da segurança operacional.
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Como são determinados os limites de oscilação?
É a B3 quem determina os limites de oscilação. O cálculo parte de um ponto fixo, que é o preço de ajuste do dia útil anterior.
A partir dele, a bolsa estabelece um percentual específico para cima e para baixo, que são os limites. Para um contrato de mini-dólar, por exemplo, esse percentual costuma ser de 6% sobre o preço de ajuste. Já para o mini-índice, é de 10%.
Esses valores não são fixos para sempre; a B3 tem a prerrogativa de reavaliá-los e alterá-los a qualquer momento, comunicando a mudança aos participantes do mercado. Isso garante que a bolsa possa reagir de forma ágil para proteger a formação de preços e a estabilidade do sistema em caso de eventos extraordinários.
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Onde os limites de oscilação são encontrados?
Os limites de oscilação são definidos pela B3 com base em critérios técnicos e estão disponíveis nos comunicados externos da bolsa, como o Comunicado 009/2020-VPC, que detalha os parâmetros de variação diária para contratos futuros.
Esses limites podem ser consultados diretamente no site da B3, na seção de notícias e documentos regulatórios. Além disso, diversas plataformas oferecem análises e explicações sobre como esses limites são aplicados na prática, incluindo exemplos de contratos e ajustes em cenários de alta volatilidade.
As corretoras também costumam disponibilizar esse tipo de informação em seus canais de atendimento e artigos educativos.
É importante lembrar que os limites podem variar conforme o ativo, a liquidez e o momento do mercado, e que a B3 pode ajustá-los conforme necessário para preservar a integridade das negociações.
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A Bolsa demora quanto tempo para informar sobre as alterações dos limites de oscilação?
A Bolsa (B3) costuma notificar os participantes sobre alterações nos limites de oscilação por meio de comunicado externo, sistema de mensagens (NBC) ou lista de e-mails (Virtual Target).
Depois dessa divulgação, os novos limites só entram em vigor no mínimo 30 minutos após a comunicação feita aos participantes.
Importância dos limites des oscilação
São importantes, porque os limites de oscilação funcionam como uma espécie de “amortecedor” do mercado, impedindo que os preços saltem de forma descontrolada em curto prazo. Eles definem até que ponto um ativo ou contrato pode subir ou descer em relação ao preço de ajuste do dia anterior, quando se ultrapassa esse limite, ofertas fora desses patamares não são aceitas.
Esse mecanismo serve para garantir que a formação de preço seja feita de maneira mais organizada, sem que movimentos abruptos sejam impulsionados por ruídos, pânico ou falhas operacionais.
No mercado futuro, por exemplo, quando o preço atinge o limite de oscilação, a B3 pode avaliar se é necessário expandi-lo, considerando fatores como a origem da variação, o momento do dia ou a proximidade do vencimento.
Além disso, os limites de oscilação protegem investidores, especialmente os que operam alavancados, contra perdas extremas rápidas. Sem essa trava, uma variação excessiva poderia levar a liquidações abruptas, desequilíbrios e prejuízos generalizados. Nesse sentido, eles fazem parte dos mecanismos de mitigação de risco da B3, junto com túneis de negociação, circuit breakers e outras regras de proteção.
Diferenças entre limites de oscilação e circuit breaker
Os limites de oscilação e o circuit breaker são dois mecanismos de proteção do mercado, mas atuam em contextos diferentes.
Os limites de oscilação valem especialmente para contratos futuros e derivativos, definindo faixas máximas de alta e de baixa que os preços não podem ultrapassar, se alguém oferecer um preço que saia desses limites, a ordem é rejeitada. Isso permite que o mercado opere de modo controlado mesmo sob forte volatilidade, sem suspender totalmente as negociações.
Já o circuit breaker é um mecanismo que interrompe temporariamente o pregão de ações quando o índice de referência (no Brasil, o Ibovespa) cai demais, por exemplo, numa queda de 10 %, 15 % ou 20 %.
Durante essa suspensão, não ocorrem negociações, isso dá um “respiro” para que participantes do mercado assimilem o cenário, reajam com mais calma e evitem ações precipitadas.
Outra diferença é que o limitador de oscilação atua unidade por unidade (contratos específicos) e costuma permitir negociações dentro da faixa permitida, enquanto o circuit breaker interrompe todo o mercado de ações ou segmentos inteiros quando o índice geral sofre variações extremas.
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Fontes: B3, Top Invest, BR Advfn, Melver, Clear.