22 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
A balança de pagamentos registra todas as transações econômicas de um país com o mundo, ajudando a entender sua situação financeira. Ela se divide em três partes: conta corrente, que inclui comércio de bens e serviços; conta de capital, que abrange a compra e venda de ativos; e conta financeira, que registra investimentos e empréstimos.
Se um país exporta mais do que importa, tem superávit; se importa mais, enfrenta déficit. Esse registro é fundamental para decisões estratégicas na economia global.
Entenda o que é balança de pagamentos, o que é, como calcular e estrutura
O que é balança de pagamentos?
A balança de pagamentos é um tipo de “relatório financeiro” que mostra tudo o que o país movimentou com o resto do mundo durante um determinado período. Ela registra quanto dinheiro entrou e saiu do Brasil por meio de transações internacionais.
Essas transações não envolvem só dinheiro em si. Elas também incluem compras e vendas de bens e serviços, doações, empréstimos, investimentos, entre outros tipos de operações que conectam o país ao mercado global.
No Brasil, quem organiza e divulga esses dados é o Banco Central, que também é responsável por administrar as reservas internacionais do país. A apresentação da balança de pagamentos é feita todos os anos, mas muitos dos seus dados são atualizados mensalmente, o que permite acompanhar de perto a saúde econômica do país em relação ao exterior.
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Qual a estrutura da balança de pagamentos?
1) Conta Corrente
A conta corrente registra todas as transações relacionadas ao comércio de bens e serviços, rendas e transferências unilaterais entre o país e o resto do mundo. Ela é dividida nas seguintes partes:
- Balança Comercial: aqui entram as exportações e importações de bens físicos, como alimentos, máquinas ou matérias-primas. Quando o país exporta, o valor entra como crédito (dinheiro entrando). Já as importações são registradas como débitos (dinheiro saindo). Tudo é contabilizado pelo valor FOB (ou seja, sem incluir frete e seguro).
- Balança de Serviços: essa parte trata de serviços intangíveis, como transporte, turismo, seguros, serviços financeiros, telecomunicações e até consultorias ou produções culturais. Quando o Brasil presta um serviço para fora, entra como crédito. Quando consome um serviço do exterior, vira débito.
- Renda Primária: inclui rendimentos do trabalho e do capital. Desse modo, isso abrange salários pagos ou recebidos, lucros, dividendos e juros. Se o país paga rendimentos a estrangeiros, é débito. Se recebe, é crédito.
- Renda Secundária (Transferências Unilaterais): envolve transferências que não exigem algo em troca. É o caso de remessas de dinheiro de brasileiros que moram fora para suas famílias, ou ajudas internacionais recebidas. Como não há uma contrapartida direta, tudo aqui é registrado como doação.
O saldo da conta corrente é a soma dessas quatro subcontas e indica o fluxo líquido de recursos entre o país e o mundo.
2) Conta de Capital
A conta corrente é uma das partes mais importantes da balança de pagamentos. Ela registra todas as transações entre o país e o resto do mundo que envolvem bens, serviços, rendas e transferências. Ou seja, mostra como o país ganha e gasta dinheiro com o exterior no dia a dia da economia.
- Transferências de Capital: como doações para investimentos ou perdão de dívidas.
- Conta Financeira: registra os fluxos financeiros relacionados a investimentos diretos, investimentos em carteira, empréstimos, derivativos e reservas internacionais. Aqui entram os investimentos estrangeiros no país e os investimentos do país no exterior, tanto em ações, títulos quanto em outros ativos financeiros.
O saldo da conta corrente é a soma dessas quatro áreas. Ele mostra se o país está enviando mais dinheiro para fora ou recebendo mais recursos do exterior. É um bom termômetro para avaliar como anda o relacionamento econômico do país com o resto do mundo.
3) Erros e Omissões
Essa parte funciona como um “ajuste” da balança de pagamentos. Como nem sempre todos os dados das transações internacionais são registrados corretamente, essa conta compensa eventuais falhas ou discrepâncias na coleta das informações. O objetivo é fazer com que, no fim, as contas fechem e o balanço fique equilibrado.
4) Saldo do Balanço de Pagamentos
O saldo final da balança de pagamentos resulta da soma da conta corrente, da conta de capital e do item de erros e omissões. Ele mostra se o país usou ou acumulou reservas internacionais naquele período. Quando há superávit, o país aumentou suas reservas externas. Quando há déficit, precisou gastar parte delas para equilibrar as contas.
Como calcular a balança de pagamentos?
Calcular a balança de pagamentos é como montar um quebra-cabeça com todas as transações que um país faz com o resto do mundo. Para fechar essa conta, é preciso reunir três grandes peças: a conta corrente, a conta de capital e a conta financeira.
A gente começa pela conta corrente. Nela, entram as exportações e importações de bens e serviços. Basta somar o que o país recebeu com vendas para o exterior e subtrair o que gastou comprando de fora.
Depois, é só incluir os rendimentos (como juros, lucros e salários) e as transferências unilaterais (como doações e remessas de dinheiro de trabalhadores no exterior).
Em seguida, vem a conta de capital, que registra transferências de capital, como perdão de dívidas ou doações feitas para projetos de investimento. Esse valor se soma ao resultado da conta corrente.
Por último, analisamos a conta financeira, onde estão os investimentos que chegam ao país, ou que saem dele, como compra de ações, imóveis, empresas, além de empréstimos e financiamentos.
Ao juntar os saldos dessas três contas, o resultado deve ser zero ou próximo de zero. Isso porque qualquer desequilíbrio (por exemplo, gastar mais do que se ganha com importações) precisa ser compensado de alguma forma, geralmente por meio de entrada de capital externo, como empréstimos ou investimentos.
Então, a fórmula é simples:
Balança de Pagamentos = Conta Corrente + Conta de Capital + Conta Financeira
E esse equilíbrio é essencial para entender se o país está atraindo recursos, se está se endividando ou se está conseguindo manter suas contas externas sob controle.
Como interpretar o resultado da Balança de Pagamentos?
A balança de pagamentos é como um termômetro que mostra, em números, se o país está recebendo ou enviando dinheiro para o exterior. Isto é, ela revela se estamos atraindo recursos financeiros ou perdendo capital para o restante do mundo.
Quando há um superávit, quer dizer que entrou mais dinheiro do que saiu. O que costuma acontecer quando o país exporta mais do que importa ou quando há um volume significativo de investimentos estrangeiros chegando. Com isso, as reservas internacionais crescem, a oferta de moeda estrangeira aumenta e, como consequência, a moeda local tende a se valorizar. Ou seja, o câmbio fica mais barato.
Agora, se a balança apresenta um déficit, é sinal de que mais recursos estão saindo do que entrando. Desse modo, isso pode ocorrer quando importamos mais do que exportamos ou quando há uma fuga de capitais. Nesse cenário, as reservas caem, há menos moeda estrangeira circulando, e a moeda local perde valor, o que deixa o câmbio mais caro.
Por fim, quando a balança não aponta nem superávit nem déficit, dizemos que ela está em equilíbrio. Assim, isso significa que a entrada e saída de recursos ficaram praticamente empatadas, mantendo a saúde financeira do país estável em relação ao mundo.
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Qual a diferença entre balança de pagamentos e balança comercial?
A principal diferença entre balança de pagamentos e balança comercial está no que cada uma registra.
A balança comercial é mais específica: ela acompanha apenas as exportações e importações de bens físicos, como alimentos, carros ou equipamentos. Ou seja, mostra se o país está vendendo mais produtos para o exterior ou comprando mais de fora.
Já a balança de pagamentos tem uma propósito muito mais amplo. Além do comércio de bens, ela também inclui serviços, pagamentos de rendas (como juros e lucros), transferências unilaterais (como remessas de trabalhadores que vivem no exterior) e movimentações de capital, como investimentos, empréstimos e financiamentos.
Por isso, dá para dizer que a balança comercial é apenas uma parte da balança de pagamentos, mais especificamente da chamada conta corrente.
Enquanto a balança comercial oferece um retrato do comércio de produtos, a balança de pagamentos mostra a foto completa das relações econômicas e financeiras do país com o mundo.
Balança de pagamentos do Brasil
Nos últimos meses e anos, a balança de pagamentos do Brasil tem mostrado um cenário de déficit nas transações correntes, resultado de um aumento nas importações e de uma queda no superávit comercial.
Em 2024, o país fechou o ano com um déficit de cerca de US$ 56 bilhões nas contas externas, o equivalente a 2,55% do PIB. Esse número mais que dobrou em relação ao déficit de 2023, que foi de US$ 24,5 bilhões.
O principal motivo por trás dessa piora foi a redução do superávit da balança comercial, que caiu para US$ 66,2 bilhões em 2024 — uma queda de 28,2% na comparação com o ano anterior. Isso aconteceu porque as exportações diminuíram, enquanto as importações aumentaram.
Para se ter uma ideia, em junho de 2024, as exportações somaram US$ 29,3 bilhões (queda de 1,8%), ao passo que as importações cresceram 13,2%, alcançando US$ 23,3 bilhões.
Outro ponto de atenção foi o déficit na conta de serviços, que chegou a US$ 4,1 bilhões em junho. Esse valor foi puxado principalmente por gastos maiores com propriedade intelectual e transporte, mesmo com uma leve queda nas despesas com viagens internacionais.
A renda primária também ficou no vermelho, com déficit de US$ 6,2 bilhões, reflexo do aumento no envio de lucros e dividendos ao exterior, apesar da queda nos gastos com juros.
Por outro lado, nem tudo foi negativo. O Brasil continuou atraindo investimentos diretos estrangeiros, que chegaram a US$ 6,3 bilhões em junho de 2024, mostrando que a confiança dos investidores permanece firme. Além disso, as reservas internacionais aumentaram, atingindo US$ 357,8 bilhões no mesmo mês, o que ajudou a compensar o déficit externo e a manter uma certa estabilidade econômica.
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Importância da balança de pagamentos
A balança de pagamentos é extremamente importante para entender como o país se relaciona economicamente com o resto do mundo. Em termos simples, ela mostra se o Brasil está recebendo mais recursos do que enviando ou se está gastando mais do que arrecada em transações com o exterior.
Primeiro, esse registro permite que o governo acompanhe de perto a entrada e saída de dinheiro, como exportações, importações, investimentos, empréstimos e remessas. Com esses dados em mãos, os gestores públicos conseguem tomar decisões mais acertadas sobre os rumos da economia. Qual seja, como definir a taxa de juros, controlar a inflação ou ajustar as políticas de comércio exterior.
Além disso, a balança de pagamentos tem impacto direto sobre o valor do real. Quando o país exporta bastante ou atrai muitos investimentos, mais dólares entram na economia, o que costuma valorizar a moeda nacional e baratear o câmbio. Por outro lado, se sai mais dinheiro do que entra, o real tende a se desvalorizar, o que pode encarecer as importações e pressionar a inflação.
Por fim, ela também funciona como um indicador da confiança internacional. Um cenário de equilíbrio ou superavit transmite estabilidade e atrai investidores estrangeiros. Já déficits constantes podem acender um alerta, sinalizando riscos e afastando capital de fora.
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Fontes: Suno, Conteúdos XPI e Estratégia Concursos.