Markup: o que é, como calcular, importância

Markup é um índice usado para calcular o preço de venda com base nos custos e na margem de lucro desejada. Entenda sua importância.

1 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro


Markup é um índice usado pelas empresas para ajudar a definir o preço de venda de um produto ou serviço. Ele mostra quanto o valor final está acima do custo de produção e distribuição.

Em outras palavras, o markup indica quanto a empresa precisa adicionar ao custo de um item para obter lucro na hora da venda. Com base nesse cálculo, é possível chegar a um preço que cubra os gastos e ainda gere receita.

Nesse artigo, vamos mergulhar no markup e entender sua importância. Leia!

Leia mais: Custo de produção, o que é? Como funciona, tipos e importância

O que é o markup?

Podemos entender o markup como um medidor da saúde financeira do produto de uma empresa. Ele simplesmente mostra quanto o preço final de venda precisa estar acima do custo básico para cobrir tudo o que sua empresa investe e ainda gerar lucro.

Pense assim: primeiro vem o custo unitário, aquele valor que sai do seu bolso para produzir ou adquirir cada item. Aqui entram desde gastos óbvios, como matéria-prima e mão de obra direta, até aqueles custos silenciosos que muitos esquecem: energia da fábrica, manutenção das máquinas, ou até o aluguel do espaço onde tudo acontece.

Depois, surgem as despesas variáveis, que dançam conforme suas vendas. São como passageiros que entram e saem do barco: impostos que mudam com a região, comissões para sua equipe de vendas, ou fretes que variam conforme a distância. Quanto mais você vende, mais eles aparecem.

Por fim, a margem de lucro, que é a cereja do bolo. Esse é o percentual que você escolhe para respirar tranquilo no fim do mês. Não é um número aleatório: ele considera desde contas fixas (salários, pró-labore) até a percepção de valor do cliente e o que a concorrência está fazendo. É onde sua estratégia ganha vida.

Juntando esses três pilares, o markup surge como um farol: ele ilumina o caminho entre “quanto custa” e “quanto vale”, transformando incerteza em confiança na hora de precificar.

Para que serve o markup?

No dia a dia de qualquer negócio, o markup surge como um aliado silencioso para uma das decisões mais delicadas: quanto cobrar. Ele serve para garantir que o preço do seu produto ou serviço não apenas cubra todos os gastos invisíveis (desde a matéria-prima até a energia da fábrica), mas também deixe um respiro de lucro no final do mês.

Vamos suppor que você calculou que um controle de videogame precisa custar R$ 150,00 para valer a pena. Mas ao olhar a prateleira do concorrente, ele está lá por R$ 145,00. Esse é o momento em que o markup vira seu conselheiro estratégico: ele sinaliza que algo precisa mudar: talvez cortar custos internos, talvez reposicionar seu produto, ou até descobrir como agregar mais valor.

No fundo, essa ferramenta responde às perguntas que tiram o sono do empreendedor:

“Estou cobrando o suficiente para não quebrar?”
“Meu preço respeita o que o cliente está disposto a pagar?”
“Como me diferenciar num mercado disputado?”

É assim que o markup deixa de ser uma fórmula fria e vira uma espécie de bússola, ajudando você a navegar entre a sobrevivência do negócio e a arte de encantar clientes.

Leia também: Gastos, custos, despesas e investimento – Quais as diferenças entre eles?

Como o markup funciona?

O markup funciona ajudando empresas a definirem preços justos em seus produtos ou serviços. Ele também ajuda a equilibrar dois objetivos: cobrir os custos e garantir um lucro adequado, sem perder a competitividade.

Suponha que seu produto seja muito similar ao da concorrência, mas seu preço está significativamente mais alto. Nesse cenário, os clientes provavelmente optarão pela alternativa mais barata. Por isso, encontrar o ponto ideal entre lucratividade e atratividade é fundamental para sobreviver no mercado.

Existem várias formas de definir preços, mas o markup se destaca por ser direto e acessível, especialmente para gestores. Ele parte de um cálculo transparente:

Some todos os custos:

  • Despesas fixas (como aluguel e salários)
  • Custos variáveis (matérias-primas, produção)
  • Gastos com venda (frete, marketing, comissões)

Acrescente a margem de lucro desejada (aquilo que sustenta e faz o negócio crescer). Multiplique esse percentual (Markup) pelo custo total.

Pronto! Você tem o preço de venda.

Uma estratégia de preços bem pensada não só protege sua rentabilidade, como também se torna uma vantagem competitiva. Quando o valor reflete cuidadosamente seus custos e o valor percebido pelo cliente, você cria uma relação de confiança, e isso, no longo prazo, vale mais que qualquer promoção.

Entenda: Diferenças entre rendimento e rentabilidade

Empresas podem utilizar o markup

A resposta curta é: sim, qualquer empresa pode (e deveria!) usar o markup como base para precificar. Ele é como um alicerce seguro, ajuda você a não vender abaixo do custo e a proteger seu negócio de prejuízos invisíveis.

Mas atenção: ele brilha mais em certos cenários. Se você trabalha com produtos mais padronizados, como arroz, parafusos ou material de escritório, o markup é seu melhor amigo.

Nessas situações, onde o preço é fator decisivo e a concorrência é acirrada, ele traz clareza matemática para disputar no campo justo.

Agora, se seu produto é feito sob medida, tem design exclusivo ou carrega um valor emocional (como uma joia artesanal ou um serviço de consultoria premium), o markup ainda é útil, mas não conta toda a história.

Entenda: P/L: o que é, como calcular e analisar o Índice Preço/Lucro?

Quais são os componentes do markup?

Adotar o markup como estratégia de precificação traz uma série de vantagens que podem impactar diretamente os resultados do seu negócio. Veja alguns dos principais benefícios:

1) Custos fixos

São aquelas despesas que a empresa tem mesmo que não venda nada, como aluguel, salários administrativos, internet, energia, entre outros. Esses custos precisam ser considerados no markup para garantir que sejam cobertos nas vendas.

2) Custos variáveis

São os gastos que mudam conforme a quantidade vendida, como matéria-prima, embalagens, comissões e frete. Como eles impactam diretamente o valor de cada produto ou serviço, também entram no cálculo do markup.

3) Despesas comerciais

Incluem os gastos com marketing, divulgação, distribuição e outras ações necessárias para colocar o produto ou serviço no mercado. Essas despesas ajudam a promover a venda e, por isso, precisam estar refletidas no preço final.

4) Margem de lucro desejada

É o percentual de lucro que a empresa espera obter em cada venda. Essa margem é o que vai garantir que, além de cobrir todos os custos, o negócio realmente gere retorno financeiro.

5) Impostos sobre vendas

Dependendo do regime tributário da empresa, os impostos podem impactar bastante o preço. ICMS, PIS, COFINS e outros tributos precisam ser incluídos no cálculo para evitar prejuízos.

Esses componentes, somados e organizados da forma correta, ajudam a empresa a encontrar um preço justo, competitivo e financeiramente sustentável.

Leia: Sustentabilidade financeira: o que é e como aplicar?

Como calcular o markup?

A base do cálculo do markup é uma fórmula representada pelo custo de produção:

Markup = 100/100 – (DF + DV + ML)

Sendo que:

  • DF = despesas fixas
  • DV = despesas variáveis
  • ML = margem de lucro

Além disso, vale lembrar que o número 100 da fórmula representa o preço unitário da venda em porcentagem.

Logo após chegar ao resultado dessa equação, é necessário multiplicar o valor do markup pelo custo de produção. Dessa maneira, é possível obter o preço final do produto.

Para encontrar essa porcentagem, utilize a seguinte fórmula:

Markup (%) = [(Preço de venda – Custo de produção) / Custo de produção)] x 100­

Veja mais: Ponto de equilíbrio contábil: o que é e como calcular

Como o markup ajuda na precificação de produtos e serviços?

O markup ajuda na precificação de produtos e serviços ao oferecer uma forma simples e prática de calcular quanto cobrar para cobrir todos os custos e ainda obter lucro.

Ele funciona como um multiplicador aplicado sobre o custo do item, considerando despesas fixas, variáveis e a margem de lucro desejada.

Com isso, o empresário consegue chegar a um preço que faz sentido tanto financeiramente quanto dentro da realidade do mercado.

Além de facilitar o processo, o uso do markup também evita erros comuns na precificação e ajuda a manter a competitividade, já que permite ajustar os preços de forma mais consciente e estratégica.

Saiba mais: Precificação: o que é, métodos e como fazer

Diferenças entre markup e margem de lucro

Embora muita gente confunda, markup e margem de lucro são coisas diferentes.

O markup é um índice usado para formar o preço de venda a partir do custo de um produto ou serviço. Ele indica quanto o valor deve ser multiplicado para cobrir os gastos e ainda gerar lucro.

Já a margem de lucro mostra o percentual de lucro que a empresa realmente obteve sobre o preço de venda final. Ou seja, enquanto o markup serve como ferramenta para calcular o preço, a margem de lucro mostra o resultado que foi alcançado com essa venda.

Ambos estão ligados ao lucro, mas são usados em momentos diferentes do processo.

Veja mais: Lucro: entenda melhor esse importante conceito

Diferenças entre markup e margem de contribuição

Apesar de parecidos, markup e margem de contribuição têm funções bem diferentes no dia a dia de uma empresa.

O markup é usado na hora de definir o preço de venda de um produto ou serviço. Ele parte do custo e aplica um índice que já considera os gastos e o lucro desejado. É como um atalho que ajuda o empresário a chegar rapidamente a um valor que faça sentido para vender.

Já a margem de contribuição entra em cena depois da venda e mostra quanto realmente sobrou da receita, depois de pagar todos os custos variáveis. Esse valor é fundamental para cobrir as despesas fixas e garantir o lucro do negócio.

Ou seja, enquanto o markup ajuda a formar o preço, a margem de contribuição ajuda a entender se esse preço está realmente funcionando na prática.

Leia também: Faturamento: o que é, como se calcula e como aumentar?

Diferenças entre markup e CMV

Markup e CMV são conceitos diferentes, mas ambos são importantes quando se fala em precificação e controle financeiro de um negócio.

O CMV, ou custo das mercadorias vendidas, representa quanto a empresa gastou para produzir ou adquirir um produto que foi vendido. Ele mostra o custo real envolvido na venda de cada item, sem incluir despesas como marketing, aluguel ou salários.

Já o markup é um índice aplicado sobre esse custo (o CMV) para formar o preço de venda. Ele leva em conta, além do custo do produto, as despesas do negócio e a margem de lucro desejada. Em outras palavras, o CMV mostra quanto custou vender, e o markup ajuda a definir por quanto vender para que o negócio continue saudável e lucrativo.

Entenda melhor: CMV (Custo da Mercadoria Vendida): O que é e como calcular?

O Markup ideal

Essa pergunta não tem uma resposta única: o “markup ideal” não existe em um manual. Ele é como a roupa perfeita: tem que servir sob medida para o seu negócio. O número certo para você vai depender de uma série de fatores que precisam ser cuidadosamente analisados.

Para começar, o ponto de partida é o seu próprio negócio. Você precisa ter na ponta do lápis todos os seus gastos, dos fixos (como contas de luz e internet) aos variáveis (como a embalagem de cada produto). Só depois de ter essa clareza é que você consegue estimar a margem de lucro que realmente precisa.

Em seguida, olhe ao seu redor. A concorrência e o mercado são seus grandes aliados na hora de precificar. Analise os preços praticados e entenda o que é “normal” para o seu setor. Mais do que isso, tente entender o que seu cliente realmente valoriza no que você oferece. O valor que ele percebe pode justificar um markup maior.

Por fim, não se prenda a um único número. Crie cenários diferentes, teste preços variados e veja como isso afeta suas vendas e seu lucro. Acompanhe os resultados e esteja sempre pronto para fazer ajustes. O mercado é dinâmico, e seu markup também precisa ser.

Leia também: Ponto de equilíbrio contábil: o que é e como calcular

Quais são os benefícios do markup?

Adotar o markup como estratégia de precificação traz uma série de vantagens que podem impactar diretamente os resultados do seu negócio. Veja alguns dos principais benefícios:

  • Mais rentabilidade: Ao usar o markup, a empresa entende melhor seus custos e consegue definir uma margem de lucro consistente. Isso torna o preço mais justo e, ao mesmo tempo, garante que a operação seja lucrativa.
  • Mais segurança nas negociações: Com preços bem calculados, a empresa ganha confiança para negociar com fornecedores e clientes. Saber que os valores praticados são sustentáveis e coerentes fortalece a credibilidade da marca no mercado.
  • Clareza na margem de lucro: Outro ponto positivo é a possibilidade de estabelecer com clareza a margem de lucro de cada produto ou serviço. Isso facilita o planejamento financeiro e ajuda a manter as metas do negócio sempre alinhadas.
  • Menos erros na precificação: Erros ao definir preços podem trazer prejuízos sérios. O uso do markup ajuda a evitar essas falhas, oferecendo uma base sólida e lógica para tomar decisões mais seguras.
  • Facilidade para criar promoções e descontos: Com uma estratégia bem estruturada, fica mais fácil oferecer promoções ou descontos sem colocar a saúde financeira da empresa em risco. Dá para atrair mais clientes mantendo o controle sobre os lucros.
  • Visão clara dos custos; Ao aplicar o markup, a empresa mapeia todos os gastos envolvidos, desde a produção até a venda. Isso permite ajustes precisos, melhora o controle financeiro e ajuda a manter o equilíbrio do negócio.

Saiba melhor: Planejamento financeiro, o que é? Pra que serve e como fazer

Importância do markup

O markup é fundamental porque estabelece uma base justa para precificar seus produtos. Ele permite que sua empresa defina valores adequados para cada item, considerando não apenas os custos diretos, mas todas as despesas envolvidas na operação.

Quando você aplica esse método na gestão diária, ganha clareza sobre como cada etapa do processo, da produção à entrega, impacta o produto final. É como ter um mapa que revela onde os recursos são consumidos e como pequenos ajustes operacionais podem fazer diferença no resultado.

Mais do que uma fórmula, o markup transforma números em percepções: ele mostra onde você pode otimizar custos, como pode melhorar sua margem sem perder competitividade e, principalmente, como construir preços honestos que refletem o valor real do seu trabalho. Essa transparência financeira não só protege sua lucratividade, como fortalece a confiança com seus clientes.

Leia também: Custos diretos: o que são, como identificar e exemplos

Fontes: XPI, Sebrae, Marketup, Conta Azul, FIA, Exame, Totvs e Suno.

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