Ativo subjacente: o que é e como funciona?

Ativo subjacente é o ativo que serve de base e determina o valor de um derivativo financeiro. Entenda o que é e como funciona.

27 de maio de 2025 - por Sidemar Castro


Quando falamos de investimentos mais complexos, como os derivativos, é comum esbarrar no termo ativo subjacente, também chamado de ativo-objeto ou ativo base. Ele nada mais é do que o ativo que serve de referência para um derivativo, como uma ação, moeda, commodity ou índice.

É esse ativo que determina o valor do derivativo. Pode ser algo físico, como petróleo, ou digital, como ações na bolsa. Se a ideia ainda parecer complicada, calma! A gente explica melhor nos próximos tópicos.

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O que é ativo subjacente?

Entender qual é o ativo subjacente de um derivativo, e principalmente acompanhar o comportamento desse ativo, é fundamental para tomar boas decisões de investimento. Afinal, o valor de um derivativo está diretamente ligado às oscilações do ativo que serve de base para ele. Se esse ativo sobe ou cai, o derivativo tende a reagir de acordo — e é aí que mora a oportunidade (ou o risco).

Para ilustrar isso de forma prática, imagine que as ações da empresa fictícia KWY Alimentos estão em alta no mercado. Nesse cenário, as opções de compra ganham valor. Por quê? Porque mais gente vai querer garantir agora o direito de comprar essas ações a um preço fixo, antes que elas subam ainda mais. Com o aumento da demanda por essas opções, o preço delas também sobe.

Por outro lado, as opções de venda perdem atratividade. Se o mercado acredita que o preço da ação vai continuar subindo, não faz sentido pagar agora para ter o direito de vender essas ações a um preço que logo estará abaixo do valor de mercado. Assim, o interesse por esse tipo de derivativo cai e, com ele, o preço também.

Esse exemplo mostra que a relação entre o ativo subjacente e o derivativo é muito próxima, mas nem sempre segue a mesma direção. Em alguns casos, quando o ativo sobe, o derivativo pode cair, tudo depende do tipo de contrato e da estratégia envolvida. Justamente por isso, acompanhar de perto o ativo subjacente é essencial para entender como o derivativo vai se comportar. É essa análise que permite avaliar se vale a pena investir ou não.

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Como funciona o ativo subjacente?

Quer entender como funciona o ativo subjacente? Ele é o “coração” de muitos acordos financeiros! É a referência principal, aquilo que dá valor a um contrato. Entender isso é fundamental para sacar como funcionam os derivativos e por que eles são tão usados no mercado financeiro, seja para se proteger de riscos ou para tentar ganhar dinheiro.

Vamos imaginar uma situação: você está de olho numa opção de compra (chamada de call option) na bolsa. Essa opção não é a ação em si, mas sim um contrato que te dá o direito de comprar uma ação por um preço combinado lá na frente. Nesse caso, a ação é o nosso ativo subjacente. O valor da sua opção vai subir ou descer junto com o preço dessa ação no mercado. Simples assim!

Então, toda vez que você ouvir falar em derivativos ou contratos futuros, lembre-se: sempre tem um ativo subjacente por trás. Pode ser uma ação, uma commodity (tipo ouro ou café), uma moeda estrangeira, ou até um índice da bolsa. É ele que manda no valor do contrato!

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Exemplo de ativo subjacente

Pra deixar isso ainda mais claro, vamos usar um exemplo bem do nosso dia a dia. Imagine uma ação da Petrobras (PETR4) como o ativo subjacente, e uma opção de compra (call) dessa PETR4 como o derivativo.

Se o preço da ação da Petrobras começa a subir, o valor da sua opção de compra também tende a subir. Por quê? Porque fica mais interessante pra você ter o direito de comprar essa ação por um preço que agora é mais barato do que o valor de mercado. Aqui, a ação da Petrobras é a peça-chave, o ativo subjacente, porque é ela que dita o valor do seu contrato de opção.

Ficou mais fácil entender o papel do ativo subjacente agora? Ele é a base de tudo!

Entenda melhor: Dividendo da Petrobras: como ela distribui

Tipos de ativos subjacentes

Explorar o mundo dos investimentos pode parecer um bicho de sete cabeças, mas, na verdade, existem vários “tipos” de coisas onde você pode colocar seu dinheiro. Cada uma funciona de um jeito e pode ser perfeita para um objetivo diferente.

1) Ações

Quando você compra ações, está se tornando um pedacinho de uma empresa! Se essa empresa crescer e der lucro, suas ações podem valer mais, e você pode ganhar dinheiro tanto vendendo-as depois quanto recebendo uma parte dos lucros (os famosos dividendos).

2) Títulos de dívida

Pense neles como um empréstimo que você faz. Você empresta dinheiro para o governo ou para grandes empresas, e em troca, eles te pagam juros por isso. Geralmente, é um investimento mais seguro e com rendimentos mais previsíveis, ideal para quem busca mais estabilidade.

Leia também: O que são os títulos da dívida pública? Saiba como investir

3) Commodities

São as matérias-primas essenciais, como ouro, petróleo, café e soja. O preço delas pode variar bastante, dependendo de fatores como o clima, o que acontece na política mundial e a situação da economia. É um mercado superdinâmico!

4) Moedas

O câmbio de moedas como o dólar, euro e real movimenta um volume gigantesco de dinheiro todos os dias. O valor de uma moeda pode mudar rapidinho, influenciado por decisões econômicas dos países, inflação e até grandes eventos internacionais.

5) Índices de mercado

Esses são como um termômetro do desempenho de vários ativos juntos, que representam um setor ou uma região. Por exemplo, se você ouve que o Ibovespa (o índice da bolsa brasileira) ou o S&P 500 (o americano) subiu, significa que, em geral, as empresas que fazem parte deles estão se valorizando.

6) Fundos de investimento

Imagine uma “cesta” com vários tipos de investimentos (ações, títulos, commodities, imóveis). Nos fundos, você compra uma “cota” dessa cesta e tem um pedacinho de todos esses ativos, sem ter que se preocupar em administrar cada um individualmente. É ótimo para diversificar sem complicação!

Leia mais: Diversificação de investimentos – Quantas ações ter em carteira?

7) Criptomoedas

Ativos totalmente digitais, como Bitcoin e Ethereum, que vêm ganhando muito espaço e valor. O preço delas pode variar muito rapidamente, influenciado pela aceitação no mercado, novas regras e avanços tecnológicos.

8) Derivativos

São instrumentos financeiros mais complexos, que “derivam” seu valor de outros ativos (daí o nome!). Exemplos são as opções e os contratos futuros. Eles podem ser usados tanto para proteger seus investimentos de riscos quanto para especular e tentar lucrar com as variações de preço. Geralmente, exigem um pouco mais de conhecimento.

Cada um desses ativos tem seu próprio “jeito de ser” e pode se encaixar melhor em diferentes estratégias. O segredo é entender qual deles faz mais sentido para os seus objetivos financeiros.

Qual é a importância do ativo subjacente?

A importância do ativo subjacente está no fato de que ele é a fonte primária de valor e risco. É ele que vai determinar se o seu investimento vai te dar lucro ou prejuízo. Entender o ativo subjacente é como entender a matéria-prima de um produto:

  1. Define o valor: O valor de um derivativo (como uma opção ou um contrato futuro) não é “criado do nada”. Ele deriva diretamente do valor do ativo subjacente. Se o subjacente perde valor, o derivativo provavelmente também perderá.
  2. Determina o risco: As flutuações de preço e as características do ativo subjacente (se ele é volátil, se tem muita demanda, se é sensível a notícias) são o que vão ditar o risco do seu investimento. Você precisa saber no que, de fato, você está “apostando”.
  3. Ajuda na análise: Para tomar uma decisão de investimento inteligente, você não olha só o “bilhete” (o derivativo). Você precisa olhar e analisar o “prêmio” (o ativo subjacente). As perspectivas para as ações de uma empresa, o cenário para o preço do petróleo, a taxa de juros futura – tudo isso é crucial.
  4. É a base da negociação: É o ativo subjacente que você realmente quer comprar ou vender, mesmo que esteja usando um instrumento financeiro intermediário.

É essa análise que permite avaliar se vale a pena investir ou não. Em outras palavras, sem olhar para o ativo de origem, fica praticamente impossível tomar uma decisão bem informada no mercado de derivativos.

Saiba mais: Indicadores de mercado: quais são eles e como utilizá-los?

O que são os ativos subjacentes de COEs?

Você já deve ter notado que o termo ativo subjacente aparece bastante quando se fala de derivativos, certo? Mas ele também é muito comum em outro tipo de investimento: os COEs, ou Certificados de Operações Estruturadas. Esse produto financeiro é interessante porque combina elementos da renda fixa e da renda variável em uma única aplicação.

Na prática, o COE funciona como um título emitido por bancos. Quando você decide investir em um, o seu dinheiro é aplicado em uma combinação de ativos. A maior parte costuma ir para investimentos de renda fixa, que são mais estáveis, enquanto uma parcela menor vai para ativos de renda variável, que podem oferecer retornos maiores, embora com mais risco envolvido.

Dentro do universo dos COEs, existem basicamente dois tipos. O primeiro é o COE com valor nominal protegido. Nele, mesmo que o desempenho do investimento não seja positivo, você tem a garantia de receber de volta tudo o que aplicou. E se o resultado for bom, ainda recebe os rendimentos.

Já o segundo tipo é o COE com valor nominal em risco. Nesse modelo, existe a possibilidade de perder parte, ou até mesmo todo, o capital investido, se o cenário não for favorável. Mas vale lembrar: mesmo nesse caso, o seu prejuízo se limita ao que você colocou no investimento. Ou seja, você nunca vai sair devendo por causa disso.

E onde entram os ativos subjacentes nessa história? Simples: o COE é composto por diferentes ativos, e cada um deles é chamado de ativo subjacente. São esses ativos que determinam o desempenho do seu investimento. Eles podem ser bem variados, desde CDBs, LCIs e LCAs até ações nacionais e internacionais, índices da bolsa, moedas e até commodities.

Por isso, entender quais são os ativos subjacentes de um COE é essencial. É com base neles que você consegue avaliar se o investimento faz sentido para seus objetivos, seu perfil e o momento do mercado. Afinal, são esses ativos que vão definir os riscos e as oportunidades que o seu dinheiro vai enfrentar.

Leia mais: Tipos de fundos de investimento: quais são e como funcionam?

Fontes: Mais Retorno, PTFBS e Investopedia.

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