Fundo de ações: o que são, como investir, como funcionam

Um fundo de ações é um investimento coletivo que aplica recursos de vários investidores em uma carteira diversificada de ações de empresas. Entenda como investir.

10 de dezembro de 2020 - por Sidemar Castro


Um fundo de ações é um tipo de investimento coletivo que funciona como um condomínio, aplicando pelo menos 67% do seu patrimônio em ações negociadas na bolsa de valores. Esse modelo é gerido por um profissional especializado que escolhe os ativos, permitindo diversificar os investimentos mesmo com volumes menores de capital.

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia.

Leia também: O que são ações, quais os tipos e como funcionam?

O que são fundos de ações?

Fundos de ações são modalidades de investimento voltadas principalmente para o mercado acionário. Eles reúnem os recursos financeiros de diversos investidores, chamados de cotistas, para formar uma carteira ampla composta por papéis de empresas e outros ativos ligados à renda variável.

A gestão dos recursos fica a cargo de profissionais qualificados que tomam decisões com base na estratégia estipulada para o fundo.

Essa estrutura garante ao investidor o acesso a um portfólio diversificado sem a necessidade de analisar e escolher cada ação individualmente. Em contrapartida, há cobrança de taxas pelos serviços de gestão e exposição direta às variações do mercado financeiro.

Como funcionam os fundos de ações?

Nos fundos de ações, cada aplicação financeira é convertida em cotas proporcionais ao valor depositado. O capital de todos os participantes integra o patrimônio geral do fundo, cabendo ao gestor acompanhar o mercado para comprar, manter ou vender os papéis conforme os objetivos definidos.

O preço da cota oscila diariamente de acordo com o desempenho e a cotação das empresas presentes no portfólio. A valorização dos ativos eleva o preço da cota, enquanto a queda no mercado reduz o seu valor.

Por essa razão, os fundos de ações pertencem à classe de renda variável e não contam com garantia de rendimento. Os resultados finais dependem do cenário econômico global, do desempenho operacional das empresas e da eficiência do trabalho do gestor.

Saiba mais: Gestor de investimentos: funções, salário e como se tornar

Tipos de fundos de ações

Existem diferentes categorias de fundos de ações, classificadas conforme a abordagem técnica e os ativos selecionados pela gestão:

  1. Fundos de gestão ativa: contam com uma equipe que seleciona e altera a composição da carteira continuamente para tentar superar os índices do mercado.
  2. Fundos de gestão passiva: acompanham o comportamento de um indicador de referência, mantendo uma carteira parecida com a do índice escolhido.
  3. Fundos focados em valor: buscam papéis de empresas negociadas abaixo do seu valor justo para capturar ganhos na valorização de longo prazo.
  4. Fundos focados em crescimento: priorizam companhias em expansão que apresentam forte potencial de aumento em suas receitas e lucros.
  5. Fundos com exposição internacional: alocam parcela do patrimônio em empresas ou índices do exterior conforme a política prevista no regulamento.

Antes de investir, vale a pena examinar os documentos oficiais do fundo para conhecer detalhadamente a estratégia, os custos operacionais e os riscos assumidos.

Vantagens e riscos dos fundos de ações

Os fundos de ações destacam-se pela praticidade, diversificação simplificada e acompanhamento por profissionais especializados. Por outro lado, trazem riscos ligados à instabilidade natural das bolsas de valores.

A principal vantagem é a capacidade de investir em vários setores e companhias por meio de uma única operação. Além disso, a gestão profissional poupa o investidor da rotina de analisar relatórios e acompanhar gráficos de empresas individualmente.

O processo operacional também é simples: a aquisição de cotas é suficiente para participar de uma carteira completa, sem a necessidade de emitir ordens de compra e venda na bolsa.

Entre os riscos, destaca-se a oscilação das cotas, que podem registrar perdas em prazos mais curtos ou durante recessões econômicas. Também deve-se considerar a qualidade das decisões do gestor e o impacto dos custos administrativos nos retornos.

A liquidez requer atenção especial, já que cada fundo possui regras próprias e prazos específicos para converter as cotas e depositar o dinheiro após a solicitação do resgate.

Entenda: Limites de oscilação: o que são, como funcionam, importância

Como investir em fundos de ações?

O primeiro passo para investir em fundos de ações é certificar-se de que a volatilidade da renda variável condiz com seus objetivos e tolerância a perdas. Superada essa etapa, basta analisar as opções disponíveis no mercado.

O caminho pode ser percorrido em algumas etapas simples:

  1. Mapear o seu perfil financeiro e os seus prazos de investimento.
  2. Consultar a lista de fundos de ações na sua plataforma ou instituição de preferência.
  3. Compreender a tese e a política de investimento da carteira.
  4. Checar a composição dos ativos e os principais fatores de risco.
  5. Observar as taxas cobradas, o valor mínimo de aplicação e o prazo de resgate.
  6. Analisar a lâmina de informações essenciais e o regulamento do fundo.
  7. Comparar as alternativas antes de efetuar a aplicação inicial.

Verifique também se o fundo está devidamente registrado na Comissão de Valores Mobiliários para garantir total conformidade com as exigências regulatórias.

Dicas para escolher os melhores fundos de ações

1) Analise o histórico de desempenho

Examinar o histórico ajuda a compreender como o fundo reage a diferentes ciclos econômicos. O mais importante é verificar a consistência dos resultados ao longo dos anos, lembrando que rentabilidade passada não garante ganhos futuros.

2) Observe os custos

Confira o percentual da taxa de administração e a incidência de taxa de performance. Como essas cobranças reduzem o retorno líquido, vale a pena compará-las com o que é praticado por outros fundos de perfil semelhante.

3) Entenda a estratégia do fundo

Busque entender os critérios usados pelo gestor para escolher as empresas e qual é o objetivo central do fundo. A estratégia precisa estar em sintonia com a sua tolerância ao risco e com suas metas de prazo.

4) Conheça a gestora e o gestor

Pesquise sobre a reputação da instituição e o tempo de experiência da equipe responsável. A competência e o histórico de decisões do gestor impactam diretamente a rentabilidade do fundo.

5) Verifique a liquidez

Consulte o regulamento para saber o prazo de conversão das cotas e o tempo total de pagamento do resgate. Como as ações oscilam bastante, o prazo de resgate precisa se encaixar no momento em que você prevê utilizar o dinheiro.

Veja mais: Cotização de resgate: o que é, como funciona, exemplos

Fundos de ações vs. ações

Tanto os fundos quanto a compra direta de papéis permitem expor o capital ao mercado acionário, mas a diferença central está na autonomia das decisões.

No fundo, o investidor adquire cotas de uma carteira coletiva e confia o manejo dos ativos a um gestor especializado. Na compra direta, o próprio investidor pesquisa, escolhe as companhias e emite as ordens de negociação na bolsa.

A montagem do portfólio nos fundos já vem pronta e diversificada conforme a tese da gestão. Já quem investe por conta própria precisa calcular quantas empresas manterá na carteira e quanto dinheiro alocará em cada uma.

Por fim, mudam também as estruturas de custos e o nível de controle. Os fundos cobram taxas administrativas pela comodidade da gestão, enquanto o investimento direto envolve corretagem e taxas operacionais da bolsa, oferecendo em contrapartida total liberdade de escolha sobre cada ativo da carteira.

Dessa maneira, os fundos de ações atendem bem a quem busca praticidade e acompanhamento profissional na renda variável. O investimento direto, por sua vez, encaixa-se melhor para quem prefere gerenciar os próprios ativos com total autonomia. Em ambas as escolhas, o capital fica sujeito às flutuações e riscos do mercado.

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