Organização financeira: o que é, como fazer, importância

Organização financeira pessoal está relacionada à maneira com a qual as pessoas lidam com o dinheiro. Logo, ela está ligada ao controle financeiro, à saúde financeira e à realização dos objetivos financeiros.

29 de março de 2021 - por Sidemar Castro


Organização financeira é o controle contínuo do orçamento, que consiste em monitorar exatamente quanto dinheiro entra e sai todo mês. Ela envolve mapear a renda, registrar despesas e planejar o uso dos recursos para evitar dívidas e atingir metas.

Aprenda neste artigo os principais passos para colocar as contas em ordem e entenda por que esse hábito transforma a sua relação com o dinheiro. Leia!

Veja também: Orçamento pessoal: o que é, qual é a importância e como fazer?

O que é organização financeira?

Organização financeira nada mais é do que parar de fingir que sabe para onde seu dinheiro está indo e começar a realmente saber. É o processo de colocar ordem na bagunça das finanças pessoais: registrar o que entra, o que sai, planejar os gastos e definir para onde você quer que seu dinheiro te leve.

Não é um bicho de sete cabeças, nem exige ser expert em matemática. É, antes de tudo, uma questão de hábito e de atenção.

Leia também: Finanças pessoais: o que são e como geri-las?

Para que serve a organização financeira?

A organização financeira serve para transformar seu relacionamento com o dinheiro, que muitas vezes é de conflito e ansiedade, em uma relação de controle e tranquilidade. Ela te dá as ferramentas para não chegar no fim do mês se perguntando para onde foi o salário.

Serve para ajudar você a pagar suas contas em dia, a sair das dívidas, a realizar aquela viagem dos sonhos ou a comprar o carro novo. No fundo, a organização financeira serve para te dar paz de espírito.

Aprenda: Planejamento financeiro pessoal: 15 passos para criar o seu

Por que a organização financeira é importante?

A organização financeira é importante porque a vida está cheia de imprevistos. O carro quebra, o cachorro precisa de um veterinário caro, o trabalho vai mal.

Uma pessoa com as finanças organizadas tem uma reserva de emergência para lidar com isso. Ou ainda, uma pessoa desorganizada, nessa mesma situação, vai recorrer ao cheque especial, ao cartão de crédito ou a um empréstimo, entrando numa espiral de dívidas.

Além disso, a organização permite que você planeje o futuro. Sem ela, seu futuro financeiro é um tiro no escuro.

Quais são os pilares da organização financeira?

1) Diagnóstico (saber onde você está)

O primeiro pilar é encarar a realidade. Você não pode organizar o que não conhece. Anote tudo: seu salário, os bicos que faz, e cada despesa, por menor que pareça (aquele café da padaria conta!). Isso é ter um raio-x das suas finanças.

2) Planejamento (decidir para onde ir)

Com o diagnóstico em mãos, você planeja. Define quanto vai gastar em cada coisa, quanto vai destinar para pagar dívidas e quanto vai guardar para seus sonhos. É o famoso “fazer o orçamento”. É a ponte entre onde você está e onde quer chegar.

3) Execução e Controle (fazer acontecer)

O melhor planejamento do mundo não funciona se não for colocado em prática. Você precisa anotar seus gastos diariamente e comparar com o que planejou. É aí que você vê se está no caminho certo ou se precisa fazer ajustes no meio do caminho.

4) Disciplina (o segredo do sucesso)

A organização financeira não é um evento que acontece uma vez; é um processo contínuo. A disciplina é o hábito de seguir o plano, mesmo quando dá vontade de desistir e comprar aquela coisa cara e desnecessária. É a força de vontade em ação.

5) Visão de Futuro (investir em você)

O último pilar é pensar no amanhã. É entender que organização não é só pagar contas, mas é construir patrimônio. É criar uma reserva de emergência, investir para a aposentadoria e para os sonhos de longo prazo. É fazer o dinheiro trabalhar para você.

Confira: Análise de desempenho financeiro: o que é e como fazer?

Como fazer e colocar a organização financeira em prática?

1) Liste tudo o que você ganha e tudo o que você gasta

Pegue um mês e registre cada centavo. Use um caderno, uma planilha ou um aplicativo. O importante é ter uma lista completa. Não ache que vai lembrar de cor, escreva tudo.

2) Separe o essencial do supérfluo

Olhe para sua lista e identifique quais gastos são realmente necessários (aluguel, supermercado, luz) e quais são “mordomias”, gastos supérfluos, que você pode cortar ou reduzir (serviços de streaming que não usa, idas exageradas a restaurantes).

3) Defina uma meta clara e alcançável

Pergunte-se: o que eu quero conquistar com essa organização? Um exemplo: “Quero juntar R$ 3.000 nos próximos 6 meses para minha reserva de emergência”. Ter um objetivo claro te mantém motivado.

4) Crie um plano de ação (o orçamento)

Defina quanto dinheiro será destinado para cada coisa no mês. Separe primeiro o dinheiro para as metas e despesas fixas. O que sobrar é o limite para os gastos variáveis e lazer.

5) Monitore e reajuste constantemente

A vida não é estática. No meio do mês, confira como estão os gastos. Se gastou demais com lazer, compense cortando em outra área. O segredo é a flexibilidade. No fim do mês, avalie o que funcionou e o que não funcionou e ajuste o plano para o próximo.

Confira mais: Gestão financeira: o que é e como funciona?

Erros comuns na organização financeira

O erro número 1 é começar fazendo cortes drásticos e proibindo todos os prazeres. Isso é uma receita certa para o fracasso, pois você vai se sentir infeliz e abandonar o plano.

Outro erro clássico é acreditar que organizar as finanças é uma tarefa única. Não anotar os gastos depois de uma semana é um erro fatal. Muita gente também se esquece de incluir no orçamento as despesas anuais (IPVA, material escolar) e depois se surpreende.

Por fim, tentar organizar tudo de uma vez, mudando 50 hábitos simultaneamente, é garantir a desistência em poucos dias.

Entenda: Você não precisa cortar o cafezinho! Aprenda a economizar dinheiro

Vantagens da organização financeira

Quando você se organiza, a primeira vantagem que aparece é o fim daquela angústia de abrir o extrato bancário. Você dorme melhor.

A segunda é que você começa a ver dinheiro sobrando no fim do mês, dinheiro que antes desaparecia sem deixar rastro. Isso te permite realizar pequenos sonhos, como trocar o celular, e grandes sonhos, como comprar a casa própria.

Além disso, você se torna resistente a crises. Uma demissão ou um problema de saúde ainda são ruins, mas não te arrastam para o buraco das dívidas.

Saiba mais: Economizar dinheiro – Dicas para poupar e onde investir seu dinheiro

5 dicas de organização financeira

1) Crie um orçamento realista

Não adianta criar um orçamento milagroso que corta todo o lazer se você sabe que não vai conseguir segurar. Seja honesto. Permita uma quantia para o “fast food” ou para o “cinema”, mas defina um limite e o respeite.

2) Pague suas dívidas (e evite fazer novas)

Essa é a dica mais importante para quem está no vermelho. Liste todas as suas dívidas, negocie os juros e comece a pagar a mais cara primeiro. Assim que uma acabar, use o dinheiro que sobra para acelerar a próxima. E corte o cartão de crédito, se necessário.

3) Guarde dinheiro para a reserva de emergência

Pense nela como um salva-vidas. O objetivo é juntar de 3 a 6 meses dos seus gastos essenciais. Comece com pouco, R$ 50 por semana, mas seja consistente. Coloque esse dinheiro num lugar seguro e de fácil acesso, como o CDB de liquidez diária do seu banco.

4) Aprenda sobre dinheiro (educação financeira)

Leia um livro por mês sobre finanças, siga perfis de especialistas nas redes sociais, ouça podcasts. O conhecimento é transformador. Entender o que são juros compostos ou a diferença entre um ativo e um passivo vai mudar para sempre sua maneira de pensar.

5) Coloque a casa em ordem, literalmente

Venda no OLX ou no Enjoei aquelas roupas que não usa mais, os brinquedos dos filhos, a bicicleta parada. O dinheiro que você ganhar com isso pode ser o pontapé inicial para sua reserva de emergência ou para pagar uma pequena dívida. É dinheiro fácil e ainda desentope sua casa.

Conheça: Frugalismo: o que é, características, prós e contras

Desvantagens e consequências de não ter organização financeira

As consequências da desorganização financeira são pesadas. A primeira vítima é o seu bolso, com juros abusivos, multas e contas atrasadas. Mas o estrago vai além: a falta de controle gera ansiedade, brigas em casa por causa de dinheiro e até problemas de saúde, como insônia e estresse.

Sem organização, você perde o controle da sua vida. Você deixa de fazer o que quer, de comprar o que precisa, e se torna refém do salário, vivendo no limite eternamente.

E no fim, você assiste aos outros realizarem seus sonhos enquanto fica preso numa montanha-russa de dívidas, sem perspectiva de melhora.

Leia também: 10 métodos práticos e simples de organização financeira

Risco regulatório vs. risco de conformidade: quais as diferenças?

Bitcoin vs. Dogecoin: diferenças, qual escolher

Títulos privados: o que são, características, como investir

Carteira defensiva x carteira conservadora: quais as diferenças?