Bolsas asiáticas: principais, como investir, importância

As bolsas asiáticas estão entre as mais importantes do mundo. Investir nelas é uma forma de se proteger das oscilações na economia. Leia mais.

21 de outubro de 2020 - por Sidemar Castro


Enquanto grande parte do mundo ainda dorme, Tóquio, Xangai e Hong Kong já estão decidindo boa parte do tom que os mercados vão seguir naquele dia.

Essa é uma das razões que fazem das bolsas asiáticas um dos assuntos mais relevantes para quem acompanha investimentos, mesmo morando do outro lado do planeta: o que acontece nesses pregões carrega peso suficiente para influenciar desde o câmbio até o comportamento do Ibovespa horas depois.

O que são as bolsas asiáticas?

Bolsas asiáticas são os mercados de ações que funcionam nos países da região Ásia-Pacífico, como China, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura, Austrália, Tailândia, Indonésia e Filipinas, e concentram a negociação de ações de empresas locais e multinacionais instaladas nesses territórios.

Cada uma dessas praças tem regras próprias, moeda própria e um calendário de funcionamento que antecede o horário europeu e americano, por isso o desempenho delas costuma servir de referência inicial para o que pode acontecer no restante do dia nos demais mercados globais.

Qual a importância das bolsas asiáticas?

Pensa assim: enquanto o Brasil ainda dorme, os pregões da Ásia já estão em movimento.

O fuso horário faz com que China, Japão, Hong Kong e Singapura fechem suas negociações antes mesmo de Londres e Nova York abrirem, então o resultado do dia por lá vira uma espécie de aviso prévio sobre o clima que vai predominar nas demais bolsas.

Quando os investidores asiáticos compram forte, isso costuma indicar disposição para correr risco; quando vendem, o sinal é de cautela generalizada. Aqui no Brasil, o Ibovespa e a cotação do dólar abrem já respondendo ao tom que veio de Xangai ou Tóquio horas antes.

Há ainda outro fator que explica o peso dessas bolsas no cenário mundial: a Ásia reúne potências econômicas como China e Japão, além de concentrar empresas fundamentais em setores como tecnologia, semicondutores e inteligência artificial, áreas que hoje sustentam boa parte do crescimento global.

Um tropeço em uma fabricante asiática de chips, por exemplo, pode derrubar ações de empresas de tecnologia em outros continentes no mesmo dia.

Quais são as principais bolsas de valores da Ásia?

Tokyo Stock Exchange (TSE) – Japão

A bolsa japonesa fica atrás apenas de NYSE e Nasdaq em tamanho global, com valor de mercado próximo de US$ 6,71 trilhões, e reúne nomes como Toyota, Honda, Mitsubishi, SoftBank e Fast Retailing. Quem acompanha seu desempenho costuma olhar para dois indicadores: o Nikkei 225 e o TOPIX.

Shanghai Stock Exchange (SSE) – China

Com cerca de US$ 7,63 trilhões em capitalização, essa é uma das maiores bolsas do planeta, mas funciona sob controle direto da Comissão de Valores Mobiliários chinesa, o que limita bastante a entrada de capital estrangeiro.

Bancos estatais como ICBC, Agricultural Bank of China e Bank of China estão entre suas empresas mais negociadas, e o SSE Composite é o índice usado para medir seu comportamento.

Hong Kong Stock Exchange (HKEX) – Hong Kong

Herdeira de um passado sob domínio britânico, essa bolsa manteve estrutura própria e maior abertura para investidores internacionais, mesmo estando geograficamente ligada à China. Com valor de mercado em torno de US$ 6,87 trilhões, é considerada porta de entrada para ativos de tecnologia asiáticos, com destaque para a Tencent Holdings, e tem no índice Hang Seng seu principal referencial.

Shenzhen Stock Exchange (SZSE) – China

Complementando a bolsa de Xangai, essa plataforma chinesa se organiza em segmentos distintos, do Quadro Principal, voltado a companhias já estabelecidas, até o ChiNext, criado para empresas de tecnologia em fase de crescimento, passando pelo SME, focado em negócios de médio porte.

Bombay Stock Exchange (BSE) e National Stock Exchange (NSE) – Índia

A Índia conta com duas bolsas de peso: a BSE carrega o título de mais antiga do país e uma das pioneiras da Ásia, enquanto a NSE lidera em volume negociado e foi a primeira a operar de forma totalmente eletrônica na região.

Korea Exchange (KRX) – Coreia do Sul

Unificando ações, derivativos e o segmento KOSDAQ em uma única estrutura, a bolsa sul-coreana tem seu desempenho atrelado diretamente ao setor de tecnologia e semicondutores, refletido no comportamento do Kospi, seu principal índice.

Quais são os principais índices das bolsas de valores da Ásia?

Depois de conhecer as bolsas em si, faz sentido entender como o mercado mede o desempenho de cada uma delas, já que é através dos índices que investidores conseguem acompanhar, em um único número, o comportamento de centenas de ações negociadas simultaneamente.

No Japão, essa função fica a cargo do Nikkei 225, que reúne as 225 maiores empresas listadas na Bolsa de Tóquio, com o TOPIX funcionando como uma segunda régua de análise ainda mais abrangente.

Na China, a referência oficial é o SSE Composite, que espelha o comportamento das ações negociadas em Xangai, enquanto Hong Kong, com sua estrutura mais aberta ao capital estrangeiro, tem no Hang Seng Index seu principal indicador de mercado.

Fechando esse conjunto de indicadores essenciais, aparecem o Kospi, ligado à Bolsa da Coreia do Sul e fortemente influenciado pelo setor de semicondutores, e o Sensex, que resume o desempenho do mercado indiano a partir dos números da Bolsa de Bombaim.

Esses índices surgem como um painel de controle para quem quer entender rapidamente se o dinheiro está fluindo com confiança ou com receio pela Ásia, e acabam sendo especialmente úteis para monitorar setores que puxam a economia global hoje.

Como investir nas bolsas asiáticas?

Depois de mapear as principais praças financeiras e os índices que as movimentam, chega a hora de colocar dinheiro nesses mercados a partir daqui. Existem basicamente dois caminhos.

O primeiro é o acesso direto, que passa por abrir conta em uma corretora internacional para negociar ações no próprio país de origem, ou comprar ADRs, que são recibos de ações estrangeiras negociados no mercado americano.

Essa rota entrega exposição real aos ativos asiáticos, mas traz complicações como diferença de fuso horário na hora de operar, regras tributárias específicas de cada jurisdição e, em casos como o da China continental, restrições formais à entrada de capital estrangeiro.

Para quem prefere resolver isso sem sair do Brasil, a via indireta costuma ser mais prática. Dá para comprar ETFs listados na B3 que replicam índices asiáticos, caso do XINA11, voltado para empresas chinesas, ou optar por BDRs, que são certificados negociados aqui e lastreados em ativos do exterior.

Existe ainda a alternativa dos fundos de investimento internacionais com foco na Ásia, que colocam a gestão nas mãos de profissionais especializados e podem ser acessados diretamente por corretoras e plataformas de investimento nacionais, sem exigir contato direto com o mercado estrangeiro.

Por que e como acompanhar as bolsas da Ásia?

Tem um hábito que separa quem só investe de quem realmente entende o mercado: ficar de olho nas bolsas asiáticas mesmo sem ter um centavo alocado nelas. Isso acontece porque o fuso horário coloca esses pregões para fechar antes de Europa e Américas sequer abrirem, transformando o resultado do dia por lá numa espécie de prévia do humor que deve dominar o resto do mundo nas horas seguintes.

Acrescente a isso o peso econômico da região, que reúne potências como China e Japão e abriga companhias centrais em setores como semicondutores e inteligência artificial.

O problema é que muita gente resume esse acompanhamento a checar se o pregão fechou em alta ou baixa, o que é insuficiente.

O ideal é olhar para o comportamento acumulado dos índices ao longo de semanas ou meses. Depois ruzar esses dados com câmbio, decisões de juros, volume negociado e balanços das empresas da região é o que transforma um número isolado em leitura estratégica sobre os próximos movimentos da economia global.

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