Como investir no exterior: guia completo, vantagens, desvantagens

Investir no exterior é diversificar patrimônio em outros países para buscar oportunidades e reduzir riscos locais. Veja um guia completo.

26 de setembro de 2022 - por Sidemar Castro


Investir no exterior permite diversificar sua carteira globalmente, proteger seu patrimônio contra a desvalorização cambial e acessar setores indisponíveis no Brasil, como tecnologia e inovação. Você pode investir de forma indireta (através da B3 com BDRs e ETFs) ou direta (abrindo conta em corretoras internacionais). Neste artigo, apresentamos um guia completo, com vantagens e desvantagens de investir no exterior.

Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia.Afinal, por que investir no exterior?

Veja também: Quando começar a investir no exterior? Vantagens e como começar

Afinal, por que investir no exterior?

Investir no exterior é, na prática, ampliar seus horizontes financeiros e não colocar todos os seus ovos na mesma cesta, que é a economia brasileira.

Assim, é uma forma inteligente de buscar proteção para o seu patrimônio, fugindo da dependência de um único país e se protegendo contra a desvalorização do real, além de poder se tornar sócio das maiores empresas do mundo, como as gigantes de tecnologia, que você provavelmente usa todos os dias.

Leia mais: Dolarização de patrimônio: por que você não deve ter 100% do seu dinheiro no Brasil?

Vantagens de investir no exterior

A maior vantagem é a tranquilidade de saber que, se o Brasil passar por uma crise, parte do seu dinheiro está em outro lugar, em uma moeda forte como o dólar.

Você também ganha acesso a empresas que estão na fronteira da inovação, como as de inteligência artificial e energia limpa, que não têm representantes na bolsa brasileira.

Além disso, os mercados internacionais oferecem muito mais opções de investimento, tanto em renda variável quanto em renda fixa, permitindo que você monte uma carteira mais equilibrada e com maior potencial de retorno.

Desvantagens e riscos de investir no exterior

Os riscos são reais e precisam ser encarados de frente. O principal é o risco cambial: o dólar pode se desvalorizar frente ao real e, na hora de converter seu dinheiro de volta, você pode ter uma surpresa negativa. A burocracia tributária também é um ponto de atenção, já que você precisa declarar tudo corretamente para a Receita Federal para não ter problemas. Por fim, os mercados internacionais também são voláteis, e você estará sujeito a notícias e eventos políticos de outros países.

Guia completo: passo a passo de como investir no exterior

Começar é mais simples do que parece.

Primeiro, defina quanto você pode investir e qual é o seu objetivo.

Depois, escolha entre a forma mais fácil, que é investir pela B3 via BDRs e ETFs, ou a mais completa, que é abrir uma conta em uma corretora no exterior e enviar dinheiro para lá.

Com a conta aberta, você faz a remessa do dinheiro (converte reais em dólares) e, com o saldo em mãos, compra os ativos que deseja, como ações da Apple ou um ETF que replica o S&P 500.

Investimento indireto

O investimento indireto é a porta de entrada mais simples para quem quer começar com pouco e sem complicação.

Você usa sua própria corretora brasileira para comprar BDRs, que são como recibos de ações de empresas como Google ou Amazon, ou ETFs internacionais, que são fundos que seguem índices como o S&P 500.

Desse modo, é uma maneira prática de ter exposição ao exterior com valores baixos e sem precisar abrir conta fora do país.

Investimento direto

Investir diretamente é para quem quer ter controle total e acesso ao cardápio completo do mercado financeiro internacional.

Você abre uma conta em uma corretora americana (como a Avenue ou a Nomad), envia seus reais convertidos em dólares e compra ações, ETFs, REITs e títulos públicos americanos. É a opção com mais variedade e potencial de rentabilidade, mas exige um pouco mais de estudo e organização para lidar com o câmbio e a declaração de imposto de renda.

Tributação para investir no exterior

A tributação é um dos pontos que mais geram dúvidas, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças. Para investimentos diretos, a Lei 14.754/2023 simplificou as regras: os ganhos de capital são tributados em 15%, e a declaração é feita anualmente, com o sistema da Receita ajudando a calcular o imposto devido.

Os dividendos que você recebe no exterior já sofrem retenção de imposto na fonte, mas você pode compensar esse valor no Brasil, evitando pagar duas vezes.

Proteção e regulação dos investimentos no exterior

Para quem investe diretamente, a segurança é um ponto forte. As corretoras americanas são reguladas por órgãos sérios como a SEC e a FINRA, e sua conta tem a proteção do SIPC, que garante seus ativos em até US$ 500 mil em caso de falência da corretora.

Desse modo, isso te dá uma camada extra de segurança: seu patrimônio fica sob a guarda de um dos sistemas financeiros mais robustos do mundo.

Valor mínimo para investir no exterior

A boa notícia é que você não precisa ser rico para começar. Com a B3, você pode dar os primeiros passos com menos de R$ 100 para comprar BDRs ou cotas de ETFs. Para investir diretamente nos EUA, muitas corretoras permitem comprar “frações” de ações caras, como as da Amazon; então você pode começar com US$ 10 ou US$ 20 em uma plataforma como a Avenue ou a Nomad, que também não cobram corretagem.

Investir diretamente no exterior vs. Investir via BDRs

A escolha entre um e outro depende do seu perfil.

Os BDRs são a opção mais cômoda: você compra em reais, com sua corretora de sempre, e não precisa se preocupar em enviar dinheiro para fora. A desvantagem é que a variedade de ativos é limitada.

Já o investimento direto te dá acesso ao mercado americano completo, com ações, ETFs e muito mais, tudo em dólar, com mais controle e geralmente com taxas de administração menores.

Vale a pena investir no exterior?

Sim, para quem quer construir um patrimônio mais forte e preparado para o futuro. Investir apenas no Brasil é como ter uma carteira com apenas 1% das oportunidades do mundo.

A diversificação internacional não é mais um luxo, mas uma estratégia de gestão de risco essencial para se proteger da volatilidade do real e das incertezas políticas locais, além de participar do crescimento de empresas e setores que estão moldando o futuro.

O importante é começar, mesmo que com pouco, manter a consistência e ter paciência, pois os benefícios dessa estratégia se revelam ao longo do tempo.

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