Risco de mercado: o que é, como funciona, importância

Risco de mercado é a possibilidade de perdas financeiras causadas por oscilações nos preços de ativos, taxas de juros, câmbio ou commodities. Entenda sua importância.

11 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro


Investir sempre envolve um certo grau de incerteza, e o risco de mercado é justamente isso: a chance de os preços mudarem e causarem prejuízos. Pode ser por causa de uma crise econômica, uma decisão política ou até um evento social inesperado.

Embora não dê para evitar completamente, dá sim para se preparar e reduzir os impactos. Quer entender melhor como isso funciona e por que faz diferença? Dá uma olhada no artigo!

Leia mais: Risco sistêmico: o que é e relação com os investimentos

O que é risco de mercado?

Sabe aquele sobe e desce dos preços no mercado financeiro que parece imprevisível? Isso é o risco de mercado. Ele está presente em qualquer investimento e pode ser causado por fatores econômicos, políticos ou até sociais. Um anúncio do governo, uma crise lá fora ou uma mudança nas taxas de juros podem mexer com o valor dos ativos que você tem.

É como jogar um jogo em que as regras mudam de vez em quando. Mas não precisa entrar em pânico: dá para lidar com isso. Com planejamento, diversificação e um bom acompanhamento, você consegue reduzir os impactos e investir com mais segurança.

No fim das contas, entender o risco de mercado é como aprender a dançar conforme a música do mundo financeiro.

Leia também: Risco financeiro: o que é, como calcular, evitar e analisar

Como funciona o risco de mercado?

Suponha que você compre uma ação, ou um título de dívida, ou investe em algo que depende de preços ou taxas. O risco de mercado é basicamente a possibilidade de você perder parte do valor desse investimento porque esses preços ou taxas se mexem, às vezes pra baixo. Essas movimentações podem vir de vários lados: inflação sobe, juros mudam, moeda se desvaloriza, governo faz uma política diferente, por aí vai.

Sempre que existe incerteza sobre o futuro, sobre como vai estar a economia, como vão reagir mercados externos, se vai haver crise política, há risco de mercado. Ele é algo que não dá pra eliminar de vez, porque faz parte da vida financeira e econômica.

Mesmo em uma carteira bem diversificada, quando o mundo inteiro passa por uma turbulência, quase tudo cai, então parte disso é inevitável.

Para controlar esse risco, os investidores usam algumas ferramentas. Uma delas é o VaR (Value at Risk ou valor em risco), que tenta responder “qual é a máxima perda que posso ter, com X% de chance, em Y dias?”.

Outra é simular cenários extremos pra ver o que aconteceria se, digamos, os juros subirem muito ou a moeda despencar. Também ajuda a diversificar os ativos, espalhar o investimento entre diferentes tipos de ativos, setores ou moedas, para que uma oscilação em uma parte não acabe com tudo.

Saiba mais: Gerenciamento de risco: o que é e como fazer em seus investimentos?

Quais são as causas do risco de mercado?

O risco de mercado é aquele velho fantasma que aparece sempre que algo inesperado acontece lá fora e mexe com os preços e as condições dos investimentos.

Pense, por exemplo, no que acontece quando o governo resolve mudar a taxa de juros: de repente, os empréstimos ficam mais caros, o que afeta diretamente o consumo e os investimentos. E isso, claro, se reflete no valor dos ativos.

As mudanças na cotação das moedas também entram nessa dança. Se a moeda de um país se desvaloriza, as empresas que importam produtos ou possuem dívidas em dólar sentem o golpe direto no bolso.

Não podemos esquecer que instabilidades políticas, como eleições conturbadas ou crises internacionais, são uma grande fonte de incerteza. Nessas horas, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer, e os investidores reagem precificando esse nervosismo, o que gera mais volatilidade.

Além disso, o preço de commodities, como petróleo e soja, vive dando sustos, influenciado por questões climáticas, alterações na oferta e demanda ou até por políticas de outros países. Quem depende desses insumos acaba sentindo o baque nos custos ou nas margens de lucro.

A inflação é outro fator importante. Quando ela sobe ou quando as expectativas mudam rapidamente, a correção de taxas, preços e custos acontece de forma brusca, corroendo o valor real dos ativos.

Por fim, eventos externos dramáticos, uma pandemia global, uma crise financeira ou a queda abrupta no preço de uma commodity estratégica, podem ser o estopim para uma turbulência generalizada, afetando vários mercados de uma vez só.

Quais são os tipos de risco de mercado?

1) Risco de preço de ações

Esse tipo de risco se refere às variações nos preços das ações que você possui. Se a empresa vai mal, muda a expectativa do mercado, ou simplesmente cai o apetite dos investidores, o valor das ações pode despencar. Mesmo empresas com bons fundamentos podem sofrer perdas se o mercado esperar algo diferente.

2) Risco de taxa de juros

Está ligado ao quanto os juros variam: quando aumentam, por exemplo, títulos prefixados perdem valor porque o mercado passa a exigir mais retorno, tornando essas taxas mais antigas menos atraentes. Também impacta empréstimos, financiamentos, e pode afetar empresas que têm dívida pesada ou cujos custos dependem de juros variáveis.

3) Risco cambial

Surge quando se lida com moedas diferentes, seja porque a empresa importa ou exporta, ou porque o investimento está em moeda estrangeira. Uma desvalorização ou valorização inesperada da moeda pode gerar perdas ou ganhos expressivos, muitas vezes fora do controle direto do investidor.

4) Risco de commodities

Esse risco aparece com os preços de matérias-primas como petróleo, ouro, soja, minério etc. Eles flutuam bastante por conta de condições climáticas, oferta/demanda global, políticas internacionais, greves, transporte, entre outros. Se você depende dessas commodities, como produtor ou consumidor, acaba sendo afetado.

5) Risco de liquidez

É quando você tem dificuldade de vender um ativo rapidamente sem “abrir mão” de parte do valor dele. Em momentos de crise ou em ativos pouco negociados, pode ser que não haja compradores dispostos, ou você tenha que aceitar um preço bem menor pra sair da posição.

Como medir o risco de mercado?

A medição do risco de mercado combina técnicas estatísticas, simulações e testes de robustez. Existem três abordagens comuns para calcular VaR: a aproximada por variância-covariância (assume retornos normalmente distribuídos e usa matriz de covariância), a simulação histórica (reaplica choques observados no passado à carteira atual) e a simulação de Monte-Carlo (gera milhares de cenários possíveis com modelos estocásticos).

Cada método tem prós e contras: variância-covariância é rápida mas sensível à hipótese de normalidade; histórica reflete eventos reais passados mas depende de janelas de dados; Monte-Carlo é flexível porém exige especificação cuidadosa dos modelos. Para além do VaR, o CVaR (Expected Shortfall) é hoje preferido por muitas instituições por ser uma medida coerente que captura caudas da distribuição.

As instituições também medem “sensibilidades”: delta, gamma, duration, DV01, para entender como pequenas mudanças em taxa, preço ou volatilidade impactam o valor dos ativos, e usam matrizes de correlação e fatores de risco (fatores macroeconômicos, taxas, câmbio, commodities) para decompor a origem do risco. Stress testing e análises de cenários extremos complementam as medidas quantitativas, simulando rupturas de correlação e eventos raros.

Finalmente, controles operacionais como limites de risco, monitoramento intradiário e backtesting contínuo são essenciais para verificar a qualidade das estimativas e ajustar modelos quando houver quebra de pressupostos.

Gestão do risco de mercado

A gestão de risco de mercado em instituições segue um ciclo estruturado: governança, identificação, mensuração, monitoramento e mitigação.

Na governança, comitês e políticas definem limites e responsabilidades; na identificação e mensuração usa-se VaR, Expected Shortfall, sensibilidades (duration, DV01, greeks) e simulações (histórica e Monte-Carlo) para quantificar exposições; o monitoramento envolve métricas intradiárias e relatórios consolidados comparados a limites estabelecidos; e a mitigação combina hedges, limites de posição, regras de liquidez e planos de contingência.

Além disso, práticas como backtesting (comparar projeções com o que realmente ocorreu), testes de estresse com cenários adversos e validação independente de modelos são fundamentais para evitar que suposições incorretas levem a surpresas significativas.

Tudo isso deve estar alinhado com requisitos regulatórios e com uma visão integrada de risco da empresa, para que decisões de negócio considerem tanto o potencial de retorno quanto a tolerância ao risco.

Entenda: Apetite ao risco: o que é e como defini-lo?

Impactos do risco de mercado

Os efeitos do risco de mercado se desdobram em várias frentes. No curto prazo, ele se traduz em volatilidade de preços que reduz o patrimônio dos investidores e pode provocar liquidez apertada em mercados mais frágeis; no médio prazo, pressiona resultados corporativos e reavaliações de risco, levando empresas a rever planos de expansão, financiamento e políticas de hedge.

Para bancos e gestoras, perdas de mercado elevam exigências de capital e podem desencadear restrições operacionais: por exemplo, limites internos são acionados e posições são reduzidas para conter a exposição.

Economicamente, choques prolongados podem reduzir investimento e consumo, amplificar ciclos recessivos e forçar respostas de política monetária ou fiscal, com efeitos secundários sobre inflação e emprego.

Além disso, a crescente interconexão e velocidade das informações fazem com que choques locais ganhem dimensão global mais rápido, exigindo governança de risco mais robusta, testes de estresse regulares e transparência para mitigar impactos sistêmicos.

Veja: Como avaliar os riscos de investimentos financeiros?

Como diminuir o risco de mercado?

1) Diversificar a carteira

Espalhar os investimentos entre diferentes classes de ativos, ações, renda fixa, imóveis, commodities, setores econômicos e até regiões geográficas ajuda bastante. Se um ativo ou setor sofre uma queda forte, os outros podem compensar, reduzindo o impacto negativo global da carteira. Essa diversificação diminui “o quanto você está pendurado numa única corda”.

2) Utilizar hedges financeiros

Estratégias de hedge funcionam como seguro: você faz operações que ganham valor se algo ruim acontecer no seu investimento original. Pode usar contratos futuros, opções ou swaps para se proteger, por exemplo, de queda de preços de commodities ou de variações de câmbio. Não eliminam totalmente o risco, mas aliviam bastante quando há oscilações adversas.

3) Estabelecer limites de risco

Decidir antecipadamente o quanto você está disposto a perder num cenário adverso ajuda a manter a disciplina. Isso vale tanto para perdas absolutas (quanto do capital) quanto para exposições em ativos específicos. Se uma posição atingir esse limite, você precisa ter um plano de ação: reduzir, sair ou rebalancear.

4) Monitoramento contínuo do mercado

O mundo financeiro muda rápido: taxas de juros, inflação, política, eventos geopolíticos, desastres naturais. Quem está sempre prestando atenção às notícias, aos indicadores macroeconômicos, e aos relatórios de empresas, consegue ver sinais de alerta cedo e ajustar a carteira antes que danos maiores ocorram.

5) Fazer stress tests e simular cenários extremos

Mesmo se tudo parecer calmo, é útil imaginar “e se” situações ruins acontecerem, juros explodirem, câmbio disparar, bolsa despencar, e ver como sua carteira reagiria. Isso ajuda a identificar vulnerabilidades que normalmente não aparecem em análises padrão. A partir disso, você pode estruturar proteção ou reservar margem de manobra.

6) Ajustar a alocação de acordo com o perfil de risco e horizonte de tempo

Se seus objetivos são de curto prazo, pode ser melhor menos exposição a ativos voláteis; se vai investir pensando no longo prazo, dá para assumir mais risco com alguma possibilidade de ganhos maiores. Conhecer seu próprio conforto com perdas, seu prazo para ficar investido, ajuda a definir quanto risco cabe na carteira de forma sustentável.

Saiba mais: Investidor de risco – Características e alternativas de aplicações

Importância do risco de mercado

Entender o risco de mercado é muito importante porque ele afeta diretamente o que você tem poupado ou investido: movimentos em juros, câmbio ou preços de ativos podem reduzir o patrimônio e desorganizar planos financeiros, desde a compra de uma casa até a aposentadoria.

Para empresas e investidores, essa compreensão permite tomar decisões mais informadas sobre alocação de capital, reservas de liquidez e proteção (hedge), evitando surpresas que forcem vendas em momentos ruins ou aumentem custos de financiamento.

Além disso, quando mercados ficam nervosos, o risco de mercado pode contaminar outros riscos, como liquidez e crédito, e transformar um choque localizado numa crise mais ampla, por isso reconhecer e mensurar esse risco é passo básico para proteger valor e manter estabilidade.

Conheça: Tolerância ao risco: saiba como definir seu perfil de investidor

Qual é a diferença entre risco de mercado e risco sistêmico?

O risco de mercado cobre todas as perdas potenciais decorrentes de variações nos mercados financeiros: taxas de juros que sobem ou caem, câmbio que se move, expectativas de inflação, preços de ações ou commodities que se alteram, tudo isso. Ele reflete tanto ciclos normais quanto choques inesperados, mas é parte do “jogo regular” dos mercados.

O risco sistêmico, por sua vez, é um tipo de risco mais grave, que representa a possibilidade de quebra ou mau funcionamento de partes críticas do sistema financeiro, com efeitos em cascata que comprometem instituições interligadas, interrompem fluxos de crédito ou pagamentos, ou geram pânico geral.

O risco de mercado é quase sempre componente do risco sistêmico: se um choque de juros ou política cambial for grande o bastante, ele pode se tornar sistêmico. Porém, nem todo risco de mercado evolui para isso.

Risco sistêmico exige que existam pontos de fragilidade, por exemplo, instituições com dívida excessiva, alta alavancagem, forte interdependência entre bancos, mercados financeiros pouco resilientes, de modo que o impacto local acabe contaminando o sistema inteiro.

Para lidar com risco sistêmico, além das estratégias usuais (diversificação, hedge etc.), são necessárias políticas de regulação, supervisão macroeconômica, sistemas de liquidez de emergência, redes de segurança institucional.

Leia mais: Ativo livre de risco: o que é, como funciona e quais são?

Fontes: BCG Brasil, Bora Investir, Empiricus, PWC, Goldman Sachs, Day Coval, Concur, Toro.

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