Bear market: o que é e como afeta seus investimentos?

Bear market: entenda o que é, por que os preços despencam e como proteger (ou até lucrar com) seus investimentos nesse cenário de queda.

24 de setembro de 2020 - por Sidemar Castro


Ver o valor dos investimentos despencar dia após dia é uma das situações mais desconfortáveis para quem tem dinheiro aplicado na bolsa. Não à toa, o termo bear market ganha força nas conversas entre investidores, economistas e na mídia especializada, virando quase um sinônimo de alerta vermelho no mercado financeiro.

Mas afinal, o que realmente caracteriza esse período de queda, e por que ele recebe esse nome específico? Neste texto, você vai entender como o bear market funciona na prática, quais fatores costumam desencadear esse cenário e mais. Bora lá?

O que é bear market?

Bear market é o termo usado para descrever um mercado ou ativo em queda prolongada, combinado com a expectativa de que essa queda continue.

Considera-se bear market quando um ativo cai 20% ou mais em relação ao seu último pico; para valer como uma classificação de mercado como um todo, essa retração precisa atingir cerca de 80% dos títulos negociados.

O nome vem da imagem do urso, que ataca com as garras de cima para baixo, remetendo ao movimento dos preços.

Vale notar que o número sozinho não conta a história toda: o bear market também representa um clima de pessimismo generalizado, que envolve investidores, empresas e o mercado como um todo.

Causas do bear market

Um bear market raramente tem uma única origem: geralmente é a soma de sinais econômicos negativos que, juntos, minam a confiança de investidores e empresas. Entre os principais gatilhos estão a retração do PIB, que sinaliza uma economia perdendo fôlego, e crises setoriais que se espalham para o restante do mercado.

Quedas prolongadas no preço das commodities também pesam bastante, principalmente para países cuja economia depende desses recursos, assim como a redução na geração de empregos, que enfraquece o consumo e a confiança de quem investe.

Empresas endividadas, aumento de juros (que encarece o crédito e desestimula novos investimentos), queda nos lucros corporativos e problemas financeiros em grandes instituições são outros fatores que, isolados ou combinados, ajudam a empurrar o mercado para essa fase.

Por fim, eventos inesperados, sejam eles políticos, sanitários ou geopolíticos, costumam intensificar o clima de incerteza e acelerar a fuga de investidores para posições mais seguras.

Como funciona o bear market?

Tudo começa quando a venda de ativos passa a superar a procura, e o motivo geralmente é o medo: diante da perspectiva de perdas maiores, investidores preferem se desfazer de posições a assumir riscos novos.

Esse comportamento cria um efeito cascata difícil de conter, já que cada queda alimenta a próxima, formando uma espiral baixista que pode ser puxada por crises econômicas, alta nos juros, retração do PIB ou eventos imprevistos como uma pandemia.

No início, investidores mais experientes realizam lucros e começam a se retirar aos poucos; depois vem a fase mais dura, marcada por pânico e vendas em massa, quando o volume de negociações despenca e até boas notícias parecem não surtir efeito algum sobre as cotações, tamanho é o peso do pessimismo dominante.

A virada só acontece quando os preços, já bastante depreciados, aliados a sinais de melhora na economia, voltam a despertar o interesse de compradores, o que devolve estabilidade ao mercado e abre caminho para uma nova fase de crescimento.

Quais são as fases do bear market?

Enquanto o mercado ganha embalo, o clima é completamente diferente do que se vê numa fase de retração: aqui prevalece a confiança, e cada nova alta reforça a crença de que o caminho seguirá o mesmo rumo.

A referência ao touro, que golpeia de baixo para cima, ilustra bem essa trajetória: gráficos sobem, índices batem recordes e o apetite por risco cresce junto com a euforia coletiva.

Esse movimento costuma se sustentar por conta própria. À medida que os preços avançam, mais capital entra no mercado, a liquidez aumenta e o otimismo se espalha entre diferentes tipos de investidores, dos mais experientes aos iniciantes.

Nesse ambiente, sinais de alerta raramente ganham peso: a atenção geral está voltada para o potencial de ganho futuro, o que faz com que notícias negativas passem quase despercebidas enquanto a valorização segue seu curso.

Qual é a diferença entre bear market e bull market?

A diferença está na direção do movimento e no clima que domina o mercado em cada momento. No bull market, os preços dos ativos sobem de forma consistente e reina a expectativa de que essa valorização continue, refletindo a confiança generalizada de investidores dispostos a assumir riscos.

Em contrapartida, o bear market representa o cenário inverso: os preços caem de forma persistente, e a maioria aposta que a queda ainda não chegou ao fim, num ambiente dominado pela cautela e pela venda de posições.

Os próprios nomes ajudam a fixar essa lógica. O touro ataca de baixo para cima, numa alusão direta ao movimento de alta dos gráficos, enquanto o urso golpeia de cima para baixo, representando a trajetória descendente dos preços.

Um mercado costuma alternar entre essas duas fases ao longo do tempo, e reconhecer em qual delas se está é fundamental para entender o comportamento dos investidores e ajustar decisões de acordo com o cenário.

Origem do nome bear market

O nome tem a ver com a forma como o urso ataca: golpeando com as garras de cima para baixo. Essa imagem física virou metáfora para o comportamento dos gráficos durante períodos de queda e pessimismo na bolsa, quando as linhas de preço despencam na mesma direção do golpe do animal.

A associação pegou justamente por ser intuitiva, já que basta olhar um gráfico em tendência de baixa para lembrar do movimento do urso, o que ajudou o termo a se popularizar entre investidores.

O que fazer quando estiver em bear market?

A primeira reação de muita gente diante da queda é vender tudo por impulso, mas essa costuma ser justamente a pior escolha: decisões tomadas no calor do pânico tendem a transformar uma desvalorização temporária em prejuízo permanente.

O caminho mais sólido é manter o foco no longo prazo e recorrer a estratégias como o custo médio, que consiste em fazer aportes regulares independente das oscilações, diluindo o impacto emocional da volatilidade e aproveitando para comprar ativos de qualidade enquanto estão descontados.

Ter a carteira bem distribuída entre setores e classes diferentes também faz diferença nesse momento, já que a renda fixa costuma compensar parte das perdas enquanto a bolsa segue pressionada. É também nessa fase que o Value Investing ganha força: trata-se de garimpar empresas sólidas, com bons fundamentos, cujas ações caíram mais por efeito do clima geral do mercado do que por problemas reais no negócio, o que pode se traduzir em bons resultados quando o cenário virar.

Para quem lida com posições de curto prazo, vale separar claramente essa parte da carteira das aplicações pensadas para o futuro, além de considerar mecanismos de proteção contra oscilações bruscas.

Investidores com mais experiência ainda podem recorrer a ferramentas como venda a descoberto, opções de venda ou ETFs inversos para tentar lucrar mesmo com o mercado em queda, mas são operações que pedem risco calculado e acompanhamento próximo de quem entende do assunto.

  • Leia mais:

Capital especulativo x capital produtivo: quais são as diferenças?

Risco regulatório vs. risco de conformidade: quais as diferenças?

Bitcoin vs. Dogecoin: diferenças, qual escolher

Títulos privados: o que são, características, como investir