O que são altcoins e como investir? Conheça as principais

Altcoins são todas as criptomoedas alternativas ao Bitcoin. Conheça as principais e como investir.

15 de julho de 2021 - por Sidemar Castro


Altcoins são todas as criptomoedas e tokens alternativos que não o Bitcoin. O termo vem da junção de alternative (alternativo) e coin (moeda). Elas representam uma grande variedade de projetos blockchain com diferentes tecnologias, finalidades, como contratos inteligentes e finanças descentralizadas (DeFi), e níveis de risco.

As altcoins são divididas em diferentes categorias de acordo com sua função e tecnologia. Neste artigo, saiba quais são as s principais e mais negociadas e como investir.

Veja também: Bitcoin: o que é, como funciona, é seguro, origem e vantagens

O que são altcoins?

Altcoins são simplesmente todas as criptomoedas que não são o Bitcoin. O nome é uma mistura de “alternativa” e “moeda” em inglês.

Quando o Bitcoin foi criado, ele era o único. Mas logo surgiram outras moedas digitais com propostas diferentes: mais rápidas, mais privadas, ou com funções que o Bitcoin não tinha. Hoje existem milhares delas.

Cada uma tem sua própria história, sua própria comunidade e seu próprio jeito de funcionar. É um universo vasto e muitas vezes confuso, mas também cheio de inovação.

Para que servem as altcoins?

O propósito de cada altcoin varia enormemente. No nível mais básico, todas servem para você transferir valor para outra pessoa sem precisar de um banco. Mas muitas vão muito além disso.

Algumas te dão o direito de votar em decisões importantes de um projeto. Outras funcionam como uma chave para acessar um serviço ou um aplicativo.

Há ainda as que são usadas para pagar as taxas de transação de uma rede inteira, como o “gás” que alimenta os aplicativos descentralizados. E, no lado mais superficial, algumas servem apenas para divertir uma comunidade online ou para especular sobre o próximo meme que vai viralizar.

A utilidade é o que diferencia um projeto promissor de uma moda passageira.

Entenda: A melhor explicação sobre bitcoin de todos os tempos

Como são criadas as altcoins?

Criar uma altcoin não é nenhum bicho de sete cabeças hoje em dia. O método mais simples é usando uma plataforma como o Ethereum, onde você pode criar um token em poucos minutos, sem saber programar. É só preencher um formulário e pagar uma taxa.

O método intermediário é dar um “fork” em um código existente, ou seja, copiar o código de uma criptomoeda como o Litecoin, mudar algumas coisas e lançar a sua própria. Foi assim que nasceu o Dogecoin.

O método mais difícil é construir uma blockchain inteira do zero, com sua própria rede de validadores e sua própria moeda. Foi o que a Ethereum fez, e o que a Solana fez depois.

Quais são os tipos de altcoins?

1) Altcoins de pagamento

São as mais parecidas com o Bitcoin original. Foram feitas para ser dinheiro de verdade, usado no dia a dia. Elas focam em fazer transações mais rápidas e com taxas menores que o BTC. O Litecoin é um bom exemplo.

2) Altcoins de utilidade (utility tokens)

Utility tokens são como fichas de um fliperama. Você compra as fichas para usar dentro de um jogo ou serviço específico. Por exemplo, o token da Uniswap te permite votar nas mudanças da plataforma.

3) Altcoins nativas de plataforma

São os “combustíveis” de redes como Ethereum e Solana. Sem elas, a rede não funciona, porque você precisa delas para pagar pelo processamento de qualquer coisa que faça ali, seja uma simples transferência ou um contrato inteligente complexo.

4) Stablecoins

São a tentativa de ter o melhor dos dois mundos: a tecnologia das criptomoedas com a estabilidade do dinheiro de verdade, como o dólar. Cada USDT ou USDC deveria valer 1 dólar, o que as torna úteis para guardar valor sem a volatividade louca do mercado cripto.

5) Memecoins

Memecoins nascem de piadas na internet. A mais famosa é a Dogecoin, criada com a foto de um cachorro da raça Shiba Inu. Elas não têm um propósito tecnológico profundo, e seu preço depende do hype e do apoio de celebridades.

6) Altcoins com lastro em ativos reais

Representam a digitalização de coisas do mundo real. Um token pode representar um pedaço de um prédio, uma obra de arte ou até uma parte de uma dívida. Isso facilita a negociação e permite que qualquer pessoa compre uma fração de um imóvel de luxo, por exemplo.

Quais são as principais e mais famosas altcoins?

1) Ethereum (ETH)

É a rainha das altcoins. Ela não é apenas uma moeda, é uma plataforma inteira. Foi nela que a febre dos contratos inteligentes e dos aplicativos descentralizados (os DApps) começou. Praticamente tudo o que não é Bitcoin passa pela rede dela de alguma forma.

2) XRP (Ripple)

É o token da Ripple, uma empresa que quer substituir o sistema SWIFT, usado por bancos para transferir dinheiro entre países. O XRP funciona como uma moeda de ponte, facilitando transações internacionais que levariam dias para custar segundos.

3) Tether (USDT)

É a stablecoin mais usada. Quando os traders querem sair da volatilidade do mercado, eles convertem suas criptos em USDT, que teoricamente vale 1 dólar. É uma forma de estacionar o dinheiro dentro do ecossistema cripto sem precisar sacar para reais.

4) Solana (SOL)

É a alternativa mais rápida ao Ethereum. Enquanto o Ethereum pode ficar lento e caro, a Solana se vangloria de processar milhares de transações por segundo com taxas insignificantes. É a queridinha dos jogos e das aplicações que precisam de velocidade.

5) Cardano (ADA)

Cardan (ADA) é o projeto dos acadêmicos. Tudo o que eles fazem é revisado por pares e publicado em artigos científicos. Isso torna o desenvolvimento mais lento, mas teoricamente mais seguro e bem fundamentado. É a favorita dos investidores que gostam de ler documentos.

6) Dogecoin (DOGE)

A “criptomoeda séria que nasceu como piada”. Criada em 2013 para satirizar o mundo cripto, acabou se tornando uma das maiores e mais famosas. Seu preço disparou por causa de menções do Elon Musk e de uma comunidade online muito forte e leal.

7) BNB

É a moeda da Binance, a maior exchange do mundo. Se você paga as taxas da Binance com BNB, ganha desconto. Além disso, a Binance Smart Chain, uma blockchain concorrente do Ethereum, usa o BNB como seu combustível oficial.

Como é a mineração de altcoins?

Depende da altcoin. As mais antigas, como Litecoin, usam “mineração” mesmo, com computadores potentes que consomem energia e emitem calor para resolver problemas matemáticos e validar transações.

É o sistema Prova de Trabalho. Mas a maioria das altcoins modernas usa o sistema de “staking”, ou Prova de Participação.

Não existe “mineração” no sentido literal. Em vez disso, você “aposta” suas moedas, ou seja, tranca elas em uma carteira para ajudar a validar a rede.

Quanto mais moedas você aposta, maiores suas chances de ser escolhido para validar um bloco e ganhar uma recompensa. É muito mais ecológico e acessível.

Vantagens, desvantagens e riscos das altcoins

A maior vantagem é o potencial de retorno: uma altcoin pode valorizar 1000% em poucos meses. Além disso, você se expõe a tecnologias novas e inovadoras.

Mas as desvantagens são assustadoras. O risco é altíssimo.

Uma notícia ruim pode derreter o preço em 50% em um dia. O risco de golpe é enorme, com projetos falsos que somem com o dinheiro. E, diferente do Bitcoin, que já tem uma década de história, muitas altcoins simplesmente morrem, perdem desenvolvedores e viram pó. Não é para qualquer um.

Conheça: Todo mundo deveria comprar Bitcoins? [A regra dos 2%]

O que e como analisar altcoins antes de investir?

Analisar uma altcoin é como investigar uma empresa de tecnologia. Leia o “whitepaper”, que é o plano de negócios do projeto.

Veja quem são os desenvolvedores; são pessoas conhecidas ou estão anônimas? Estude a “tokenomics”: como as moedas são distribuídas?

Se a equipe detém a maioria, eles podem despejar tudo no mercado a qualquer momento. Veja a comunidade do projeto: é ativa e engajada ou são só bots e spam?

E por fim, veja o código: o projeto está sendo atualizado com frequência ou está abandonado? Responder essas perguntas não garante sucesso, mas evita que você caia nas armadilhas mais óbvias.

Saiba também: Qual a lógica do Bitcoin? O mínimo que você precisa saber sobre criptomoedas

Como investir em altcoins?

O caminho mais comum é abrir uma conta em uma exchange, como Mercado Bitcoin ou Binance. Você faz o cadastro, valida seus documentos (é chato, mas é lei), deposita reais via Pix e compra. É tão fácil quanto comprar um produto na internet.

Para quem quer mais segurança, o ideal é depois transferir essas moedas da exchange para uma “carteira fria”, que é um dispositivo físico offline, quase impossível de ser hackeado. Mas isso exige mais conhecimento técnico.

Para o investidor iniciante, manter na própria exchange, desde que seja uma exchange grande e confiável, já é um bom começo.

O que é “altcoin season”?

“Altcoin season”, ou “temporada altcoin” é a época do ano, no mundo cripto, em que as moedas alternativas apresentam valorização.

Normalmente, o ciclo é o seguinte: o Bitcoin sobe primeiro, atraindo atenção. O dinheiro novo entra no mercado comprando Bitcoin.

Depois que o Bitcoin dá uma boa subida, os investidores vendem uma parte e colocam o lucro nas altcoins menores, que têm mais potencial de subir ainda mais. Quando isso acontece de forma generalizada, as altcoins explodem de valor em poucas semanas, e o Bitcoin fica “andando de lado”.

É o momento de maior euforia, mas também de maior perigo, porque todo mundo quer entrar na hora errada.

Veja maisQuando é um bom momento para comprar Bitcoin?

Vale a pena investir em altcoins?

Vale, mas com uma carteira na mão e o coração preparado. Não coloque o dinheiro que você precisa para pagar o aluguel ou as contas do mês. Pense em um valor que você pode perder completamente sem comprometer sua vida.

Para um investidor que já tem uma carteira sólida com ações, imóveis e renda fixa, colocar de 5% a 10% em altcoins pode ser um “tempero” que aumenta o retorno potencial. Para um iniciante, o melhor é começar com Bitcoin e, só depois de entender como funciona, ir com calma nas altcoins.

Como comprar altcoins?

A maneira mais simples é através de uma exchange. Escolha uma, crie sua conta, faça a verificação de identidade, deposite dinheiro e compre. É o mesmo processo para todas.

Outra forma é através de “trocas diretas” (P2P), onde você negocia diretamente com outra pessoa, o que pode ser mais arriscado se não souber o que está fazendo.

E, para os mais avançados, há as exchanges descentralizadas (DEXs), onde você não precisa de cadastro, mas precisa entender de carteiras digitais e de como conectar seu navegador a elas.

É necessário ter token para comprar altcoins?

Não. Isso é uma confusão comum. O “token” é a própria altcoin que você quer comprar. Você compra com dinheiro de verdade (reais ou dólares).

Em uma exchange brasileira, o par de negociação é “BRL-ETH”, por exemplo. Você não precisa ter uma “ficha” intermediária. Você troca seus reais por Ethereum. Ponto final.

Quem define o preço das altcoins?

O preço é definido pela lei da oferta e da demanda em tempo real nas centenas de exchanges espalhadas pelo mundo. É um mercado global e descentralizado.

Se no Brasil a galera está comprando muito Ethereum, o preço sobe. Se na China estão vendendo loucamente, o preço cai. Não há um “botão de controle” nas mãos do criador do projeto, nem de nenhum governo.

O que influencia indiretamente são notícias, lançamentos de produtos, e principalmente o humor coletivo dos investidores, que pode ser de euforia ou de pânico.

Altcoins têm retorno garantido?

Jamais. Se alguém te prometer retorno garantido com altcoins, fuja imediatamente. É o maior sinal de golpe que existe.

Criptomoedas são voláteis por natureza. Você pode ganhar 100% em um mês e perder 80% no mês seguinte.

A garantia que você tem é apenas a da tecnologia: se a rede funciona, as transações são seguras. Do valor de mercado, ninguém garante nada.

Altcoins são regulamentadas no Brasil?

Hoje, sim. O Brasil foi um dos primeiros países a criar um marco regulatório para criptomoedas.

Em 2023, o Banco Central foi designado como o regulador do setor. Isso significa que as exchanges que operam aqui têm que seguir regras para evitar lavagem de dinheiro e proteger o consumidor.

No imposto de renda, você precisa declarar todas as suas altcoins. Se você vender mais de R$ 35.000 em um mês, terá que pagar imposto sobre o lucro. É um marco importante que tira as criptomoedas do “limbo” legal.

Diferença entre altcoins e bitcoin

A diferença fundamental é o propósito.

Bitcoin foi feito para ser “ouro digital”: escasso, seguro, descentralizado e lento de propósito.

Altcoins foram feitas para serem “prata”, “bronze” ou ferramentas diferentes. Elas buscam resolver problemas que o Bitcoin não resolve: velocidade (Litecoin), programabilidade (Ethereum), estabilidade (USDC).

O Bitcoin é o pioneiro, o avô. As altcoins são os netos que tentam melhorar ou inovar a partir da ideia original. Algumas conseguem, a maioria fracassa.

Diferença entre altcoins e stablecoin

A diferença é que “altcoin” é a categoria geral, e “stablecoin” é um tipo dentro dessa categoria. É como “fruta” e “maçã”. Toda maçã é uma fruta, mas nem toda fruta é uma maçã. Toda stablecoin é uma altcoin (porque não é Bitcoin), mas nem toda altcoin é uma stablecoin.

A principal característica que diferencia a stablecoin de todas as outras altcoins é a sua estabilidade de preço. Enquanto o Ethereum sobe e desce 10% num dia, o USDC permanece cotado a 1 dólar. A função delas é completamente diferente: enquanto as outras são para especular, as stablecoins são para preservar valor.

História das altcoins

Tudo começou em 2011, quando um desenvolvedor criou o Namecoin, que tentava descentralizar os nomes de sites na internet.

No mesmo ano, nasceu o Litecoin, que se propunha a ser a versão “prata” do Bitcoin “ouro”. Foi a primeira que realmente pegou.

O grande “Big Bang” das altcoins, no entanto, foi em 2015 com o lançamento do Ethereum. A ideia de ter uma plataforma onde qualquer pessoa pudesse criar aplicativos descentralizados foi revolucionária.

Em 2017, houve uma febre de lançamentos de novos tokens chamada ICO (Initial Coin Offering). Milhares de altcoins surgiram, a maioria golpe ou projetos furados.

Depois do estouro da bolha em 2018, o mercado se consolidou, e as altcoins que sobreviveram, como Cardano e Solana, hoje são gigantes. Hoje, o mercado é dividido entre os projetos sérios, que tentam construir tecnologia de verdade, e as memecoins virais, que vão e vêm com o ritmo das redes sociais.

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