Renda fixa e renda variável: qual a diferença?

26 de julho de 2021 - por Bárbara Ackerman


A principal diferença entre renda fixa e renda variável reside na previsibilidade e no risco. Na renda fixa, a rentabilidade é conhecida ou atrelada a indexadores (como Selic, IPCA) no momento da contratação, ideal para perfis conservadores. A renda variável não garante retornos, oscilando conforme o mercado, ideal para perfis arrojados que buscam maiores ganhos.

Saiba melhor quais as diferenças no artigo abaixo.

Veja também: Renda fixa: o que é, como funciona e como investir?

O que é renda fixa?

Renda fixa é aquele tipo de investimento em que você já sabe, mais ou menos, como vai ganhar dinheiro antes mesmo de colocar a mão no bolso. Quando você aplica, já conhece a regra: qual o prazo, qual a taxa de juros ou qual índice vai corrigir o seu dinheiro.

O nome “fixa” não quer dizer que o valor que você vai receber é igual todo mês, mas sim que as regras do jogo estão definidas desde o início.

Leia mais: Perguntas Comuns Sobre Renda Fixa Brasileira

Características e funcionamento da renda fixa

A grande marca da renda fixa é a previsibilidade. Você consegue calcular, com uma boa margem de acerto, quanto vai ter no futuro.

O funcionamento é básico: você empresta dinheiro para alguém (pode ser o governo, um banco ou uma empresa) e essa pessoa ou instituição se compromete a te pagar de volta com juros numa data combinada.

Existem três tipos principais de renda fixa: os prefixados (você sabe exatamente a taxa, tipo “12% ao ano”), os pós-fixados (a rentabilidade segue um índice, como a Selic ou o CDI) e os híbridos (uma parte fixa mais a inflação).

Quase todos contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF por banco, o que dá uma segurança extra.

Tipos de investimentos em renda fixa

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é o investimento no governo federal. Você compra um título e o Tesouro Nacional se compromete a te pagar juros. É considerado o investimento mais seguro do país, porque o governo tem uma capacidade imensa de pagar suas contas.

Dentro do Tesouro, há opções para cada necessidade: o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e tem liquidez diária, sendo ótimo para reserva de emergência; o Tesouro Prefixado tem uma taxa fixa conhecida no momento da compra; e o Tesouro IPCA+ paga a inflação mais uma taxa fixa, protegendo seu poder de compra.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB é como se você fosse o banqueiro por um tempo. Você empresta dinheiro para um banco, e ele te paga juros por isso. No prazo combinado, você recebe de volta o valor emprestado mais os rendimentos.

O FGC garante o investimento até R$ 250 mil por CPF por banco. A rentabilidade costuma ser atrelada ao CDI (que anda bem perto da Selic), então você vê ofertas do tipo “CDB que paga 110% do CDI”.

Vale lembrar: quanto maior a taxa oferecida, maior o risco do banco que está emitindo o título.

LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio)

Esses são parentes próximos do CDB, mas com uma vantagem enorme: são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. A LCI é lastreada em créditos do setor imobiliário, e a LCA em créditos do agronegócio.

Como não pagam IR, a taxa oferecida costuma ser um pouco mais baixa que a de um CDB, mas o ganho líquido no bolso pode ser maior. E também contam com a proteção do FGC. É muito comum ver LCI e LCA pagando entre 90% e 95% do CDI.

Debêntures

Diferente dos anteriores, a debênture não é emitida por banco, e sim por empresas. Você empresta dinheiro diretamente para uma companhia, que pode ser uma gigante da energia, do saneamento ou do varejo.

A empresa usa esse dinheiro para financiar seus projetos. O risco é maior porque não há garantia do FGC. Se a empresa quebrar, você pode perder o investimento. Em compensação, as taxas são mais atrativas.

Existem as debêntures incentivadas, voltadas para projetos de infraestrutura, que são isentas de Imposto de Renda.

CRI e CRA (Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio)

Esses títulos também são emitidos por empresas e não contam com FGC. Eles são lastreados em dívidas dos setores imobiliário (CRI) e do agronegócio (CRA).

A principal vantagem é a isenção de Imposto de Renda para pessoa física. O risco varia conforme a qualidade dos recebíveis que estão por trás do título.

Eles são um pouco mais complexos do que um CDB, mas para quem já tem experiência, podem ser uma forma interessante de diversificar e buscar rentabilidade isenta.

O que é renda variável?

Renda variável é o time dos investimentos sem roteiro definido. Quando você aplica, não faz ideia de quanto vai ganhar ou perder.

O valor do seu investimento sobe e desce todo dia, conforme o humor do mercado, os resultados das empresas e a economia do país e do mundo. O nome já entregou: a renda varia, para cima ou para baixo, e você pode tanto ficar rico quanto perder uma boa grana.

Características e funcionamento da renda variável

A principal característica da renda variável é a volatilidade, ou seja, a montanha-russa de preços. O funcionamento se dá na bolsa de valores, a B3.

Você compra e vende ativos como ações, fundos imobiliários e ETFs. Quando você compra uma ação, vira sócio de uma empresa. Quando compra um fundo imobiliário, vira cotista de um conjunto de imóveis.

O ganho vem de dois lugares: da valorização do preço (comprar barato e vender mais caro depois) e dos proventos (dividendos, juros sobre capital próprio ou aluguéis). Como não há garantia de nada, o risco é maior, mas também é onde está o maior potencial de crescimento no longo prazo.

Tipos de investimentos em renda variável

Ações

Comprar uma ação é virar sócio de uma empresa. Você adquire um pedacinho dela, proporcional ao valor que investe. Existem ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas assembleias, e preferenciais (PN), que não dão voto, mas dão preferência no recebimento de dividendos.

O ganho vem da valorização do papel na bolsa e da distribuição de lucros da empresa. Se a empresa for bem, você ganha; se for mal, você perde. Por isso, antes de comprar uma ação, vale a pena estudar bem a companhia.

Fundos Imobiliários (FIIs)

Os FIIs reúnem o dinheiro de várias pessoas para investir no mercado imobiliário. Eles podem comprar imóveis de verdade (como galpões logísticos, shoppings e lajes corporativas) ou ativos financeiros do setor, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

As cotas são negociadas na bolsa como se fossem ações. A grande vantagem são os rendimentos mensais, que para pessoas físicas são isentos de Imposto de Renda. Esse rendimento vem dos aluguéis ou dos juros dos ativos que o fundo tem na carteira.

ETFs (Exchange Traded Funds)

ETFs são fundos que não tentam adivinhar quais ações vão subir. Eles simplesmente copiam um índice da bolsa, como o Ibovespa (que reúne as principais ações do Brasil) ou o S&P 500 (que reúne as maiores empresas dos EUA).

Se o índice sobe, o ETF sobe; se o índice cai, o ETF cai. São chamados de fundos de gestão passiva. As taxas de administração são bem mais baixas do que as dos fundos tradicionais. É uma forma simples e barata de diversificar.

BDRs (Brazilian Depositary Receipts)

BDRs são recibos que representam ações de empresas estrangeiras e são negociados na B3, a bolsa brasileira. Com eles, você pode comprar um pedacinho de gigantes como Apple, Microsoft, Amazon, Google e Tesla sem precisar abrir conta no exterior.

Cada BDR corresponde a uma fração ou a uma cota da ação original. É a porta de entrada mais prática para o investidor brasileiro que quer diversificar globalmente.

Fundos de Ações e Fundos Multimercado

Se você não quer ou não tem tempo para escolher ações sozinho, pode colocar seu dinheiro em um fundo. No fundo de ações, um gestor profissional escolhe as ações da carteira.

No fundo multimercado, o gestor tem mais liberdade e pode usar várias estratégias, incluindo ações, câmbio, juros e derivativos. A vantagem é ter um especialista cuidando do seu dinheiro.

A desvantagem são as taxas de administração e performance, que podem comer parte do seu retorno.

Qual a diferença entre renda variável e renda fixa?

A diferença principal é a previsibilidade. Na renda fixa, você sabe a regra desde o começo: a taxa de juros ou o indexador que vai corrigir seu dinheiro. Mesmo nos pós-fixados, você sabe que o rendimento vai seguir a Selic ou o CDI. Na renda variável, não há regra pré-definida.

O resultado depende do que o mercado decidir. Como consequência, a renda fixa é mais segura e menos volátil, ideal para curto prazo e reserva de emergência.

A renda variável é mais arriscada e oscila mais, mas oferece maior potencial de retorno para quem tem paciência e estômago para aguentar as quedas.

Quanto investir em renda fixa e renda variável?

Essa conta depende do seu perfil. Não existe uma resposta que sirva para todo mundo.

Para o investidor conservador, aquele que não gosta de sustos e preza pela segurança, o recomendado é ter entre 70% e 100% do patrimônio em renda fixa.

Para o moderado, aquele que topa um pouco de risco em troca de retornos melhores, o equilíbrio costuma ser entre 40% e 60% em renda fixa e o restante em variável.

Para o arrojado, que não se abala com oscilações e busca crescimento, a renda variável pode ocupar de 60% a 85% da carteira.

Uma dica que funciona para todo mundo: antes de qualquer coisa, monte uma reserva de emergência em renda fixa com liquidez diária (Tesouro Selic ou CDB com liquidez). Essa reserva é o seu colchão de segurança. Depois, com o dinheiro que você não vai precisar nos próximos anos, comece a investir em renda variável.

Diversificação de seus investimentos com renda fixa e renda variável

Diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta. É distribuir o dinheiro entre diferentes tipos de ativos para que, se um deles for mal, os outros possam compensar. Na prática, combinar renda fixa e renda variável é a base da diversificação.

A renda fixa é a âncora da carteira, trazendo segurança e previsibilidade. Ela funciona como um colchão quando a bolsa despenca.

A renda variável é o motor de crescimento, trazendo potencial de ganhos maiores no longo prazo e ajudando a proteger contra a inflação.

Elas não são rivais; são parceiras. Uma carteira saudável tem um pouco de cada. O ideal é incluir títulos públicos, CDBs de diferentes bancos, fundos imobiliários de segmentos variados e ações de setores diversos. Com isso, você reduz a volatilidade e aumenta as chances de ter retornos consistentes ao longo do tempo.

Perguntas frequentes sobre renda fixa e renda variável

CDB é renda fixa ou variável?

CDB é renda fixa. Quando você compra um CDB, está basicamente fazendo um empréstimo para um banco. E desde o momento da compra, você sabe qual a regra de remuneração: pode ser uma taxa prefixada (ex: 12% ao ano) ou uma taxa pós-fixada (ex: 110% do CDI).

Tesouro Selic é renda fixa ou variável?

Tesouro Selic também é renda fixa. Ele é um título do governo federal que rende exatamente a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Por ser pós-fixado, o valor exato do resgate só será conhecido no futuro, quando você sacar o dinheiro.

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