11 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro
O mercado de crédito é o espaço onde pessoas e empresas conseguem recursos financeiros para pagar no futuro, geralmente com juros, aquilo que recebem no presente. Ele é peça-chave do Sistema Financeiro Nacional, ajudando a impulsionar a economia e mostrando como anda o nível de endividamento no país.
Neste artigo, trazemos o que é o mercado de crédito, como funciona e exemplos. Leia!
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O que é o mercado de crédito?
Entenda o mercado de crédito como um grande ecossistema financeiro. Nele, diversas organizações, de bancos tradicionais a fintechs inovadoras, fornecem recursos na forma de empréstimos e financiamentos para pessoas físicas, empresas e o setor público.
Eles adiantam o capital necessário, e em troca, o tomador se compromete a devolver esse valor mais juros futuramente.
É assim que pessoas conseguem realizar sonhos, empresas investem em crescimento e governos financiam obras, mesmo sem ter todo o recurso imediatamente. Tudo gira em torno de democratizar o acesso ao dinheiro.
Para que serve o mercado de crédito?
Para entender a importância do mercado de crédito, basta olhar para o seu papel na economia do país. Ele é essencial porque movimenta uma quantidade enorme de recursos, impulsionando a atividade econômica.
Só que tem um detalhe importante: ele não é a mesma coisa que o mercado de capitais. Sabe por quê? Porque no crédito, bancos e financeiras atuam como intermediários, elas distribuem os títulos, mas quem assume o risco são os investidores, não elas.
O resultado disso tudo é um sistema poderoso para a sociedade. Ele viabiliza o financiamento de projetos que trazem benefícios concretos e diretos, impulsionando diversos setores da nossa economia como um todo.
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Como o mercado de crédito funciona?
Pense o mercado de crédito como uma ponte entre quem tem recursos e quem precisa deles. Funciona assim: de um lado ficam os credores (bancos, fintechs e afins), e do outro, quem busca o crédito, seja você, uma empresa ou o governo.
Os empréstimos podem durar pouco (menos de um ano), ter um prazo médio (1 a 5 anos) ou ser de longo fôlego (acima de 5 anos). E para que tudo corra bem, alguns combinados são essenciais antes de assinar: o valor total, como será quitado, os juros aplicados, garantias exigidas e o propósito do dinheiro.
É assim que se constrói um bom acordo: ajustando essas variáveis conforme o perfil de quem pede e quem oferece, criando condições justas para todos envolvidos.
Exemplo de mercado de crédito
Nas nossas vidas, esse mercado se manifesta de várias formas: o cartão de crédito que você usa no supermercado, aquele cheque especial na conta-corrente quando o saldo acaba, um empréstimo pessoal ou o financiamento que permite comprar um imóvel.
Para as empresas, a dinâmica é semelhante, mas com objetivos empresariais: capital de giro, antecipação de recebíveis, leasing de máquinas ou recursos para expandir operações
Recentemente (em abril de 2025), a Matera divulgou um panorama bem ilustrativo: o saldo total do mercado de crédito no Brasil, envolvendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas, chegou a impressionantes R$ 6 trilhões, valor que representa um aumento de 10% em relação ao ano anterior
O funcionamento do mercado de crédito envolve uma relação clara entre credor e tomador. Primeiro, uma instituição avalia o risco de quem solicita o crédito (levando em conta histórico, garantias, score de crédito, entre outros), estabelece a taxa de juros e define prazos e condições de pagamento. Tudo isso é formalizado em contrato.
O que influencia esse mercado? A Taxa Selic está no centro: quando sobe, os juros tornam-se mais altos e o crédito mais caro para o consumidor; quando cai, a tomada de empréstimos se torna mais atraente.
Além dela, fatores como inflação, cenário econômico, inadimplência, margem de lucro das instituições, políticas regulatórias e eventos macroeconômicos também moldam as condições de acesso ao crédito.
Fatores influenciam no mercado de crédito
1) Taxa Selic (juros básicos da economia)
A variação da Selic afeta diretamente o custo de captação de recursos pelas instituições. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro e reduzir o apetite por empréstimos; quando cai, o crédito tende a ficar mais acessível.
2) Inadimplência
A quantidade de pessoas ou empresas que não conseguem honrar seus compromissos financeiros aumenta os custos de cobrança e o risco para quem concede crédito. Em situações assim, os juros sobem para compensar esses riscos.
3) Custos operacionais e carga tributária
As instituições precisam arcar com despesas administrativas, tecnologia, pessoal e ainda recolher impostos como IOF, Cofins, PIS, CSLL e Imposto de Renda. Tudo isso é incorporado ao custo final do crédito, influenciando o valor cobrado de quem toma empréstimo.
4) Margem de lucro (spread)
As instituições financeiras tentam obter uma remuneração que cubra seus custos e ainda gere lucro. Essa diferença entre o que pagam para captar recursos e o que cobram de quem toma crédito acaba formando o spread, que impacta diretamente a taxa final oferecida ao consumidor.
5) Condições econômicas gerais
Em momentos de crescimento econômico, maior confiança e consumo, os bancos se sentem mais seguros para liberar crédito. Já cenários de inflação alta, desemprego elevado ou recessão tendem a restringir o crédito disponível.
6) Regulação e política monetária
Regras definidas pelo Conselho Monetário Nacional e o Banco Central moldam o ambiente do crédito, controlando prazos, taxas, limites e fornecendo estabilidade ao sistema. Alterações na regulação ou na política monetária podem ter impacto imediato nas concessões.
7) Assimetria de informação e garantias disponíveis
Quando os credores têm pouco ou nenhum histórico sobre o comportamento financeiro de quem pede empréstimo, acabam aumentando os juros ou negando a operação por precaução. Já quando existem informações consolidadas (como no cadastro positivo) e bons garantias, o crédito flui mais fácil e a juros mais baixos.
8) Inovação tecnológica e experiência do cliente
Ferramentas como inteligência artificial, análise de dados alternativos e atendimento digital deixam o processo mais ágil, seguro e transparente. Isso tende a reduzir custos, melhorar a avaliação dos riscos e ampliar o acesso ao crédito de forma mais justa e personalizada.
Quais são os tipos de crédito do mercado de crédito?
O mercado de crédito é dividido para atender tanto pessoas quanto empresas.
1) Para Você (Pessoa Física)
Quando você, como indivíduo, precisa de crédito, as opções são muitas! As mais comuns são:
- Crédito consignado: descontado direto da sua folha de pagamento ou benefício.
- Cartão de crédito: para compras do dia a dia.
- Cheque especial: um limite extra na sua conta corrente.
- Crédito Direto ao Consumidor (CDC): para comprar bens como eletrodomésticos ou móveis.
- Financiamentos e leasing: para adquirir bens de maior valor, como veículos e imóveis.
2) Para Empresas (Pessoa Jurídica)
Já para as empresas, o crédito é uma ferramenta para alavancar os negócios. As principais modalidades são:
- Capital de giro: para manter a operação funcionando, cobrindo despesas como salários e contas.
- Financiamentos: para investir na compra de máquinas e equipamentos ou para financiar o desenvolvimento de grandes projetos.
Principais agentes do mercado de crédito
1) Instituições financeiras
São os grandes protagonistas nesse universo, como bancos comerciais, financeiras e cooperativas de crédito. Elas operam com musculatura e capilaridade, oferecendo desde empréstimos e financiamentos até linhas voltadas para empresas, com prazos e taxas que variam conforme o perfil do cliente.
2) Fintechs (Sociedades de Crédito Direto – SCDs)
Essas empresas se destacam pela agilidade e uso intenso da tecnologia. As fintechs operam sem agências físicas, com processos rápidos, digitais e muitas vezes com critérios próprios de análise de crédito. Elas surgiram como modelos inovadores, as chamadas Sociedades de Crédito Direto (SCDs), e estão mudando a forma como acessamos crédito.
3) Instituições de microcrédito
Voltadas especialmente para quem tem dificuldade de acesso ao sistema tradicional, essas instituições oferecem empréstimos menores, muitas vezes sem garantias físicas. São uma alternativa essencial para quem está fora da chamada “bancarização convencional”.
4) Agência de classificação de risco de crédito
Embora não emprestem dinheiro diretamente, essas agências, como as que oferecem notas para emissores e títulos, são fundamentais para avaliar a capacidade de pagamento do tomador. Elas dão mais segurança e clareza às operações de crédito.
5) Correspondentes bancários e agentes de crédito
Esses profissionais e empresas atuam como ponte entre quem busca crédito e a instituição que concede. Eles oferecem atendimento personalizado, ajudam a escolher a melhor opção e facilitam todo o processo.
Mercado de crédito no Brasil
Vamos falar sobre o tamanho do ‘bolo’ de crédito no Brasil? O Banco Central trouxe um número revelador em 2023: R$ 5,4 trilhões em operações no Sistema Financeiro Nacional. E o sinal aqui é positivo, o mercado vem expandindo mês a mês.
Parte desse movimento se deve a tecnologias que já fazem parte do seu dia a dia: o PIX e os pagamentos por aproximação. Eles não são só convenientes; são combustível para um crédito mais dinâmico.
Mas atenção: essa expansão não vive só de inovação. Fatores como oscilações do dólar, pressão inflacionária e taxas de juros podem frear ou acelerar a roda.
Agora, se o assunto é crédito para empresas, a história tem capítulos ainda mais expressivos. Em fevereiro de 2022, companhias brasileiras movimentaram R$ 1,3 trilhão, crescimento robusto de 17,5% em um ano. O que explica? Desde operações de câmbio até financiamentos para exportação, compra de frotas ou capital de giro. Um ecossistema complexo, mas vital para a economia.
Ambas as versões mantêm os dados essenciais, integram as informações de forma orgânica e substituem termos técnicos por linguagem mais acessível, reforçando a relação entre inovação, economia real e comportamento do mercado.
Leia também: Fundo de Crédito Privado: o que é e como funciona?
Diferença entre mercado de crédito e mercado de capitais
Se a gente pensar bem, a diferença entre mercado de crédito e mercado de capitais é mais sobre de onde o dinheiro vem e para onde ele vai.
No mercado de crédito, o caminho é o que já conhecemos: um banco ou outra instituição financeira empresta recursos para clientes, e esses clientes devolvem com juros. É o empréstimo clássico que financia desde reformas de casa até investimentos de empresas.
Já no mercado de capitais, é como se o palco fosse outro. O dinheiro sai do bolso dos investidores e vai direto para empresas que precisam de fôlego para crescer, lançar novos projetos ou se expandir. Em troca, essas empresas devolvem o valor no futuro com uma remuneração extra para quem confiou nelas. Aqui, sempre tem a participação de uma corretora ou de um banco para fazer essa ponte.
Apesar das semelhanças na ideia de “pegar e devolver dinheiro”, o sentido é oposto. No crédito, a oferta vem dos bancos; no capital, parte de quem investe. Mas nos dois casos, existe o mesmo pano de fundo: fazer a economia girar e transformar planos em realidade.
Leia mais: Programa Crédito do Trabalhador: o que é e como funciona?
Fontes: Top Invest, Suno, Matera, Infomoney e Empiricus.